A
Hostilidade dos Alienígenas
Casos de ataques de extraterrestres
a humanos indicam um padrão de defesa
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Reinaldo Stabolito
O Fenômeno UFO é hostil? Tentar entender, interpretar
e discorrer sobre a manifestação ufológica
é uma das tarefas mais difíceis que existe, já
que todos os dados disponíveis vêm de testemunhas que
podem ter interpretações diferenciadas dos fatos,
devido ao seu próprio conteúdo pessoal, e não
apenas pela suposta diversidade que tal fenomenologia apresenta.
Certamente, muitas observações ufológicas são
alucinações, enquanto outras podem ser deformações
da realidade, causadas por pessoas cujas motivações
são inconscientes. Também há as fraudes, os
exageros e as interpretações errôneas de fenômenos
naturais e humanos. Mas existem, efetivamente, casos que não
têm qualquer explicação satisfatória
– a não ser se admitir a existência física,
material e autêntica de objetos voadores não identificados.
Os UFOs já foram avistados por milhares de pessoas, entre
pilotos, controladores, meteorologistas e tantas outras testemunhas
altamente qualificadas para o reconhecimento de fenômenos
atmosféricos, astronômicos e físicos. Foram
registrados nas telas de radares pelo mundo afora. Foram fotografados,
filmados e seus vestígios, mensurados. Ninguém que
esteja sequer medianamente informado pode duvidar que algo estranho
está acontecendo em nossos céus. Mas há um
paradoxo nisso: mesmo reconhecida a existência do Fenômeno
UFO, não entramos no caminho resolutivo esperado. Na verdade,
quanto mais bem informados formos a respeito do tema, mais absurdo,
ilógico e repleto de incógnitas ele se apresenta.
Existe uma razão para isso? Sim, há uma. E, por sinal,
uma razão fundamental: os dados obtidos sobre a manifestação
ufológica até parecem corretos, mas são incrivelmente
contraditórios. As descrições de tamanhos e
formatos dos UFOs, e do comportamento de seus tripulantes são
tão diferentes que não permitem uma classificação
realmente adequada.
Por que isso ocorre? Para alguns estudiosos, o principal desencadeador
dessa situação é o próprio Fenômeno
UFO, uma vez que ele não ocorre de forma transparente, numa
clara opção dos ETs pela clandestinidade em suas atividades.
A hipótese mais aceita para explicar essa característica
é de que a inteligência por trás dos objetos
voadores não identificados tenta o máximo possível
não interferir em nossa civilização. No entanto,
lanço uma pergunta: tomando como base essa premissa, baseada
no comportamento arredio de nossos visitantes, não há
realmente interferência e influência do fenômeno
em nossa sociedade? Num primeiro momento, a despeito da teoria da
não-influência, é óbvio que o fenômeno
ufológico tem causado um enorme impacto sobre a humanidade,
desde a segunda metade do século 20. Seu rastro é
tamanho que foi poderosamente assimilado por nossa cultura, passando
a fazer parte dos motivos artísticos, comunicativos e semânticos
do homem atual.
Elvis disfarçado — Em nossa sociedade
capitalista, os UFOs e seus tripulantes foram transformados em mercadorias
de consumo. Um exemplo típico disso é o comercial
do consórcio de imóveis da empresa Porto Seguro, veiculado
na tevê paulista e de outros estados, até algumas semanas
atrás. Nele, um casal está dentro de seu carro num
lugar desértico, à noite, parado no meio da estrada
porque há uma vaca obstruindo a passagem. Incrivelmente,
a vaca se revela ser Elvis Presley disfarçado, uma alusão
ao eterno jogo de atribuir ao fenômeno uma origem fantástica,
absurda e improvável. Subitamente, um disco voador surge
no céu, lançando um cone de luz que faz Elvis levitar
até a nave. Ele é capturado e o rapaz no carro questiona
à mulher: “Nossa, você viu isso?”
Ela responde: “É o apartamento que a gente queria”.
Ela não estava observando a insólita cena, mas um
folheto com propaganda do consórcio da Porto Seguro! A mulher
fecha o comercial com o comentário: “Se contar,
ninguém acredita”. Simplesmente, os profissionais
de marketing que produziram o anúncio foram diretos e claros:
o plano de consórcio imobiliário da referida empresa
é tão inacreditável quanto observar um disco
voador abduzir Elvis! Os UFOs se transformaram em vendedores de
consórcio de imóveis em nossa cultura moderna.
