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Ashtar, Um Alien de
Olho nos Terrestres


Rogério Chola

Finalmente chegamos ao novo milênio, quando se pensava que o mundo iria terminar de maneira trágica e rápida, os extraterrestres iriam fazer contato e o ser humano teria colônias na Lua e em Marte. Mas para a (in) felicidade de muitos, ainda estamos aqui e o Fenômeno UFO continua sendo um assunto esquivo, melindroso e traiçoeiro. Porém, fascinante e cativante. Nunca deixo de citar as palavras do astrofísico e ufólogo Jacques Vallée, quando diz que a fenomenologia ufológica nega a si mesmo, atuando como um mágico que apresenta um número de magia que parece violar profundamente a realidade. Com o tempo, num gesto de condescendência, o mágico explica como realizar o truque e, assim, o observador compra o material certo para reproduzir a ação. Mas quando descobre que não consegue fazê-lo, conclui que foi enganado duas vezes: pelo truque e pela explicação do mágico. Assim também seria com os UFOs e seus supostos tripulantes, pois o fenômeno deixa indícios e evidências. Mas essas podem ser tão sabiamente desorientadoras que a primeira tentação do pesquisador é deixá-las para trás – o que é uma decisão perigosa. O objetivo deste texto é abordar um tema espinhoso com profundidade. Vamos falar de Ashtar Sheran, suposto extraterrestre que tem se apresentado para algumas pessoas e proliferado informações das mais diversas, que teriam a ver com a situação da humanidade.

Sobre o assunto UFO, os permanentes inimigos do tema costumam dizer que tal discussão é inútil, pois não existiria lógica alguma acreditar em seres extraterrestres que visitam a Terra, em viagens interplanetárias que envolvem distâncias de milhares de anos-luz e no formato pouco aerodinâmico das naves. Argumentam que é um absurdo conceber que uma civilização extraterrestre pudesse ter conosco algo em comum, além da improvável ocorrência de formas de vida orgânicas e inteligentes similares às nossas, espalhadas pelo infinito universo. Mas lembremos que há pouco tempo não existia lógica em encontrar no cosmos indícios de outros planetas similares a Júpiter ou a Terra, ou mesmo outros sistemas solares. E hoje, já acumulamos registros de uma centena de planetas extra-solares, alguns até com excelentes probabilidades de possuir condições de vida em seus arredores. Atualmente, se fala não em um universo ou uma realidade tridimensional e, sim, em multiversos, dimensões paralelas, realidade ampliada e vida pluridimensional. Então, o que limita a ignorância dos seres humanos é a base sólida e infalível que os apóia, chamada de tecnologia. Vejam que, com exceção dos instrumentos óticos que apenas observam um passado distante de pedaços do universo, todas as imagens que temos lá “de fora” são baseadas em circuitos digitais que interpretam a radiação eletromagnética que captam, assim transformada em números binários que são retransmitidos à Terra e, aqui, reinterpretados por novos circuitos digitais. Afinal, então, o que seria verdadeiramente a realidade?

O já falecido astrônomo Carl Sagan, autor da série Cosmos, que popularizou a exobiologia, jamais deixou de falar publicamente sobre a possibilidade de vida em outros planetas, utilizando-se da famosa Equação de Drake como base de seu discurso. A equação foi desenvolvida pelo astrofísico Frank Drake, em 1961, como uma maneira de identificar quais os fatores que determinam quantas civilizações inteligentes e em processo de comunicação existiriam em nossa galáxia. Numa de suas falas históricas, Sagan declarou que “uma das grandes virtudes desta equação é que envolve aspectos que vão da astronomia planetária e estelar à química orgânica, biologia evolucionária, história, política e psicologia. Muito do Cosmos está contido nela. E considerando-se tal equação, suas principais incertezas se resumem em economia e política, e ao que na Terra chamamos de natureza humana. É claro que, se a autodestruição não é destino preponderante e irresistível das civilizações galácticas, então o céu sussurra gentilmente com mensagens das estrelas”.

