Os
Evangelhos segundo a Ufologia
Novas interpretações da Bíblia
indicam
que Jesus foi um alienígena enviado à Terra
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Fernando
de Aragão Ramalho
O primeiro
período da década de 70, época obscura da política
brasileira, quando a ditadura militar implementava suas maiores
atrocidades contra aqueles que teimavam em seguir caminhos contrários
aos rumos determinados pelo então presidente Médici
e seus políticos colaboradores, coincidiu com a conturbada
adolescência da Ufologia Brasileira. As práticas religiosas
ditadas pela Igreja Católica Apostólica Romana eram
rigidamente cumpridas no maior país católico do mundo,
sendo o catolicismo oficialmente reconhecido como a religião
do Brasil, a única a ser ministrada no ensino religioso das
escolas públicas. Quem colocasse esses pressupostos divinos
em questão seria queimado vivo na inquisitória fogueira
da ignorância pública e condenado ao ostracismo.
Nesse contexto, surgem no país as primeiras
obras de impacto que levantariam graves suspeitas sobre o que estava
estampado nas escrituras sagradas do cristianismo. Como uma adolescente
indócil e rebelde, em plena produção hormonal,
a Ufologia Brasileira, através do ufólogo Fernando
Cleto Nunes Pereira, em seu livro A Bíblia e os Discos Voadores,
atingira em cheio os principais alicerces da igreja, repetidos e
pregados exaustivamente séculos a fio por seus evangelistas.
Tal qual um vendedor de balas que oferece uma guloseima nova a uma
criança ávida por novidades, Pereira ousara chamar-nos
à leitura de novos pontos de vista sobre o que realmente
dizia a Bíblia, com uma frase que, neste momento, a roubaremos
para finalizar a introdução de nossas espinhosas e
ousadas afirmações a respeito das relações
entre os Evangelhos e a Ufologia: “Aqueles que seguirem com
muito afinco uma religião de cunho cristão, não
deverão ler esta obra”.
Hoje, assistimos a calorosas discussões na mídia sobre
o que alguns novos teólogos expressam em suas obras literárias,
as quais causaram grande furor nos meios religiosos. Essas obras
estão, curiosamente, apenas no final do século passado
e início desse terceiro milênio, remexendo e questionando
o que sempre foi dito em missas e cultos cristãos durante
esses dois mil anos. Principalmente no que se refere aos Evangelhos
apócrifos, as discussões estão se acirrando.
Entretanto, ao que nos parece, esse reaquecimento filosófico
curiosamente ainda não chegou, pelo menos publicamente, às
raias da Ufologia, que é o que pleiteamos agora. Talvez o
rumo das pesquisas seja estrategicamente guiado para passar à
margem de conceitos considerados indesejáveis à luz
dos auto-intitulados escolhidos de Cristo, mas não é
essa questão que queremos levantar no momento.
Algumas dessas novas discussões giram em torno de afirmações
levantadas sobre a impossibilidade de Ana, mãe de Maria,
ter filhos, sobre a virgindade ou não de Maria, das posses
nada modestas de Joaquim, avô de Jesus, das visitas freqüentes
dos anjos em determinadas épocas a esses escolhidos, sobre
os pequenos milagres de Cristo quando ainda era criança,
ou pela rispidez desse no trato com sua família. Tal atitude
está descrita nas obras Jesus, um Retrato do Homem, do jornalista
A. N. Wilson [Ediouro], Cristo, uma Crise na Vida de Deus, do ex-jesuíta
Jack Miles [Companhia das Letras], e em Mãe, A História
de Maria, de Júlia Bárány [Editora Mercuryo].
Todas essas obras estão baseadas nos Evangelhos apócrifos.
Contudo, nenhuma delas toca na espinhosa questão dos verdadeiros
causadores de fatos tão incomuns nas vidas desses ícones
do cristianismo.
Onipotência
Divina — Tudo é simplesmente atribuído
a Deus e a seus anjos, arcanjos, querubins e serafins. Provavelmente,
pelos termos que geraram a contenda, não era a intenção
dos autores das citadas obras adentrar nessa área, mas qualquer
discussão nesse sentido, mais cedo ou mais tarde, acabaria
resvalando na questão dos UFOs na Bíblia – até
porque uma coisa é inerente à outra. Para a Ufologia,
a questão está exatamente aí: quem é
Deus e quem são esses auxiliares que tanto influenciaram
nos protagonistas da Bíblia? Considerando-se que nela mesmo,
em Gênesis, os evangelistas se referem a Deus em hebraico,
por meio da palavra elohim, que significa deuses, no plural, e não
Eloah, no singular, como seria o correto, podemos ter uma idéia
da variedade de líderes e suas falanges celestes que nos
visitaram no passado. Entre os ufólogos, alguns religiosos,
e também em reservados círculos científicos,
não é novidade nenhuma que tanto a Bíblia e
seus apócrifos, quanto os livros sagrados de outras religiões,
como o hinduísmo e o budismo, estão repletos de relatos
sobre esses seres e suas máquinas voadoras, e que seus feitos
são, em sua maioria, provas incontestáveis de uma
origem alienígena. Outra questão a se levantar é
o fato de que tanto essas escrituras, quanto às conclusões
de estudiosos que ousaram tocar no tema ufológico-religioso,
serem constantemente evitados por exegetas clericais.
Divindades
Africanas — O filósofo e teólogo Roberto
dos Santos Miranda, padre excardinado da Diocese de Brasília,
autor de três livros sobre divindades africanas, acha perfeitamente
viável que essas teorias ufológicas tenham seu fundo
de verdade. Contudo, pensa que jamais o Vaticano abordará
o assunto do ponto de vista desejado pelos ufólogos, simplesmente
por dois motivos. Primeiramente, porque as provas disponíveis,
concernentes à Bíblia e aos apócrifos, quando
não são tidas como manifestações metafóricas
exageradas de seus autores, sendo esse um dos motivos que levaram
os apócrifos a serem proscritos dos textos sagrados, são
então encaradas como milagres, tendo, portanto, origem divina.
E, se existem provas que não são públicas,
estas estão muito bem guardadas nos andares e longos corredores
da Biblioteca do Vaticano, reconhecido baluarte milenar da história
das civilizações que se instalaram na Ásia
Ocidental, Oriente Médio, Europa e Norte da África.
Padre Miranda nos lembra que o Vaticano tem inúmeros volumes
da Biblioteca de Alexandria, milagrosamente salvos por antigos sacerdotes,
que, antes de ser destruída pela invasão romana, continha
toda a história das primeiras civilizações
terrestres. Sabemos também que revelações provenientes
de uma discussão dessa importância colocariam em cheque,
imediatamente, toda a teologia católica e seus dogmas. Contra
isso, existe uma poderosa corrente dentro do Vaticano, que, detectado
algum foco de perigo estrutural na igreja, prontamente entra em
ação, expressando suas palavras através do
papa.
A última manifestação dessa equipe conservadora,
provavelmente motivada por esses novos questionamentos teológicos,
foi comunicada no mês de abril, quando João Paulo II
determinou que aquele que se considerar católico, de preferência
praticante, estará terminantemente proibido de participar
de qualquer outro culto religioso. Ora, uma atitude dessa, vinda
do pontífice que ficou reconhecido como o papa que pregava
o ecumenismo, é uma incongruência.
O primeiro ufólogo a questionar exclusivamente os Evangelhos
apócrifos, bem antes das atuais e limitadas conclusões
levantadas pelos novos teólogos, foi o espanhol J. J. Benítez,
em sua obra Os Astronautas de Yaveh, em 1980 [Editora Mercuryo].
Nessa obra, o autor chama diversas vezes a atenção
do leitor sobre a constante presença dos anjos e seus feitos,
e sobre os talentos dos protagonistas do Antigo e do Novo Testamento,
que são ainda mais surpreendentes nos apócrifos. Conclusivamente,
assim como Fernando Cleto Nunes Pereira, Benítez afirma que
só um plano muito bem elaborado por criaturas que realmente
não eram desse planeta estaria por trás dos acontecimentos
relatados nas escrituras.
Ufologia
e Evangelhos — No intuito de chegar a conclusões
livres de preconceitos religiosos e de visões dogmáticas
que governam o cristianismo há séculos, gostaríamos
de convidar os leitores a desfazerem-se dessas amarras e buscarem,
sob novos aspectos, a velha máxima de Jesus Cristo: “Conhecereis
a verdade e a verdade vos libertará”. Para tal, precisarão
apenas transportar sua ótica dos remotos tempos bíblicos
para nossa era. O tipo de postura que aqui propomos é o que
faz o estudo ufológico há pelo menos 30 anos, promovendo
uma modificação conceitual sobre os relatos bíblicos,
encarando-os do ponto de vista atual, baseando-se nas tecnologias
que já estão ao nosso alcance, também na rica
casuística ufológica e nos incontáveis relatos
acumulados e publicados em livros neste meio século de estudo
científico da matéria. Tudo isso está acessível
para aquele que “...tiver olhos para ver e ouvidos para ouvir”,
como Cristo colocou.