A verdade por trás disso tudo é que a simples presença
de uma luz suspeita no céu já deflagra um processo
de interferência e influência. Numa entrevista para
a tevê norte-americana, o ufólogo e matemático
franco-americano Jacques Vallée chegou a afirmar: “O
que mais impressiona nos encontros com UFOs é que as testemunhas
descrevem uma mudança fundamental de suas idéias sobre
um grande número de questões. Por exemplo, as noções
sobre a vida e a morte. Geralmente, as testemunhas sofrem uma comoção.
A observação é tão impressionante para
elas, que acabam pondo em questão tudo o que pensavam anteriormente”.
Fica claro, assim, que a simples observação do
fenômeno já produz enormes seqüelas nas pessoas
envolvidas, o que nos leva inevitavelmente à constatação
de que os UFOs produzem, de forma efetiva, influências extremamente
profundas em nosso mundo. Com estudos demonstrando a presença
alienígena também na Antigüidade, retratada em
textos ancestrais e até na arte rupestre, temos um indicador
claro de que tal influência pode estar acontecendo há
muito tempo.
Tendo em vista todas essas considerações, é
fácil perceber que a teoria da não-influência
é insatisfatória, embora tão aceita, para justificar
a falta de transparência nas atividades dos alienígenas.
O fato é que qualquer especulação sobre o comportamento
do Fenômeno UFO nada mais é do que uma humanização
do tema. Simplesmente, não temos a menor idéia do
que se trata e, conseqüentemente, não sabemos sequer
se é cabível projetar sua manifestação
em parâmetros humanos. E se não temos condições
de alcançar respostas para questões básicas
referentes aos aspectos primordiais do comportamento dos UFOs, como
poderíamos chegar à alguma concepção
minimamente aceitável para a pergunta lançada no início
do presente artigo, se o Fenômeno UFO é hostil? Sobre
isso, vejamos o que a casuística nos revela, começando
com uma ocorrência clássica: o Caso Crixás,
ocorrido no dia 13 de agosto de 1967, na cidade homônima,
em Goiás. O episódio envolveu o capataz Inácio
de Souza e sua esposa.
Bacia Invertida — Na ocasião, Souza
voltava para casa, na Fazenda Santa Maria, por volta das 16h00 daquele
dia. Ao chegar, foi calorosamente recebido por sua mulher, do lado
de fora. Ambos ainda não haviam percebido nada de anormal,
até dirigirem o olhar para um pasto próximo da casa,
que é cortado por uma pista de pouso de aviões. No
fim dela havia um estranho objeto que foi descrito pelo capataz
como uma “bacia invertida”. Num primeiro momento, Souza
e sua esposa não deram muita atenção, pois
acharam que o proprietário da fazenda, Ibiracy de Moraes,
muito rico, poderia estar testando algum tipo de veículo
novo para o Exército brasileiro – e se fosse o caso,
não seria a primeira vez. Mas logo o casal percebeu que algo
estranho estava acontecendo. O casal viu o que pareceram três
crianças, aparentemente nuas, em volta do objeto. Souza julgou
aquilo como uma afronta à sua esposa e foi em direção
às “crianças”. Ao se aproximar um pouco
mais, levou um susto: não estavam nuas, mas sim vestidas
com uma roupa inteiriça de cor amarela, colada ao corpo.
Eram calvas e tinham uma aparência bastante incomum. Só
que, naquele momento, as criaturas também perceberam Souza
e uma delas apontou diretamente para ele e sua esposa.
Imediatamente, os três seres começaram a correr em
sua direção, ficando claro que iriam abordá-los.
Como uma ação reflexiva movida pelo terror, Souza
pegou sua espingarda, mirou diretamente na testa de uma das criaturas
e atirou. Ele era conhecido na região por ser um atirador
exímio e acertou em cheio a cabeça de um dos seres
que, segundo sua estimativa, deveria estar a um pouco mais de 60
m de distância. O ser atingido caiu no chão e, naquele
mesmo instante, o UFO disparou um raio de luz verde que atingiu
o agricultor no ombro esquerdo. Inácio caiu imediatamente,
desacordado. Desesperada com a cena, a esposa pegou a arma e se
colocou na frente de Inácio, para protegê-lo. No ato,
apontou a arma na direção dos alienígenas.