Paradoxo Ilógico — Porém, quando Sagan era questionado com relação à visita de extraterrestres provenientes de alguns desses planetas, ele soltava um sorriso forçado e, utilizando-se do chamado Paradoxo de Fermi, dizia categoricamente que visitas de seres extraterrestres não podiam acontecer, pois era algo totalmente ilógico... Diante dos fatos, Sagan estava absolutamente correto, assim como estão todos os que apontam a concepção ilógica da realidade extraterrestre. Mas a questão é muito mais profunda e complexa do que gostariam os amantes da chamada Navalha de Occam – um princípio de parcimônia que é a base do pensamento científico moderno. Tal postulado, nomeado pelo filósofo William Ockham, diz que, dada uma escolha entre duas ou mais explicações viáveis para algum fenômeno, a navalha corta as mais complexas a favor das mais simples. Mas o erro que este tipo de pensamento pode gerar é se tornar um padrão ou, como denomino, uma “paralisia de paradigma”. Isso ocorre quando se é levado a concluir que sempre a explicação mais simples é a correta.

O importante para qualquer pesquisador, cientista ou pessoa é saber que para se conhecer a verdade é necessário ter em mente três regras: o que sabemos, o que achamos que sabemos e o que queremos provar! Afinal, desde quando o universo se comporta estritamente sob padrões lógicos e simples? A teoria quântica e a relatividade geral travam uma guerra fria há mais de 50 anos, tentando encontrar uma fórmula mágica que permita as duas existirem em conjunto. O telescópio espacial Hubble, ainda míope em 1994, já colocava por terra toda as estruturas de pensamento e simulação logicamente arquitetadas. Cada foto mostrava a realidade que, ora confirmava antigas teorias, ora atirava outras no lixo. Vivemos em um momento ímpar, em que a quantidade de informações científicas que surgem a cada segundo é inversamente proporcional à nossa limitada capacidade de lê-las, interpretá-las e – muito menos – compreendê-las. Aliás, como dizia Albert Einstein: “A coisa mais difícil de compreender é por que conseguimos compreender alguma coisa”.

Conhecendo-se estes fatos, onde está a lógica em classificar algo no universo como definitivo? A história nos lembra que já foi lógico admitir a Terra como plana e depois, aceitá-la como o centro do Sistema Solar, com o Sol orbitando ao seu redor. No entanto, os fatos mostraram que, por enquanto, é lógico assumir que a Terra não passa de um pedaço de rocha alocada na periferia de um braço de uma galáxia que julgamos importante e hoje sabemos que é a Via Láctea. Onde estamos ancorados, por enquanto, é apenas mais uma entre as mais de 400 bilhões de ilhas perdidas num oceano de caos e do ilusório nada. Durante muito tempo, a antiga idéia do éter foi combatida e, a palavra, tirada de todos os livros científicos. No entanto, o éter retornou à física – e está bem ativo. A história tem nos mostrado que conceitos rígidos e estáticos existiram até Isaac Newton. Depois de Einstein, Bohr, Heisenberg, Kaku, Hawking e tantos outros, o conceito do que era lógico mudou e muito.

Universo Quântico — O universo quântico nos mostra a cada dia como temos de ser flexíveis, humildes e ter uma base comum frente ao que ele nos apresenta. E, definitivamente, parece não existir lógica na Ufologia – porém, existem fatos! O problema é que os céticos e detratores do tema ainda não conseguiram discernir entre as teorias existentes sobre os UFOs e o fenômeno propriamente dito. Assim, a confusão é imensa e causada, principalmente, pela troca da interpretação dada a um fenômeno em particular pelo fenômeno em si, ou seja, que os UFOs representam homenzinhos verdes que viajam pelo espaço. O objetivo da Ufologia é estudar o fenômeno dos UFOs e não eles propriamente ditos.

