Os
círculos ingleses continuam intrigando a humanidade
O mistério
dos círculos, que já dura mais de duas décadas,
agora invade as telas dos cinemas e reacende discussão
sobre mensagens de seres alienígenas
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A. J. Gevaerd, editor
Mais uma vez Hollywood aponta suas garras em direção
ao Fenômeno UFO, que lota salas de cinema e rende milhões
de dólares à indústria do entretenimento. O
mundo inteiro assistiu, perplexo, ao lançamento do filme
Sinais, em setembro de 2002, que trouxe à tona o
mais belo e intrigante de todos os mistérios da Ufologia:
os círculos ingleses. Entretanto, o que há de real
nesses agroglifos e quais os avanços das pesquisas nos últimos
anos? Há quem garanta que o mistério está solucionado.
Mas, na verdade, parece que está apenas começando...
No começo dos anos 80, o mundo voltou sua atenção
para os tais círculos, imagens minuciosamente desenhadas
nas plantações inglesas. Inicialmente, os crop circles
eram apenas simples circunferências formadas com as plantas
amassadas, mas incrivelmente perfeitas. As primeiras formações
ocorreram há mais de 20 anos e foram aumentando numa proporção
e complexidade que deixa cientistas, pesquisadores e curiosos impressionados.
Nesse período, estima-se o surgimento de 12 mil figuras,
das quais 98% foram em solo inglês, mais precisamente no sudoeste
do país, próximo aos grandes sítios arqueológicos
de Stonehenge e Avebury. Os 2% de círculos restantes se espalham
por vários países da Europa, Austrália, Estados
Unidos e Canadá – mas todos esses são insignificantes
quando comparados com as formações em solo inglês.
Por isso o fenômeno é conhecido mundialmente como círculos
ingleses.
Aliás, essa expressão já não é
apropriada e continua a ser usada apenas por tradição.
As formações deixaram de ser apenas círculos
e se tornaram um emaranhado de objetos geométricos de inúmeros
formatos e tamanhos, dispostos de maneira inexplicavelmente organizada.
As imagens aparecem durante o verão europeu – de maio
a setembro – com auge nos meses de junho e julho, período
próximo à maturação dos cereais. Algumas
fazendas chegam a receber de 10 a 15 círculos por ano. Mas
o mecanismo de criação e os autores dos círculos
continuam desconhecidos. Milhares de estudiosos de todo o mundo
se reúnem anualmente para discutir o fenômeno e buscar
novas imagens. Quando as encontram – quase que diariamente
–, revistam os locais atingidos a procura de vestígios
que expliquem sua origem. É fato reconhecido até mesmo
pelos “circólogos” que pelo menos 30% das formações
achadas sejam fraudes. Mas estas são facilmente reconhecidas
pelos estudiosos, pois não apresentam as características
mais marcantes do fenômeno legítimo, como a simetria,
a perfeição e, principalmente, a grandiosidade. Se
há uma expressão que possa definir o resultado dos
círculos fabricados, a expressão seria tosca.
Tentativas de fraude — Os motivos que levam alguém
a fraudar um círculo são muitos. Porém, entre
as mais comuns está a tentativa de desmoralização
da Ufologia e o prêmio de um milhão de libras esterlinas
ou R$ 5,2 milhões [Na taxa cambial do dia 18 de setembro
deste ano] oferecido pelo governo britânico a quem solucione
o enigma. E não há como falar em fraude e não
mencionar os dois sexagenários que, segundo alguns meios
de comunicação, seriam os autores de tais figuras.
Mal Doug Bower e Dave Chorley assumiram a autoria de algumas toscas
formações na área de Alton Barnes, jornais
e revistas de todo o mundo publicaram a versão como definitiva
e puseram um ponto final no assunto. Mas os ufólogos sérios
permaneceram resolutos, e nem a descrença pública
os desanimava.