Os seres pararam, pegaram o que tinha sido atingido e entraram no
disco, carregando-o. Em seguida, o UFO começou a emitir um
forte zumbido e a ganhar altura lentamente, em sentido vertical.
Souza foi levado às pressas para o hospital. Ele passou a
apresentar náuseas, formigamento e adormecimento por todo
o corpo. Suas mãos sempre estavam trêmulas. Infelizmente,
no dia 11 de outubro de 1967, 59 dias depois do incidente, faleceu.
Ele tinha 41 anos e era pai de cinco filhos. No ombro esquerdo,
onde foi atingido pelo raio verde, ficou uma espécie de mancha
que evoluiu e acabou por se espalhar por todo o braço esquerdo
e pescoço. No atestado de óbito, o médico colocou
leucemia como causa mortis. Por recomendação do próprio
Souza, ainda em vida, sua esposa queimou todas as suas coisas após
a morte, incluindo o colchão onde dormiam.
É interessante notar que nesse caso houve uma clara situação
de confronto. No entanto, é difícil afirmar que se
trate de hostilidade extraterrestre gratuita. É patente que
o raio que atingiu Souza foi uma resposta imediata ao seu comportamento
hostil. Se por um lado é complicado tentar analisar o comportamento
extraterrestre, por outro lado temos uma característica humana
facilmente detectável: nossa xenofobia. Numa analogia, os
primeiros contatos dos irmãos indigenistas Orlando e Cláudio
Villas Boas com os xavantes do Xingu foram dramáticos e complicados,
pois os índios atacaram o seu avião – um UFO
para eles – com flechas e lanças. Infelizmente, o homem,
independentemente de ser mais ou menos civilizado, tem uma tendência
inata de atacar o desconhecido, pois teme aquilo que não
compreende. Não é a toa que filmes como Sinais [2002],
Independence Day [1996] e Alien, O Oitavo Passageiro [1979] resultaram
em grandes bilheterias, pois atingiram nossas causas emotivas básicas,
como o medo do desconhecido. E essa característica pode ser
um desencadeador de confrontos com o Fenômeno UFO.
Seres Esquivos — A situação
de agressão do Caso Crixás também nos leva
a uma outra constatação: os extraterrestres parecem
não hesitar em responder com hostilidade quando são
atacados. Grande parte da casuística ufológica mundial
demonstra que tais seres são esquivos, evitando um maior
contato conosco. Mas em algumas situações extremas,
parecem realmente dispostos a responder a uma agressão de
forma também violenta. Outro exemplo que reforça essa
conclusão é o caso envolvendo o senhor Daildo de Oliveira,
ocorrido em 23 de julho de 1968, quando era funcionário da
Companhia Elétrica do Estado de São Paulo, na subestação
da cidade de Bauru.
Ocupando o cargo de vigia, o trabalho de Oliveira começava
às 19h00 de um dia e acabava às 07h00 do dia seguinte.
Por volta da 01h00, depois de marcar o relógio de controle,
Oliveira resolveu dar uma volta ao redor da oficina e acabou por
perceber um vulto pouco visível, devido à precária
iluminação do local. Imediatamente, abaixou-se para
tentar observar melhor a sombra, sem que esta o visse. Naquele instante,
Oliveira percebeu um ligeiro ruído que parecia vir do lado
do escritório. Ao virar-se para aquela direção,
viu que havia outro “homem” numa das janelas, ao lado
da porta. Este foi melhor visualizado e Oliveira pôde reparar
que vestia calça e camisa compridas e escuras. Raciocinando
rapidamente, o vigia entrou na oficina e pegou uma peça de
ferro de pouco mais que meio metro e dirigiu-se para o vulto da
janela, que parecia estar de costas para ele, a fim de atingir-lhe.
Oliveira tomou o máximo de cuidado para não fazer
qualquer barulho que viesse acusar sua aproximação.
Quando estava a menos de um metro do invasor, Oliveira desferiu
dois violentíssimos golpes nele, que, para sua surpresa,
foram desviados com movimentos rápidos. Os golpes foram tão
violentos que o segundo acabou por acertar uma madeira ao lado,
que ficou marcada com o impacto. Oliveira então percebeu
que o vulto não estava de costas para ele, mas de frente.