Primeiramente, é necessário ter em mente o que representam
os Evangelhos e outros livros apócrifos para as diversas
igrejas e suas doutrinas cristãs, bem como para os demais
seguidores independentes dos ensinamentos bíblicos. Conforme
o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa,
a palavra apócrifo significa “...obra ou fato sem autenticidade,
ou cuja autenticidade não se provou. Diz-se, entre os católicos,
dos escritos de assunto sagrado não incluídos pela
igreja no Cânon das escrituras autênticas e divinamente
inspiradas”. Entre os cristãos esotéricos, o
conceito mais usado vem do grego apocrypha, que, como coloca o Glossário
Teosófico, é “...erroneamente traduzido e adotado
como ‘duvidoso’ ou ‘espúrio’. A palavra
significa simplesmente secreto, oculto ou esotérico”.
Antes do surgimento do cristianismo, esse último conceito
era usado para identificar algumas obras, sobretudo, pelos sumos
sacerdotes e seus iniciados nas escolas secretas, das quais, as
mais conhecidas encontravam-se na Antiga Grécia, Egito, Índia
e nas montanhas do Himalaia. É comum nesses meios a afirmação
de que, num período ocultado pela Bíblia, o próprio
Jesus Cristo freqüentou uma dessas escolas durante sua infância
ou adolescência, a dos essênios, tendo acesso a vários
desses apócrifos e trocando alguns de seus conhecimentos
com mestres dessa escola. Mais tarde, seus conceitos seriam utilizados
em sermões e confrontos nos templos sagrados dos judeus.
Cabe aqui ressaltar que os essênios constituíam uma
seita misteriosa de judeus de cunho espírita, que, segundo
o historiador Plínio, viveu próxima ao Mar Morto por
millia soecolorum, milhares de séculos. Após a chegada
do profetizado Enviado, muitos desses essênios passaram a
compor os cristãos gnósticos, uma seita basicamente
esotérica, dentre várias novas que passariam a compor
o catolicismo. A realidade é que os Evangelhos apócrifos,
conforme os conhecemos hoje, começaram a surgir após
o Concílio de Nicéia, no ano de 325 d.C., quando alguns
foram separados dos 73 livros canônicos [Lista dos livros
sagrados admitidos pela Igreja Católica]. Os motivos para
sua separação e, em alguns casos, reinserção,
através dos diversos concílios, é questão
de caloroso debate entre os estudiosos. Não deverão
ser aqui expostos, pois tomariam demasiado tempo.
Mas vale adicionar que algumas dessas razões apresentam tamanho
absurdo e ignorância, que deixariam quaisquer padres ou pastores
protestantes, suficientemente coerentes, rubros ao expô-las
em seminários ou pregações. Tais comportamentos
de exceção, característicos de seitas dominantes
no cristianismo nascente, podem ser comparados com aquele que encontramos
na suposta predicação final de Cristo no Evangelho
de Bartolomeu, onde Ele fala da Igreja Católica, que não
tem nenhum fundamento, e “representa um anacronismo ridículo”,
segundo as palavras de Maria de Oliveira Tricca, compiladora da
obra Apócrifos, Os Proscritos da Bíblia [Editora Mercuryo].
Iluminatis
— Entre os ufólogos, essa discussão
sobre interferências nocivas à lógica cristã
vai além do que propõem os intelectuais religiosos.
Entra no campo dos constantes monitoramentos de grupos secretos
que, segundo alguns, são identificados como os iluminatis
da igreja, os quais possuem conhecimento suficiente para identificar
a presença de seres extraterrestres entre anjos e deuses.
Ainda segundo essa corrente ufológica, os iluminatis sabiam
muito bem o que estavam fazendo ao interferirem, por exemplo, nas
investigações sobre as aparições da
Virgem de Fátima, um fenômeno que, pelos relatos, desenhou
nitidamente seu caráter ufológico, ocorrido em Portugal,
séculos depois da morte de Maria.
Isso demonstra a constante presença desse grupo e o grande
poder de influência que possui na direção do
Vaticano. Outro grupo, talvez ligado aos primeiros iluminatis, que
na época do Concílio de Nicéia teria como função
a escolha dos rumos que deveria seguir o cristianismo, discriminando
o canônico do apócrifo, jamais pensaria que o seu filtro
não seria tão seletivo, a ponto de passar apenas as
escrituras que não gerassem interpretações
dúbias, ridículas, ou perigosas ao credo, em outras
instâncias do conhecimento histórico-religioso e científico.
De fato, o intuito de esconder informações não
surtiu o efeito desejado, uma vez que muitos dos livros canônicos
também contêm confirmações sobre alguns
fatos supostamente ligados à Ufologia. Devido ao grande número
de textos e passagens da Bíblia canônica e da apócrifa,
impossíveis de compilação numa revista, escolhemos
apenas trechos de alguns desses livros, em distintas épocas,
e retiramos deles os aspectos mais contundentes em relação
à Ufologia [Veja box].
Enoque,
Um Enviado — O primeiro versículo do relato
atribuído a Enoque refere-se nitidamente à aparição
de dois seres de enorme estatura, que realmente deveriam ser muito
estranhos, tal foi o terror demonstrado pelo contactado ao notar
as características físicas incomuns. Ante seu espanto,
os seres informaram-lhe que dentro em pouco ele “subiria aos
céus”, e que pelo tempo que deveria permanecer fora,
teria que passar instruções à sua família
sobre o que fazer durante sua ausência. Literalmente, Enoque
seria abduzido por dois seres bem diferentes dos humanos que, conforme
sua descrição, tinham faces resplandecentes, olhos
como chama e uma voz que soava como um canto. Eles possuíam
também algum tipo de instrumento nas costas, identificado
por Enoque como “asas mais brilhantes que o ouro e as mãos
mais brancas que a neve”.
Essas criaturas podem ser enquadradas como seres humanóides
do tipo 03, variação 03, conforme classificação
de Jader Pereira, ou algo entre o tipo beta e o gama, segundo a
classificação de Claudeir Covo. As asas douradas poderiam
representar algum tipo de instrumento metálico localizado
nas costas, talvez para função comunicativa, respiratória
ou locomotiva. Esses dois seres que acompanhariam Enoque na maior
parte da viagem, até seu retorno, são identificados
como os anjos Samuil e Raguil. A jornada do abduzido deveria, no
mínimo, chegar aos limites da Via Láctea e durar muitos
anos para quem estivesse na Terra, uma vez que, assim como vários
lugares, ou céus foram descritos e algumas estrelas além
do Sol também parecem ter sido visitadas.
De acordo com a Teoria da Relatividade de Einstein, para uma pessoa
que viaje grandes distâncias a velocidades muito altas, o
tempo passará mais vagarosamente em relação
à outra que permaneça em repouso num ponto estacionário.
No caso, quem permaneceria em repouso seria sua família,
por isso as instruções durante um tempo que, à
vista de Enoque [Em movimento], seria muito menor que o de sua família
[Em repouso]. A jornada deve ter durado no mínimo 30 dias,
tempo em que escreveu seus 366 livros, de acordo com o que coloca
o 23º capítulo do apócrifo, e mais o período
de observação dos céus.
Entretanto, segundo a Bíblia, em Gênesis, capítulo
05, versículos 21 a 24, Enoque gerou Matusalém aos
65 anos e gerou outros filhos e filhas antes da viagem. Retornou,
repassou tudo o que vira em mais 30 dias na Terra e partiu novamente
aos céus, vivendo ao todo 365 anos terrestres. No entanto,
no apócrifo, Enoque afirma que foram 165 anos de vida antes
do nascimento de Matusalém, e não 65. Na menor das
hipóteses, teria a viagem de Enoque durado mais ou menos
100 anos terrestres e, na maior, 200. Conforme cálculos baseados
nos estudos de Einstein, uma viagem de ida e volta ao limite de
nossa galáxia, a velocidades próximas à da
luz, duraria quase 200 anos para quem estivesse no planeta, enquanto
que, para o viajante, esse tempo quase pararia.
O terceiro capítulo do livro de Enoque, apesar de pequeno,
com apenas um versículo, mostra claramente que ele foi levado
ao lugar ao qual se refere como “primeiro céu”,
através das asas dos anjos, e depois elevado às nuvens.
O que nos parece com um verdadeiro traslado antigravitacional, causado
provavelmente por alguma força que provinha do que estava
nas costas dos dois seres, suas asas, levando-o do chão à
nave. Essa, por sua vez, içou vôo em direção
ao espaço, a exemplo do que ocorreu com Elias [II Reis, capítulo
02, versículo 11], levado por uma carruagem de fogo aos céus.
