Marte:
Rumo Espaço
Com mais essa viagem a Marte, mesmo sem grandes
novidades, a NASA prepara uma futura missão tripulada
ao planeta
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Roberto Pintucci
05 de janeiro de 2004. Eis um dia para ficar na história
da exploração espacial norte-americana e mundial.
Depois do fracasso da missão japonesa a Marte, com a sonda
Nozomi, e da européia Mars Express, finalmente a norte-americana
Spirit chegou ao Planeta Vermelho nessa data. Enviada pela NASA,
que tem imensamente mais experiência em viagens espaciais
que o Japão e os países europeus, a Spirit passou
seu primeiro amanhecer em solo marciano mandando imagens de regiões
nunca antes vistas por olhos humanos. Com poderosas antenas e enviado
a Marte em 2003, o “Espírito Explorador” –
como foi apelidado o robô –, fez chegar à Terra
uma miríade de fotos, ainda em tons cinzentos, do solo e
do horizonte de nosso vizinho. Mas não demorou muito para
que ela nos brindasse com imagens tridimensionais e coloridas do
terreno, permitindo que se pudesse ter uma noção aproximada
do local do pouso. Ainda durante o primeiro fim de semana marciano
depois do pouso, a Spirit já utilizava a menor de suas três
antenas para mandar dados importantes para as sondas que se encontravam
em órbita do planeta, que retransmitiriam os dados à
Terra.
No entanto, apenas durante poucos minutos a tarefa pôde ser
realizada, uma vez que o consumo de energia para estas atividades
é muito grande. Portando em seu milionário conjunto
automatizado uma quantidade de equipamentos sem igual na história
da exploração espacial, o robô explorador permitirá
que os cientistas da NASA prossigam seus estudos para determinar
se já houve de fato ou se ainda há vestígio
de água em estado líquido no solo marciano, ou em
suas camadas inferiores. Estudando os dados obtidos, a Spirit poderá
ter esclarecido também se o que é hoje um planeta
frio e árido já foi alguma vez quente e úmido,
como a Terra.
Amostras geológicas — A missão,
orçada em cerca de 400 milhões de dólares,
tem ainda o objetivo de analisar amostras geológicas do solo
e das pequenas rochas das regiões circunvizinhas, além
de efetuar uma nova série de fotos da superfície marciana.
As primeiras a que tivemos acesso, em boa resolução,
foram enviadas pela sonda Viking, em 1976, e as últimas,
pela Mars Pathfinder, a partir de 1996 [Veja cronologia].
As fotos iniciais da Spirit, assim que recebidas, geraram histeria
e entusiasmo por parte dos controladores da missão. E já
na primeira leva, cerca de 60 a 80 delas – a maior parte do
próprio Rover, como é chamado o veículo explorador
–, foram divulgadas ao mundo. Apesar de algumas fotos parecerem
repetidas, o objetivo principal das primeiras toma das era verificar
o estado geral do robô explorador após o pouso. O principal
motivo da euforia dos técnicos e controladores da missão
é o rompimento de uma tendência atual de verem fracassadas
as tentativas de exploração do planeta.
A última missão coordenada pelos norte-americanos
foi em 1999, mas não obteve êxito, perdendo-se no espaço,
a exemplo do que ocorreu agora com as missões Nozomi e Mars
Express, enviadas pelo Japão e pela Agência Espacial
Européia (ESA). Os cientistas e técnicos calculam
que o tempo médio que a Spirit deverá permanecer em
operação no solo de Marte é de cerca de 90
dias, mas somente depois de transcorrida a primeira semana é
que começará a exploração mais efetiva
do planeta. Após isso, provavelmente suas baterias estarão
exauridas e o aparelho ficará para sempre juntando poeira
vermelha. Já faz tempo que Marte fascina e ao mesmo tempo
intriga os pesquisadores. Desde que Percival Lowell declarara, em
1894, que o planeta era recortado por canais artificiais, ele se
tornou alvo de inúmeras invasões dos terráqueos.
Mas nem todas frutíferas, como no caso das sondas russas
Phobos 1 e 2, da norte-americana Mars Observer, além de inúmeras
outras bem mais antigas.
No entanto, o número de missões que tiveram êxito
está por equilibrar a balança da curiosidade humana.
Com a chegada da missão atual ao Planeta Vermelho, a perspectiva
é de que durante os próximos três meses o mundo
possa saber em definitivo se Marte um dia abrigou alguma forma de
vida, ainda que microscópica, e se em algum momento de sua
história já teve oceanos ou lagos, como a Terra.
