Novas
informações esclarecem o macabro Caso Guarapiranga
Polêmico episódio da casuística ufológica
brasileira é desmistificado com o emprego da apropriada
investigação científica
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Claudeir Covo, co-editor
Paola Lucherini Covo e Tânia da Cunha
Em setembro de 1993, a Revista UFO 25 publicou o artigo
Caso Guarapiranga: Será esta a temida seqüência
das mutilações de animais?, de Encarnación
Zapata Garcia, que tratava de uma suposta ocorrência ufológica,
em que o corpo de um homem havia sido encontrado às margens
da Represa Guarapiranga, em 29 de setembro de 1988. Um ano depois,
na edição 32, a revista voltou a publicar um novo
artigo de Encarnación sobre o fato – Caso Guarapiranga:
Continuam as Discussões.
A pesquisadora descreveu o corpo de um homem com muitas mutilações.
Estava sem os olhos, orelhas, lábios, o saco escrotal, sem
o ânus e as vísceras. O corpo apresentava algumas perfurações
nos ombros, pés, na coxa esquerda e abdômen. Encarnación
examinou atentamente as fotos com uma lupa, teve acesso ao processo
e entrevistou várias pessoas envolvidas, como o médico
legista que fez um laudo extremamente detalhado. Depois de longo
tempo de pesquisa, e após comparar com outros casos de mutilações
de animais na Ufologia, ela chegou à conclusão de
que aquele homem havia sido mutilado e morto por tripulantes de
discos voadores. O primeiro e único caso nessas circunstâncias,
que em pouco tempo já estava disseminado na comunidade ufológica
e até mesmo na internet.
Posteriormente, com a onda de ocorrências atribuídas
ao Chupacabras, novamente o caso voltou à tona. Agora se
acreditava que o fato era típico de um terrível predador.
Mas para o Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos
Aeroespaciais (INFA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Ufológicas
(INPU), se tratava da ação de predadores muito bem
conhecidos, tais como cachorros domésticos, do mato, jaguatiricas,
onças etc. Assim, como ataque de tripulantes de discos voadores
ou de Chupacabras, o Caso Guarapiranga também foi noticiado
no jornal Notícias Populares, de 27 de abril de 1997, Diário
Popular, de 20 de julho, e na revista Extra, em agosto do mesmo
ano. Outras estranhas ocorrências também foram levadas
para a casuística ufológica sem uma pesquisa mais
aprofundada.
Extração de Olhos— Um desses
casos envolveu o agricultor Olívio Correia, de Estância
Velha (RS), que tinha problemas mentais. Em julho de 1995, Olívio
bebeu muito e, ao retornar para casa, desmaiou no meio da mata.
Talvez tenha entrado em coma alcoólico. Quando acordou, estava
sem os dois globos oculares. A própria polícia investigou
a possibilidade do agricultor ter sido atacado por urubus, por alguma
quadrilha de roubo de órgãos ou mesmo ter sido vítima
de rituais de magia negra. A polêmica ficou ainda maior quando
o Instituto Médico Legal (IML) de Porto Alegre concluiu o
laudo, informando que os olhos foram retirados cirurgicamente –
o que foi desmentido posteriormente pelo doutor Marco Aurélio
Becker, presidente do Conselho Regional de Medicina local. Assim,
alguns jornalistas acabaram publicando que ETs haviam roubado os
globos oculares de Olívio. Um ano depois, o inquérito
policial concluiu que os olhos do agricultor tinham sido arrancados
por predadores naturais.
Outro fato semelhante envolveu Alzira Maria de Jesus. Em 24 de junho
de 1999, na cidade de Santa Izabel, relativamente próxima
a São Paulo, ela foi encontrada morta na cama, sem o rosto.
Autoridades disseram que a pele, o nariz, a língua, os olhos
e a orelha esquerda tinham sido retirados com precisão cirúrgica.
Os dois médicos legistas do IML, que assinaram o laudo 473/99,
afirmaram que Alzira faleceu devido a uma pneumonia bilateral e
a um choque séptico. Sua face, segundo eles, teria sido desfigurada
por roedores.
Sempre que ocorre um apagão, como o de 21 de janeiro último,
recebemos dezenas de telefonemas perguntando se tal fato poderia
ter sido causado pela interferência de algum disco voador.