Talvez a confusão se deu devido à iluminação
precária e o capuz que o ser usava. O vigia também
percebeu que não era um sujeito normal, pois ele pronunciou
uns grunhidos e agarrou o vigia. Começou então uma
violentíssima briga corpo-a-corpo entre os dois, que acabaram
rolando no chão. De repente, por uma das janelas do escritório
saiu a outra criatura correndo. Ela parecia ser absolutamente igual
a que estava no embate com Oliveira e entrou na briga para ajudar
o companheiro. Na época, o vigia era um rapaz novo e bem
forte e, mesmo em desvantagem, continuou lutando bravamente contra
os estranhos. Só que sua sorte iria mudar, pois logo apareceu
uma terceira criatura para intervir na briga – possivelmente
o primeiro que Oliveira tinha visto no barranco.
Este terceiro ser era diferente dos demais, pois não usava
capacete ou capuz e trajava uma vestimenta clara. Tinha cabelos
ruivos, cortados e de consistência mais dura do que o normal,
e seu rosto parecia de pele alva. Com sua chegada, a briga ficou
desequilibrada. A criatura pegou Oliveira pelos pés, arrancou-lhe
os sapatos, tirou sua capa de frio e a camisa, da qual saltaram-se
os botões, e, finalmente, acertou-lhe um golpe na perna esquerda
que fez com que perdesse parte de sua resistência. Não
satisfeitas, as criaturas levantaram Oliveira no ar e o socaram
no chão pelas costas, umas cinco ou seis vezes, minando ainda
mais sua força, até que não apresentasse mais
qualquer reação. As criaturas perceberam então
que Oliveira não ia nem tentar se levantar e, inusitadamente,
trataram de ajudá-lo, dando uns tapinhas nas costas. Nisso,
o ser de cabelo ruivo pronunciou algo que o vigia não conseguiu
entender, mas julgou ser mais ou menos algo como “...vá
para lá, vadio, que aqui voltamos ao término”.
Os outros dois seres permaneceram silenciosos.
E assim, Oliveira se afastou lentamente e com cautela, indo na direção
da escada e sempre olhando para trás, para se certificar
que as três criaturas não iriam tentar qualquer coisa
contra ele. Ele viu então um objeto que parecia uma Kombi,
porém com uma base de pelo menos 10 m. As criaturas entraram
naquilo, que alçou vôo lentamente, emitindo um ruído
estranho. O UFO foi levitando vagarosamente até chegar próximo
de um transformador de alta tensão, o que fez com que recuasse
um pouco. Finalmente, subiu um pouco mais, passou por cima da rede
elétrica e disparou. Somente nessa hora Oliveira chamou o
outro vigia que deveria estar no escritório administrativo,
Antonio. Os dois inspecionaram o local da luta e notaram que o cascalho
estava revirado e espalhado pela grama. Encontraram a camisa, os
botões que foram arrancados durante o confronto, a capa de
inverno e uma lanterna caída do bolso da calça de
Oliveira. O fato acabou sendo levado ao conhecimento do delegado
de polícia da cidade, doutor Oswaldo Sena, e dois dias depois
as autoridades examinaram o local.
Contingências alienígenas — O
caso é extremo, é verdade. Mas nem sempre situações
de confronto com ETs são marcadas por uma atitude agressora
inicial dos humanos. Na verdade, há muitos casos que realmente
parecem configurar uma investida hostil e gratuita pela inteligência
por trás dos UFOs. É importante entender que, uma
vez que não alcançadas as motivações
e as contingências das atividades dos extraterrestres, somos
obrigados a analisá-las simplesmente no contexto das ações
e conseqüências dos fatos. E isso torna qualquer exame
da questão superficial e passível de distorções.
Ainda assim, um exemplo de investida originada por ETs, sem que
seja uma reação, ocorreu no Forte Itaipú, em
São Vicente, litoral de São Paulo, na noite de 04
de novembro de 1957. Coincidência ou não, houve também
um blecaute na região naquela ocasião. Por volta de
02h00, duas sentinelas que cumpriam guarda no forte viram uma luz
com brilho muito intenso no céu. Eles não deram muita
atenção ao fato, pois pensaram tratar-se de uma estrela
qualquer que estaria apresentando um brilho intenso por algum fenômeno
astronômico.