Embora, à época, os jornais não estivessem
mais trazendo matérias sobre a ligação dos
círculos com UFOs, muitos estudiosos ainda sustentavam tal
idéia, explicando que o fenômeno está relacionado
à visita de seres extraterrestres. As formações
autênticas são verdadeiras obras de arte. Nelas, ou
em sua proximidade, nunca são encontrados indícios
de como foram criadas ou por quem. Em alguns casos extremos, círculos
compostos por mais de 400 figuras numa extensão que vai além
de 300 m de comprimento linear ou cinco hectares de área
já foram encontrados sem que os estudiosos – incluindo
os do governo britânico – tivessem a menor idéia
de como foram feitos. Não há pegadas de pessoas ou
marcas de pneus de veículos, tampouco sinais de que as plantas
em seu interior tenham sido manipuladas por seres humanos. Simplesmente
surgiram. Não existem explicações.
Imprensa hostil — Apesar das gozações
e da imprensa hostil, os pesquisadores garantem que muitas perguntas
permanecem sem resposta. A história de Doug e Dave está
longe de ser suficiente para explicar suas características
mais curiosas, evidentes em cerca de 20% dos círculos nas
plantações. “Hoje existem equipes de fraudadores
de círculos muito mais gabaritadas e com recursos mais consideráveis
tentando o mesmo que os velhinhos, sem o menor sucesso”,
afirma o ufólogo paulista e consultor da Revista UFO Wallacy
Albino, que neste mês lança seu livro O Mistério
dos Círculos Ingleses, através da coleção
Biblioteca UFO. O problema está em repetir as anomalias que
acompanham os círculos, que são extraordinárias.
Entre elas, os caules das plantas são dobrados sem que se
partam ou rompam sua textura, o que seria impossível se alguém
pisasse nelas para criar os desenhos. Uma vez dobrados, ao se tentar
desdobrá-los, os caules se rompem.
As análises laboratoriais feitas com os vegetais indicam
alterações moleculares e biológicas notáveis
– por exemplo, as células das plantas se tornaram inchadas
e expandidas. Outras curiosidades envolvem o mistério. O
solo sob os círculos parece consideravelmente desidratado,
partido ou rachado, mesmo após fortes chuvas. Os níveis
de radiação dentro de um círculo chegam a ser
três vezes mais altos que o normal, mas duram pouco. Mesmo
que Doug, Dave e outros fraudadores mais sofisticados pudessem produzir
os efeitos descritos acima, jamais explicaram como os fizeram e
como tornaram os desenhos dos anos seguintes gradativamente mais
complexos. Numa entrevista, Doug não foi capaz de dar dados
técnicos quando pressionado. Um dos mais importantes pesquisadores
da área, Colin Andrews, perguntou a ele como poderia explicar
os milhares de desenhos registrados, já que ele afirmava
ser o autor de apenas 200. A pergunta o obrigou a corrigir sua afirmação
original, de que havia feito todas as formações desde
1976...
O fenômeno persiste incólume a todas as tentativas
que fazem de desacreditá-lo. Ora o governo britânico
entra na questão alegando ter respostas para o mistério,
sem jamais apresentá-las à população.
Ora os militares ingleses surgem com teorias descabidas que não
convencem. E assim, sobrevivendo a essas “explicações”,
os círculos ingleses vicejam a cada novo verão em
novos e belíssimos formatos, espantosamente desafiadores.
Isso acaba de se repetir há poucos meses. Uma dessas explicações
nasceu junto com os círculos, nos anos 80, quando o doutor
Terrence Meaden formulou a Teoria do Vórtice Plasmático,
acreditando que vórtices, até então desconhecidos,
se formavam acima do solo e desciam subitamente, como um raio, formando
os curiosos desenhos.
Sistemas estelares — Por mais satisfatória
que essa teoria parecesse na época, quando os círculos
ainda eram bem mais simples, ela rapidamente começou a perder
crédito. Hoje, nem ela nem muitas outras complicadas teses
são capazes de explicar os complexos pictogramas nas plantações.
O que se vê no sudoeste da Inglaterra são em geral
grupos de círculos unidos através de linhas e curvas,
trançados com triângulos, trapézios e arcos,
formando figuras que se assemelham a antigos símbolos religiosos,
mandalas, insetos, constelações e sistemas estelares.
