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O Caminho do Skinwalker

Uma fazenda em Utah, Estados Unidos,
pode ser o lugar mais estranho da Terra

George Knapp, convidado especial

Estava sentado numa cadeira plástica, no meio de uma grande escuridão. Havia ao lado todo um conjunto de artefatos eletrônicos amarrados ao meu tórax e braços. Microfones, câmeras, uma caixa que detecta mudanças magnéticas e um contador Geiger etc. Em algum lugar desse aparato também havia uma lanterna à pilha, o único dos dispositivos sobre os quais entendo alguma coisa, mas que não conseguia encontrar. À minha frente, quase conseguia distinguir algumas árvores verdadeiramente esquisitas. Insetos malévolos estavam perturbando meus olhos e ouvidos, neste canto remoto do Utah.

Há pouco mais de 100 m, além de uma cerca de arame farpado, estavam meus colegas estudiosos da paranormalidade, equipados com suas próprias câmeras de vídeo, óculos para visão noturna e outros dispositivos semelhantes. Eles tinham o papel de me vigiar para ver se algo acontecia. Naquela noite, eu era a isca. Mas isca de quê, me perguntava. A esperança não verbalizada na minha própria e inerente estranheza do que estava ao meu redor era o que podia me fornecer algum tipo de conexão com uma certa energia ou entidade inegavelmente estranha, que parecia ter se concentrado naquela comunidade rural remota – e, em particular, nesta pequena fazenda onde me encontrava sentado naquele momento, à espera de algo que anunciasse sua presença. Alguns eventos estranhos aconteceram no exato local em que estava. Foi bem ali que um visitante foi abordado por uma criatura quase invisível que rugia, algo parecido com o predador das telas do cinema.

Foi ali, também, que um doutor em física relatou que sua mente fora invadida e literalmente controlada por algum tipo de inteligência hostil que o advertiu que ele não era bem-vindo no local. Foi ali também que um grupo inteiro de pesquisadores assistiu, com assombro, a abertura de uma porta ou portal brilhante, de onde uma criatura humanóide surgiu e se arrastou rapidamente, antes de desaparecer. E também foi ali que diversos animais – gado e cães – foram mutilados, obliterados ou simplesmente desapareceram.

“Foi ali que um visitante foi abordado por uma criatura quase invisível e onde um doutor em física relatou que sua mente fora invadida e controlada por algum tipo de inteligência hostil, que o advertiu que não era bem-vindo”

Há muito tempo, pelo que qualquer residente do local se lembraria, esta parte do nordeste do Estado do Utah tem registrado uma atividade paranormal simplesmente inacreditável. UFOs, mutilações de gado, manifestações psíquicas e eventos poltergeist se misturam com a observação de criaturas que não podem ser encontradas em nenhum zoológico ou livro, tais como o sasquatch [Yeti ou pé-grande]. O que o leitor puder imaginar, os residentes daquela localidade já viram. O professor aposentado Junior Hicks é uma espécie de historiador informal da região, registrando todas as coisas esquisitas que lá acontecem. Ele catalogou cerca de 400 incidentes insólitos, na maioria envolvendo avistamentos de UFOs. Mas afirma que milhares de outros casos já ocorreram, não podendo ser registrados. Hicks estima que pelo menos metade dos 50 mil habitantes da região já viu coisas estranhas no céu. , Na categoria de discos voadores, lá são comuns as naves em formato de charuto, bolas de luz em zigue-zague, pratos de cor aluminizada etc. São tantos objetos diferentes que a polícia local e a patrulha rodoviária pararam de registrar os casos há muito tempo – e muitos também foram testemunhas dos fatos. O próprio Hicks e membros de sua família tiveram contatos com UFOs ao longo dos anos.

ETS NO FOLCLORE INDÍGENA

“A atividade ufológica na região começou realmente a se intensificar no início dos anos 50”, afirma Hicks. “Já houve ocasiões de uma escola inteira – todos os alunos e professores – ver estas coisas pairando sobre a cidade, em plena luz do dia. Nos anos 60 e 70, provavelmente, tivemos mais avistamentos de UFOs que qualquer outro lugar do mundo”. Porém, a ampla gama de fenômenos incomuns nesta área do planeta vai muito além dos incontáveis eventos ufológicos. A tribo indígena Ute está na localidade há muito mais tempo que os colonizadores brancos, e os líderes tribais estão relutantes em falar com forasteiros. Mas sua tradição, transmitida oralmente, é repleta de relatos de estranhas criaturas e avistamentos de curiosos objetos celestes. O folclore indígena do Utah se refere a alguns destes seres como Skinwalkers, enquanto outras culturas os chamam de transmorfos, lobisomens ou pés-grandes.

“Os utes levam isto muito a sério”, diz Hicks. “Eles acham que os Skinwalkers são espíritos poderosos que estão aqui por causa de uma maldição jogada sobre eles pelos navajos. E o grande centro desta lenda é esta fazenda. Os utes dizem que a fazenda é o ‘Caminho do Skinwalker’”. Os membros da tribo são estritamente proibidos de pisar na propriedade, e assim tem sido por muito tempo. A fazenda em questão é constituída de 192 hectares de pasto rico e bem irrigado e de algumas áreas cobertas de algodão. Ela é dividida em três partes, cada qual com uma casa de fazenda. Há um matagal alto e um riacho de um lado da propriedade, e um cume rochoso e pitoresco do outro – o Cume do Skinwalker, como é chamado pelos utes. O único caminho para dentro ou fora da fazenda é uma longa estrada de terra.

“Skinwalkers são espíritos poderosos que estão no Utah por causa de uma maldição jogada sobre os homens brancos pelos navajos. O grande centro desta lenda é a fazenda em questão. Os índios utes dizem que a fazenda é o ‘Caminho do Skinwalker’”

O proprietário da terra não quer ser identificado com seu nome real, mas consentiu em ser chamado de Tom Gorman, segundo minha sugestão. Ele a comprou em 1994, após ter ficado desocupada por uns sete ou oito anos. Quando se mudaram para a fazenda, Gorman, sua es posa e dois filhos ficaram imediatamente curiosos sobre a impressionante quantidade de trancas ao redor das portas e janelas da casa-sede, deixadas pelos proprietários anteriores. Havia trancas em ambos os lados das portas e até os armários da cozinha tinham travas. Ao lado da casa também haviam sido enterradas estacas de ferro com correntes grossas. Gorman imaginou que os moradores anteriores tivessem posicionado grandes cães de guarda tanto na frente quanto no fundo da residência, mas não tinham idéia do por quê.

LOBO À PROVA DE BALAS

No dia em que os Gormans fizeram sua mudança para a propriedade, eles tiveram seu primeiro vislumbre dos eventos que seguiriam. Avistaram um lobo imenso no meio do pasto, em frente a casa. O animal cuidadosamente atravessou o campo e, para a surpresa de todos, esgueirou-se entre os membros da família, agindo como se fosse um animal de estimação. Havia chovido naquele dia e os Gormans recordam-se que o lobo cheirava como um cão molhado, quando eles o alisavam. Depois de alguns minutos, o lobo foi lentamente para o curral e agarrou um novilho pelo focinho, tentando puxá-lo pela grade do curral. Gorman e seu pai começaram a bater nas costas dele com pedaços de pau, mas ele não soltava o novilho. Gorman, então, agarrou sua potente Magnum 357, que estava no caminhão, e atirou no animal à queima-roupa. O disparo não teve qualquer efeito visível sobre o bicho.

O homem deu um outro tiro no lobo, que então soltou o novilho, mas ficou de pé, olhando para a família como se nada tivesse acontecido. Gorman deu mais dois tiros com a poderosa arma e o animal moveu-se um pouco para trás, mas ainda assim não mostrou qualquer sinal de medo ou sofrimento – nem mesmo sangue. O fazendeiro, intrigado, apanhou um rifle de caça e disparou no lobo novamente, uma vez mais a pequena distância. Ele não apenas é um atirador experiente como também é um caçador esportista de considerável reputação. Cinco tiros deveriam ter sido suficientes para derrubar um alce, imagine então o que fariam a um lobo. Pelo que contam os Gormans, o quinto disparo chegou a arrancar uma mecha de pêlo e rasgar um pouco o corpo do lobo, mas o animal ainda não parecia incomodado. Finalmente, após um sexto tiro, o animal correu pelo campo até um mato lamacento. O fazendeiro e um dos filhos perseguiram a besta por aproximadamente 1,5 km, seguindo suas pegadas na lama. Mas os rastros desapareceram subitamente, como se o animal tivesse simplesmente se elevado no ar.

“O homem deu um outro tiro no lobo, que então soltou o novilho, mas ficou de pé, olhando para a família como se nada tivesse acontecido. Gorman deu mais dois tiros com a poderosa arma e o animal moveu-se um pouco para trás, mas ainda assim não mostrou qualquer sinal de medo ou sofrimento – nem mesmo sangue. Gorman ainda desferiu mais alguns tiros no resistente animal, agora com um rifle, mas mesmo assim ele não morreu”

Ao retornar para a área do curral, Gorman examinou o pedaço do corpo do lobo que havia sido arrancado com o tiro, constatando que tinha a aparência e cheiro de carne podre. Ele passou a inquirir a vizinhança a respeito do animal, mas ninguém tinha visto qualquer lobo manso de tamanho anormal na área. Poucas semanas mais tarde, a esposa de Gorman encontrou outro lobo, que era tão grande que suas costas ficavam da altura do topo da janela quando ele encostou ao lado do carro. O lobo estava acompanhado de um animal que se parecia com um cão, mas que ela não pôde identificar ao certo.