Água em estado líquido — Fotos
enviadas pela Mars Pathfinder, em 1997, revelaram um mundo tão
árido quanto o fotografado pela Viking, em 1976. Mas algumas
imagens efetuadas pela Pathfinder, em 1998, contradisseram as palavras
de alguns cientistas, que alegavam jamais ter existido água
em estado líquido em Marte. Tais imagens mostraram alguns
locais onde a existência do líquido não parece
ser mera ficção ou alucinação de quem
vê conspiração em tudo que a NASA faça
– sua reputação de esconder descobertas do público
é notória. Mais do que isso, algumas fotos trazem
imagens insólitas de estruturas na superfície que
sugerem mais do que a simples força erosiva dos ventos para
terem sido formadas. Objetos de formas ovóides e discóides,
sombras indecifráveis e uma porção de outras
estruturas poligonais e simétricas causou alvoroço
entre os estudiosos do planeta, fazendo os cientistas torcerem o
nariz diante de tais evidências – e a NASA a abolir
as imagens de seus sites na internet.
Existe, no entanto, a esperança de que a atual filosofia
de esconder informações acabe, ou que pelo menos diminua,
uma vez que tanto japoneses quanto europeus estão dispostos
a dividir com os norte-americanos as novas descobertas. Dentro de
poucos anos, a China também deverá engrossar ainda
mais os investimentos na área espacial, lançando missões
semelhantes. Para isto pretende, já em 2007, mandar uma nova
nave à Lua que portará dois astronautas, retomando
assim a época de ouro da navegação espacial.
| Histórico
das missões terrestres a Marte |
1960 —
Pioneiramente, a então URSS lança a sonda Marsnik
1, também conhecida como Mars 60 pelos norte-americanos.
Foi a primeira tentativa de enviar uma nave de sondagem a
Marte. Nos primórdios da conquista espacial, a Marsnik
1 fracassara, não conseguindo sair da atração
gravitacional da Terra.
1963 — Ainda a URSS, que dominava o cenário
mundial dos grandes lançamentos espaciais, foi foco
das atenções durante os trabalhos da Mars 1,
que passou a cerca de 190.000 km do Planeta Vermelho. Foi
uma proeza para a época, mas infelizmente a sonda perdeu
contato com a Terra durante sua aproximação
ao planeta.
1964 — Os Estados Unidos não deixam por menos
e, seguindo o rastro soviético, lançam a série
denominada Mariner, obtendo êxito em sua quarta tentativa.
A Mariner 4 foi a primeira sonda humana a obter de grande
altitude imagens da superfície do planeta, passando
a cerca de 9.800 km de Marte.
1966 — A Zond 2, também da URSS, entra em órbita
de Marte. Mas não obtendo o sucesso pretendido pelos
cientistas soviéticos, é abandonada.
1971 — Nos anos da Guerra Fria era impensável
ser ultrapassado pelo inimigo, e foi planejando dar um novo
salto sobre os EUA que os soviéticos conseguiram depositar
no planeta o primeiro artefato criado por mãos humanas
a tocar seu solo. A pequena nave, denomina da Mars 2 acabou
se espatifando em Marte, depois de um erro de cálculo
na entrada da atmosfera. Logo após, a Mars 3 pousou
suavemente em solo vermelho, sendo esta a primeira missão
bem sucedida a Marte. Mas a sonda não pôde prosseguir
suas investigações por perda de sinal. Cogita-se
que a interferência tenha sido gerada por uma tempestade
de areia.
1971 — Também neste ano chegaria a Marte a sonda
norte-americana Mariner 9, acirrando ainda mais a disputa
pela conquista do Planeta Vermelho. Apesar de não ter
descido ao solo, foi a primeira a obter imagens de alta resolução
(para a época), que foram suficientes para mapear toda
a superfície marciana, gerando controvérsia
sobre a existência ou não de depósitos
de água no planeta.
1976 — Depois de um intervalo de cinco anos infrutíferos,
a NASA voltou à cena obtendo êxito nas missões
Viking 1 e 2. A primeira pousou em Marte em 20 de julho e,
a segunda sonda, 9 semanas depois, em 03 de setembro —
mas a cerca de 7.500 km de distância de sua antecessora.
Foi esta última que descobriu a existência de
minerais ferrosos e magnéticos no solo do planeta,
além de dados relevantes acerca de atividades geológicas
e mineralógicas. Viking 2 foi a primeira a mandar fotos
coloridas da superfície marciana, revelando sua aparência
desértica e alaranjada que conhecemos hoje. Nesta missão,
outros fatos fizeram com que as sondas estimulassem ufólogos
e admiradores do planeta, como a revelação de
pirâmides e de uma suposta estrutura artificial semelhante
a uma face humanóide na Planície de Cydonia.