Grande
Mar — Durante o vôo, Enoque tem, acima, a visão
do espaço sideral [Éter] e ao olhar o horizonte e
abaixo, os seres mostram o que mais lhe parecia com um grande mar,
“maior que o mar da Terra”. Enoque, neste momento, possivelmente
teve a mesma impressão que Yuri Gagarin teve, em 1961, ao
dar a primeira volta ao redor do planeta, na nave Vostok 1, quando
exclamou a famosa frase: “A Terra é azul”. Para
Enoque, pode ser que o grande horizonte azul do planeta, quando
se chega às últimas camadas da atmosfera, lhe parecera
o maior dos mares. Após alguns lances de admiração,
o quarto e quinto capítulos descrevem como Enoque entrou
em contato com outros seres que provavelmente ocupavam maiores postos
na hierarquia divina, já que foram reconhecidos como “anciãos
e os dirigentes das ordens estelares”, bem como seus subordinados.
Deve-se considerar que, frente àquelas novidades, o contactado
poderia muito bem confundir os locais que visitava, já que
sua cultura não possuía palavras para expressar exatamente
o que presenciava. O que ele entendia como céu, estrelas,
planetas e cidades, poderiam ser veículos que transportavam
a ele e aqueles exércitos de homens, provavelmente naves
que compunham uma frota estelar, dada a riqueza de detalhes de sua
descrição. Aqui percorremos o perigoso terreno das
suposições, mas sabemos que sem ele a ciência
não caminha.
“E
então apareceram dois homens extraordinariamente grandes,
como eu nunca vira antes na Terra. E eles disseram: ‘Tu
deves subir aos céus conosco: Não demorei em obedecê-los.
Mostraram-me 200 anjos que dirigiam as estrelas e suas fundações
nos céus. Voavam com suas asas e pareciam que navegavam”.
— Profeta Enoque, descrevendo
uma abdução alienígena nos evangelhos apócrifos
que escreveu, convenientemente excluídos da Bíblia
|
No
primeiro céu, Enoque retrata aquilo que lhe parecia neve
e os anjos que “mantêm seus terríveis depósitos”,
talvez pela cor branca ou claridade que de lá emanava. Segundo
descrições, seria um local onde anjos controlavam
uma “tesouraria” e de onde partiam “nuvens”
para vários locais. Analisando-se essas palavras sob o ponto
de vista da tradução ao pé da letra, vamos
ver que tesouraria, neste caso, refere-se a um local cheio de tesouros,
com uma forte iluminação interna. Isso nos induz a
comparações bem interessantes com cabines de aviões
ou torres de controle de aeroportos.
Como um habitante da Antigüidade interpretaria o conjunto de
luzes coloridas, botões, alavancas, painéis, gráficos
luminosos, telas de radar ou de computadores e toda espécie
de equipamento para navegação aérea e espacial,
dentro de uma cabine de avião ou numa sala de controle da
NASA, por exemplo? Naquela época, tesouraria seria uma boa
forma de comparação. Quanto às nuvens dirigidas
e seus terríveis depósitos? O que seriam? Certamente,
não se tratava de vapor d’água armado. Seriam
astronautas militares os anjos diretores de estrelas que voavam
em suas asas, navegavam e possuíam suas funções
no céu?
Nos capítulos 11 e 12, o viajante visita e identifica o que
nos parece ser a rota da Terra, no Sistema Solar, ou pelo menos
segue a órbita de um planeta com vida, em torno de uma estrela.
Acompanhado de vários aparelhos voadores alados, Enoque nomeia
dois principais: Fênix, o mitológico pássaro
grego que era único, não se reproduzia e ressurgia
de suas próprias cinzas, e Chalkydri, termo que parece vir
da união de duas palavras do sânscrito, Chakchur [O
olho do mundo ou Sol] e Kîrti [Luz, esplendor]. Ambas possuíam
pés em formas que lembravam a cauda de um leão, corpo
cônico achatado e com formato de cabeça de crocodilo,
com grandes dimensões. Qualquer semelhança entre essas
e um ônibus espacial Discovery, flutuando por meio de jatos
estabilizadores, como várias asas laterais, sapatas de aterrissagem
dotadas de sistema propulsor, bem como na parte traseira da nave,
que podem lembrar caudas de leão, seria coincidência?
Armas
Terríveis — O relato esquenta quando, nos
versículos 07, 10 e 18, Enoque relata o que lhe parecia o
inferno. Nos dois primeiros, ele apenas identifica os seres sofredores,
vigiados por anjos de pele escura, que descreve como “impiedosos
que portavam armas terríveis”, mas no versículo
18 observa e fala aos soldados chamados “grigori”, seres
com aparência humana que “eram maiores que os maiores
gigantes”. Estes possuíam rostos sem viços e
bocas que apresentavam “silêncio perpétuo”.
Segundo um dos seres que acompanhavam Enoque em sua jornada, os
grigori, ao que parece, são parentes dos gigantes que visitaram
e fecundaram mulheres terrenas, conforme relato bíblico no
Gênesis, capítulo 06, versículos 01 a 04, em
passado remoto, dando origem a homens que impressionavam pela altura
e pelas inimizades.
Neste versículo, percebe-se uma grande semelhança
entre os fatos do Gênesis e os relatos de mulheres abduzidas
da época contemporânea, submetidas a processos de fecundação
após o rapto, geralmente praticados por seres alfa cinzentos,
os famosos grays. Seriam os tais anjos escuros? Alguns deles chegavam
a atingir grandes estaturas. Será que o termo grigori, pronunciado
naquela época para identificar esses humanóides, tem
alguma correlação com a identificação
gray adotada atualmente? Tanto uns quanto os outros, excetuando-se
alguns casos, são mencionados com envolvimento no lado mau
da história de Enoque e nos raptos acompanhados de experiências
reprodutivas, os quais atualmente deixam sérias conseqüências
psicológicas.
“Os
seres mostraram a Enoque um grande mar, ‘maior que o
mar da Terra’. O profeta teve, possivelmente, a mesma
impressão que Yuri Gagarin, em 1961, ao dar a primeira
volta ao redor do planeta, quando exclamou: ‘A Terra
é azul’ |
Finalizando,
Enoque escreveu 366 livros resumindo tudo o que lera nos chamados
“livros do Senhor”, e retornou à Terra. Mas não
sem antes passar por uma experiência comum em relatos de abdução.
No dito “décimo céu”, citado no 22º
capítulo de seu livro, ele identifica a face do Senhor como
“...ferro que arde em fogo e que, ao sair, emite faíscas
e queima”. Seguindo as ordens do mesmo Senhor, um outro anjo
chamado Micael ungiu Enoque com uma substância e o vestiu
com uma roupa luminescente que o fez assemelhar-se aos seres, e
dotou-o com uma “pena de escrita rápida”, mostrando-lhe
vários livros para escolha de alguns a serem copiados. Enoque
gastou 30 dias e 30 noites para concluir sua tarefa. Retornou à
Terra, passou tudo a seus filhos em mais 30 dias e partiu novamente,
em definitivo, aos céus. Em alguns casos de abduções
investigados por psicólogos, os abduzidos atuais relatam,
sob hipnose, ter passado por experiências semelhantes à
dele, quando foram untados, submetidos a intervenções
médicas e, em muitos casos, receberam informações
sobre a vida na Terra e em outros planetas.
A
Gravidez de Maria — Sabe-se que Ana e Joaquim não
podiam ter filhos. Afinal, ao que tudo indica, Ana era estéril,
mas mesmo assim Maria nasceu. Seria um milagre da divina providência
ou o anjo que apareceu a operou e proporcionou-lhe a fecundidade?
Segundo posições religiosas, isso não deve
ser discutido, pois a Deus tudo é possível. Entretanto,
a ciência não vê os fatos dessa forma e, a menos
que questionemos a veracidade dos vários Evangelhos, devemos
seguir em frente. Sem nos deter, prosseguindo o ingrato caminho
do cientificismo, se tomarmos como premissa que um ser especial
como Jesus deveria possuir características genéticas
especialíssimas para se tornar um Homem-Deus, devemos considerar
também que não só o seu Pai Celestial, mas
também sua mãe terrena, deveriam ser especiais.
Hoje em dia, verificamos em publicações médicas
e na própria mídia a possibilidade de operações
cirúrgicas que utilizam computadores ligados às câmeras,
bisturis a laser e cauterizadores de alta tecnologia e precisão.
Incluem-se aí procedimentos como fecundação
artificial in vitro, neurocirurgias, cateterismos etc. Algumas operações
dessas são, inclusive, executadas por médicos que
estão a milhares de quilômetros do paciente, através
de câmeras e vídeos remotos [Videoconferência],
ligados via satélite. Assim é possível controlar
os movimentos cirúrgicos dos aparelhos executores, enquanto
que, no local da operação, estão presentes
apenas alguns médicos assistentes e enfermeiros, além
do paciente anestesiado.