COISA GRANDE E EMBAÇADA

Ao longo dos dois anos seguintes, uma quantidade de estranhos animais foi vista pelos membros da família e seus vizinhos. Certa vez, enquanto entravam de carro na fazenda, numa tarde ensolarada, Gorman e sua esposa observaram algo atacando um de seus cavalos. Eles descreveram aquilo como “tendo altura pouco acima do chão, sendo pesadamente musculoso, com uns 90 kg, pêlos ruivos cacheados e um rabo bem peludo”. O inusitado animal tinha uma aparência que lembrava de longe uma hiena musculosa, que parecia estar agarrando seu cavalo, quase brincando com ele. Gorman chegou a se aproximar cerca de 15 m do bicho, mas disse que ele literalmente desapareceu diante dos seus olhos. Sumiu, como num passe de mágica. Os Gormans verificaram o cavalo e identificaram numerosas marcas de garras em suas pernas. Poucos meses depois, a esposa de um policial local relatou ter visto uma besta avermelhada e musculosa, semelhante àquele animal, correndo pela propriedade.

Outro visitante da fazenda teve um encontro mais ameaçador ainda em sua área central, no mesmo lugar em que eu fui posicionado como isca, naquela noite que descrevi. O visitante, bem como Gorman e seu filho, avistaram uma “coisa grande e embaçada movendo-se em meio às árvores”. O visitante descreveu que a tal coisa apareceu movendo-se suavemente entre as árvores, pelo pasto, cobrindo uma distância de quase 10 m em segundos. Disse que quando ela o alcançou, produziu um forte rugido, muito semelhante ao de um grande urso, daqueles que se ouvem a quilômetros de distância. “Mas aquilo não era um urso”, insiste o visitante. De acordo com os Gormans, o animal era quase invisível, lembrando o ser camuflado do filme O Predador.

O homem ficou tão apavorado que se agarrou ao fazendeiro e não o largou de jeito algum, depois deixando a fazenda para nunca mais retornar. Outras criaturas e seres não identificados também foram vistos naquela região do Utah, incluindo pássaros exóticos multicoloridos que não eram nativos da região e não podiam ser reconhecidos. Houve também numerosos encontros próximos com criaturas descritas como bestas escuras de até 3 m de altura, que lembravam o mitológico sasquash. Como se as experiências visuais não bastassem, a família também alega ter tido outros sentidos desafiados por estranhos eventos. Muitas vezes, ficavam surpresos ao sentir cheiros fortes de almíscar. Igualmente, os pastos inexplicavelmente se clareavam durante a noite, como estádios de futebol. Os Gormans alegam terem visto feixes de luz que aparentemente emanavam do solo. Eles e outros fazendeiros da região dizem também já terem ouvido barulhos que pareciam ser de maquinário pesado, operando sob a terra. E já ouviram vozes, muitas delas. Seu filho Tom e um sobrinho relataram que uma vez ouviram uma conversa alta, sem uma origem física aparente e numa língua ininteligível. As vozes eram masculinas e desencarnadas. De acordo com as testemunhas, falavam em um tom debochado e pareciam emanar de uns 10 m acima de suas cabeças, mas eles nada viram. Os cães que acompanhavam as vítimas grunhiam e latiam para as vozes, quando então fugiram em pânico.

Houve também manifestações físicas que não são facilmente explicáveis. Por exemplo, certa vez, enquanto verificava o gado na terceira área da fazenda, Gorman percebeu que alguém havia escavado seu pasto. Quase uma tonelada de terra havia sido retirada de buracos escavados no solo. “Suas extremidades se pareciam com círculos concêntricos perfeitos, como se alguém tivesse enfiado um cortador de biscoitos gigante no chão”, disse o homem. Várias outras marcas de escavação menores também foram achadas.

UFOS E OUTROS FENÔMENOS

“Fenômenos semelhantes aos círculos ingleses também já foram descobertos na propriedade. Por exemplo, uma formação foi encontrada no pasto e consistia de três círculos de vegetação amassada, cada qual com cerca de 3 m de diâmetro. Eles estavam dispostos num padrão triangular, tendo cada círculo cerca de 10 m de distância dos demais”

Os Gormans também relatam fenômenos semelhantes aos círculos ingleses, descobertos na propriedade. Uma formação encontrada no seu pasto consistia de três círculos de mato amassado, cada qual com aproximadamente 3 m de diâmetro. Estavam dispostos num padrão triangular, tendo cada círculo cerca de 10 m de distância dos demais. Vale ressaltar que há apenas uma estrada de acesso à fazenda e que qualquer pessoa entrando ou saindo da propriedade seria certamente notada pelos Gormans ou seus vizinhos.

Na primavera de 1995, os Gormans começaram a ver coisas estranhas no céu. “Eram verdadeiras esquisitices aéreas”. Enquanto verificavam o gado, Gorman e seu sobrinho observaram o que parecia ser um pequeno veículo parado na propriedade. Eles começaram a se aproximar do objeto, achando que o motorista poderia estar com problemas me cânicos. À medida em que acercavam tal veículo, este se afastava silenciosamente. Gorman e o sobrinho tentaram mais uma vez chegar perto, e novamente o objeto se afastou. Eles subiram então numa cerca para tentar obter uma visão melhor do veículo, quando perceberam que não era nada semelhante ao que conheciam. O objeto levantou vôo por sobre as árvores e lentamente foi embora, sem fazer qualquer som. “Com certeza aquilo não era um helicóptero”, disse Gorman. As testemunhas puderam ver tal artefato com bastante clareza e garantiram que tinha o formato de um refrigerador, com uma luz na frente e outra vermelha atrás.

Já por algum tempo, antes disso, a família vinha observando estranhos objetos aéreos. A esposa do fazendeiro afirma que algo parecido com um caça a jato Stealth, rodeado de luzes piscantes e em forma de disco, pairou silenciosamente a uns 7 m acima de seu veículo, antes de partir em alta velocidade. Cada membro da família fez repetidos avistamentos de uma inusitada nuvem que geralmente pairava do lado de fora da propriedade. A tal nuvem foi descrita por eles como tendo “luzes de árvore de Natal piscantes” ou “mini explosões silenciosas dentro dela”. Dentre os objetos voadores não identificados vistos pelos Gormans, seus vizinhos e outras testemunhas, estão também os clássicos aparelhos em forma de disco voador – ou “sombreiros voadores”, como são chamados –, de bastões iluminados como lâmpadas fluorescentes e uma nave em forma de charuto, com o gigantesco comprimento de vários estádios de futebol.

De longe, os objetos mais comuns testemunhados por eles foram esferas flutuantes de diferentes tamanhos e cores. Em 1995 e 1996, os Gormans e outros moradores da região relataram 12 incidentes separados, quando viram grandes círculos alaranjados voando acima das árvores da área central da fazenda. Tom Gorman alega que, ocasionalmente, buracos se abriam nos círculos e outras esferas, menores que as anteriores, saíam de seu interior. Um fazendeiro vizinho informou ter tido seus próprios encontros com o que chamou de “uma bola de basquete voadora alaranjada”.

ARTEFATOS INTELIGENTES

No início de 1996, os avistamentos de esferas alaranjadas deram lugar às de coloração azul na fazenda, e se tornaram muito comuns. Estes objetos pareciam ter tamanho um pouco maior do que uma bola de futebol, eram feitos de material que lembrava vidro e preenchidos com líquidos azuis borbulhantes, que pareciam girar dentro deles. Os Gormans dizem que em abril daquele ano assistiram a uma destas esferas azuis circular repetidamente ao redor da cabeça de um de seus cavalos, que ficou iluminado por uma intensa luz azul. O homem lembra que ouviu um ruído que parecia com eletricidade estática no ar – mas sem aparecer os correspondentes raios. O artefato parecia ter um controle inteligente: quando Gorman se aproximou do cavalo com uma lanterna a pilha, ele lançou-se para longe, manobrando pelos galhos das árvores com velocidade e destreza.

“No início de 1996, os avistamentos das estranhas esferas alaranjadas deram lugar às de coloração azul na fazenda, e se tornaram muito comuns. Estes objetos pareciam ter tamanho um pouco maior do que uma bola de futebol, eram feitos de um material que lembrava vidro e preenchidos com líquidos azuis borbulhantes, que pareciam girar dentro deles”

Gorman diz ainda que as esferas azuis pareciam gerar um efeito psicológico em sua família. “Todos sentiam ondas de medo circularem pelo corpo, muitíssimo além do que seria normal, quando os objetos apareciam”, declarou. Foi a aparição de uma dessas esferas azuis que o convenceu finalmente a vender a fazenda. Num entardecer de maio de 1996, o homem estava do lado de fora da casa com três de seus cães quando notou uma esfera azul voando pelo campo próximo. Gorman ordenou que os cães seguissem o artefato, ao que eles obedeceram e quase o pegaram. Mas o objeto se desviava e manobrava de tal forma que fugia do alcance dos animais com facilidade. A sonda ufológica – o que mais poderia ser? – atraiu os cães pelo pasto adentro e, depois, por um mato denso que circunda o campo. O fazendeiro diz que ouviu os cães darem três latidos terríveis e, então, silenciarem. Gorman chamou por eles, mas não responderam.