De repente, para espanto dos militares, a “estrela”
aumentou de tamanho e perceberam que se tratava de um objeto descendo
em alta velocidade, diretamente sobre o quartel. A cerca de 300
m o objeto reduziu drasticamente sua velocidade, continuando a descida
na direção deles, porém bem lentamente e sem
emitir qualquer ruído. À esta altura, as sentinelas
já se encontravam apavoradas. O UFO era circular, tinha diâmetro
de uns 30 m e apresentava ao seu redor um brilho alaranjado. Subitamente,
o objeto parou e se posicionou entre as sentinelas, que ficaram
espantadas e sem reação. Apesar de estarem portando
sub-metralhadoras, não atiraram contra o artefato, pois estavam
paralisadas com a cena insólita e sequer pensaram em acionar
o alarme. De repente, o UFO começou a emitir um ruído
parecido com o som do gerador e uma luz intensa, acompanhada de
uma forte onda de calor, atingiu os dois soldados.
Os militares começaram a gritar desesperadamente com a dor.
Um deles, vencido pelo intenso calor, caiu de joelhos e desmaiou
em seguida. O outro se atirou embaixo de um canhão para se
proteger da luz intensa. Os gritos despertaram as tropas, mas antes
que qualquer soldado pudesse esboçar alguma reação,
todas as luzes do forte se apagaram. Apenas um calor moderado penetrou
seu interior, o suficiente para provocar pânico. Após
um minuto, aproximadamente, o calor cessou e as luzes se acenderam.
Alguns soldados saíram correndo para seus postos e ainda
puderam ver o UFO brilhante se afastando. As sentinelas atingidas
sofreram queimaduras e receberam tratamento médico. Diante
dos acontecimentos, o comandante do forte enviou uma mensagem urgente
para o quartel-general do Exército brasileiro e aviões
da Aeronáutica realizaram várias rondas na região,
sem detectarem quaisquer vestígios do agressor.
O caso foi abafado no Forte Itaipú, apesar de vários
civis e militares terem visto o UFO naquela noite. Na época,
as altas autoridades brasileiras pediram auxilio à embaixada
norte-americana em São Paulo para suas investigações.
Rapidamente, os Estados Unidos enviaram pesquisadores que auxiliaram
os oficiais do Exército na apuração dos fatos.
As sentinelas, apesar de estarem em estado grave, foram interrogadas.
Após ouvirem a descrição da ocorrência
com detalhes, os investigadores questionaram por que os soldados
teriam sido atacados, uma vez que não demonstraram o menor
sinal de hostilidade para com o objeto. A resposta continua uma
incógnita.
Graves queimaduras no mar — Incidentes em
que testemunhas sofrem queimaduras graves não são
incomuns. Na verdade, talvez o caso mais dramático ocorreu
no Maranhão, em 15 de abril de 1977. Na ocasião, os
irmãos Apolinário, Firmino e José Corrêa,
juntos do cunhado Aureliano Alves, seguiam viagem no barco Maria
Rosa para a Ilha dos Caranguejos, no litoral daquele Estado, para
extraírem vegetação existente nos mangues.
Depois de um longo dia de trabalho, os homens decidiram dormir no
barco ancorado às margens da ilha e deixaram a viagem de
retorno para a manhã seguinte. Corrêa, Firmino e Alves
dormiram no porão da embarcação, cuja porta
é feita por um pedaço de pano que impedia a entrada
de mosquitos. Apolinário dormiu na parte superior, mas foi
acordado por um grito, por volta das 05h00. Rapidamente, foi até
o porão e se deparou com uma cena triste: seu irmão
José estava morto com graves queimaduras no tórax
e no braço. Firmino e Aureliano estavam deitados, gemendo
e também com sinais de queimaduras. Estranho foi que não
existiam quaisquer vestígios de incêndio no porão
da embarcação. Apolinário foi novamente para
a parte superior, levantou âncora e tratou de levar o barco
para o porto de
Itaqui, em São Luís, onde chegou na tarde daquele
mesmo dia. Como Firmino aparentava estar em estado mais grave, semi-consciente,
foi primeiramente levado ao Pronto Socorro do Hospital de São
Luís. No barco permaneceram Aureliano deitado e o corpo de
Corrêa. Em seguida, Apolinário foi até o distrito
policial e relatou o incidente ao delegado de plantão, José
Argolo, e o comissário Venceslau Vasconcelos. Estes, juntos
do soldado Orlando, foram até a embarcação
para conferir o que havia acontecido. “Na embarcação,
vi o corpo do rapaz ferido e, ao lado, o do seu irmão. O
corpo do que veio a falecer apresentava uma espécie de queimadura
bastante grande, principalmente no braço. Outra abaixo do
braço tinha largado um pedaço enorme”,
declarou o comissário Venceslau em entrevista para o jornal
O Estado do Maranhão.