Desses últimos há inúmeras representações.
O Sistema Solar está amplamente desenhado em muitos círculos,
às vezes com detalhes que estarrecem, como as órbitas
dos planetas e até a diferença de tamanho entre eles.
Há dois desenhos que chamam ainda mais atenção:
um mostra o Sistema Solar com todos os planetas, mas sem a Terra
na terceira órbita, e outro mostra o cinturão de asteróides
que separa Marte de Júpiter. Cientistas e autoridades se
espantam com os desenhos. “São evidentes mensagens,
mas o que significam?”, se questiona Albino, que promete
a resposta em seu livro.
E assim, após os improváveis vórtices plasmáticos
de Meaden, todos os tipos de proposições interessantes
vieram à tona para explicar – ou tentar explicar –
o mistério, desde energias telúricas da Terra até
experimentos militares com raios laser no espaço. Tudo foi
explorado como possível causa, sem efeito. Entretanto, em
janeiro deste ano, o jornal britânico Andover Advertiser publicou
uma nota informando que o Governo britânico impediu a rede
de televisão BBC de apresentar uma reportagem especial ao
vivo, organizada por Andrews. Isso chamou a atenção.
A nota foi ignorada pela mídia, mas a revista UFO Magazine
[www.ufomag.co.uk]
veiculou a história.
Em 1990, Andrews dirigia a Operação Pássaro
Preto, um projeto de alta tecnologia desenvolvido nos campos
em Wiltshire, onde há grande incidência de formações.
O plano envolvia a tentativa de registrar a formação
de um círculo em um terreno pertencente ao Ministério
da Defesa (MoD). O pesquisador afirma que inúmeras câmeras
especiais de imagem termal filmaram cada movimento que ocorria sobre
a plantação durante 10 dias ininterruptos. Muitos
eventos estranhos foram registrados. Contudo, à medida que
os acontecimentos se desenrolavam, o MoD baixava resoluções
que estabeleciam censura aos fatos, mas de uma forma raramente aplicada
antes. O Ministério chegou a ordenar à BBC que interrompesse
imediatamente as transmissões ao vivo da operação.
É essa revelação que agora, embora tardiamente,
Andrews pretendia fazer ao mundo. Se não tivesse sido impedido,
mostraria que o governo britânico já tem muitas respostas
para o mistério há anos, mas não está
disposto a revelá-las.
“A ordem proibitiva permaneceu em vigor por várias
horas, durante as transmissões ao vivo, quando os eventos
inexplicáveis aconteceram”, garante o estudioso,
tendo nas mãos a foto de um objeto brilhante que atravessou
o campo, exatamente acima de um círculo, e foi flagrado produzindo
seus detalhes. Ou seja: já desde a referida operação
há a comprovação de uma conexão entre
UFOs e o mistério. “É evidente que o governo
britânico jamais deixaria de dedicar extrema atenção
aos fatos que acontecem no país”, declarou a este
autor o funcionário do MoD Nick Pope. “Mas se essas
informações vão um dia ser liberadas, essa
é outra questão”, finalizou. Pope sabe
o que diz, pois trabalha no escritório do citado Ministério
que se incumbe de analisar registros de UFOs por pilotos e autoridades
britânicas.
Enfim, o que os ufólogos sabem é que, desde o início
de 1990, o governo conservador, ainda sob a liderança da
primeira ministra Margaret Thatcher, tentava a todo custo inviabilizar
reportagens ao vivo das formações. Ainda assim, nada,
absolutamente nada, impediu que os círculos continuassem
a surgir. E com duas características alarmantes para o atual
governo de Tony Blair: primeiro, a cada ano o número de formações
aumenta e, segundo, elas são cada vez mais completas. Neste
ano, por exemplo, inúmeros pictogramas apareceram a menos
de 300 m de áreas residenciais populosas. Em determinados
casos, os desenhos estavam próximos de áreas de segurança
máxima do próprio Ministério de Defesa. Parece
uma afronta.