Não temos dúvidas de que o fenômeno ufológico
é real, compete também aos cientistas pesquisarem
os fatos. Agora, achar que tudo o que acontece é culpa dos
tripulantes de discos voadores é um enorme exagero. Muitos
casos ufológicos do passado, por exemplo, foram mal investigados.
Alguns pesquisadores forçaram a barra ou deram um jeitinho
de transformar fatos perfeitamente explicáveis em casos ufológicos
autênticos. Até mesmo pesquisadores norte-americanos
já declararam que diversos casos de abdução
nunca ocorreram. Muitas vezes, o hipnólogo induz a testemunha
a acreditar que foi abduzida. Esta é uma lamentável
verdade...
No Caso Guarapiranga, em específico, a imprensa distorceu
muitas informações. Isso, aliado aos casos acima resumidos
nos motivaram a reabrir as investigações. Por diversas
vezes publicou-se que o processo ficou escondido do público,
que as fotografias eram secretas, entre outras coisas. Mas não
aconteceu absolutamente nada disso. O processo é público
e correu como tantos outros nos trâmites da lei. E como envolveu
uma pessoa desconhecida, a imprensa não deu importância.
É a mesma coisa que acontece com os recentes seqüestros
relâmpagos. Foram centenas nos dois últimos anos, mas
a imprensa só noticiou os que envolveram pessoas famosas.
Logo que o primeiro artigo de Encarnación foi publicado na
Revista UFO (edição 25), tomamos conhecimento que
a 25ª Delegacia de Polícia (DP) tinha concluído
que o corpo havia sido mutilado por urubus e ratos. No entanto,
só uma investigação mais detalhada poderia
dar as respostas corretas.
Censura Proposital — Por ter se passado
muito tempo, foi bem difícil localizar as pessoas envolvidas,
bem como os documentos, pois os laudos foram censurados propositalmente.
Ora, se o processo é público, porque os documentos
foram censurados, entre eles o número do Boletim de Ocorrência
(BO) e dos laudos, o nome correto da represa (Billings), os nomes
dos delegados e dos peritos criminais?
Na realidade, a primeira surpresa surgiu em 15 de outubro de 1997,
no Programa do Ratinho, quando o
pesquisador e jornalista Saulo Gomes, que também investigou
o Caso Guarapiranga, anunciou, com exclusividade para todo o Brasil,
que o caso ocorreu na Represa Billings, e não na Guarapiranga.
Porque então não se investigou exatamente o local
onde foi encontrado o cadáver? Quem achou o corpo e em que
circunstâncias? O que as testemunhas, a polícia e os
bombeiros descobriram no local?
Assim, iniciamos a pesquisa. A vítima, Joaquim Sebastião
Gonçalves, sofria do mal de Chagas e de epilepsia. Ele tomava
o medicamento Gardenal. Lamentavelmente bebia muito, e quando morreu
tinha 53 anos. Ele não morava próximo do local onde
foi encontrado, mas sempre ia lá pescar. Estava desaparecido
havia três dias. Ele chegou em um dos braços da Represa
Billings, no Jardim Recanto do Sol, Bairro Bororó, São
Paulo, tirou a roupa, ficando só de cueca, e a colocou em
uma maleta, que escondeu no meio da mata. Atravessou a represa,
que tem uns 80 m, e foi pescar do outro lado. Contornando-se o braço
da represa é possível chegar ao outro lado por terra.
A mistura do medicamento com álcool provavelmente provocou
seu desmaio, no meio da mata. Sem ninguém para socorrê-lo,
o corpo ficou à mercê dos ratos e urubus por cerca
de 24 horas. Como não tinha qualquer reação,
acabou sendo atacado vivo e devorado parcialmente pelos animais
predadores.
Durante o dia, um garoto que estava caminhando na mata, caçando
passarinhos com um estilingue, encontrou o corpo coberto de urubus.