Entretanto, isso seria fruto de uma imaginação lunática
de autores de ficção científica, se transposto
para a época de nascimento de Maria e de Jesus. A não
ser que consideremos a possibilidade de que a Terra seja visitada
por seres de outros orbes celestes há milênios, como
afirmam grandes ufólogos. O filme Intruders [1992], baseado
na obra de Budd Hopkins, expressa com muita propriedade as cirurgias
de implantes e fecundações ocorridas em naves alienígenas,
sofridas por abduzidos investigados pelo autor via hipnose. Chegamos
a ponto de existirem cirurgiões especializados na retirada
de chips implantados nas vítimas, como é o caso do
norte-americano doutor Roger Leir [Autor do livro Implantes Alienígenas,
Somos Cobaias de ETs?]. Neste caso, é possível até
a afirmação de que a tecnologia acima citada é
obsoleta, se comparada à capacidade tecnológica que
teriam esses seres superiores de viajar pelas infinitas galáxias
do universo.
Proscritos
da Bíblia — Supondo a possibilidade dessa
teoria, levantamos uma séria dúvida sobre quem teria
fecundado Ana, se Joaquim encontrava-se longe de casa. No Evangelho
de Tiago, parte integrante do livro Apócrifo, Os Proscritos
da Bíblia, já mencionado, percebemos que “...Joaquim
ficou muito atormentado e não procurou sua mulher, e se retirou
para o deserto. Ali armou sua tenda e jejuou por 40 dias e 40 noites”.
Some-se a isso o fato de que teriam andado 30 dias consecutivos
na viagem de retorno, totalizando mais de dois meses fora de casa.
Teria também Joaquim tido um contato de 4º grau, já
que o anjo de Deus apareceu-lhe rodeado de um imenso esplendor,
conversou e após isso se elevou aos céus em meio à
fumaça? O que teria causado tamanho choque a um homem como
Joaquim, que o teria deixado prostrado ao chão durante horas,
levando também grande dificuldade aos seus servos para levantá-lo?
O que queria o anjo dizer com a frase “Minha comida é
invisível e minha bebida não pode ser captada por
olhos humanos”, quando estes itens foram oferecidas por Joaquim?
Parece que esse mesmo anjo também apareceu para Mateus e
Tiago, pois os apócrifos de ambos, de forma semelhante, ditam
a mesma história. As semelhanças continuam durante
os relatos sobre os primeiros anos da vida de Maria no templo, quando
ela era vista freqüentemente sendo assistida e alimentada por
anjos, enquanto que os alimentos que a ela eram oferecidos pelos
sacerdotes “eram divididos com os mais pobres”. Que
tipo de alimentação especial só Maria deveria
ingerir? Seria essa a mesma razão que levou o anjo a rejeitar
o alimento que lhe fora oferecido por Joaquim? O que quis Mateus
dizer quando se referia à face resplandecente como “a
neve de Maria”, e por isto “apenas se podia olhá-la
com dificuldade?” A característica luminosa de Maria
parece ser uma constante entre os anjos bíblicos, assim como
em casos de avistamentos contemporâneos de tripulantes de
UFOs. Estas, assim como outras questões, compõem o
campo ufológico, e dele não devemos abrir mão.
Como não estamos discutindo a questão religiosa, mas
sim a científica, as afirmações contidas nesses
textos nos remetem à nublada região das suposições
sem base concreta de afirmação, uma vez que elas provêm
de interpretações teológicas. Entretanto, da
mesma forma, elas nos revestem com a dúvida da simples e
veemente negação cética, posto que o grande
número de relatos semelhantes, com referência a uma
mesma ocorrência, nos conduz à afirmação
de que a história realmente tenha sido dessa forma. Neste
caso, a abordagem científica nos faz navegar numa relativa
margem de suposições factuais que, guardadas as devidas
proporções interpretativas, podem ser comparadas com
as ocorrências ufológicas da atualidade.
Estranhos
Enviados — Até hoje, em alguns meios científicos,
questiona-se a real existência, num passado remoto, de avatares
e ícones religiosos como Krishna, Sidarta Gautama [Buda],
Maomé, Moisés e Jesus Cristo. Em outros meios, não
se questionam suas existências, mas seus feitos extraordinários,
fora dos padrões humanos, com reflexos tanto em pessoas quanto
em fenômenos da natureza. Na Ufologia esses questionamentos
também não passam despercebidos. Muitos são
os ufólogos que, na falta de uma base científica palpável,
cartesiana, erguida em pilares conceitualmente aceitáveis
nos meios acadêmicos, preferem deixar o assunto à margem
de discussões, aguardando mais provas. Mas não sem
antes tecerem seus comentários, alguns até pejorativos,
o que causa desavenças metodológicas entre esses estudiosos.
Uma vez que a história, como uma ciência, inclui em
suas várias áreas de estudo um espaço destinado
a muitos desses seres tidos como anormais, assim como a filosofia,
a teologia e outras disciplinas, a fuga destas abordagens e a espera
por novas provas nos parece sem sentido.
Já alguns ramos da psicologia, por sua vez, discorrem sobre
o perigo do efeito produzido por impactos populares conseguidos
por meio de técnicas de oratória, como a programação
neurolingüística, bem utilizada em doutrinamento religioso,
manutenção e controle sobre a mente humana pelo convencimento
em massa, fazendo com que determinadas pessoas se sobressaiam ante
a maioria. Neste caso, grandes verdades do presente podem muito
bem ter sido baseadas em mentiras ainda maiores no passado, talentosamente
inseridas num longo contexto. Por conta disso, aos mais ousados
ficam os louros da descoberta ou o ônus do fracasso.
Seguindo o nosso assunto nesta tênue corda bamba entre os
crentes e os descrentes da história bíblica, surge
aquela velha dúvida sobre o nascimento de Jesus, bem como
sobre os estranhos fatos ocorridos no período inicial e durante
toda sua vida. Como aqui resolvemos analisar o assunto a partir
dos Evangelhos, basearemos esses argumentos na afirmativa de que,
pelo menos em parte, esses escritos dizem a verdade. Não
bastasse a já discutida influência desses anjos na
vida de Ana, Joaquim e Maria, além de diversos outros personagens
do cristianismo, dando continuidade desse projeto divino surgem
a fecundação de Maria e o surpreendente nascimento
de Jesus.
Com Ana ainda paira a dúvida se esta foi fecundada por Joaquim
ou pelo anjo. Contudo, com Maria esta tarefa coube ao Espírito
Santo, como cita a Bíblia nos quatro Evangelhos canônicos,
causando grandes transtornos a José. Não é,
portanto, necessário tecermos mais comentários e novas
conclusões sobre o que realmente ocorrera neste caso. O que
mais nos interessa é a conclusão de todo aquele processo,
que teve início com a retirada dos judeus do Egito, guiados
pelo não menos suspeito Moisés e seus companheiros
divinos, que dirigiam nuvens luminosas, fulminavam os inimigos,
falavam do alto das montanhas, abriam mares e faziam chover comida
no deserto, tendo seu desfecho com a crucificação
de Jesus, 400 anos depois da chegada daquele povo à prometida
Nova Canaã.
Estrela
de Belém — Comecemos pelo surgimento da intrigante
Estrela de Belém. Teorizando sobre o que seria essa estrela,
vamos, através de método exclusivo da disciplina,
verificar as possibilidades meteorológicas envolvidas no
fenômeno. Em primeiro lugar, sabemos que nenhum tipo de estrela,
por menor que fosse, chegaria tão perto da Terra, a ponto
de indicar um local específico e parando sobre este. Numa
suposição absurda dessas, o planeta seria completamente
torrado e nem o Filho de Deus sobraria para contar a história.
Tampouco sabemos que asteróide luminoso algum execute movimentos
tais, que seriam capazes de guiar pessoas a um determinado local
e depois levá-las de volta à sua origem, por outro
caminho, fazendo com que, no caso, os reis magos seguissem a sua
luz até que estivessem de volta à sua pátria,
como descrevem o Evangelho de Tiago e o Evangelho Árabe da
Infância [Parte integrante do já mencionado livro Apócrifo,
Os Proscritos da Bíblia].
Segundo o ufólogo Roberto Affonso Beck, reconhecidamente
um dos maiores caçadores de sondas ufológicas do Brasil,
estes objetos de pequenas dimensões e das mais variadas formas,
muito mais comuns que naves tripuladas, são provavelmente
uma espécie de artefato alienígena voador proveniente
de veículos maiores. Desempenham diversas funções
junto à superfície do planeta ou a pessoas, tais como
prospecção mineral, análise de solo, colheita
de material biológico, espionagem, rastreamento de áreas,
reconhecimento de regiões. Enfim, funções práticas
e discretas que não podem ser executadas por grandes naves,
pois chamariam muita atenção.
Textualmente, afirma o ufólogo que outros tipos de sondas
costumam atacar pessoas, notadamente na região Nordeste do
Brasil, onde são conhecidas como Chupa-Chupa ou simplesmente
Chupa, retirando deles sangue, a exemplo do que ocorreu no norte
do Pará, motivando a famosa Operação Prato,
comandada pelo coronel da Força Aérea Brasileira (FAB)
Uyrangê Hollanda, em 1977. Algumas são pequenas, comparadas
a bolas de gude. Adentram residências, atravessam paredes
e andam pelo interior das casas como se estivessem bisbilhotando
nossas vidas. Vários são os relatos em que sondas
são observadas executando diversos tipos de movimentos. Tudo
indica que estamos sendo monitorados por meio de tecnologia que
foge aos padrões terrestres conhecidos.