Andrews afirma também que, na segunda manhã da operação,
após ter declarado como verdadeira uma formação
e, posteriormente, com uma investigação mais apurada,
descobrir que era uma farsa, ele e seu colega pesquisador Pat Delgado
foram massacrados pela mesma equipe da BBC com quem dividiam as
operações. “Os repórteres agiram
com a premeditada intenção de nos ridicularizar, talvez
tentando assim minimizar a importância da operação
ou dos círculos em si”, afirma. A idéia
faz sentido, uma vez que o estilo que impera nas políticas
de acobertamento governamentais segue esse ritual. Andy Thomas,
em seu livro Vital Signs, ainda não lançado no Brasil,
afirma outra coisa que faz bastante sentido. “Com o furor
do público sobre o fenômeno e todas as suas implicações
cósmicas, talvez as autoridades viram que a situação
estava ficando fora de controle”.
Em outras palavras, a continuidade do mistério manteria o
governo seguro, desde que não fosse esclarecido. Não
é exatamente o mesmo que se faz com o Fenômeno UFO?
Mas os ufólogos e estudiosos dos círculos não
querem deixar o assunto quieto. Pelo contrário, realizam
eventos, fazem suas publicações, lançam livros
e articulam movimentos para estabelecer o maior nível possível
de divulgação ao assunto. E em sua pauta está
sempre referir-se aos círculos como tendo origem ligada,
direta ou indiretamente, a extraterrestres e a elevação
da consciência humana. Para muitos, a manifestação
das formações são mensagens que “alguém”
estaria nos passando, lenta e gradativamente, usando como inusitado
meio as plantações inglesas. Três coisas são
certas: (a) esmagadora maioria das formações é
genuína; (b) Quem quer que as esteja produzindo é
dotado de avançados recursos e meios para realizar os desenhos;
(c) O autor desses sinais está insistentemente tentando chamar
nossa atenção. O filme Sinais mostra isso claramente.
Desafio contínuo — E assim, ainda
em 2002, as singulares características do fenômeno
continuavam a desafiar as autoridades e as leis científicas
consagradas. Nem o ex-primeiro ministro John Major escapou ao furor.
Em um dos casos mais notáveis, uma formação
apareceu numa plantação em sua própria casa
de campo, uma área cercada por medidas de segurança
intensas. A porção da mídia que não
se deixa intimidar pelo governo aproveitou o fato e tratou abertamente
dos círculos. Um jornal londrino mais irônico publicou
a manchete “Agora, explique isto”. Os técnicos
do governo, a pedido de Major, bem que tentaram, explicando que
o círculo em seu sítio era resultante das condições
de empobrecimento do solo... Noutra ocasião célebre,
um entusiasmado turista norte-americano fez sua própria formação
numa plantação nos arredores de Avebury, soletrando
no trigo a expressão “Talk to us” [Falem
conosco]. Dias depois veio a resposta à sua mensagem, desenhada
em hebraico numa vasta área da mesma plantação.
Era um símbolo de paz judeu, desta vez legítimo.
A hipótese da origem extraterrestre, defendida por pesquisadores
e ufólogos, ganha maior substância quando se analisam
os detalhes das figuras. Não somente por seus aspectos gráficos,
que demonstram desenhos com elevadíssima complexidade, mas
as alterações biológicas e moleculares das
plantas. Mas a comunidade ufológica internacional trabalha
com várias teorias atualmente. A mais popular é a
de que os povos que habitaram o sudoeste da Inglaterra – druidas,
celtas e vikings –, e que há séculos ou milênios
construíram monumentos megalíticos circulares como
Stonehenge e os círculos de Avebury, se relacionavam com
seres alienígenas que os visitavam naquela época.
Estes, agora voltando ao planeta, se é que um dia foram embora,
acharam como melhor meio de mostrarem sua existência repetir
monumentos circulares, desta vez mais complexos e feitos nas plantações.
O fato está amparado na estatística de que 90% das
formações surgem sobre áreas de sítios
arqueológicos, ainda que enterrados.