Saiu de lá rapidamente, contornou o braço da represa
e avisou os moradores das proximidades. Um deles ligou para a polícia
e agentes da 25ª DP, de Santo Amaro, compareceram ao local,
requisitando em seguida o Corpo de Bombeiros. Sob o comando do bombeiro
sargento Milton de Souza Guedes, os sargentos Elifas Morais Alves
e Urban chegaram no local e atravessaram o braço da represa
com o auxílio de um barco. Como havia vários curiosos,
Antônio Gomes Filho, que mora nas proximidades e aluga barcos
para pescadores, emprestou um barco para aquelas pessoas. Com uma
lona e dois caibros, os bombeiros levaram o corpo de Joaquim para
a margem oposta, onde a polícia o fotografou. Ana Joaquim
Bevilaqua Rosa e seu irmão, Alcides Bevilaqua Joaquim, também
acompanharam tudo de perto.
Causa Mortis — Esse acontecimento foi registrado
no Boletim de Ocorrência número 2.429/88, pelo delegado
Oswaldo Borges Profeta. O inquérito policial (IP) recebeu
o número 381/88. A pedido do 25º DP, o Instituto de
Criminalística (IC) foi acionado. O doutor Édson de
Carvalho R. Viegas, delegado de polícia titular do IC, designou
o perito criminal doutor Arlindo de Camargo para investigar o caso.
Ele esteve no local e emitiu o laudo número 01.072/88. Nele,
apenas descreve o local e, superficialmente, os ferimentos de Joaquim,
mencionando que a causa mortis seria informada pelo IML do Estado.
Também foram anexadas ao documento sete fotos do corpo da
vítima.
O laudo do exame de corpo de delito (exame necroscópico),
de número 645/88, assinado pelos médicos legistas
Jorge Pereira de Oliveira e Cláudio Roberto Zabeu, atesta
que a causa mortis foi hemorragia aguda e múltiplos traumatismos,
além de “estímulo vagal” (nervo vago ou
nervo pneumogástrico). O laudo descreve ainda que foi utilizado
um instrumento cortante e esclarece que a vítima apresentava
lesões com características de reação
vital, havendo componentes de tortura. “É sugestiva
de modus operandi a incisão em partes moles e em orifícios
naturais mediante aspiração”. Ou seja, de acordo
com o legista, algum instrumento foi enfiado pelo buraco na barriga
e aspirou os órgãos internos. Tal quadro deve ser
manifestação comportamental de insano ou outra hipótese:
ritual macabro. No final, os médicos legistas afirmaram que
a morte foi causada por “politraumatismos e inibição
vagal”. “Qual a natureza do agente, instrumento ou meio
que a produziu?”, foram questionados. “Agente mecânico”,
responderam. “Foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo,
asfixia ou tortura, ou por outro meio insidioso ou cruel?”.
“Sim, quanto ao meio empregado”.
O laudo número 10.456/88 do exame químico toxicológico
atestou a análise de vinte mililitros de sangue. Seu resultado
foi negativo, não foram encontrados vestígios de produtos
tóxicos. O doutor Marco Antônio Desgualdo, da Equipe
F da Delegacia de Homicídio e Proteção à
Pessoa (DHPP), após receber o laudo número 645/88
do IML, redigiu um documento para esclarecer algumas dúvidas
no que dizia respeito ao instrumento utilizado, manchas e reações
vitais, e se existiam casos semelhantes. Foram feitas quatro perguntas.
Na terceira, se questionou a possibilidade da ação
de animais junto ao corpo. A resposta nunca foi publicada. Assim,
Desgualdo novamente pediu ao IC um laudo complementar. Edson de
Carvalho Ribeiro Viegas designou o perito criminal Eduardo Roberto
Alcântara Del Campo, que, juntamente com o sargento Guedes,
do Corpo de
Bombeiros, fez um levantamento detalhado do local onde a vítima
foi encontrada.
Em seu laudo, Del Campo é taxativo quando narra o depoimento
do sargento Guedes. “Disse que, ao chegar para resgatar o
corpo, este estava desnudo, apenas trajando cuecas de malha, e que,
sobre o corpo, havia cerca de vinte urubus, aves reconhecidamente
necrófagas”. Aqui é muito importante ressaltar
que os urubus estavam sobre o corpo, ou seja, em contato físico.
As aves espetam as unhas na carne do corpo e vão comendo
as partes moles. Del Campo requisitou o corpo de um cachorro à
prefeitura e o levou para o local. Durante três dias acompanhou
o que estava acontecendo. Os urubus e os ratos atacaram. Em apenas
dois dias não havia mais nada. Até os ossos desapareceram.