Na manhã seguinte, o homem saiu para procurar os cães. Mas o que encontrou foram apenas três curiosas marcas circulares de vegetação desidratada e fragilizada. Em seus respectivos centros havia um grumo negro e gorduroso, o que fez Gorman supor que os cães haviam sido incinerados por algo. Os cães nunca mais foram vistos novamente e seu desaparecimento levou os Gormans a pensarem seriamente em irem embora dali.

MUTILAÇÕES DE ANIMAIS

Ao contrário do que o leitor poderia supor, Tom Gorman não era um simples fazendeiro caipira. Ele possuía cursos universitários e treinamento em pecuária, era considerado um especialista em inseminação artificial e tinha planos de criar gado híbrido de última geração na pitoresca fazenda. Seu rebanho tinha em torno de 70 cabeças, com vacas reprodutoras caras e de primeira qualidade. E ainda, havia quatro touros de quase uma tonelada cada, campeões em exposições de gado. Desde o dia em que ele mudou-se para a fazenda e levou consigo seu gado, suas expectativas e seus animais pareciam sobressaltados. As bolas de luz que eram tão freqüentemente vistas na propriedade pareciam ter interesse especial no gado e eram comumente registradas rondando suas cabeças.

Às vezes, o gado reagia violentamente à sua aproximação, com o rebanho subitamente dividindo-se ao meio, como se alguma força invisível estivesse agindo entre os bichos. Isto logo piorou. Embora os Gormans fossem sempre cuidadosos com o gado, algo começou a provocar terríveis baixas e grandes prejuízos. Uma vaca foi encontrada morta no campo com um buraco estranho num dos olhos. Não havia traços de sangue e as testemunhas não entendiam o que poderia produzir tal efeito. Gorman notou um cheiro almiscarado e forte ao redor da carcaça, um odor que ele viria a conhecer mais tarde, até bem demais. Outros animais sofriam incisões cirúrgicas inexplicadas, como de bisturis. A família estava registrando um significativo número de mutilações de gado, tais como tantas que vinham sendo relatadas nos Estados Unidos, por várias décadas. Nos casos típicos, as orelhas, olhos, úberes e genitália dos animais eram removidos com extrema precisão. Os animais dos Gorman estiveram sujeitos a todos esses procedimentos.

“As orelhas, olhos, úberes e genitália dos animais eram removidos com extrema precisão. A chacina era limpa demais, precisa demais e misteriosa demais – e nenhum sangue era derramado nos locais dos ataques. Outros animais da fazenda também sofriam os ataques ”

Como um experiente fazendeiro e caçador, Gorman era mais do que familiarizado com as habilidades dos predadores naturais, de forma a reconhecer quando um deles atacasse seu gado. Mas aquilo que acontecia ao rebanho não estava sendo feito por coiotes ou leões da montanha, relativamente comuns na região. A chacina era simplesmente limpa demais, precisa demais e misteriosa demais – e nenhum sangue era derramado nos locais dos ataques. Outros animais da fazenda também sofriam os ataques. Seu cavalo predileto teve as pernas retalhadas, como se fosse por instrumentos afiados ou garras – e o enigmático odor de almíscar ainda estava no ar quando ele encontrou o animal machucado. Seus cães pareciam ter desenvolvido algum tipo de paranóia. Eles ficavam enfurnados em suas casinhas em um certo horário do dia, medrosos demais para saírem, até para comer. Seis dos gatos da família chegaram a desaparecer numa mesma noite.

VACAS LEVITADAS

Logo, cabeças de gado também começaram a desaparecer. Um destes animais sumiu de um campo que estava coberto por neve. Gorman rastreou as pegadas do animal pasto adentro, até o ponto em que os rastros simplesmente pararam, como se o animal tivesse levitado. “Uma vaca de 600 kg tem que deixar pegadas na neve. Mas a que desapareceu não deixou. O que pode ter acontecido com ela?”, pergunta o fazendeiro. Ao todo, 14 dos animais premiados de Gorman simplesmente desapareceram em poucos meses. Houve uma ocasião em que uma vaca foi encontrada mutilada apenas cinco minutos após seu filho tê-la examinado. Algo havia feito um buraco de 15 cm de largura por 45 cm de profundidade ao redor do ânus do animal. A cavidade da seção removida estendia-se para dentro do corpo da vaca, mas, no entanto, não havia sangue sobre o couro ou no chão gramado ao redor.

A perda de 14 animais caros de um rebanho de 70 cabeças é significativa para um proprietário rural – 20% do rebanho. Isto deixou Gorman à beira de um colapso financeiro. Numa tarde de abril de 1996, o fazendeiro e sua esposa foram rapidamente à cidade comprar suprimentos. Ao passarem pelo curral e ver os quatro touros premiados, comentaram que teriam um problema realmente sério se algo acontecesse a algum deles. Esse era um temor que se confirmaria. Quando retornaram à fazenda, menos de uma hora depois, os quatro animais haviam sumido. Os Gormans começaram uma busca frenética pelos touros desaparecidos, mas não encontraram nenhum traço deles. Por excesso de zelo, Gorman decidiu então olhar num trailer de metal que ficava dentro do curral. Ele achava muito improvável que os touros estivessem lá, pois havia apenas uma porta para o trailer, vinda do curral, e estava segura por um cabo de metal grosso, que claramente ainda permanecia no lugar. O fazendeiro ficou chocado ao encontrar os quatro animais dentro do trailer, espremidos como sardinhas dentro de uma lata. Quando gritou para sua esposa que os havia encontrado, os touros aparentemente despertaram de um estado de torpeza e começaram a se jogar uns por cima dos outros feito loucos.

MISTÉRIOS DESAFIADORES

“Simplesmente, não havia nenhuma maneira de alguém conseguir colocar aqueles animais dentro do trailer”, declarou o cientista Colm Kelleher, um microbiólogo que viria a conhecer bem os Gormans em inúmeras visitas de pesquisa que fez à fazenda. “Já seria bastante difícil colocar apenas um deles, mas os quatro? Seria virtualmente impossível. O único caminho do curral para o trailer estava fechado com cabos. E ainda havia teias de aranha intactas no lado de dentro da porta, o que provava que ela não havia sido aberta. É como se alguém tivesse escutado secretamente as preocupações dos Gormans com os touros, e tivesse decidido pregar uma peça neles”.

Kelleher não se deu conta disto em 1996, mas a fazenda dos Gorman logo viria a se tornar uma espécie de segundo lar para ele, de tantas viagens que fez ao local. Ele é o administrador-chefe do National Institute for the Discovery of Science [Instituto Nacional para Descoberta da Ciência, NIDS], uma organização de pesquisas baseada em Las Vegas, fundada pelo empresário local e milionário Robert Bigelow. Bigelow nutre intenso interesse por assuntos ligados ao paranormal e à Ufologia, o que o levou a reunir um grupo de físicos, engenheiros, psicólogos e outros profissionais com o propósito de investigar tais manifestações de forma científica – ao contrário de como são tratadas pela ciência tradicional.

No meio daquele ano, os Gormans estavam prontos para largar tudo e partirem do Utah. Quem conhecia Tom Gorman dizia que ele culpava a si mesmo pela estranha cadeia de eventos que arruinaram seu trabalho na fazenda e quase o levaram à falência. Ele não queria desistir, mas sentia-se amaldiçoado por aquela absurda sucessão de mistérios e estava disposto a entregar os pontos pelo bem de sua família. Em um momento atípico de sua vida, amargurado, Gorman contou partes de sua história a um jornalista respeitado da cidade de Salt Lake, capital do Estado, que esteve na fazenda conversando com a família. Fotos foram publicadas em jornais e uma agência de notícias espalhou a história pelo país. Foi assim que Bigelow ouviu falar da fazenda, para onde se dirigiu imediatamente.

Ele e sua equipe pegaram um avião para Utah e se apresentaram aos Gormans. O pessoal do NIDS verificou a história, entrevistou vizinhos e avaliou os relatos aparentemente inacreditáveis dos moradores da fazenda. Aquilo tudo era tão incrível para os cientistas que assessoravam Bigelow que ele prontamente se ofereceu para comprar a fazenda e transformá-la num laboratório de paranormalidade interativo, um experimento em andamento que poderia trazer alguma luz sobre questões que eram vistas com ceticismo científico. Surpreendentemente, ele não somente comprou a propriedade como convenceu os Gormans a permanecerem na fazenda como zeladores.

A esta altura dos acontecimentos, a família se encontrava em frangalhos. Como se já não bastassem os avistamentos de UFOs, a invasão de bolas de luz, os sasquatchs e pés-grandes, as mutilações de gado e o desaparecimento de animais, ainda havia as lendas indígenas dos skinwalkers. Tudo isso, somado, fez com que começasse a ocorrer uma série de eventos mais pessoais com os Gormans. Coisas inacreditáveis passaram a acontecer dentro de sua casa, que os impossibilitavam de levar uma vida normal. Eles viam aparições, criaturas escuras e difíceis de identificar na janela. Suprimentos, ferramentas e itens de uso diário moviam-se sozinhos e desapareciam em pleno ar.