O oficial disse que nunca tinha visto queimadura daquela. “No
que estava ferido, podia-se notar que a queimadura dava a impressão
de ser provocada por um ferro em brasa, mas não era. Era
realmente estranha. Não vi indício de fogo ou incêndio
na embarcação”, finalizou. Aureliano Alves,
que estava apenas ferido, ainda podia falar, mas tinha um estranho
olhar e demonstrava estar aterrorizado. Conforme os laudos expedidos
pelo Instituto Médico Legal, foi definida como causa das
queimaduras o que os legistas chamaram de “eletricidade cósmica”,
o que gerou enorme polêmica. Com dificuldade, os sobreviventes
descreveram ter visto uma estranha luminosidade que havia penetrado
pela cortina do porão, naquela noite, e ali foi observado
um vulto enorme e estranho. Logo em seguida, todos perderam a consciência.
Está claro, portanto, que o incidente nada tem a ver com
fenômenos meteorológicos – e foi um dos primeiros
episódios que culminariam com o início do Fenômeno
Chupa-Chupa, na Amazônia.
Considerada uma das mais impressionantes ondas ufológicas
de nosso país, durante o Chupa-Chupa foram registrados centenas
de casos de objetos luminosos aéreos que atacavam ribeirinhos
no Pará, Maranhão e Amazonas, principalmente no segundo
semestre de 1977. Eles eram atingidos com potentes feixes de luz,
que as vítimas acreditavam que extraíam seu sangue.
Esses UFOs sobrevoavam principalmente pequenas comunidades litorâneas
e rurais, às margens dos rios amazônicos. A onda foi
de tal magnitude que o prefeito da localidade de Colares (PA), uma
ilha pertencente ao município de Vigia, no litoral, mandou
um ofício para a sede do I Comando Aéreo Regional
(COMAR), em Belém (PA), avisando que UFOs estavam apavorando
moradores e pescadores, comprometendo suas atividades. A população
local, muito assustada, passava as noites em claro com medo do fenômeno,
que era basicamente noturno. Como se sabe, já que foi amplamente
divulgado na REVISTA UFO, o chefe da Segunda Seção
do COMAR destacou o então capitão Uyrangê Hollanda
para comandar uma comissão oficial para investigar o fato,
conhecida como Operação Prato.
Cobaias humanas — Depois de várias
décadas de estudos e pesquisas do Fenômeno UFO, pouco
sabemos realmente. Desconhecemos completamente sua origem e sua
identidade material, e, principalmente, ignoramos gravemente as
intenções por trás de suas misteriosas atividades
em nosso planeta. Mas, mesmo nesse contexto pouco revelador, as
abduções alienígenas parecem ser o elemento
mais terrível de toda casuística ufológica.
Seres estranhos e desconhecidos invadem nosso meio ambiente, raptam
seres humanos anulando seu livre arbítrio e os submetem a
toda sorte de exames clínicos. Muitas vezes, ocasionando
dores e grandes desconfortos nas vítimas, os ETs realizam
seu trabalho demonstrando uma completa indiferença e frieza
diante de nosso sofrimento. Mas o aspecto mais chocante das abduções
se dá quando os seqüestrados retêm terríveis
seqüelas das experiências. Há inclusive registros
em que as conseqüências chegaram a ser letais. Um bom
exemplo é o Caso Barroso.
Alguns minutos depois das 05h00 de 03 de abril de 1976, na cidade
de Quixadá (CE), o comerciante Luiz Barroso Fernandes trafegava
com sua charrete da fazenda em que residia para a cidade, quando
ouviu um ruído que lembrava zumbido de abelhas. Barroso olhou
para os lados, mas nada viu e despreocupadamente continuou sua trajetória.
No entanto, o ruído aumentava de intensidade, parecendo vir
do alto, quando então o homem observou uma bola de luz passando
sobre sua cabeça. Intrigado, mas sem medo, puxou as rédeas
do animal e ficou observando o UFO que, diminuindo de velocidade,
desceu poucos metros à sua frente. A bola de luz apagou-se
e Barroso viu que se tratava de um objeto parecido com um Fusca,
do qual se abriu uma pequena porta. Por ela saíram dois seres
baixos de aspecto humano, um dos quais portando um equipamento que
parecia uma lanterna quadrada e escura. O ser direcionou esse aparelho
para Barroso e dele foi emitido um feixe de luz que atingiu seu
rosto. Barroso sentiu um forte calor e não conseguia se mover.