Uma das fotos do corpo desse cachorro foi anexada ao processo.
O doutor Del Campo também afirmou ter observado um grande
número de animais e insetos necrófagos no local, principalmente
pequenos roedores e urubus, que atacam primeiramente as partes moles
e pregas naturais, pela facilidade de ataque, ou aquelas onde o
odor é mais intenso, pela atração que exercem
nesses animais, como pálpebras, olhos, orelhas, nariz, lábios,
bolsa escrotal, ânus, cicatriz umbilical, pregas interdigitais
e axilas.
“Aquele Coitado” — Antônio
Gomes Filho, 83 anos, que mora no local há mais de quinze,
lembra detalhadamente do dia em que encontraram o corpo. Ele afirma
ter visto os urubus e carcarás comendo “aquele coitado”.
Fatos semelhantes seriam bastante comuns na região. Ana Joaquim
Bevilaqua Rosa, 53 anos, moradora do local há mais de vinte,
também acompanhou tudo de perto. Ela contou ainda que, há
menos de um ano, viu um cachorro com problemas em uma das patas,
do outro lado da represa, que estava sendo atacado vivo pelos urubus.
Em outra ocasião, há uns seis meses, um cavalo morreu
às margens da represa. Curiosa, ela se aproximou para observar.
E ficou assustada ao ver a barriga do cavalo se mexendo. Logo depois,
começaram a sair vários urubus de dentro dela. “Nunca
vi nada igual”. Seu irmão, Alcides Bevilaqua Joaquim,
55 anos, acompanhou tudo de longe, e afirmou nunca ter visto nada
de estranho na região – nem Chupacabras, nem disco
voador.
O doutor Eduardo Roberto Alcântara Del Campo, que hoje é
promotor de justiça da infância e juventude, e que
na época era o perito criminal do Instituto de Criminalística
do Departamento Estadual de Polícia, nos recebeu gentilmente
e ficou surpreso e in dignado quando contamos que tal caso foi divulgado
como ataque de tripulantes de discos voadores. Ele afirmou que quando
foi designado para expedir um laudo complementar fez várias
diligências ao local. Conversou com testemunhas e verificou
que realmente a região é repleta de urubus e ratos.
Também pudemos constatar isso nas três vezes que estivemos
lá. O doutor Del Campo nos mostrou ainda vários álbuns
com fotos de diversos casos semelhantes. Segundo ele, Joaquim Sebastião
Gonçalves pode ter desmaiado por estar na região da
fulminação de um raio, que talvez o atingiu parcialmente
– o que explicaria as partes escuras de seu rosto. Segundo
ele, as informações dos bombeiros que retiraram o
corpo do local, e dos moradores, bem como a simulação
com um cachorro morto, não deixaram dúvidas que aquele
pobre homem foi atacado por ratos e urubus.“É relativamente
comum, em corpos encontrados nesse estado, na hora em que o médico
legista está abrindo a vítima, descobrir ratos vivos
dentro da barriga, comendo as vísceras”, afirmou Del
Campo. Ele também concedeu entrevista à pesquisadora
Encarnación, que, de acordo com o perito, nada divulgou sobre
seu laudo e as respectivas conclusões.
O sargento Guedes nos confirmou que, quando chegou no local, havia
uma grande quantidade de urubus comendo o corpo da vítima.
Cerca de dez dias depois, atendeu uma ocorrência exatamente
igual, esta sim na Represa Guarapiranga. Disse ainda que narrou
com detalhes a Del Campo o que viu: a vítima havia perdido
muito sangue pelos diversos buracos existentes em todo seu corpo.
O bombeiro e sargento Elifas, atualmente segundo tenente, também
confirmou que os urubus estavam atacando o cadáver. Ele ainda
ficou muito surpreso com a hipótese extraterrestre. Segundo
ele, naquela época era bastante comum a desova de cadáveres
à beira das Represas Billings e Guarapiranga, o que era rotina
para alguns justiceiros e para o cabo Bruno (Florisvaldo de Oliveira).
Entre 1970 e 1998, foram mais de mil cadáveres nessas condições
só na grande São Paulo, sendo uma boa parte à
beira das represas citadas.