VIOLENTOS PESADELOS

Ninguém conseguia dormir mais naquela fazenda. Quando os Gormans finalmente tinham umas poucas horas de sono, eram assolados por violentos pesadelos, que, depois descobriram, ocorriam identicamente a todos os membros da família. Os dois filhos, considerados excelentes alunos antes de chegarem à fazenda, tiveram suas notas deterioradas. A esposa de Gorman perdeu seu emprego num banco local por suas repetidas faltas ao trabalho e por seu repertório de intenso terror. Na esperança de sentirem-se mais seguros, os membros da família passaram a dormir no chão da sala todas as noites. Sua situação era precária e desesperadora. O pessoal do NIDS oferecia apoio moral, emocional e financeiro a eles. E mais que isso, Bigelow tinha um plano para os Gormans. A fazenda se apresentava como uma chance única de se estudar legitimamente um cardápio inteiro de atividades paranormais e ufológicas. O NIDS queria fechar a fazenda, cercá- la com equipamento de monitoramento de última geração, colocar observadores treinados 24 horas por dia e ver o que aconteceria.

“Ninguém conseguia dormir mais naquela fazenda. Quando os Gormans tinham umas poucas horas de sono, eram assolados por violentos pesadelos, que, depois descobriram, ocorriam a todos os membros da família. Os dois filhos do casal, considerados excelentes alunos antes de chegarem à fazenda, tiveram suas notas deterioradas. A esposa de Gorman perdeu seu emprego num banco local por suas repetidas faltas ao trabalho e por seu repertório de intenso terror. Na esperança de sentirem-se mais seguros, os membros da família passaram a dormir no chão da sala todas as noites”

Mas algo conspirou contra os planos de Bigelow e seus cientistas. Alguns residentes do local passaram a desconfiar das atividades daqueles esquisitões de Las Vegas e a suspeitar sobre o que realmente tinham em mente. Um golpe de algum tipo era uma possibilidade que não se podia ignorar. Enquanto detalhes das operações do NIDS circulavam pelos Estados Unidos, ufólogos mais radicais lamentavam que Bigelow estivesse à frente de tais pesquisas. O milionário era suspeito de ter conexões com a CIA e os ufólogos temiam que ele tentaria de alguma forma controlar o tema, impedindo que o que fosse descoberto na fazenda se tornasse de conhecimento público. Eles exigiam que o tudo que ocorresse na propriedade fosse imediatamente disponibilizado para avaliação. Já céticos de plantão previam que a equipe do NIDS voltaria de mãos vazias, porque os eventos fatalmente murchariam sob a luz de um escrutínio científico.

No fim das contas, os três grupos estavam errados. O NIDS realmente isolou a fazenda e impediu o acesso de observadores externos a ela, mas não sem grandes gastos financeiros. Nem a CIA nem qualquer outra entidade governamental teve qualquer influência sobre as coisas que ocorreram sob a vigilância da turma de Bigelow. Nem o fenômeno em si desvaneceu ou evaporou-se sob o rigor das investigações. Ao longo dos últimos seis anos de atividades no local, os eventos na fazenda têm sido permanentemente analisados. Testemunhas, incluindo cientistas reconhecidos e autoridades, têm documentado uma gama enorme de atividade incomum. Porém, todas as informações sobre o local estão em quase completo sigilo. Em função de um acordo com Bob Bigelow, este autor obteve a primeira permissão de acesso à fazenda e aos cientistas que fazem parte da equipe do NIDS. Lá estive e conduzi entrevistas com o pessoal residente na fazenda, bem como com membros da comunidade local, que haviam relatado eventos incomuns.

ALIENÍGENAS OU FANTASMAS?

Passei várias noites na propriedade, em vigília e permanente espera por quaisquer luzes estranhas ou outras manifestações que pudessem ocorrer. Ninguém que tenha pesquisado o rosário de fatos misteriosos que cerca aquela fazenda de Utah pode ainda dizer com segurança o que está ocorrendo lá. Os pesquisadores do NIDS não fazem nenhum tipo de afirmação de que sejam ETs, fantasmas ou skinwalkers, como afirmam as tradições dos utes. Eles ainda estão coletando dados e tentando encontrar explicações. Isto pode não ser muito confortante para quem passou noites inteiras sentado numa cadeirinha plástica, no meio de uma gélida escuridão, esperando que algo aconteça.

“Passei várias noites naquela propriedade, em vigília e em permanente espera por quaisquer luzes estranhas ou quaiquer outras manifestações que pudessem ocorrer. Ninguém que tenha pesquisado o rosário de fatos misteriosos que cerca aquela fazenda de Utah pode dizer com segurança o que está ocorrendo lá. Não se pode dizer com segurança que são ETs, mas também não podemos afirmar o contrário. Nenhum outro lugar do mundo parece ser tão incomum”

A mente certamente pode pregar peças num ambiente destes, mas será que tantas testemunhas poderiam estar completamente erradas? Ficando loucas? Se esse não é o caso, então algo realmente extraordinário está acontecendo naquela misteriosa fazenda em Utah. Os fatos registrados preencheriam a lista mais cumprida que os ufólogos ou parapsicólogos pudessem elaborar – e eles também ocorrem (e assustam) os cientistas do NIDS. Tais situações incluem a perseguição e tiro em criaturas desconhecidas, destruição de equipamentos eletrônicos por algo invisível, surgimento de círculos desenhados no gelo e na neve, e a abertura do que alguns podem chamar de um portal para outra dimensão.

INCRÍVEIS MANIFESTAÇÕES UFOLÓGICAS E PARAPSICOLÓGICAS NOS ESTADO UNIDOS

Os fenômenos da fazenda de Sherman são impressionantes. A luz observada por ele e Chad Deetken, em 1997, é um exemplo. Nessa ocasião, a luminosidade registrada assemelhava-se a um portal brilhante que tinha, de um lado, uma figura humanóide escura e alta. Ela parecia esforçar-se para se arrastar através do túnel de luz que o portal formava. Depois de alguns minutos de observação, o humanóide contorceu-se para fora da luz e desapareceu na escuridão. Assim, o tal portal se fechou num flash, como se alguém tivesse apertado um botão. Deetken teve a presença de espírito de tirar algumas fotos do evento, mas logo perceberia que o filme registrara muito pouco do que ele e Sherman tinham testemunhado. Aliás, esse é um padrão dos fenômenos da fazenda: eles são observados com facilidade por quase todo mundo que para lá vai, mas são registrados com muita dificuldade e bem raramente por câmeras fotográficas e de vídeo.

PORTAL DIMENSIONAL — Terry Sherman, sua esposa Gwen, os dois filhos adolescentes e vários outros membros da família já estavam acostumados com coisas estranhas acontecendo na fazenda, antes de vendê-la. Eles já viram inúmeros UFOs e misteriosas bolas de luz que parecem inteligentemente controladas – são as chamadas sondas ufológicas, presentes em todo o mundo. Seus vizinhos também já viram tais fenômenos, e mesmo os residentes de outras partes daquela região vêm relatando fenômenos semelhantes, desde a década de 50. Descendentes de índios da nação Ute, que habitaram Utah, confirmam que tais avistamentos já aconteciam no passado, sendo testemunhados por seus ancestrais. Contudo, anomalias aéreas não eram as ocorrências mais comuns na fazenda – pelo menos não por um bom tempo. Nos dois anos em que residiu na propriedade, Sherman perdeu 14 cabeças de gado de seu rebanho híbrido. Alguns animais simplesmente desapareceram, como se arrancados do chão e sugados para o céu, sem deixar vestígios. Outros foram perfurados e cortados com precisão cirúrgica, em episódios conhecidos como mutilações alienígenas de animais.

Membros da família e vizinhos também já viram estranhas criaturas do tipo presente no folclore norte-americano, tais como o yeti, bigfoot ou pé-grande, e lobos de tamanhos anormais. E observaram animais e pássaros que não puderam identificar. Os cavalos da propriedade foram atacados, os cães incinerados e os gatos abduzidos. Os Sherman eram atormentados quase diariamente por pequenos incidentes caseiros que, individualmente, não seriam grande coisa, mas que, somados, não podiam ser desconsiderados. Janelas e portas na residência abriam subitamente como se arrombadas ou se fechavam com violência e sem explicação. Freqüentemente, quando Gwen tomava banho, constatava que sua toalha e outros itens pessoais, que ela deixara ao lado da banheira, simplesmente sumiam de dentro do banheiro trancado a chave. Em certa ocasião, ela retornou da cidade carregada de uma grande quantidade de mantimentos e outros suprimentos, e guardou cuidadosamente as mercadorias em seus devidos lugares, nos armários da cozinha. Foi até outro cômodo por poucos minutos e, quando retornou, encontrou todos os suprimentos de volta sobre a mesa.