Vendo por esse lado, é possível supor que a Estrela
de Belém nada mais seria que uma sonda de orientação,
incumbida exclusivamente de guiar os reis magos ao local de nascimento
de Jesus. Depois, deveriam levar os portadores da notícia
para o Oriente, sem que estes encontrassem Herodes. Mas outro intrigante
fato é revelado por Tiago: durante o parto, quando José
sai em busca de uma parteira, percebe que o tempo e os movimentos
tornam-se estáticos, por conseqüência de um estranho
estremecimento do ar. As pessoas, os pássaros, os animais
estavam todos estáticos, como se uma força invisível
os estivesse paralisando. Ao retornar, o pai depara-se com a gruta
sombreada por uma nuvem luminosa, que, ao se afastar, deixa uma
luz irresistível no interior da gruta. Essa, pouco a pouco
se desfaz e revela o menino Jesus.
Lembramos aos leitores que Jesus não é o primeiro
bebê a ser considerado diferente logo ao nascer, quanto a
sua resplandecência luminosa em comparação com
a de outras crianças da Bíblia. Além de Maria,
Noé, que também vivia recebendo mensagens angelicais,
inclusive um projeto para construção da famosa Arca,
por exemplo, ao nascer era completamente diferente das crianças
da época. Lamec, pai de Noé, descreve no capítulo
104 do apócrifo livro de Enoque, que foi em busca do seu
pai, Matusalém, filho de Enoque e avô de Noé,
para descobrir o que ocorrera com seu filho, pois este não
se parecia em nada com as outras crianças. Sua pele era extremamente
branca, como também seus cabelos. Seus olhos apresentavam
um brilho incomum.
Outra
Espécie de Ser — Em suas observações,
o desconfiado Lamec laconicamente diz a Matusalém que Noé
“com certeza não é de nossa espécie”,
tamanha era sua diferença. Isso só vem confirmar as
características especiais dessa família patriarca
antediluviana, descendente direta de Adão, principalmente
no que se refere a longevidade. Qual a constituição
celular desses homens? A Bíblia, em Gênesis, capítulo
05, versículo 01, afirma que Adão, Set, Enos, Cainã,
Malael, Jared, Matusalém, Lamec e, finalmente, Noé,
viveram por quase mil anos cada um, à exceção
de Enoque, que viveu 365 anos antes que “Deus o arrebatasse”.
Conclusões
Não Convencionais — Mediante essas análises,
surge uma velha pergunta que muitos tentam evitar, por ser demasiadamente
perigosa, rechaçada entre religiosos, impensável em
alguns meios e, às vezes, tachada como absurda, mas que já
foi feita por muitos estudiosos: Jesus foi um ser extraterrestre?
Não é de hoje que se cogita como uma possibilidade
viável nos meios ufológicos as ligações
entre Jesus e uma civilização extremamente desenvolvida
tecnológica e espiritualmente, para nossos padrões,
que certamente não é originária do nosso planeta.
Desde que, é claro, o que esteja na Bíblia realmente
tenha ocorrido.
Atualmente é mais viável para a comunidade científica,
diante da infinidade de provas recolhidas nos últimos anos,
entre documentos oficiais, filmes, relatos, artefatos, pinturas
e desenhos arqueológicos, acreditar em naves tripuladas por
seres de origem desconhecida do que continuar acreditando em anjos,
querubins, serafins, nuvens luminosas, carruagens de fogo, baleias
que engolem e cospem homens na praia e todos os outros tipos de
referência bíblica a fatos nitidamente anormais. Devemos
deixar claro que as formas descritivas e dissertativas contidas
no livro sagrado dos cristãos não representam necessariamente
erros ou exageros interpretativos dos fatos, como querem os exegetas
do Vaticano. Nem tampouco pensar que esses anjos provenientes da
glória do Senhor não tenham realmente existido, caso
contrário não estariam lá representados. O
problema está basicamente no ponto de vista do observador,
que, despido de preconceitos historicamente enraizados no conhecimento
humano e da visão de pessoas que não tinham, à
época, nenhum conhecimento de artefatos tecnologicamente
avançados, acabará por analisar a questão de
outra forma.
Apesar das constantes afirmações do Salvador de que
seu reino não era deste mundo e que na casa de seu Pai existiam
várias moradas, nunca se contestou a divindade de sua alma,
assim como a origem terrena de sua carne. Logicamente, nem Maria
nem Jesus foram seres extraterrestres em sua passagem carnal pela
Terra, pois, segundo a Bíblia, nasceram de mães supostamente
humanas e neste planeta. Mas quanto as suas constituições
genéticas não podemos afirmar o mesmo. Levando-se
em consideração os pressupostos da genética
de Mendel – que foi um padre –, podemos levantar três
possibilidades básicas, com pequenas variações
e subdivisões entre elas, para a composição
genealógica de Jesus e de Maria, embora nenhuma das três
conclua que essa composição, pelo menos no caso de
Cristo, seja totalmente de origem terrestre. Vejamos:
- Na
primeira suposição que apresentamos, consideremos
a difícil possibilidade de que Joaquim tenha fecundado Ana
antes de partir para o pastoreio, e não o anjo do Senhor,
que avisou ambos sobre a gravidez. Aqui, o anjo apenas teve participação
na cura da infertilidade de Ana. Então, neste caso, Maria
teve sua composição genética totalmente humana.
O óvulo de Maria, por sua vez, foi inseminado artificialmente
pela ação do Espírito Santo com o sêmen
divino. Logo, Jesus possuiu 50% de sua constituição
proveniente de Deus e os outros 50% dos genes humanos terrestres,
provenientes de Maria.
- Na segunda suposição, vamos considerar que a avó
de Jesus tenha sido operada e inseminada artificialmente pelo anjo
do Senhor. Maria seria neste caso 50% divina. Da mesma forma, com
Maria inseminada artificialmente, Jesus possuiria então 75%
de sua constituição divina, e os 25% restantes humanos,
provenientes de Ana, a Ele passados por Maria.
- Numa terceira suposição, tanto Ana como Maria serviram
apenas como meio de cultura biológica, em termos médicos,
ou mãe de aluguel, em termos vulgares, para os embriões
nelas inseridos pelo anjo e pelo Espírito Santo, respectivamente.
Assim, tanto Maria como Jesus teriam 100% de sua constituição
genética com origem em pais biológicos divinos. Ainda
nesse terceiro caso devemos levar em conta também a possibilidade
de um dos dois, ou ambos, terem sido clonados, resultando também
numa constituição genética totalmente desconhecida.
Absurdo?
Dentro do encadeamento de suposições baseadas em provas
documentais, não. Desde a Idade Média são encontradas
pinturas, algumas encomendadas pelas igrejas, provavelmente baseadas
em relatos ou documentos mais antigos ainda, que descrevem cenas
bíblicas mostrando a presença de estranhos objetos
voadores não identificados e os famosos discos voadores [Veja
box]. Os artefatos aparecem principalmente quando essas pinturas
se referem a momentos da vida de Maria e de Jesus, mostrando que,
além da Bíblia e dos livros que compõem os
Evangelhos apócrifos, a arqueologia e a arte também
servem como provas cabais da íntima relação
entre os dois principais personagens do cristianismo e os UFOs.
Portanto, concluímos que a visão do Evangelho segundo
a Ufologia não está muito longe da verdade. E talvez
estejamos mais perto dela do que imaginamos.
| UFOs
nas escrituras, um tema polêmico, mas necessário
|
A. J. Gevaerd, editor
Falar sobre a presença de extraterrestres no passado
da Terra é algo delicado, porque é um assunto
que atravessa diretamente o âmago das principais religiões
estabelecidas e, como resultado, fere sentimentos e dogmas
diversos. Mas não é, em hipótese alguma,
um assunto do qual devemos nos abster de discutir. Pelo contrário,
analisando as evidências históricas das visitas
de alienígenas em suas maravilhosas máquinas
voadoras na Antigüidade é que temos alguma chance
de compreender a complexidade do Fenômeno UFO.
Por textos sagrados, evidentemente, não queremos nos
referir exclusivamente à Bíblia. Há outros
textos tão ou mais antigos quanto ela, tradições
estabelecidas de muitas outras religiões, que também
contêm abundantes descrições de fenômenos
ufológicos. O mais explícito é, talvez,
o Mahabarata, hindu, que descreve os UFOs como vimanas resplandecentes
e traz relatos extraordinários destas naves em suas
evoluções sobre os céus da Índia,
há nada menos do que quatro mil anos!