Isso explica claramente a resposta dada pelo IML quando o delegado
da 25ª DP, doutor Marco Antônio Desgualdo enviou um documento
perguntando: “Existem nos registros da Medicina Legal ocorrências
semelhantes?” A resposta foi: “Sim, existem vários
casos semelhantes”. Quando este caso foi divulgado, em 1993,
essa resposta foi publicada com ênfase, dando a entender que
existem muitos casos de humanos mutilados por tripulantes de discos
voadores, o que não é verdade.
Fotografias Secretas — Quando o jornal Notícias
Populares divulgou o caso, em 27 de abril de 1997, o jornalista
responsável pela matéria foi até a Universidade
de Campinas (Unicamp) e mostrou as sete fotos ao doutor Fortunato
Badan Palhares. Com o título Fotografias Secretas, o texto
anunciava: “As fotografias do Caso Guarapiranga, sete no total,
estão escondidas em arquivos secretos da polícia de
São Paulo. O jornal teve acesso às fotos e aos documentos
do caso através de pessoas não ligadas ao IML nem
ao Instituto de Criminalística. Após recusa de chefes
do IML em falar sobre o assunto, o NP pediu uma análise do
caso ao médico legista Fortunato Badan Palhares. Para ele,
trata-se de animais predadores, como roedores, formigas, siris,
caranguejos e urubus. ‘Todas as lesões ou ferimentos
encontrados na superfície corporal são compatíveis
com lesões produzidas por pequenos roedores’, escreveu
Palhares. Segundo ele, até os sinais de reações
vitais no corpo (a vítima estava viva quando foi mutilada)
podem ser explicados. Ele pode ter tido um infarto e caído
em agonia por horas, sem se mexer. Os bichos começariam a
atacá-lo ainda vivo”.
Na Revista UFO número 25, a pesquisadora Encarnación
afirma: “Tudo indica que os urubus mencionados pelo delegado
de plantão apenas sobrevoaram o corpo, sem atacá-lo”.
E mais: “Por outro lado, se o homem tivesse sido vítima
de um assassinato comum, seus restos com certeza estariam destroçados
pela ação de urubus e outros carniceiros, que, neste
caso, permaneceram à distância”. Em todos os
laudos que examinamos não há nenhum componente que
sustente uma afirmação como essa, muito pelo contrário.
Predadores — A conclusão de Del Campo
é que realmente esse homem foi vítima de ataques de
predadores. Existe uma diferença muito grande entre afirmar
que os urubus estavam lá em cima, no céu, sobrevoando
o cadáver, ou grudados no corpo da vítima, comendo
as partes moles. As testemunhas viram isso.
Quando estávamos fechando esta matéria, ligamos para
a pesquisadora Encarnación Zapata Garcia, a fim de entrevistá-la.
Iríamos mostrar a ela detalhes do exposto acima. No entanto,
ela disse que não iria mais falar sobre esse assunto e desligou
o telefone. Existe uma quantidade muito grande de animais necrófagos
na natureza. Pesquisando sobre esse assunto, verificamos que eles
têm atração pelo cheiro dos órgãos
sexuais. Os pequenos, como os roedores, entram pelos orifícios
naturais do corpo, o ânus, a boca, por exemplo, e comem os
órgãos internos. Já os urubus, bicam seguidamente
em uma parte mole, a barriga, por exemplo. Após perfurar,
eles entram e vão comendo tudo por dentro. Tempos atrás,
a TV Cultura apresentou um documentário sobre roedores. Um
deles, o Microsorex Hoyi, com o nome popular de musuranho, mussurano
ou ainda musaranho, girava a cabeça como se fosse uma broca
e, com os dentes incisivos, ia cortando sempre na mesma linha, fazendo
um buraco totalmente circular, tendo acesso às vísceras.
Exis tem tipos de roedores nos desertos que mantém a cabeça
fixa e também giram o corpo como uma broca, fazendo um furo
totalmente circular. Se um cadáver que foi atacado por predadores
estiver no estado de lise, ou seja, bem conservado, é possível
identificar que tipo de animal o atacou. Os roedores têm um
par de incisivos grandes nas mandíbulas superiores e inferiores,
que cortam como faca.
O médico legista constatou que a vítima morreu cerca
de 24 horas antes de ter sido encontrada. Os laudos atestam que
o cadáver já estava em processo de decomposição.