Roupas, ferramentas e outros aparelhos pareciam ter desenvolvido vida própria naqueles anos que os Sherman residiram na propriedade – o mesmo que se passa hoje com o zelador que Bigelow contratou para cuidá-la. Um dia, um dos filhos de Sherman trabalhou exaustivamente para empilhar centenas de quilos de lenha ao lado de uma área de árvores na parte central da fazenda. Após um descanso de 30 minutos, para beber água na cozinha, ao retornar ao local, quase caiu de costas ao ver toda a lenha empilhada num lugar a quase 30 m de onde a colocou. Ferramentas freqüentemente desapareciam e reapareciam depois nas proximidades. Noutra ocasião, uma pesada pá escavadeira simplesmente desapareceu, sendo encontrada, dias mais tarde, entre os galhos de uma árvore de algodão, bem alto, como se tivesse sido colocada lá por um guindaste. Naturalmente, com tudo isso acontecendo, crescia nos Sherman um sentimento de desconforto e sensação de que estavam sendo observados constantemente – mas eles não tinham idéia de por quem ou pelo quê.

PESQUISA CIENTÍFICA RIGOROSA — Como descrito anteriormente, o empresário Robert Bigelow ouviu falar da fazenda e a comprou de imediato, convencendo Terry Sherman a ficar lá como zelador, ainda que contra a vontade da família. O homem agüentou apenas alguns meses e mudou-se para outra propriedade. Bigelow e o pessoal do National Institute for the Discovery of Science [Instituto Nacional para a Descoberta da Ciência, NIDS], montou uma base de investigação constante no local. A organização é dedicada ao estudo de fenômenos inexplicáveis, como Ufologia e Parapsicologia, e entre seus membros há cientistas, engenheiros, técnicos e autoridades [O ex-astronauta Edgar Mitchell, sobre quem há artigo nessa edição, é um dos consultores da entidade]. Embora o NIDS estude eventos aparentemente bizarros, ele não opera com idéias pré-concebidas no que diz respeito à real natureza dos eventos, e tem o interesse primordial de encontrar a verdade, para onde quer que ela leve.

Os membros de sua equipe ressaltam que são constantemente pressionados por Bigelow para que obedeçam rigidamente ao método científico. Devido ao fato de que o objeto de sua pesquisa é tão controverso nos círculos científicos, a entidade entende que qualquer desvio do método científico representaria uma perda de credibilidade. Se ela é considerada uma organização excêntrica, suas descobertas, não importando quão profundas ou bem documentadas, seriam desconsideradas sumariamente. A fazenda dos Sherman, portanto, se apresentou como uma oportunidade única de se estudar uma rica variedade de coisas exóticas em constante atividade. Era como pedir uma “pizza de estranhezas” com todas as coberturas ao mesmo tempo. UFOs e yetis, bolas de luz e mutilações de gado, poltergeist e círculos nas plantações, manifestações psíquicas e lendas indígenas antigas etc. A fazenda parecia ser um lugar único em todo o mundo e os membros do NIDS sabiam que deveriam ser cuidadosos, levando em consideração as histórias contadas pelas pessoas do local.

“Nós não tínhamos nenhuma idéia pré-concebida sobre o que estava ocorrendo, mas decidimos usar uma abordagem de ‘filtro aberto’ para juntar informações”, disse Colm Kelleher, um microbiólogo do NIDS que viria a conhecer bem os Sherman em inúmeras visitas de pesquisa que fez à fazenda. “Tínhamos muitas reservas sobre lendas dos skinwalkers, avistamentos de pés-grandes e aquelas coisas que a família alegava estar vendo. Mas decidimos colher toda a informação que pudéssemos, sem desconsiderar nada de imediato, e avaliar tudo mais tarde”, disse, referindo-se a um ser míticoque teria poderes sobrenaturais, dentre os quais o de mudar de forma, deslocar-se invisivelmente em altas velocidades e interromper o movimento das coisas ao redor, como se pudesse parar o tempo. A lenda do skinwalker, reavivada pelas experiências dos Sherman, já estava presente desde os tempos dos antepassados dos ute.

MONITORAÇÃO E OBSERVAÇÃO — A equipe do NIDS montou sua base na fazenda, onde foi instalado um posto de comando, posicionadas câmeras e outros instrumentos de monitoração. Foram ainda construídas novas cercas ao redor do perímetro da propriedade, para melhor controlar o acesso à área, e postos de observação nos pastos, que foram operados por observadores treinados. O esforço da entidade de Bigelow constituiu-se na mais intensa e completa operação já feita, de vigilância de uma área de avistamentos freqüentes de UFOs. O volume de recursos usados também foi considerável. Ufólogos norte-americanos deixados de fora da operação ficaram indignados e revoltados, mas o NIDS tinha sua própria equipe escalada. Como resultado da revolta de membros da comunidade ufológica dos Estados Unidos, rapidamente foram espalhados rumores de que Bigelow estaria trabalhando para a CIA, que ele e o NIDS já estariam em contato com ETs e que qualquer informação que fosse colhida na fazenda seria provavelmente ocultada da população pelo Pentágono.

As constantes críticas levaram Bigelow, sempre avesso à publicidade, a dar uma entrevista que esclareceu o assunto. Ele informou a um jornal do Utah que o NIDS não estava se comunicando com aliens nem programando o pouso de UFOs, mas fazendo um estudo científico e legítimo da vasta gama de manifestações estranhas detectadas na fazenda. Ele insistiu na necessidade de empregar mais tempo e recursos na investigação, livre de interferências externas, para que resultados concretos pudessem ser obtidos [Em conversa reservada com A. J. Gevaerd, editor da REVISTA UFO, em fevereiro de 2002, na presença do ufólogo e médico californiano Roger Leir e do ufólogo turco Haktan Akdogan, no escritório de Bigelow, este confirmou que a investigação na fazenda está em franco progresso e que logo seriam comunicados os resultados].

“Nós ainda sabemos muito pouco sobre os fenômenos que estão ocorrendo na propriedade e seria simplesmente equivocado tirar conclusões precipitadas neste ponto”, disse Bigelow. Ele reforçou que as atividades do NIDS na fazenda eram seletivas e consistentes, e que a privacidade das operações precisavam ser preservadas. Não surpreendentemente, seu apelo por seriedade quanto à questão não foi ouvido no meio ufológico. Os ufólogos norte-americanos estavam tão enciumados e tão rancorosamente ocupados expressando sua indignação por terem sido impedidos de participar do estudo, que não captaram a essência das intenções de Bigelow. Não seria a primeira nem a última vez que os egos se sobressaem aos interesses coletivos no ambiente ufológico.

INTELIGÊNCIA PRÉ-COGNITIVA — Ao contrário de algumas previsões precipitadas, os fenômenos na fazenda não se desvaneceram diante da investigação científica que estava sendo implementada. A atividade continuou a ocorrer, mas tornou-se ainda mais difícil de ser compreendida. O pessoal do NIDS testemunhou as mesmas bolas de luz que os Sherman e até UFOs estruturados e imensos foram observados. Porém, as tentativas de fotografar e filmar os avistamentos revelaram-se inexplicavelmente improdutivas. Membros da equipe, acompanhados dos Sherman e de outros moradores da área engajados no estudo, freqüentemente viam fenômenos aéreos anômalos a olho nu ou com binóculos e equipamentos de visão noturna. Mas, misteriosamente, apenas em raras ocasiões se conseguiu filmar ou fotografar tais eventos. Um relatório reservado preparado para os membros do Conselho Científico do NIDS, obtido por vias indiretas por este autor, documenta dúzias de contatos ufológicos envolvendo integrantes do estudo na fazenda, os próprios Sherman e outras testemunhas.

Após vários meses de vigilância, 24 horas por dia, um padrão de comportamento do fenômeno, altamente desafiador, começou a se delinear. As manifestações, o que quer que fossem, pareciam capazes de se antecipar aos movimentos e planos dos cientistas. Se estes decidiam instalar câmeras extras e alocar mais pessoal na área sul da propriedade, os fenômenos simplesmente passavam a acontecer na região norte. Se os cientistas concentrassem suas observações na área central, as atividades moviam-se para outra região, e assim por diante. Ou seja: o que quer que fossem tais fenômenos, eram certamente controlados por uma inteligência que sabia o que estava se passando e tinha planos de confundir os investigadores. Mas por quê? Cientistas céticos quanto ao Fenômeno UFO e os fatos da fazenda no Utah sarcasticamente sugeriram que essa alegação para tamanha falta de evidência fotográfica dos acontecimentos, num local onde pareciam ser constantes, era um pouquinho conveniente demais.

Porém, algo ocorreu em 19 de julho de 1998, trazendo alguma luz para o desafio enfrentado pela equipe de pesquisa. Logo após chegar à fazenda, o pessoal do NIDS instalou três postes altos em um dos pastos. No topo de cada um havia um conjunto de equipamentos sensores sofisticados, incluindo múltiplas câmeras de vídeo. Elas tinham uma visão panorâmica daquela seção da fazenda e estavam conectadas a gravadores de vídeo, instalados no posto de comando. Exatamente às 20h30, as três câmeras no poste localizado a oeste foram subitamente desligadas. Quando os técnicos foram verificar o problema, descobriram que algo havia estraçalhado os equipamentos – fios foram arrancados das câmeras com força considerável, suportes plásticos foram quebrados e grossas camadas de fita adesiva, usada para segurar os equipamentos, foram arrancadas.