Hoje o estudo está muito mais maduro e está claro que não se pode mais abraçar por inteiro as teorias de Erich von Däniken, autor do clássico Eram os Deuses Astronautas?, que via nas visitas extraterrestres as respostas para tudo. Däniken cometeu, talvez, os mesmos erros que seus críticos, ao partir de uma teoria e cegar-se às evidências de outras possibilidades. Um outro exemplo clássico disso é sobre a postura do físico britânico William Kelvin, que não aceitava os fatos e evidências simplesmente porque ainda eram desconhecidos. Certa vez, um geólogo entregou a Kelvin alguns fósseis, dizendo que teriam cerca de 300 milhões de anos e isso provaria que o Sol já brilhava naquele tempo, o que ainda não era plenamente aceito (de outra forma, os fósseis não existiriam). Kelvin refutou energicamente a hipótese, insistindo que o astro não teria toda aquela idade. Ele não sabia que o Sol é uma imensa usina termonuclear, pois o núcleo do átomo somente foi descoberto em 1910 e o conceito era totalmente desconhecido em sua época. Como cientista, ele deveria ter pensado melhor e dito simplesmente que estava defronte a algo que desconhecia. A pergunta adequada ao momento seria: quem sabe se estes fósseis não estão nos dizendo algo que desconhecemos? Não se podem descartar fatos somente porque não se enquadram no conhecimento vigente. Assim também deve ser com a Ufologia, que ainda não possui meios de resolver todos os enigmas do complexo Fenômeno UFO – mas deve continuar a estudar suas nuances, pois somente assim fará progressos.

Ashtar Sheran, no idioma sânscrito, significa “o sol que mais brilha”. Acreditava-se que a primeira menção a ele teria sido feita em 1958 pelo médium alemão Herbert Victor Speer, líder de um movimento em Berlim conhecido por Movimento dos Irmãos Espaciais. Speer o teria feito através da obra psicografada A Grande Missão Celeste de Ashtar Sheran, onde consta que ele seria comandante-em-chefe ou comandante-chefe da Frota Extraplanetária da Confederação Intergaláctica da Grande Fraternidade Branca Universal. Mas uma pesquisa mais atenta mostra que menções a Ashtar foram feitas alguns anos antes pelo suposto contatado norte-americano George van Tassel, que era piloto de testes da empresa Howard Hughes Aircraft e inspetor de aeronaves da Lockheed Martin, uma das maiores do mundo no ramo da tecnologia aeroespacial.

Contato Psíquico — Tassel morava no sul da Califórnia e, já aposentado, começou a fazer canalizações e a difundir o chamado contato psíquico com supostas entidades de origem alienígena. A canalização é um fenômeno estudado pela parapsicologia e está enquadrado na categoria dos fenômenos theta ou, mais tecnicamente, psi-theta. Ocorreria quando alguma forma de manifestação externa ou entidades espirituais utilizam um médium como veículo de comunicação com o mundo material. O sensitivo ocuparia o papel de intermediário numa conexão entre duas realidades, podendo ocorrer de forma consciente e voluntária, como inconsciente e involuntária.

Em 1952, Tassel publicou seu primeiro livro I Rode a Flying Saucer [Viajei num Disco Voador]. Baseado praticamente em suas comunicações psíquicas, Tassel escreveu que o comandante Ashtar anunciava sua presença e chegada oficial à Terra em 18 de julho de 1952. Segundo as descrições do contatado, Ashtar seria um extraterrestre de nível etéreo, ou seja, de consistência em forma de energia, devido à sua escala vibratória superior. Também é descrito que teria aspecto andrógeno, com estatura entre 1,90 e 2,20 m, cabelos longos e loiro claro ou branco azulado. Sua roupa seria formada por uma espécie de macacão com botas de aspecto dourado. No peito, ostentaria um símbolo formado por sete estrelas e, na cintura, uma espécie de cinto com uma pedra ou objeto em alto-relevo à mostra. Na verdade, as descrições atribuídas a ele são várias, já que sua forma, aparentemente física, variaria de acordo com a galáxia ou planeta em que estivesse atuando. Apresenta-se dizendo estar a serviço de Sanada, que seria o Jesus Cristo dos cristãos, já que para os judeus não existe um Cristo – somente uma pessoa conhecida por Ieshu ou Jesus. O termo Cristo é criação do polêmico apóstolo Paulo ou Saulo de Tarso.