Não sabemos se isso pode ter interferido nas conclusões
dos dois médicos legistas que assinaram o laudo. Mas, pelo
já exposto, o INFA e o INPU não têm dúvidas
de que Joaquim Sebastião Gonçalves foi morto por animais
necrófagos.
Separando oJoio do Trigo — As mutilações
de animais por tripulantes de discos voadores são fatos reais
na Ufologia Mundial, mas, com certeza, muitos casos de ataques de
animais necrófagos foram confundidos com ocorrências
realmente ufológicas. Assim, cada caso deve ser analisado
detalhada e individualmente. É preciso sempre separar de
uma vez o joio do trigo.
Nesta pesquisa, é fundamental o agradecimento ao primeiro
tenente Humberto César Leão, do Corpo de Bombeiros,
que não mediu esforços para nos ajudar a localizar
os bombeiros que integraram a equipe que retirou o corpo do local.
A Ufologia se baseia em fatos, no plural, e não em um único
fato, no singular. Se fosse verdade que tripulantes de discos voadores
mutilam seres humanos, com certeza teríamos milhares de casos
em todo o mundo, o que não acontece. Houve casos onde aconteceu
morte ou cura. Nos casos de mortes, as evidências sempre indicaram
algum tipo de reação por parte dos seres humanos.
Um exemplo disso é o Caso Crixás (GO), em 13 de agosto
de 1967. Inácio disparou um tiro na testa de uma estranha
criatura e em seguida recebeu um tiro de luz verde em forma de raio,
de dentro de um disco voador, que o atingiu no ombro. Em seguida,
caiu desfalecido. Ele faleceu em 11 de outubro do mesmo ano, com
leucemia.
| Quando a Ufologia
irá decolar? |
| Paola
Lucherini Covo, convidada especial
Desde os 10 anos me interesso pelo Fenômeno UFO. A
partir de 1985, comparando o trabalho de diversos ufólogos,
me identifiquei com as pesquisas de Claudeir Covo, principalmente
pela sua seriedade. Em 1994, o conheci pessoalmente e passei
a freqüentar as reuniões mensais do Instituto
Nacional de Investigação de Fenômenos
Aeroespaciais (INFA), onde aprendi muito. Agora, nos últimos
três anos, como esposa de Claudeir, pude acompanhar
mais de perto os trabalhos ufológicos que realiza,
indo inclusive a campo. Mas confesso que às vezes fico
decepcionada quando encontro casos ufológicos inventados
ou mal pesquisados no passado. O fenômeno ufológico
é real e deve ser encarado com discernimento, sem envolvimento
emocional. É acreditar desacreditando.
Juntamente com o INFA, quando o Instituto Nacional de Pesquisas
Ufológicas (INPU) ainda não existia oficialmente,
tive a oportunidade de investigar o falso pouso de um disco
voador em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, em
26 de maio de 1999. Infelizmente, os responsáveis pelo
pesqueiro Pesque-Pague, onde ocorreu o fato, inventaram a
estória apenas para atrair clientes, em mais um lamentável
embuste ufológico. Recentemente, já com o instituto
oficializado, investigamos a filmagem da Suzana Alves, a Tiazinha.
Foi uma nova decepção, pois o que ela filmou
era apenas o dirigível da Goodyear. Desde o início
ela estava ciente de que não se tratava de um disco
voador, mas inventou uma farsa para se promover.
Mais triste ainda é ver aproveitadores na Ufologia,
que dizendo serem paranormais, arrancam dinheiro das pessoas,
enganando-as com truques banais de prestidigitação.
É o caso de Urandir Fernandes de Oliveira, que usa
de canetas laser, faróis de milha, balões publicitários
(blimps) ou iluminados por dentro e simples truques de mágica.
Urandir cobra caro para mostrar seus poderes, num verdadeiro
caso de polícia. E há ainda aqueles que rezam
para que os ETs venham resolver seus problemas pessoais. O
mais assustador desses casos, envolvendo fanatismo, foi a
seita Heaven’s Gate, da qual 39 fanáticos suicidaram-se
no início de 1997 numa mansão nos EUA, acreditando
que suas almas iriam encontrar-se a bordo de um UFO...