FENÔMENOS INTERLIGADOS — Um pedaço de cabo de tevê de 30 cm de comprimento estava faltando, e a análise das pontas remanescente revelou que ele havia sido rasgado com um instrumento de corte. Mas, por quem e por quê? De qualquer forma, após constatarem as anomalias, os membros da equipe correram para o centro de comando, pois sabiam que o poste que havia sido atacado estava dentro do ângulo de visão das câmeras posicionadas no topo do segundo poste, a 200 m de distância. Assim, o que quer que tivesse destroçado o primeiro poste estaria claramente visível na gravação de vídeo feita pelos equipamentos do segundo. Contudo, ao retornarem a fita, nada viram! No momento exato em que o primeiro sistema de equipamentos estava sendo destruído, nada visível parecia ocorrer em qualquer ponto do pasto, nada foi captado pelos instrumentos do segundo poste. Este incidente traçou um padrão para o que viria a seguir.

“Eu criei até um termo para esse enigma”, disse o coronel John Alexander, oficial aposentado da inteligência das forças armadas norte-americanas [Leia-se espionagem], que ainda trabalha em projetos confidenciais no Laboratório Nacional de Los Álamos e opera como consultor da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). “Eu o chamei de ‘inteligência consciente pré-cognitiva’. Aquilo certamente era inteligente e parecia saber o que iríamos fazer mesmo antes de o fazermos”. Alexander, considerado uma das maiores autoridades mundiais em armas não-letais, foi consultor do NIDS durante algum tempo e, convidado por Bigelow, foi à fazenda para ver o que estava ocorrendo. Como cientista e ex-militar, ele relutava em tirar conclusões sobre o que se passava ali. Mas suspeitou, após explorar a propriedade e ler os relatórios das testemunhas, que havia uma inteligência por trás dos variados fenômenos, que estariam interligados, e que tal inteligência parecia estar brincando com aqueles que estavam tentando observá-la. Outro membro do NIDS, com doutorado em física e uma longa lista de artigos sobre conceitos científicos de última geração e participação
em projetos militares secretos, chegou à conclusão semelhante.

Ele não quer ter seu nome revelado por crer que não seria mais contratado para trabalhos científicos regulares se seu envolvimento com a pesquisa na fazenda se tornasse público. “Temos aqui algo muito confuso. Nada pode ser descartado ou afirmado. Não é uma coisa tão simples, que se possa dizer que seja causada por ETs”, disse o cientista. “É algum tipo de consciência, mas algo tão novo e diferente do que conhecemos, que não se repete facilmente. Essa consciência reage às pessoas e aos equipamentos instalados na fazenda, usados com rigor do método científico. Simplesmente, a ciência com a qual estamos habituados não parece ser aplicável para este tipo de manifestações”.

GELO E RÉPTEIS — Como se quisesse aumentar a pressão ainda mais, os fenômenos da fazenda parecem se desenvolver constantemente. Um dos incidentes mais recentes ocorreu numa fria manhã de fevereiro. O zelador da propriedade estava patrulhando as terras quando, ao passar por um poço de água, percebeu uma estranha impressão circular no gelo fino que havia se formado da noite para o dia. Algo havia desenhado um círculo perfeito no gelo. O círculo tinha pouco menos de 2 m de diâmetro e lembrava, estranhamente, as formações vistas nas plantações de trigo inglesas. O corte se aprofundava no gelo apenas uns 6 ou 7 mm, já que a própria placa congelada teria cerca de 2 cm. Daí surge a pergunta, como esse desenho poderia ter sido feito? Alguém que estivesse de pé sobre o banco lamacento, ao lado do gelo, teria deixado pegadas.
No entanto, as únicas que foram encontradas eram as deixadas pelo gado. O próprio gelo em si era tão fino que não conseguiria suportar quase nenhum peso, e certamente iria se partir se alguém ficasse de pé sobre ele.

E ainda que alguém conseguisse ficar suspenso acima do gelo fino e ter escavado um círculo perfeito, por que o faria? O pessoal do NIDS, seguindo o método científico: coletou e analisou raspas de gelo colhidas no local, fez leituras dos campos magnéticos e da radiação eletromagnética (EM), procurou por rastros na área, mas não encontrou nenhuma pista. Não há qualquer explicação natural para um evento tão sutil – e algo igual nunca mais foi observado. A equipe do NIDS compilou um relatório confidencial sobre todos os eventos que ocorrem na propriedade, cuja leitura provoca verdadeiros arrepios. Até o momento, os pesquisadores registraram 7 fenômenos distintos envolvendo anomalias magnéticas. Sem querer generalizar, suas bússolas simplesmente ficaram loucas dentro da fazenda. Suas setas giram fora de controle ou apontam diretamente para o solo, sem que haja uma explicação razoável.

Houve várias ocasiões envolvendo algum tipo de força invisível movendo-se pela fazenda e através do corpo dos animais. Uma testemunha relatou o deslocamento estranho da água que passa por um canal, como se algo invisível estivesse rapidamente mexendo-se dentro dele e afastando o líquido. Havia barulhos distintos de passos na água, e ainda um cheiro fétido e pungente no ar, mas nada foi visto. Um fazendeiro das redondezas relatou o mesmo tipo de fenômeno dois meses mais tarde. Os Sherman dizem que já houve ocasiões em que algo invisível podia ser visto se movendo no meio do gado, separando os animais. Seu vizinho relata o mesmo tipo de situação. Porém, de todos os estranhos incidentes da fazenda, o mais extraordinário é o que aconteceu em 12 de março de 1997. O latido dos cães alertou a equipe do NIDS para algo que se movia furtivamente numa árvore próxima da casa da fazenda. Terry Sherman agarrou um rifle de caça e partiu com sua camionete em direção à árvore, e a equipe o seguiu noutro veículo. Acima, nos galhos da árvore, eles conseguiram vislumbrar um par de olhos grandes e amarelados, como os de um réptil – a cabeça deste animal teria que ter pelo menos um metro de largura.

DINOSSAURO INVISÍVEL — Embaixo da árvore ainda havia uma coisa a mais. Sherman o descreveu como algo grande e peludo, com pernas dianteiras musculosas e uma cabeça que se parecia com a de um cão. Bom atirador, ele disparou em ambas as figuras a uma distância de 35 m. A criatura no solo desapareceu, mas a coisa que estava na árvore aparentemente caiu ao chão, pois Sherman escutou o som de uma queda pesada neve abaixo. Os três homens correram pelo pasto até a moita, perseguindo o que acreditavam ser um animal ferido, mas nunca encontraram o bicho nem viram qualquer traço de sangue. Um profissional em localizar trilhas na mata foi trazido no dia seguinte para vasculhar a área. Mas nada foi achado.

Contudo, havia uma pista física deixada para trás. Embaixo da árvore, a equipe do NIDS localizou e fotografou uma estranha pegada com marca de garras. A pegada deixada na neve era de algo grande, com três dígitos que se imaginou serem garras afiadas. Uma análise posterior e comparação da marca levou os técnicos a descobrirem uma semelhança inusitada: a pegada na fazenda assemelhava-se muito com a de um velociraptor, um dinossauro extinto que ficou famoso com os filmes da série Jurassic Park [1993]. É claro que ninguém no NIDS afirma ter atirado num velociraptor – a equipe simplesmente não sabe o que era aquilo.
Dois dias antes deste incidente, outro animal foi encontrado mutilado na fazenda, o que se tornou o único caso publicamente confirmado pelo NIDS até então. Sherman e sua esposa passaram uma ensolarada manhã de domingo marcando as orelhas de novilhos recém nascidos, um deles um animal parido próximo da casa-sede da propriedade. Após o trabalho, ambos saíram para o pasto por um período de 45 minutos. Neste ínterim, estando o casal a apenas uns 180 m de distância, o novilho teve sua carne totalmente removida. Seu esqueleto tinha sido colocado por algo invisível no chão, mas toda sua carne tinha simplesmente sumido, deixando para trás apenas ossos e pele. Parecia uma espécie de ritual. Simplesmente, não havia nenhum sangue no animal, nem no chão.

HIPÓTESES DESENCONTRADAS — Uma equipe do NIDS que estava na fazenda naquele dia rastreou a área em busca de evidências e enviou os restos mortais do animal para dois diferentes laboratórios de patologia. Ambos concluíram que o novilho havia sido chacinado por dois instrumentos distintos: algo como um facão de cortar mato e outro como tesouras afiadas. O modo como isto foi feito, em plena luz do dia, num pasto aberto e bem à vista dos fazendeiros, permanece um mistério. Outro bezerro desapareceu nesta mesma manhã, após também ser marcado, sem nunca ter sido encontrado.

Ao todo, 12 animais sofreram um destino semelhante desde a chegada do NIDS à fazenda [Um relatório completo sobre o incidente com o novilho pode ser encontrado na página do instituto na Internet, www.nidsci.org]. O capitão Keith Wolverton trabalhou mais de 20 anos como investigador junto à delegacia de polícia de Cascade, em Great Falls, Montana. Em meados dos anos 70, aquela área passou por uma onda de avistamentos de UFOs e mutilações de gado, similares ao fato verificado na fazenda do Utah, bem como avistamentos de yetis. Wolverton investigou todos estes casos. “Pedi ao meu chefe que me desse seis semanas para solucionar o mistério”, disse. “Passaram-se 30 anos e eu ainda tenho muitas perguntas e nenhuma resposta”. Ele escreveu um livro sobre suas experiências em Montana e foi até a fazenda para compartilhar seu conhecimento profissional com a equipe do NIDS. Queria examinar as semelhanças entre os acontecimentos na fazenda e os que ocorreram próximos de Great Falls. Wolverton nunca tinha ouvido falar de nenhum lugar com uma concentração de eventos estranhos tão grande quanto a fazenda.