Logo em seguida, os seres se aproximaram mais dele e novamente o
atingiram com o raio de luz. O homem perdeu os sentidos e veio a
acordar algumas horas depois, num local que não era o mesmo
de quando aconteceu o incidente.
O fazendeiro estava meio dormente, com febre, tinha dificuldades
respiratórias, intensa dor de cabeça e o lado esquerdo
do corpo queimado, como se tivesse sido exposto ao Sol por um tempo
prolongado. Barroso não conseguia se locomover e pensou que
fosse morrer, mas para sua sorte um vaqueiro conhecido, que passava
pelo lugar, prestou-lhe auxílio. Ele relatou o insólito
incidente que tinha vivido e, em pouco tempo, a história
se espalhou tornando-o uma atração na cidade. A imprensa,
na época, fez uma ampla cobertura de seu caso, e assim o
Centro de Pesquisas Ufológicas (CPU), de Fortaleza (CE),
tomou conhecimento do incidente e passou a investigá-lo durante
17 anos.
No transcorrer da investigação, nos primeiros meses
após o caso, Barroso entrou numa espécie de regressão
mental inexplicável até parecer, segundo o doutor
Antônio Moreira Magalhães e mais 15 médicos
que o acompanharam durante esses anos, uma criança de não
mais que nove meses de idade. Nesse estágio, ele apenas pronunciava
três palavras – “Mamãe, dá medo”
– quando flashes de câmeras fotográficas ou luzes
de filmadoras eram acionados. Por mais inacreditável que
possa parecer, Barroso também começou a rejuvenescer
fisicamente: as rugas de seu rosto desapareceram e seu músculos
se enrijeceram. Infelizmente, em abril de 1993, acabou falecendo,
sem nunca ter voltado a levar uma vida normal. Sem dúvida,
a provável abdução que Barroso sofreu afetou
toda sua vida, comprometendo drasticamente sua saúde, e terminou
17 anos depois, de forma trágica.
Sórdido jogo extraterrestre — Além
do fraco argumento da não-influência de um fenômeno
que efetivamente interage com nossa civilização, para
muitos a falta de transparência e a ausência de um contato
aberto com as inteligências por trás dos UFOs podem
ser resultado de atitude proposital de seres superiores, que nos
observam com desprezo. Fazendo uma analogia grosseira, seria como
nossos cientistas, que estudam as formigas e outros insetos, mas
não se dignam a contatá-los. Essa idéia de
desprezo pelo ser humano e desinteresse por um contato direto conosco
pode estar ligada à nossa condição de seres
inferiores, como foi esboçada de forma bastante inquietante
pelo solitário navegador Donald Crowhurst, em 1969. Crowhurst
teria desaparecido misteriosamente no mar e, no diário de
bordo de seu barco, existiam redações insólitas
bastante sugestivas, que foram posteriormente publicados em jornais.
“As causas dos transtornos que sentimos se devem ao fato
de que os seres cósmicos se entregam a certas brincadeiras
com as pessoas. Gosto de jogos divertidos e estou totalmente de
acordo com o ponto de vista desses seres. Mas, ao mesmo tempo, sou
um homem e, quando reflito sobre os sofrimentos que suportamos por
causa do jogo de tais seres, sinto-me cheio de raiva deles”.
Crowhurst analisa que os seres cósmicos – ETs –
brincam com os seres humanos, mantendo suas reais atividades e objetivos
na mais completa revelia das reações da humanidade.
Realmente, nesse jogo, quem comanda as peças são os
extraterrestres, e como ditadores, nos manipulam – inclusive
conduzindo ações que são absolutamente desconcertantes.
Infelizmente, temos registros na casuística ufológica
que parecem reforçar, pelo menos em parte, as idéias
de Crowhurst. Um exemplo típico está num caso divulgado
pelo doutor Jacques Vallée, ocorrido em 20 de maio de 1950,
na planície de Loira, França. Vallée, em respeito
à testemunha, não publicou seu nome e nem o local
exato do incidente, mas transcreveu a narração do
caso com suas próprias palavras: “Voltava rapidamente
para minha casa, para preparar o jantar. Sentia-me feliz e contente
e cantava uma música popular. Tudo estava tranqüilo
e em silêncio, sem uma brisa. Encontrava-me sozinha. De repente
me achei completamente rodeada por uma luz brilhante e cegante,
e vi aparecer na minha frente duas grandes mãos pretas”.