A edição 86 de UFO traz um apanhado de artigos
exclusivos que nossa equipe colheu junto a vários renomados
autores brasileiros, todos com suas teorias e estudos sobre
a passagem de ETs nos tempos bíblicos e, especificamente,
citados nas escrituras sagradas. Os relatos são inúmeros
e vê-se, já por aí, que a Bíblia
pode ser considerada, com positiva certeza, um dos mais abundantes
registros da existência de civilizações
extraterrestres que temos hoje à disposição
na literatura.
“A casa de meu Pai tem muitas moradas” é
uma das passagens bíblicas que mais diretamente mostra
o quão populoso é o universo – e mostra
também que Deus é o Pai de outras civilizações
igualmente humanas e espalhadas pela imensidão cósmica.
Por outro lado, estudiosos da Bíblia apontam, logo
em suas primeiras linhas, algo surpreendente. Segundo eles,
na passagem em que se narra que “…no princípio
criou Deus o céu e a Terra”, há um grave
equívoco de tradução, que apontaria para
uma interpretação totalmente diferente da que
aparece em 99% das versões existentes nas escrituras.
Garantem os estudiosos que a palavra Deus é mencionada
no idioma original em que foi escrita tal parte da Bíblia
como sendo elohim. E elohim significa deuses, no plural, e
não um único ser onipotente, o Deus Pai. Se
isso é verdade, desde o início dos tempos já
há evidências de que criaturas consideradas sobre-humanas
intercederam na criação da Terra. Daí
até o fim dos textos bíblicos, essas narrativas
se sucedem sem fim.
A questão é, sem dúvida, polêmica.
Sobre religião não se discute, dizem os bons
costumes! Mas esta edição de Ufo não
teria como abordar tão delicado assunto se não
fosse através da discussão de passagens e dogmas
bíblicos. Alguns leitores poderão se sentir
ultrajados, se forem religiosos fervorosos. Mas queremos deixar
claro que, por mais polêmica que seja, tal discussão
é de uma riqueza incontestável e não
pode ficar de fora de nossa agenda de compromissos para com
a Ufologia Brasileira.
|
| A
abdução do profeta Enoque |
Fernando
de Aragão Ramalho
A
origem do apócrifo Livro de Enoque remonta ao século
I d.C., atribuído a um judeu helenizado de Alexandria.
Considerado um dos mais relevantes à pesquisa ufológica,
devido à sua constituição e perfeição
na descrição dos fatos, é tido também
como uma ferramenta fundamental no entendimento de algumas
passagens obscuras dos evangelhos canônicos, sua influência
sobre os escritores do Novo Testamento é incontestável.
Mostraremos a seguir alguns dos muitos trechos da obra que
são relevantes ao estudo ufológico, apenas minimamente
editados para melhor compreensão e apresentação:
[Capítulo
I, versículo 01] Havia um sábio, um grande artífice,
e o Senhor dedicou-lhe seu amor e o recebeu, a ponto de fazê-lo
testemunhar as mais altas moradas dos maiores e mais sábios
imutáveis reinos do Todo-Poderoso. As mais maravilhosas,
gloriosas e brilhantes estações de muitos olhos
dos servidores do Senhor, e o inacessível trono do
Senhor. E os graus de manifestações e hostes
incorpóreas, o inefável ministério e
a multitude dos elementos, as várias aparições
e o canto indizível das hostes dos Querubins, e a luz
infinita.
[Versículo 02] Naquele tempo, quando completei 165
anos, gerei meu filho Matusalém. [03] Depois disso,
vivi 200 anos e, ao todo, minha vida foi de 365 anos. [04]
No primeiro dia do primeiro mês, estava eu sozinho em
minha casa descansando no meu leito, quando adormeci. [05]
E quando estava adormecido, uma grande tristeza tomou conta
de meu coração. Chorei durante o sono e não
podia entender que tristeza era aquela, ou o que iria acontecer-me.
[06] E então apareceram dois homens, extraordinariamente
grandes, como eu nunca vira antes na Terra. Suas faces resplandeciam
como o Sol, seus olhos eram como uma chama e de seus lábios
saía um canto e um fogo, variados, de cor violeta na
aparência. Suas asas eram mais brilhantes que o ouro,
suas mãos, mais brancas que a neve.
[Versículo 07] Eles estavam em pé, na cabeceira
de meu leito, e puseram-se me chamar pelo nome. [08] Acordei
e vi claramente aqueles dois homens, de pé, na minha
frente. [09] Saudei-os e fui tomado de medo. Meu semblante
transformou-se pelo terror, e os homens disseram: [10] “Tem
coragem, Enoque, não temas. O Deus eterno nos mandou
a ti e, vê! Tu hoje deverás subir aos céus
conosco, e deverás dizer a teus filhos e aos da tua
família tudo o que deverão fazer na casa durante
tua ausência na Terra. Não os deixes procurar-te
até que o Senhor te devolva a eles”. [11] E não
me demorei em obedecê-los. Saí de minha casa,
como me foi ordenado, chamei meus filhos Matusalém,
Regim e Gaidad, e contei-lhe todas as maravilhas que me haviam
dito aqueles homens.
Primeiro
Céu — [Capítulo III, versículo
único] Aconteceu que, depois de Enoque ter falado com
os filhos, os anjos o levaram em suas asas ao primeiro céu
e o puseram nas nuvens. “E aí eu olhei, e olhei
outra vez mais para o alto e vi o éter. Eles me puseram
no primeiro céu e me mostraram um grande mar, maior
que o mar da Terra”. [Capítulo IV, versículo
único] Trouxeram até mim os anciãos e
os dirigentes das ordens estelares, e mostraram-me 200 anjos
que dirigiam as estrelas e suas funções nos
céus. Voaram com suas asas e apareceram todos que navegam.
[Capítulo V, versículo único] E aí
eu olhei para baixo e via as tesourarias da neve, e os anjos
que mantêm seus terríveis depósitos. Vi
as nuvens que dali saem e para onde vão elas... [Capítulo
VI, versículo único] Eles me mostraram a tesouraria
do orvalho, tal qual azeite de oliva, e sua forma, assim como
todas as flores da terra. Além disso, os muitos anjos
que guardavam a tesouraria dessas coisas, e como fazem para
abrir e fechar. [Capítulo VII, versículo único]
E aqueles homens me tomaram e me conduziram ao segundo céu,
e me mostraram as trevas, mais escuras que as da Terra. Eu
vi prisioneiros atados, vigiados, que aguardavam o grande
e infinito julgamento, e esses anjos eram escuros, mais escuros
que a escuridão da terra. Os faziam chorar incessantemente,
o tempo todo...
Rio
de Fogo — [Capítulo X, versículo
único] Aqueles dois homens me tomaram e me conduziram
ao norte, e me mostraram um lugar terrível onde havia
todas as maneiras de torturas, trevas e escuridão sufocantes.
Nenhuma luz havia lá, mas um fogo escuro constantemente
ardia no alto. E havia um rio de fogo que corria, e por todo
o lugar havia fogo. Por todo lugar havia geada e gelo, sede
e tremores, enquanto que as penas eram muito cruéis.
Os anjos temíveis e impiedosos portavam armas terríveis
e infligiram torturas tenebrosas.
[Capítulo XI, versículo 01] Aqueles homens me
tomaram, conduziram-me ao quarto céu e me mostraram
os sucessivos acontecimentos e todos os raios da luz do Sol
e da Lua. [02] Eu medi seus movimentos e comparei suas luzes,
e vi que a do Sol é maior que a da Lua. [03] Seu ciclo
e suas órbitas, nos quais eles sempre se movimentam,
como um vento de uma velocidade maravilhosa, e o dia e a noite
têm um rápido trânsito. [04] Sua passagem
e seu retorno são acompanhados por quatro grandes estrelas
e quatro à esquerda. Cada estrela tem sob seu controle
mil outras estrelas, ao todo oito mil, seguindo continuamente
o Sol. [05] De dia, 15 miríades de anjos o assistem
e à noite, mil. [06] Seis alados seguem diante da órbita
do Sol em suas chamas flamejantes, e cem anjos acendem o Sol.
[Capítulo XII, versículo único] Olhei
e vi outros elementos voadores do Sol, cujos nomes são
Fênix e Chalkydri, maravilhosos e magníficos,
com pés e caudas na forma de leão, cabeça
de crocodilo. Sua aparência escarlate é como
o arco-íris, seu tamanho é de novecentas medidas,
suas asas são como as dos anjos, cada um tem doze.
Atendem e acompanham o Sol dando calor e orvalho tal como
lhes foi ordenado por Deus... [Capítulo XV, versículo
único] Então os elementos do Sol, chamados Fênix
e Chalkydri, irromperam em uma canção. Conseqüentemente,
cada pássaro bateu suas asas.