Desde que o INPU foi fundado, em 12 de junho de 2001, decidimos
reabrir o Caso Guarapiranga, mas jamais imaginávamos
que encontraríamos tantas irregularidades – algumas
gritantes. Deixar de investigar o local dos fatos, por exemplo,
é a mesma coisa que analisar um vídeo ufológico
sem assisti-lo ou operar uma pessoa sem que ela esteja presente.
A censura arbitrária dos documentos do processo, no
meu entendimento, objetivava única e exclusivamente
dificultar a pesquisa de terceiros. É lamentável.
Errar é humano, mas forçar a barra deve ter
sido conveniente. Em todos os segmentos da sociedade temos
bons e maus profissionais. Vemos que a primeira geração
de ufólogos, que iniciou seus trabalhos no período
de 1950 a 1970, foi precursora de uma futura ciência.
Cometeram erros, é claro, mas compreensíveis.
Segunda Geração — A
segunda geração destes estudiosos, cujos trabalhos
se difundiram no período de 1971 a 1990, conta com
nomes como Ademar Eugênio de Mello, Ademar José
Gevaerd, Antônio Faleiro, Claudeir Covo, Daniel Rebisso
Giese, Eustáquio Patounas, Luciano Stancka e Silva,
Marco Petit, Mário Rangel, Rafael Cury, Ubirajara Rodrigues,
entre outros. Ela também teve falhas, mas conseguiu
classificar os fenômenos ufológicos – tipos
de contatos imediatos, naves, efeitos físicos etc –
com uma expressiva riqueza de detalhes, avaliando criteriosamente
as ocorrências. De 1991 a 2010, estaremos vendo o surgimento
de uma terceira geração de estudiosos, mas,
com poucas exceções, nela observamos uma verdadeira
explosão de egos.
Atualmente, dispomos de recursos diversos para quem deseja
se dedicar a uma pesquisa ufológica séria. No
entanto, muitas vezes tais recursos acabam prejudicando o
trabalho de pessoas bem-intencionadas. A internet, por exemplo,
fez com que a Ufologia se tornasse “terra de ninguém”.
Uma pessoa que nunca tenha realizado uma pesquisa ufológica,
após passar alguns dias navegando por sites ufológicos,
rapidamente se proclama e intitula ufólogo. Nesse clima,
fala-se muito em união da comunidade ufológica,
mas infelizmente não vejo como isso possa acontecer,
pois quase sempre o ego não deixa.
Em 1983, com a fundação da Associação
Nacional dos Ufólogos do Brasil (ANUB), os pesquisadores
acreditavam, esperançosos, que isso aconteceria. Imaginava-se
uma verdadeira integração entre as mais diversas
linhas de pesquisa dentro da Ufologia. Novamente, em vão!
É a mesma coisa que querermos reunir todos os partidos
políticos em um só, o que é impossível,
pois existem muitos interesses envolvidos. O principal deles
é o “estrelismo” de alguns indivíduos,
em detrimento de pesquisas sérias e bem documentadas.
Sabemos que os ufólogos lutam com dificuldades, e que
pesquisar é sinônimo de gastar. Mesmo assim,
é fundamental a realização de um trabalho
coeso, de equipe. Precisamos perguntar, tirar dúvidas,
procurar pessoas certas. No Caso Guarapiranga, por exemplo,
consultamos o advogado e ufólogo Ubirajara Rodrigues
e o médico e pesquisador Luciano Stancka, que nos auxiliaram
no entendimento dos termos jurídicos e médicos
utilizados. Realizar um trabalho ufológico sério
e reconhecido não é tão fácil
quanto parece. É fundamental deixar o ego de lado e
dedicar-se incansavelmente às pesquisas, com esforço,
discernimento, união e honestidade. Somente assim a
Ufologia poderá, no futuro, decolar.
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CLAUDEIR COVO é co-editor de
UFO e presidente do Instituto Nacional de Investigação
de Fenômenos Aeroespaciais (INFA). Seu e-mail é: claudeir.covo@uol.com.br.
Site: www.infa.com.br.
PAOLA LUCHERINI COVO é diretora do Instituto Nacional de Pesquisas
Ufológicas (INPU) e também diretora do INFA.
Seu e-mail é: paolalucherini@uol.com.br.
Site: www.inpu.hpg.ig.com.br.
E TÂNIA DA CUNHA é diretora do INPU. Seu e-mail é:
tan8modi@bol.com.br. |