Síndrome do Contatado — Ashtar Sheran seria representante de civilizações extraplanetárias, supostamente formadas por inúmeras formas de vida de diferentes culturas e com as mais variadas aparências. Fontes garantem que ele decidiu atuar na Terra a partir do momento em que seus habitantes começaram a fazer testes com artefatos atômicos e termonucleares. Ashtar enviaria mensagens aos terráqueos para que tomassem consciência de suas ações e, também, orientaria e ajudaria durante os períodos de transição da Terra para uma dimensão superior. Em sua missão, Ashtar resgataria os seres humanos que estivessem preparados ou em perigo, para serem novamente recolocados no planeta após um inevitável cataclismo que estaria se aproximando.

Tassel acreditava que ele procedia de Vênus, embora em algumas passagens e comunicações existe a menção de que Ashtar viria mesmo de um planeta de nome Metharia, que orbitaria o sistema trinário de Alfa do Centauro, onde, esotericamente, existiria um tipo de forma de vida de natureza dimensional e distinta da humana. Em 1954, sob orientação das entidades que o contatavam, Tassel promoveu um evento no Deserto de Mojave, Califórnia, num local denominado Giant Rock. Ali, reuniu milhares de simpatizantes, místicos, curiosos, contatados, agentes do FBI e fanáticos pelo tema. Em 1956, chegou a publicar outro livro, Into this World and Out Again [Dentro Deste Mundo e Fora Dele Novamente], onde forneceu mais informações canalizadas sobre vários aspectos filosóficos do mundo. Como a maioria das pessoas que alegam ter contatos constantes com ETs, Tassel parecia ter sofrido da chamada síndrome do contatado. Este é um distúrbio psicossocial evidenciado pela abrupta mudança do modo de vida de alguns contatados e abduzidos que, eventualmente, se transformam em celebridades.

Tassel passou a se dedicar à criação de movimentos cósmicos e ao desenvolvimento de aparelhos e instrumentos que teriam a finalidade de ampliar as capacidades mentais e adormecidas dos seres humanos. Infelizmente, esta invenção jamais chegou a ser finalizada e Tassel faleceu em 09 de fevereiro de 1978. Mas as investidas de Ashtar Sheran não terminaram por aí. Existe muita similaridade entre os contatos dele e os de George Adamski, polonês que foi para os Estados Unidos em 1893 e dizia ter encontros com seres de Vênus, Marte e Saturno. Algumas descrições de Ashtar ditas por Tassel assemelham-se aos seres delineados por Adamski, que curiosamente também morava na Califórnia e teria tido algumas experiências em 1946. Após seu famoso contato de 1953, em Monte Palomar, Adamski passou a divulgar uma filosofia messiânica e cósmica, baseada no que os seres teriam lhe transmitido. Fundou uma organização denominada Programa de Familiarização Internacional (IGAP) e um outro culto denominado Ordem Real do Tibete. Adamski escreveu três livros sobre suas aventuras: Flying Saucers Have Landed [Os Discos Voadores Aterrissaram, de 1953], Inside the Space Ships [Dentro das Naves Espaciais, de 1955] e Flying Saucers Farewell [A Despedida dos Discos Voadores, de 1961]. Ele faleceu em 26 de fevereiro de 1965.