Há pelo menos um ponto em comum nas pesquisas conduzidas
por estudiosos de todo o mundo: os círculos possuem um componente
não terrestre, e definitivamente não são construídos
pela inteligência humana. Mas para os ufólogos, o problema
não é apenas achar uma explicação plausível,
mas entender o que está sendo dito através das mensagens.
Ao que parece, “eles” falam conosco em alto e bom tom.
Nós que não sabemos interpretar suas mensagens.
| Sinais
servem como espetáculo |
A.
J. Gevaerd, editor
Imprensa mundial finalmente acordou para o fenômeno
dos círculos ingleses graças a Hollywood. O
filme Sinais, dirigido pelo indiano M. Night Shyamalan e estrelado
por Mel Gibson, tem o mérito de levar a milhões
de pessoas em todo o mundo a realidade dessas misteriosas
figuras. Jornais e revistas de grande porte fizeram uma razoável
cobertura da película, que atingiu gigantesca vendagem
nos EUA com apenas algumas semanas de exibição.
No Brasil, até a revista Veja, tradicionalmente refratária
ao tema e a assuntos insólitos em geral, categoria
em que enquadra a Ufologia, dedicou bastante espaço
para comentar o filme. Isso é curioso, pois foi essa
publicação que há quase uma década
deu por encerrado o assunto dos círculos com a história
dos sexagenários Dave e Doug, que assumiram a autoria
de alguns desenhos toscos e mal feitos.
Embora a mídia tenha feito um excelente trabalho ao
divulgar o filme, deixou a desejar no que se refere ao fenômeno
dos círculos em si, que é extremamente mais
importante do que o filme que inspira. Neste aspecto, nossos
jornais e revistas falharam, como se o tema fosse uma curiosidade
suficiente apenas para gerar o roteiro de uma atração
de Hollywood, nada mais. O filme é bem feito, como
era de se esperar do caprichoso Shyamalan, que já dirigiu
suspenses como Corpo Fechado e Sexto Sentido. Mas não
corresponde à expectativa gerada nos espectadores enquanto,
meses antes, assistiam aos traillers que o anunciava. Neles
se passava a idéia de que ficaria claro, quando o filme
estivesse em cartaz, que os sinais nas plantações
inglesas representavam a chegada definitiva de ETs.
Superficialidade — Sinais passou longe
disso, mostrando um filme que abordou a questão dos
círculos de maneira que beira o superficial –
embora, para padrões cinematográficos, um superficial
de tirar o fôlego quando se refere aos efeitos especiais.
E contém algumas incorreções, especialmente
quando apresenta dados sobre os círculos que diferem
da realidade. Perdeu-se a chance de se buscar um resultado
semelhante ao que Contatos Imediatos do Terceiro Grau teve
com platéias do mundo inteiro em 1977, quando deu ao
Fenômeno UFO maior notoriedade. A população
mundial passou a ter mais certeza de que o assunto dos discos
voadores era sério após o filme, mas talvez
não tenha igual certeza sobre os círculos após
Sinais. E olhe que a pretensão de Shyamalan era a de
reproduzir o feito de Contatos Imediatos, que garante ser
seu agente inspirador. Ponto para Spielberg, cuja obra dificilmente
será igualada.
Mesmo não convencendo estudiosos do tema, por sua superficialidade,
Sinais desperta a população para a existência
dos círculos ingleses, que já se manifestam
há mais de duas décadas e somam mais de 12 mil
formações até hoje. O fenômeno
é um dos mais importantes e espetaculares existentes
na atualidade. Embora intensamente pesquisado, ainda merece
maior atenção da Imprensa, que apenas eventualmente
veicula informações sobre o assunto. Quando
a mídia voltar a tratar do tema, espera-se que não
seja apenas para comentar um novo espetáculo sobre
os círculos, mas, sim, suas implicações
para a Humanidade.
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| As
incríveis ocorrências do último verão
|
Equipe
UFO
Acabou o verão europeu, e com ele a mais fantástica
e variada manifestação dos círculos ingleses.