Gigantes
Terríveis — [Capítulo XVII, versículo
único] No meio dos céus eu vi soldados armados,
servindo ao Senhor, com tímpanos e órgãos,
com vozes incessantes, doces vozes, doces e incessantes vozes
e vários cânticos, que são impossíveis
de descrever. Que assombram qualquer inteligência, de
tão magnífico e maravilhoso que é o cântico
daqueles anjos, e eu estava encantado ouvindo-o. [Capítulo
XVIII, versículo 01] Os homens levaram-me ao quinto
céu e lá me puseram. Vi muitos e incontáveis
soldados, chamados Grigori, de aparência humana. Eram
maiores que os maiores gigantes, suas faces eram sem viço
e, o silêncio de suas bocas, perpétuo. Não
havia qualquer serviço no quinto céu, e eu disse
aos homens que estavam comigo: [02] “Por que eles são
tão sem viço e suas faces melancólicas,
suas bocas silenciosas? E por que não há serviço
neste céu?”
[Versículo 03] Eles me disseram: “Estes são
os Grigori, que com seu príncipe Satanail rejeitaram
o Senhor da Luz. E atrás deles estão os que
são mantidos nas grandes trevas do segundo céu.
Três deles foram à Terra vindos do trono do Senhor,
para o Ermon, e quebraram seus votos nas encostas da colina
do Ermon. E viram como eram bonitas as filhas dos homens e
tomaram-nas por esposas. Sujaram o mundo com suas obras e
durante todo o tempo de sua estrada cometeram ilegalidade
e promiscuidade. E nasceram gigantes e impressionantes homens
grandes e grandes inimizades”.
[Versículo 04] E por isso Deus julgou-os com um grande
julgamento. Eles choraram por seus irmãos e serão
punidos no grande dia do Senhor. E eu disse aos Grigori: “Eu
vi vossos irmãos, suas obras e seus grandes tormentos,
e rezei por eles. Mas o Senhor condenou-os a estar embaixo
da Terra até o céu e a terra se acabarem”.
[Capítulo XIX, versículo 01] E então,
aqueles homens tomaram-me e me puseram no sexto céu,
e lá vi sete grupos de anjos, muito brilhantes e gloriosos.
Suas faces brilhavam mais que o Sol resplandecendo, e não
havia diferenças em suas faces, comportamento ou maneira
de vestir-se. Eles fazem as ordens e aprendem o movimento
das estrelas, a alteração da Lua, a revolução
do Sol e o bom governo do mundo.
Frutos
da Terra — [Versículo 02] E quando eles
vêem coisas ruins, fazem os mandamentos e dão
instruções e cânticos doces e altos, e
todos são cânticos de louvor. [03] Esses são
os arcanjos, que estão acima dos anjos, e eles avaliam
toda a vida no céu e na Terra. Os anjos que estão
designados para as estações do ano, os anjos
que cuidam dos rios e dos mares e os que cuidam dos frutos
da terra. Há os que cuidam de toda a vegetação,
dando comida para todos, e os anjos que anotam todas as almas
dos homens, todos os seus feitos e todas as suas vidas diante
da face do Senhor. Em meio deles estão seis Fênix
e seis querubins com seis asas, continuamente com uma voz
cantante. Não é possível descrever seus
cânticos e seu júbilo diante do Senhor, aos pés
Dele.
[Capítulo XX, versículo 01] Aqueles dois homens
levaram-me até o sétimo céu, e lá
vi uma grande luz e as flamejantes hostes dos grandes arcanjos,
milícias incorpóreas e dominações,
ordens e governos, querubins e serafins, tronos e alguns de
muitos olhos. Vi nove regimentos, as estações
de luz Ioanitas e tive medo. Comecei a tremer com grande terror,
e aqueles homens tomaram-me e me conduziram e me disseram:
[02] “Tem coragem, Enoque, não temas”.
E mostraram-me o Senhor ao longe, sentado em seu trono muito
alto. Pois o que haverá no décimo céu,
se o Senhor aqui habita?
[Capítulo XXII, versículo 01] No décimo
céu, Aravoth, vi como era a face do Senhor, como o
ferro que arde no fogo que, ao sair, emite faíscas
e queima. [08] E o Senhor disse a Micael: “Vai e despoja
Enoque de suas vestes terrestres e unge-o com meu doce bálsamo,
e veste-o com os vestidos de minha glória”. [09]
E Micael assim o fez, tal qual o Senhor lhe ordenara. Ele
me ungiu, vestiu-me, e o aspecto daquele bálsamo é
mais que a grande luz. É como o doce orvalho e seu
perfume, suave e brilhante como um raio de Sol. Olhei para
mim mesmo e estava como um raio de Sol, estava como seus gloriosos.
[Versículo 10] E o senhor convocou um de seus arcanjos,
chamado Pravuil, mais forte em sabedoria do que qualquer outro
arcanjo, que escrevera todas as obras do Senhor. E o Senhor
disse a Pravuil: [11] “Traz aqueles livros de meus depósitos
e uma pena de escrita rápida, e dá-os a Enoque
e incube-o da escolha dos livros”. [Capítulo
XXIII, versículo 02] E Pravuil disse-me: “Todas
as coisas que te disse, temo-las por escrito. Senta-te e relaciona
todas as almas da humanidade, ainda que muitas delas já
tenham nascido, e os lugares preparados para elas na eternidade.
Pois que todas as almas são preparadas para a eternidade,
antes mesmo da formação do mundo”. [03]
E tudo se repetiu por 30 dias e 30 noites, e eu escrevi todas
as coisas com exatidão. Escrevi 366 livros.
Nota
do Autor — Dos capítulos 24 a 33, Enoque
cita o conteúdo dos livros que lhes foram passados,
relatando a criação do mundo nos seis dias,
conforme reza a cartilha bíblica. Em seguida, Deus
incube a Samuil e Raguil, os dois seres que levaram Enoque
à sua presença, para o levarem de volta com
os livros. Após a entrega das obras e sua divulgação
ao povo da Terra, Enoque parte, dessa vez definitivamente,
novamente elevado aos céus.
|
| Apócrifos
revelam uma nova Maria |
Fernando
de Aragão Ramalho
São
vários os livros apócrifos que falam sobre o
período anterior e posterior ao nascimento de Maria,
mãe de Jesus. Resolvemos expor aqui trechos daqueles
que mais estão relacionados aos fatos ufológicos.
Contudo, todos, de uma forma ou outra, acabam levando a conclusões
semelhantes. Dos chamados Livros da Natividade de Maria, em
compilação feita pela Editora Mercuryo, o apócrifo
que mais chama a atenção sobre a gravidez de
Ana, mãe de Maria, é atribuído a Jerônimo,
do século IX. Visando o enriquecimento da narrativa,
foram anexados trechos dos Evangelhos de Mateus, do século
I, e de Tiago, descoberto no século XVI. Todos os capítulos
estão identificados com o nome de cada um de seus supostos
autores. Tais Evangelhos foram editamos o mínimo possível,
para melhor compreensão e clareza:
[Jerônimo
I, versículo 01] A bem-aventurada e sempre gloriosa
Virgem Maria descendia de uma estirpe régia e pertencia
à família de David. Nasceu em Nazaré
e foi educada no templo do Senhor na cidade de Jerusalém.
O pai chamava-se Joaquim e a mãe Ana. [03] Mas esses
esposos tão queridos por Deus e tão piedosos
para com o próximo tinham 20 anos de vida conjugal
em casto matrimônio, sem descendência. Tinham
feito um voto que se Deus lhes concedesse um rebento, consagrariam-no
ao serviço divino. Por este motivo, durante os dias
festivos do ano, iam ao templo de Deus.
[Jerônimo II, versículo 01] A festa da Dedicação
no templo aproximava-se e Joaquim dirigiu-se a Jerusalém
em companhia de alguns patrícios. Naquele tempo era
sumo sacerdote Isacar que, ao vê-lo entre seus concidadãos,
menosprezou-o e rejeitou seus presentes, perguntando-lhe como
se atrevia a comparecer entre os prolíferos já
que era estéril. Disse-lhe ainda que suas oferendas
não seriam aceitas por Deus, pois este o considerava
indigno da posteridade e clamou pelo testemunho das escrituras,
que declarava maldito quem não gerasse um varão
em Israel.
[Versículo 02] Joaquim ficou morto de vergonha ante
tamanha injúria e se retirou aos seus campos, onde
se encontravam os pastores e rebanhos, sem querer voltar para
casa para não se expor ao desprezo dos companheiros
que tinham presenciado a cena e ouvido o que Isacar lhe dissera.
[Tiago I, versículo 01] Joaquim ficou muito atormentado
e não procurou sua mulher, retirando-se para o deserto.
Ali armou sua tenda e jejuou por 40 dias e 40 noites, dizendo
a si mesmo: “Não sairei daqui para minha casa,
nem sequer para comer ou beber, até que não
me visite o Senhor meu Deus. Que minhas preces me sirvam de
comida e de bebida”.