Em 1955, George King, outro contatado norte-americano, fundou a Sociedade Aetherius, também baseada em informações transmitidas por supostos alienígenas – entre eles, Ashtar Sheran. King faleceu em 1997. Vale observar que, coincidência ou não, foi logo após a produção do clássico filme O Dia em que a Terra Parou, em 1951, que a chamada “era do contatismo” iniciou-se de forma pública e evidente. Ela preconizava que seres de aspecto humanóide e com mensagens de alerta para a humanidade estariam se aproximando de nosso planeta para ajudar seus habitantes. Antes disso, um filme francês produzido em 1902 por George Mélies, chamado Voyage Dans la Lune [A Viagem à Lua] deve ter sido o primeiro a falar de encontros entre seres humanos e extraterrestres.

Arcanjo Miguel — Outra contatada a receber autorização de Ashtar Sheran para ser sua biógrafa oficial foi Thelma Terrel, falecida em 1993. Conhecida nos meios esotéricos e místicos como Tuella, Thelma dizia ter pertencido à frota de espaçonaves do comandante numa existência passada. Como muitos outros, alegava ter origem extraterrestre, acreditando ser uma entrante ou walkin. Um de seus livros, Ashtar, Brotherhood of Light [Ashtar, Irmandade de Luz], totalmente canalizado, descreve o ser como comandante de uma colossal astronave que está próxima à atmosfera da Terra. Tuella alega que, na história do planeta, Ashtar seria conhecido como Arcanjo Michael ou Miguel, citado na Bíblia e a serviço do “governo do grande sol central” desta galáxia. É importante destacar que toda comunicação mental está sujeita a inúmeras interferências advindas de paradigmas, formação moral e cultural da pessoa que diz receber a mensagem. Sendo assim, é possível que os nomes dos supostos extraterrestres possam estar sendo interpretados de forma errada e, contato após contato, a confusão se perpetua.

Segundo alguns seguidores, o melhor canal de Ashtar Sheran seria o alemão Hermann Ilg Reutlingen, que faleceu em 1999, aos 80 anos. Ele acreditava estar em contato com os santinians, seres que viviam num mundo de onde Ashtar seria originário, que teriam lhe dito que habitavam o terceiro mundo em órbita de Alfa Centauro A, o planeta Metharia. De acordo com o próprio Ashtar, na visão de Reutlingen, seu planeta teria um clima equilibrado, além da fauna e flora mais diversificada que da Terra. Os habitantes de Metharia passariam a maior parte de suas vidas no espaço, como pesquisadores. Sua função seria buscar, reconhecer e estudar outras formas de vida. Teriam o desejo de ajudar a civilização terrestre, respeitando o livre arbítrio – ao contrário, segundo eles, do que fazem as entidades de Órion, conhecidos na Terra como grays [Cinzas].

Ashtar também teria contatado o alemão Ethel P. Hill e o suíço Karl Schönenberger. Neste ponto é bom observar que grande parte dos personagens citados e seus seguidores sempre deixaram claro que nada tinham a ver com uma organização conhecida por Comando Ashtar, ou com a personificação que se faz dele. Tal comando teria sido iniciado por Robert Short, também conhecido por Bill Rose, editor de uma revista dos anos 50 chamada Interplanetary News. Short era amigo de George van Tassel e insistia a este que as comunicações de Ashtar deveriam tornar-se populares e comerciais, para que ficassem famosos e não para trazer alguma verdade ao público. Como Tassel parecia não concordar com estes termos, criou “seu próprio” Ashtar Sheran, através dessa organização. Segundo pessoas incumbidas de preservar seu trabalho, gerou-se uma aura de misticismo e fanatismo em torno da figura de uma entidade clonada de Ashtar, transformando-o num filósofo metafísico. Poucos escolhidos da Terra fariam parte de uma elite espiritual, e mais uma vez a vaidade humana entra em cena.