O microbiólogo Colm Kelleher chegou a uma conclusão parecida com a de Wolverton: “Achava que se nós colocássemos pessoal e equipamentos suficientes no local, ininterruptamente, e trabalhássemos estritamente dentro do método científico, provavelmente conseguiríamos respostas”, disse. “O que conseguimos foi documentar muito bem pelo menos 100 fatos estranhos, mas nenhum pode ser explicado de uma forma científica”. A principal razão pela qual o NIDS não deseja tornar públicas informações sobre a fazenda é que não há muito o que possa ser dito. Para uma organização científica, simplesmente espalhar um monte de histórias assombrosas seria contraproducente, especialmente se isso provocasse uma inundação da fazenda por um bando de fanáticos por UFOs, que pudessem interferir nas investigações. O que é inequívoco, entretanto, é que a atividade ocorrendo na propriedade parece ter um componente interativo. Ele reage às pessoas, eventos e perturbações. Em muitos momentos, parece capaz de antecipar coisas que estão por ocorrer.

“A única coisa que escapa aos dados é o quanto estas coisas simplesmente não se repetem”, Kelleher observa. “Dois eventos nunca se repetem da mesma forma. É quase como uma curva de aprendizado e nós fôssemos levados nela. Esta é a única coisa consistente naquele local do Utah”. O que, então, poderia explicar as manifestações que lá acontecem? Predadores naturais poderiam ser responsáveis por alguns dos eventos, mas certamente não por todos. Os membros do NIDS consideraram a possibilidade de algum xamã indígena ou praticante de magia negra estarem fazendo algum tipo de campanha ritualística na fazenda, mas isso também não explica tudo – ou melhor, quase nada!

Aqueles que acreditam na realidade dos UFOs propõem uma conexão dos eventos com a atividade alienígena que vem sendo registrada no planeta, mas os membros do NIDS dizem não haver dados suficientes para comprovar esta hipótese cientificamente. Existe ainda uma remota possibilidade de que unidades militares desconhecidas possam ser capazes de produzir alguns dos eventos que têm sido relatados na área, talvez como experimentos de guerra psicológica, mas também essa hipótese não tem sustentação. Terry Sherman esteve convencido disto por muito tempo, mas percebeu que a teoria era mais do que delirante. “Ora, alguém, em algum lugar, iria acabar vendo tais militares operando numa área rural como aquela”, disse.

BURACOS DE MINHOCA — Excluídas todas essas hipóteses, ficamos com muito pouco em mãos. Mas há ainda outra possibilidade que vale a pena ser considerada: físicos avançados vêm propondo a existência de dimensões alternativas ou universos paralelos e especialistas em física quântica crêem que pode haver portais entre nosso mundo e outros mundos. O conceito dos famosos wormholes [Buracos de minhoca], que seriam passagens entre universos paralelos, não é mais considerado apenas ficção científica. O físico e escritor Michio Kaku teoriza que existam 11 dimensões em nosso universo, apesar dos seres humanos terem identificado apenas quatro. Será que um wormhole se pareceria com o portal de luz visto na fazenda? E no caso de tais portais existirem, poderiam efetivamente permitir que seres do “outro lado” viajassem até o nosso mundo?

Por mais maluca que a idéia possa parecer, alguns dos principais cientistas crêem que wormholes e dimensões alternativas são perfeitamente consistentes com as leis da física. E se assim for, então não seria muito surpreendente supor que UFOs, alienígenas, yetis ou outras criaturas e até mesmo poltergeists ou espíritos poderiam entrar e sair da Terra sem nunca serem detectados por humanos. Uma das portas de entrada seria a fazenda do Utah. “Aliens podem estar aqui, agora”, diz Kaku. “Aqui ou numa outra dimensão, a um milímetro de distância do nosso mundo”. Convenhamos, tudo isso soa inacreditável, mas já que ninguém tem uma explicação melhor, precisamos ouvi-la.

Um jornalista obstinado pela verdade

George Knapp é repórter da emissora KLAS TV de Las Vegas, afiliada à rede norte-americana CBS. Entusiasta da Ufologia há décadas, é provavelmente o jornalista que mais contribuiu com seu crescimento e aceitação nos EUA. Suas atividades na área o levaram a muitos pontos onde UFOs estavam sendo registrados, como a fazenda descrita nesse artigo, no Estado de Utah. Knapp esteve também em vários países pesquisando casos, inclusive a Rússia, e nutre especial interesse pela casuística brasileira, com a qual teve contato através das palestras do editor da REVISTA UFO A. J. Gevaerd, feitas em seu país. Suas maiores pesquisas envolvem dois personagens conhecidos da Ufologia Norte-Americana, o piloto de testes John Lear e o físico Bob Lazar. Ambos teriam trabalhado na chamada Área 51, uma base secreta no Deserto do Nevada que Knapp investiga obstinadamente há anos. Lear teria feito testes em aeronaves extraterrestres acidentadas nos EUA e recuperadas por cientistas lotados na base, entre eles Lazar. Em 1989, Knapp produziu o documentário UFOs: The Best Evidence, que traz detalhes da atuação de Lear e Lazar, assim como das operações secretamente conduzidas na Área 51. O presente artigo, que terá continuidade em nossa próxima edição (98), foi adaptado do texto Path of the Skinwalker [Caminho do Skinwalker], publicado pelo periódico Las Vegas Mercury. George Knapp pode ser contatado por e-mail: gknapp@-klastv.com.


 A situação atual da fazenda

Embora George Knapp tenha assumido com os antigos proprietários da fazenda o compromisso de não revelar seus nomes enquanto estivessem vivos, hoje se sabe, por vias indiretas, que o casal que passou por tantas experiências são Terry e Gwen Sherman – ele é identificado como Gorman no texto. Sua fascinante história já é relativamente conhecida nos círculos ufológicos norte-americanos, graças à publicação – com e sem sua autorização – de seus depoimentos em periódicos como Spirit Magazine e Desert News. A publicidade que não queriam atrair acabou por lhes atropelar, tendo que se proteger em sua antiga fazenda dos verdadeiros exércitos de curiosos que o procuravam. Na propriedade havia, como ainda há, vários sinais de “não entre, não ultrapasse”, em todas as partes.

Hoje também se sabe que o milionário de Las Vegas, Bob Bigelow, comprou a fazenda dos Shermans por 200 mil dólares [Cerca de R$ 590 mil], e está satisfeito com o investimento que fez. No entanto, Bigelow raramente consente que informações sobre as experiências ufológicas e paranormais desenvolvidas em sua propriedade sejam publicadas. Terry Sherman, após vender-lhe a fazenda, permaneceu como seu capataz por algum tempo, mas depois se mudou com a família para outra, menor.
Apesar de todo sigilo que se tenta impor a esse fantástico repertório de absurdos, vários ufólogos independentes e grupos de pesquisas norte-americanos têm conseguido bons resultados em suas investigações do local – incluindo imagens, que são praticamente proibidas. Algumas das fotos desse artigo foram obtidas pelo grupo The Utah UFO Hunters [Caçadores de UFOs do Utah, ou UUFOH], dirigido por Dave Rosenfeld. Seu site abriga detalhes de muitas ocorrências no local: http://www.aliendave.com.


 O rigor científico deve ser empregado mesmo em condições adversas

A essência da fenomenologia ufológica ou paranormal reside num corpo de evidências que não é facilmente descartável e que é realmente digno de estudos. Os cientistas convencionais, mesmo os mais tradicionais, reconhecem que um encontro confirmado com outras civilizações do universo seria o evento mais profundo da história da humanidade, que mudaria simplesmente tudo. E usam tal argumento para justificar os gastos que se fazem com o Programa de Busca por Inteligências Extraterrestres [Search For Extraterrestrial Intelligence ou SETI], por exemplo. Para muitos, tal esforço é respeitável, mas procurar por evidências deETs tão perto de casa, como os ufólogos fazem, é uma perda de tempo, não importando quanto os dados confirmados sobre o Fenômeno UFO sejam intrigantes. Pensam que, afinal, como nós não podermos ir a outros sistemas estelares, alienígenas também não podem vir à Terra.

Este tipo de visão é uma forma preconceituosa de ver a situação, típica de mentes tão fechadas quanto a dos fanáticos religiosos, que nada admitem além das fronteiras de suas crenças – estas sim, altamente questionáveis. Nesta linha de raciocínio, é notório que muita gente argumente que a ciência é uma nova forma de religião, com seus mandamentos contra pensamentos ou comportamentos “proibidos”. No caso da fazenda do Utah, a obediência ao método científico tem sido uma regra – e uma necessidade. O conselho científico do National Institute for the Discovery of Science [Instituto Nacional para a Descoberta da Ciência, NIDS] tem pressionado enfaticamente a equipe de trabalho deslocada para a propriedade, insistindo para que apenas colete informações e não tente tirar conclusões precipitadas sobre seres extraterrestres carnívoros ou campos de pousos dimensionais para naves alienígenas.