2002 foi, com certeza, um dos melhores anos para os pesquisadores
do fenômeno. Mais do que nunca, era chegado o momento
de se descartar as teorias sobre o uso de tábuas e
cordas, vórtices de plasma, forças geomagnéticas
etc para explicar seu surgimento. Todas essas hipóteses
já foram apresentadas ou usadas para obscurecer o que
é óbvio para os ufólogos, que a maioria
das formações nos campos ingleses são
obras de inteligências extraterrestres. Basta que se
veja a abundância dos novos círculos. Embora
a declaração possa parecer pretensiosa, vale
ressaltar que dela foi descontada a porcentagem de figuras
que cabe aos fraudadores. Entretanto, a melhor forma de embasar
uma afirmação como essa é através
do uso de evidências.
A formação de Pewsey, próxima a White
Horse, em Wiltshire, é prova disso. Ela foi encontrada
em 17 de junho pelo estudioso Charles Mallett, e é
uma imagem complexa de um caracol com mais de 30 objetos.
Seu diâmetro chega a 60 m e a figura é considerada
uma das mais bonitas desse ano. Outra formação
pictográfica que deve ser citada apareceu no dia 04
de junho, próximo ao conjunto megalítico de
Stonehenge. A enorme figura, semelhante a uma rosa de seis
pétalas em espiral, mede aproximadamente 200 m de diâmetro
– uma das maiores de 2002 [Apresentada na página
13 dessa edição]. Ainda em North Farm, também
em Witshire, em 23 de junho, o circólogo Stuart Dike
descobriu um curioso e enorme objeto em espiral, com cerca
de 80 m de diâmetro.
Como se vê, os autores dos círculos foram generosos
nesse verão. Além das inúmeras formações,
temos agora a mais surpreendente de todas, que ficou conhecida
como Scary Alien Formation [Formação assustadora],
um imenso rosto semelhante ao de um extraterrestre ao lado
de um círculo, achado em Crabwood Farm House, Hampshire,
em 15 de agosto. Se legítimo, será o mais impressionante
círculo da história do fenômeno. A figura
retrata um rosto e uma placa de código binário
formada por discretos montículos de trigo em pé,
contra um segundo plano de caules achatados. É um efeito
parecido com a imagem matricial na tela de um computador.
Essa aparência, decifrada pelo pesquisador Paul Vigay,
representa um golpe fatal contra as teorias sobre fenômenos
naturais ou ação humana como responsáveis
pelos círculos. Segundo alguns pesquisadores, essa
imagem é uma resposta direta à mensagem enviada
pelo programa Busca por Inteligência Extraterrestre
(SETI) ao espaço. Sua autenticidade ainda está
sendo questionada, é verdade, mas não por muito
tempo.
Rosto extraterrestre — A formação
pode ser resumida como a face de um alienígena ao lado
de um disco codificado. Quando essa imagem correu o mundo,
a comunidade ufológica desconfiou de imediato que não
se tratava apenas de mais um desenho, mas que existia algo
de muito concreto nesse recado. “Se fosse uma farsa,
os fraudadores teriam que ser muito competentes em realizar
um círculo que deixa os sentimentos de excitação
e confusão misturados”, afirma o pesquisador
britânico Julian Gibsone, um dos primeiros a chegar
ao local e grande conhecedor do assunto. Gibsone garante que
não encontrou nenhuma evidência de presenças
anteriores à dele. A partir das análises do
local, os estudiosos concluíram que é improvável
que este círculo se trate de uma falsificação,
pois há inúmeras evidências contrárias.
Uma delas é que, conforme andavam dentro da figura,
as plantas, já secas, se quebravam e não havia
nenhum indício de pegadas ou sinais humanos.
Como se vê, a cada ano os desenhos parecem mais específicos,
como se fossem capítulos de um livro. Houve o período
das circunferências, dos insetos, das figuras planetárias
e agora vivemos o período das mensagens codificadas.
Se realmente agirem como um livro, o capítulo do contato
não deve estar longe.
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ALDO NOVAK é jornalista, editor do Relatório
Alfa [www.relatorioalfa.com.br]
e consultor de UFO. Seu endereço é: Caixa Postal 371,
Macedo, 07190-970 Guarulhos (SP). E-mail: aldonovak@relatorioalfa.com.br
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