Segundo a testemunha declarou ao ufólogo franco-americano,
cada uma daquelas mãos tinha cinco dedos. Eram escuras, mas
com leve tom amarelo, próximo do cobre. “Os dedos
eram de aspecto rude, vibravam levemente ou tremiam. Estas mãos
não apareceram por trás de mim, mas vinham do alto,
como se tivessem estado suspensas sobre minha cabeça, esperando
que chegasse o momento de agarrar-me. Essas mãos não
tinham braços visíveis. Ambas agarraram meu rosto
com violência e me apertaram a cabeça, como uma ave
de rapina faria com sua vítima. Puxaram minha cabeça
para trás até pô-la em contato com um algo tão
duro que parecia ferro”. A vítima sentiu então
um frio através de seu cabelo e pescoço, mas nenhum
contato perceptível com roupas foi feito. As mãos
eram tão frias que seu contato a fez pensar que não
eram de carne. Ela tinha os olhos cobertos pelos grandes dedos e
não podia ver nada. Também cobriram seu nariz, impedindo-a
de respirar, e a boca, impedindo-a de gritar.
Mãos frias e desumanas — A testemunha
confessou a Vallée que experimentou uma sensação
análoga a de uma descarga elétrica de grande intensidade
quando as misteriosas mãos lhe tocaram. “Elas acabaram
apertando meu pescoço, produzindo uma dor indescritível.
Sentia-me como um brinquedo quebrado entre as mãos não
humanas do meu agressor. Então, ele começou a me sacudir
para frente e para trás várias vezes, sem deixar de
apertar fortemente minha cabeça contra seu peito gelado.
Tive a impressão clara de que aquele ser levava uma armadura
de aço ou de qualquer outro material muito duro e frio”.
No meio de tão insólita experiência, a
vítima conta que o agressor desconhecido riu da situação.
“Um estranho riso, que no início parecia áspero
e surdo, mas depois ficou forte. Fez com que eu estremecesse e quase
me provocou dor física. Em poucos segundos o riso cessou”.
A mulher sentiu um forte golpe, como se um joelho metálico
tivesse atingido suas costas. Em seguida, foi arrastada a uma incrível
velocidade, sendo que as mãos continuavam a apertar sua cabeça
com bastante intensidade. Finalmente, o agressor a soltou.
Ser invisível — Mesmo assim, a testemunha
não conseguiu ver quem a atacou. “Os galhos da
vegetação ao redor se mexeram e vi como as plantas
e a grama se afundavam sob os passos de um ser invisível”.
Ainda se recuperando da traumática experiência, a testemunha
observou algumas árvores próximas balançando
com força e, subitamente, uma luz branca e bastante intensa
riscou o ar numa velocidade vertiginosa. Após muito esforço,
a mulher chegou na sede da guarda florestal, onde pode ser atendida.
Tinha arranhões por ter sido arrastada e profundas e largas
marcas vermelhas em seu rosto. Inacreditável? Talvez, mas
bem real para a testemunha! Tanto que nos vem à cabeça,
ainda, e com mais insistência, a mesma pergunta do início
desse texto: qual é a realidade por trás do Fenômeno
UFO? E mais: quando poderemos finalmente encontrar uma explicação
satisfatória para a presença alienígena? Não
sabemos, mas o fato é que, quanto mais nos aprofundamos na
pesquisa ufológica, mais desconcertante se mostra o fenômeno.
E nesse jogo, não somos nós que damos as cartas.
“O que mais impressiona nos encontros
com UFOs é que as testemunhas descrevem uma mudança
fundamental de suas idéias sobre um grande número
de questões. Por exemplo, as noções sobre
a vida e a morte”
— Jacques Vallée, autor e ufólogo |
REINALDO STABOLITO é ufólogo,
diretor do Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos
Espaciais (INFA ) [www.infa.com.br],
webmaster da lista de discussão ufológica Ufonewsbr
[www.ufonewsbr.com.br]
e consultor da REVISTA UFO. Seu endereço é: Avenida
Washington Luiz 490, Rudge Ramos, 09618-040 São Bernardo do
Campo (SP). E-mail: rstabolito@ufo.com.br. |