O conselho do NIDS foi, inclusive, muito duro com seu próprio fundador, Robert Bigelow, VISTA LATERAL da sede da fazenda, onde ocorrem fenômenos poltergeist exigindo dele uma justificativa sobre seu interesse na propriedade do Utah, a ponto de comprá-la por 200 mil dólares [Cerca de R$ 590 mil]. Bigelow, que raramente consente que informações sobre as experiências ufológicas e paranormais desenvolvidas com seu patrocínio sejam publicadas, mostrou-se excessivamente eufórico com o que vem sendo registrado naquele local. Mas até mesmo em conversas pessoais Bigelow é relutante em dizer o que pensa que pode ser a causa das absurdas ocorrências na fazenda. Ele, bem como seu pessoal, apenas afirma que mais estudos são necessários, antes de se poder chegar a qualquer conclusão. E provavelmente está certo. O físico nuclear Stanton Friedman não se cansa de repetir que, quanto mais extraordinários forem os fenômenos, mais devemos a eles nos dedicar. “Explicações ousadas precisam de evidências igualmente ousadas que as apóiem”.

Assim, então, é fácil entender o procedimento do NIDS e pensar em alguma relação de suas teorias e as ocorrências estranhas na fazenda do Utah. Seu pessoal não dirá o que se quer ouvir na comunidade ufológica norte-americana e mundial, que os eventos podem estar ligados a algum tipo de passagem para outras realidades e dimensões, e que aliens operariam tais portais. Isso parece muito esquisito, por mais que seja uma hipótese da qual não possamos fugir. Assim também pensam os membros do NIDS, e esta é a razão pela qual mantêm o assunto com o máximo de reserva. Mas, como infeliz reação ao seu zelo, acabam provocando na referida comunidade ira e frustração. E isso leva alguns de seus membros a espalharem boatos que só afastam a verdade, como aquele que alega que a instituição está ocultando grandes segredos, de que é um disfarce da CIA e que Bigelow almeja controlar o mundo com tecnologia alienígena.

Quando publicado nos Estados Unidos, este meu artigo teve o intuito de mostrar a realidade e objetividade da pesquisa conduzida na fazenda, e ajudar para que os rumores não venham resultar em danos à pesquisa, que tem seguido estritamente todos os protocolos científicos. Espero que o mesmo ocorra no Brasil. Em vez de serem criticados por seus colegas de outras instituições, os técnicos e cientistas do NIDS deveriam ser parabenizados por terem a coragem de prosseguir em áreas tão polêmicas, explorando novos territórios e aceitando os desafios. Afinal de contas, é assim que todo progresso é conquistado.


 A busca de resposta pode nos levar a perguntas ainda mais inquietantes

Convenhamos, escrever sobre os fenômenos associados ao skinwalker é um pouco exótico. Mas tentei transformar esse artigo numa matéria jornalística objetiva, apenas com alguns comentários pessoais. Neste quadro pretendo apresentar uma visão mais particular sobre o que é procurar alienígenas. Em duas viagens que fiz à fazenda do Utah, vi que coisas absurdas realmente acontecem no local. Na primeira viagem, estive acompanhado do fotógrafo Eric Sorenson e do doutor Colm Kelleher, do National Institute for the Discovery of Science [Instituto Nacional para a Descoberta da Ciência, NIDS]. Na segunda, fui novamente com Kelleher, o fotógrafo Matt Adams e o ex-capitão Keith Wolverton. Em ambas as viagens, esquadrinhamos praticamente cada metro quadrado da fazenda. Estávamos no campo dia e noite, fotografamos e inspecionamos cada pedaço da terra. Rondamos as áreas adjacentes à fazenda, entrevistamos pessoas da cidadezinha próxima e outras testemunhas, mas não chegamos a ver nada significativo.

Numa noite, decidi passar algum tempo sentado no campo aberto, como se fosse uma isca. O que quer que este fenômeno seja, já se sabe que ele costuma reagir à chegada de gente nova, à presença de fogo na área e a perturbações da terra. Assim, antes de assumir minha posição no pasto, deixei nossa presença bem clara.

Eu e meus acompanhantes fizemos uma fogueira bem grande numa área da propriedade e ficamos sentados ao seu redor, aguardando. Logo antes do anoitecer, o zelador ligou sua escavadeira, tirou algumas pilhas de poeira e abriu uma nova estrada para as áreas mais baixas. Se havia algo inusitado por ali, espreitando-nos, esperávamos ganhar toda sua atenção.

Mas foi decepcionante que nada ocorreu durante nossas visitas – embora, para falar a verdade, tenha ficado um pouco aliviado que o mistério causador das mutilações do gado não tenha aparecido para fazer-nos de vítimas. Kelleher disse que o fenômeno tinha aparentemente se movido da propriedade ou estava num momento de intervalo. De fato, aconteceu muito pouca atividade inexplicável ao longo dos últimos meses. Algumas pessoas que conhecem a fazenda acham que o que quer que o fenômeno seja, não gosta de ser observado e pode estar em hibernação, até que as equipes do NIDS desistam de seu trabalho no local. A única coisa estranha que testemunhei foi um grande flash de luz que ocorreu logo após o poente. Ele foi captado por uma das câmeras de vídeo ligadas 24 horas por dia na propriedade. Todos assistimos à fita várias vezes, tentando entender o que poderia ter ocorrido. Apenas alguns dias após voltarmos da fazenda, Kelleher telefonou para informar que o flash tinha sido causado pelo lançamento de um míssil balístico na região oeste do Utah.

Mas isso não me demoveu, pois tive acesso a informações confidenciais sobre a fazenda – embora só agora tenha permissão para escrever algo sobre o assunto. Tive conhecimento detalhado de como operam os técnicos e cientistas do NIDS e estou convencido de que estão verdadeiramente se esforçando para documentar e explicar os fenômenos. Mas não creio que venham a ter sucesso tão cedo, principalmente porque, como eles próprios admitem, buscam respostas cientificamente aceitáveis – e o que está acontecendo na propriedade transcende esse conceito. Tentar encontrar explicações no âmbito do normal para eventos paranormais não parece ser o caminho certo. Por exemplo, o NIDS – ou qualquer outra instituição de pesquisas– não parte do princípio de que o forte flash de luz captado em vídeo fora causado por um UFO. Em vez disto, procuram explicações prosaicas. O mesmo vale para as investigações sobre as mutilações de animais. Ao fazer a autópsia e investigação patológica no corpo do pobre novilho sacrificado, o primeiro instinto dos cientistas é buscar evidências de rastros de um possível causador animal ou humano daquele ato.

CARNE BOVINA — Eles não encontram nenhuma, mas ainda assim não se voltam para a hipótese de que o responsável tenha sido uma espécie de alienígena que goste de carne bovina. O NIDS apenas não tira conclusões. Ainda assim, o simples fato de que os cientistas do instituto têm o “atrevimento” de estudar tais assuntos parece ser uma afronta para seus colegas de outras entidades científicas. A maior parte dos cientistas convencionais se satisfazem com a explicação estapafúrdia de que coiotes e leões da montanha são os responsáveis pelas mutilações de animais pelos Estados Unidos afora, mesmo após ter sido demonstrado indubitavelmente que instrumentos metálicos afiados foram usados no corte das vítimas. Pelo que posso testemunhar, como ufólogo e jornalista, os investigadores do NIDS têm trabalhado com mentes abertas. Nunca os ouvi dizer que seres alienígenas estariam ligados a qualquer dos eventos do Utah. Eles apenas coletam informações, que é exatamente o que os cientistas devem fazer.

Um cientista em especial merece citação aqui: Jacques Vallée, que tem extenso trabalho sobre os UFOs. Ele é talvez o mais importante expert no assunto, apesar de manter dele uma certa distância nos últimos anos [Leia mais sobre ele em artigo do ombudsman de UFO Carlos Reis, em nossa edição 90]. Vallée uma vez disse que ficaria profundamente desapontado se os seres a quem nos referimos como alienígenas viessem a ser confirmados como sendo “apenas” extraterrestres. Ele acredita que a explicação real pode vir a ser muito mais complexa e desafiadora do que a simples idéia de ETs visitando a Terra. A possibilidade da existência de outras dimensões – e de que tais dimensões poderiam ajudar a explicar alguns de nossos mistérios – tem sido um conceito popular. Vamos torcer para que sejam eles os que nos darão as respostas que buscamos.

“O que quer que esteja acontecendo nessa impressionante propriedade é algo que transcende – e muito – a capacidade de nossa ciência de explicar de forma razoável estes fenômenos”


GEORGE KNAPP é repórter da emissora KLAS TV, de Las Vegas, e entusiasta da Ufologia. É o jornalista que mais contribuiu com seu crescimento e aceitação nos EUA. O presente artigo foi adaptado do texto Path of the Skinwalker [Caminho do Skinwalker], publicado pelo periódico Las Vegas Mercury. George Knapp pode ser contatado por e-mail: gknapp@klastv.com. A tradução do texto foi feita por Ângelo Miranda, da EQUIPE UFO.

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