[Jerônimo III, versículo 01] Já fazia
algum tempo que se encontrava naquele lugar, quando um dia
em que estava sozinho, apareceu-lhe um anjo do Senhor, rodeado
de grande esplendor. Ficou atemorizado ante a visão,
mas o anjo da aparição livrou-o do temor dizendo:
“Joaquim, não tenhas medo e nem te assustes comigo.
Sou um anjo do Senhor. Ele me enviou para anunciar-te que
tuas preces foram ouvidas. Teve por bem olhar para tua confusão
depois que chegou a Seus ouvidos a infâmia de esterilidade
da qual injustamente te acusam”.
Filho
do Altíssimo — [Versículo 03]
“Saiba então que Ana, tua mulher, vai dar a luz
uma menina, a que colocarás o nome de Maria e que viverá
consagrada a Deus desde sua infância em consonância
com o voto que fizestes. E já desde o ventre da mãe
estará plena do Espírito Santo. Não comerá
nem beberá nada impuro e nem passará sua vida
entre o bulício da plebe, mas no recolhimento do templo
do Senhor, para que ninguém possa chegar a suspeitar
e nem falar algo desfavorável a ela. E quando for crescendo,
da mesma forma que ela nascerá de uma mãe estéril,
ou seja, virgem, e gerará de maneira incomparável
o Filho do Altíssimo. O nome Deste será Jesus,
porque de acordo com seu significado será o salvador
de todos os povos”.
[Mateus III, versículo 01] Naquele mesmo tempo apareceu
um jovem entre as montanhas onde Joaquim pastoreava seus rebanhos
e lhe disse: “Por que não voltas ao lado de tua
esposa?” Joaquim replicou: “Já faz 20 anos
que tenho a mulher e, já que o Senhor houvepor bem
não dar-me filhos dela, vi-me obrigado a abandonar
o templo de Deus ultrajado e confuso. Para que voltar a seu
lado como estou, cheio de desonra e vexado? Ficarei aqui com
meu gado até que Deus queira que a luz deste mundo
me ilumine. [02] Nem bem terminou de falar e o jovem lhe respondeu:
“Sou um anjo de Deus e hoje apareci a tua mulher quando
orava afogada em prantos. Saiba que ela já concebeu
de ti uma filha. Esta viverá no templo do Senhor e
o Espírito Santo repousará sobre ela. Sua felicidade
será maior do que a de todas as mulheres santas”.
Elevando-se
na Fumaça — [Versículo 03] Joaquim
prostrou-se em atitude de humilde adoração e
disse: “Já que fui agraciado com tua visão,
vem repousar em minha tenda e abençoar este servo”.
Ao que o anjo respondeu: “Não te chames de meu
servo, e sim de co-servo, pois ambos estamos na condição
de servir ao mesmo Senhor. Minha comida é invisível
e minha bebida não pode ser captada pelos olhos humanos.
Portanto, não é necessário que me convides.
Será melhor que ofereças a Deus em holocausto
o que me darias de presente”. Então Joaquim pegou
um cordeiro sem nenhum defeito e disse ao anjo: “Nunca
me teria atrevido a oferecer um holocausto a Deus se teu mandado
não me tivesse dado potestade de fazê-lo”.
O anjo replicou: “Eu tampouco te convidaria a oferecê-lo
se não conhecesse o beneplácito divino”.
E ocorreu que, quando Joaquim oferecia seu sacrifício,
junto com o perfume deste e, por assim dizer, com a fumaça,
o anjo elevou-se ao céu. Então Joaquim prostrou
a face na terra e ficou deitado desde a sexta hora até
a tarde. Quando seus servos e assalariados chegaram por não
saber o que aquilo significava, encheram-se de espanto, pensando
que ele quisesse suicidar-se. Aproximaram-se e com muito esforço
conseguiram levantá-lo do chão. Então
ele lhes contou sua visão, e todos, movidos pela admiração
e estupor produzidos pelo relato, aconselharam-no que obedecesse
sem demora a ordem do anjo e que voltasse depressa para a
mulher.
[Versículo 04] Andaram 30 dias consecutivos e quando
já estavam perto, um anjo de Deus apareceu a Ana, que
orava, e lhe disse: “Vai até a porta a que chamam
Dourada e sai ao encontro de teu marido, porque hoje mesmo
ele chegará”. Ela se apressou e foi para lá
com suas donzelas. De repente, levantou os olhos e viu Joaquim
que chegava com seus rebanhos. Abraçou-se a seu pescoço
dizendo: “Há pouco era viúva e já
não o sou. Não faz muito era estéril
e eis que concebi em minhas entranhas”. [Tiago IV, versículo
04] E, ao chegar Joaquim com seus rebanhos, estava Ana à
porta. Ao vê-lo chegar, pôs-se a correr e atirou-se
ao seu pescoço dizendo: “Agora vejo que Deus
me bendisse copiosamente, pois, sendo viúva, deixo
de sê-lo e, sendo estéril, vou conceber em meu
ventre”. E Joaquim repousou naquele primeiro dia em
sua casa.
[Mateus V, versículo 01] E Maria era a admiração
de todo o povo, pois com apenas três anos andava com
um passo tão firme, falava com tal perfeição
e se entregava com tanto fervor aos louvores divinos que ninguém
a tomaria por uma criança, mas sim por uma pessoa adulta.
Além disso, era tão assídua na oração
como se já tivesse 30 anos. Sua face era resplandecente
como a neve e, por isto, apenas se podia olhá-la com
dificuldade. O que mulheres adultas nunca foram capazes de
executar, esta realizava em sua mais tenra idade.
Curas
Misteriosas — [Versículo 02] Esta era
a norma de vida que impusera: desde a madrugada até
a terceira hora, fazia orações, da terceira
à nona, ocupava-se de suas tarefas, da nona em diante
consumia todo o tempo em oração, até
que o anjo do Senhor se mostrava e de cujas mãos recebia
alimentos. E assim crescia mais e mais nas vias da oração.
Cada dia usava exclusivamente para sua refeição
o alimento que lhe vinha das mãos do anjo, repartindo
com os pobres aquele que lhe davam os pontífices. Freqüentemente
se viam os anjos falando com ela, obsequiando-a com carinho
de íntimos amigos. E se algum doente conseguia tocá-la,
voltava imediatamente curado para sua casa.
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| O
desafio de estudar religião à luz da Ufologia |
Fabrina Martinez, redatora
O autor desta matéria especial desde cedo nutre grande
interesse pela Ufologia, principalmente depois 1977, quando
viu um objeto não identificado na cidade de Samambaia,
satélite de Brasília (DF), onde reside. Pernambucano
de Olinda, 40 anos, Fernando de Aragão Ramalho viu
uma grande luz rasgar o céu e pousar nas imediações
da chácara, no meio do cerrado. O fenômeno foi
observado a grande distância por outras testemunhas
e o caso ficou famoso na região como uma estrela cadente
ou um meteoro. Para o autor, representou o primeiro passo
em suas pesquisas ufológicas. Esta reportagem é
sua primeira participação na Revista Ufo na
condição de consultor. Desde então se
dedica ao estudo da relação entre a religião
e a Ufologia, aproveitando seu vasto conhecimento na primeira
área. Começou a estudar religião através
do catolicismo, mas logo passou para o protestantismo, sem
muito sucesso.
Entre uma coisa e outra, procurou novas opções,
entre as quais o espiritismo kardecista, Seicho-no-Ie, umbanda,
budismo, hinduísmo e o candomblé. Cursou geografia
na Universidade de Brasília (UnB) e hoje trabalha na
Câmara dos Deputados. Com o sensível aumento
de suas experiências pessoais com o Fenômeno UFO,
resolveu se dedicar à pesquisa prática, ingressando
na Entidade Brasileira de Estudos Extraterrestres (EBE-ET).
Fernando Ramalho tem experiências interessantes e um
vasto conhecimento do tema. Em seus mais de 20 anos de estudos
e pesquisa, destaca duas outras observações
ufológicas. Em 2001, ele e a esposa viram uma sonda
luminosa do tamanho e forma de uma bola de futebol, a cerca
de 50 m, no parque da cidade. Ela desceu lentamente sobre
a grama, parou por alguns instantes e, aumentando sua luminosidade,
desapareceu sem fazer barulho. “Nessa ocasião,
houve a suspeita de se tratar de um relâmpago ou raio
circular, mas normalmente estes fazem barulho, são
rápidos e bem maiores”, disse. Quando ocorreu
sua outra observação, estava com a esposa e
o afilhado no centro de Brasília. Às 17h00,
em janeiro do ano passado, viram uma luz que brilhava como
um farol de avião, que fez um trajeto de quase 180º
pelo horizonte em altíssima velocidade e, sem variar
seu brilho, desapareceu atrás dos prédios.
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Fernando
de Aragão Ramalho é geógrafo e funcionário
público lotado na Câmara dos Deputados, além
de ufólogo e consultor da Revista Ufo. Seu endereço
é: SQSW 101, Bloco K, Apto. 105, Sudoeste, 70670-111 Brasília
(DF). E-mail é: fernando_ramalho@brturbo.com.br.
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