1988 — Depois de um longo intervalo sem grandes investimentos
na área espacial, e devido ao arrefecimento dos ânimos
da Guerra Fria, a então URSS retomou suas pesquisas,
tentando colocar em órbita de Marte as sondas Phobos
1 e 2. A primeira deixara de mandar sinais logo ao sair da
atmosfera, enquanto a segunda, após algumas órbitas
de aproximação, desaparecera misteriosamente
sem deixar vestígios. Tudo o que se pôde obter
foi um silvo estridente como o de uma interferência
e a foto de um estranho objeto cilíndrico, desconhecido,
muito próximo da sonda. Depois disso, silêncio
total. Ufólogos estimam que tenha sido neutralizada
por um UFO.
1996 — Com a Mars Pathfinder e a Mars Orbital Câmera
(MOC), a humanidade aumentou seus conhecimentos sobre Marte
em uma semana tudo o que levara séculos para obter.
Com uma infindável quantidade de dados e milhares de
fotos obtidas, a Pathfinder foi a que obteve maior sucesso
entre as missões e que maior quantidade de questionamentos
gerou. Nunca os cientistas tiveram tanta dúvida sobre
o que supostamente já se sabia.
1999 — Em circunstâncias não totalmente
explicadas, a sonda Mars Observer, encarregada de orbitar
Marte e obter dados sobre a existência de água
no planeta, simplesmente desapareceu no espaço, interrompendo
as comunicações com o controle da missão,
nos EUA. Ela carregou para o abismo cósmico cerca de
duas toneladas e meia de equipamentos de última geração
e investimentos da ordem de um bilhão e meio de dólares.
2004 — Chega a Marte a mais promissora das missões
de toda a história da exploração espacial.
A Mars Spirit, enviada pelos EUA, tem por objetivo descobrir
de uma vez por todas se ainda há ou se já houve
alguma vez água em Marte. Os fãs de Marte podem
aguardar ansiosos, pois devem vir mais revelações
por aí.
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| O
sucesso da Spirit e o fracasso das anteriores |
Roberto
Pintucci
“Esta é uma grande noite para a NASA”,
disse eufórico Sean O’Keefe, diretor da agência
espacial norte-americana, na madrugada de 05 de janeiro, assim
que os primeiros sinais da Spirit chegaram à Terra,
transmitindo um “olá” para os controladores.
Orçada em quase meio bilhão de dólares,
foi considerada uma bagatela pela NASA, uma vez que a relação
custo-benefício proporcionada pela missão é
bem maior do que de missões anteriores. Fruto de uma
política de enxugamento de gastos, a nova filosofia
de trabalho dos engenheiros da NASA é desenvolver missões
que possam ser realizadas em intervalos de tempo mais curtos
e com maior freqüência, evitando assim perdas desastrosas,
como a ocorrida em 1999 com a missão Mars Observer,
que se perdeu no espaço quando já estava quase
em órbita de Marte.
Um acaso fez com que a enorme sonda carregasse consigo para
a escuridão do cosmos bilhões de dólares
e toneladas de equipamentos. Erro operacional foi o motivo
alegado pelos técnicos e engenheiros para a perda da
Observer. Tal catástrofe gerou um rombo no orçamento
da agência, forçando assim uma reestruturação
em seus projetos, visando um melhor aproveitamento do know-how
e, sobretudo, das verbas governamentais, que vinham escasseando
desde os anos 80. Há quem diga que o sumiço
da Observer, assim como a Phobos 2, lançada pela extinta
URSS e que teve destino semelhante, se deva a interferências
externas provocadas por inteligências alienígenas
em atuação próxima de Marte.
A polêmica surgiu depois que a Phobos mandou para os
controladores da missão soviética uma foto em
preto e branco retratando um misterioso objeto de forma cilíndrica
em suas proximidades. Técnicos alegaram ainda ter gravado
um som estridente, como o de estática, após
o qual cessaram todas as comunicações com a
Terra. O episódio já andava meio esquecido quando,
em 1999, próximo de completar o percurso, a Mars Observer
também desaparecera em circunstâncias não
totalmente esclarecidas. Tal fato gerou polêmica e foi
base de inúmeras interpretações. Mas
é possível que tanto no caso da sonda norte-americana
como no da Phobos, o motivo das perdas tenha sido apenas uma
interferência magnética provinda de uma região
crítica entre Marte e Júpiter.
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ROBERTO PINTUCCI tem formação
em marketing e mercadologia, é webmaster do site Origens [www.origens.org]
e consultor da REVISTA UFO. Seu endereço é: Caixa Postal
4.277, 01061-970 São Paulo (SP).
E-mail: roberto. pintucci@ufo.com.br.
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