No Brasil, existem várias entidades e pessoas que dizem manter contato com Ashtar e serem orientadas a seguir seus ensinamentos. O mais conhecido e talvez mais antigo seria o Centro de Estudos Exobiológicos Ashtar Sheran (CEEAS), localizado em Salvador e com filiais em Brasília, São Paulo, Curitiba e Natal. Foi fundado em 1973 por Paulo Fernandes, que teria mantido contatos físicos e telepáticos com Ashtar Sheran desde 1969 e recebido dele a instrução para que criasse uma entidade com o objetivo de estudar e divulgar a presença de extraterrestres e suas supostas mensagens.

Hoje o grupo é coordenado pela pedagoga Ana Santos e por Marco Vinicius Almeida. Segundo este, não se trata de nenhuma forma de seita ou religião. O CEEAS também não gosta de ser vinculado à Ufologia Mística, que cultua Ashtar como um novo messias, mas acredita que Jesus Cristo seria membro da equipe do comandante extraterrestre.

Comando Ashtar — Nestes termos, Jesus ou Sananda seria o representante da Terra na confederação intergaláctica. Outro brasileiro que garante manter contato com Ashtar é o professor Lúcio Valério Barbosa, que reside em Mato Grosso do Sul, onde realiza trabalhos na Colônia Boa Sorte. Lúcio diz que ele se apresenta como comandante de uma frota de naves estelares em missão na Terra. A história é a mesma: poderes paranormais, ajuda humanitária etc. Como curiosidade, no Chile vive um suposto contatado chamado Aaron Sheran, que diz ser filho de Ashtar Sheran.

Mas a verdade é que as referências ao nome Ashtar podem estar relacionadas às descrições feitas pelo autoproclamado médium John Ballou Newbrough, um norte-americano que teria psicografado ou canalizado o livro Oahspe, no ano de 1882. Nesta obra, Newbrough, que alegava que as sagradas escrituras foram reveladas a ele por entidades angelicais, faz referência a seres espirituais que viajariam em naves etéreas e que teriam a missão de proteger mundos menos desenvolvidos. O nome destes seres seria ashar, cujo plural seria ashars. As descrições os mostram de morfologia humanóide, altos e atléticos. Teriam aparência nórdica, cabelos loiros ou alvos, olhos azuis e um olhar penetrante e desafiador. Estariam interessados em pesquisar e compreender as formas de vida existentes no universo e, assim, compreender sua própria existência. Existem referências nesta obra a um místico local chamado de Shan, que é muito coincidente com o nome que Ashtar designa para a Terra, planeta Shan.

Seitas e Cultos — Anos mais tarde, Newbrough fundou uma religião própria, o Faitismo, que ainda possui um pequeno número de seguidores. O Faitismo e Oahspe não são conhecidos do público em geral, pois não são feitas propagandas em torno do assunto, permanecendo mais numa condição sectária. Oahspe é uma obra volumosa, com mais de 900 páginas, centenas de ilustrações e de difícil compreensão. Outras referências interessantes sobre Ashtar Sheran estão nos trabalhos do doutor Victor Yañez Aguirre, médico e parapsicólogo do Hospital da Polícia do Peru, ex-presidente da Associação Peruana de Parapsicologia e presidente da Sociedade Teosófica. Uma de suas pesquisas é relativa à experiência vivida pelo contatado Eugênio Siragusa, mestre do famoso estigmatizado italiano Giorgio Bongiovanni. Os encontros de Siragusa com várias entidades extraterrestres – entre elas, Ashtar – ocorreram a partir de 30 de abril de 1962, nos arredores do vulcão Etna, na Sicília. Mais adiante, Siragusa viria a contatar de forma casual um ser chamado Adoniesis, que também se comunicava de forma telepática e, de acordo com os relatos, não pertencia a nossa dimensão.

A descrição que Siragusa faz de Ashtar Sheran é de um ser de porte atlético perfeito, vestindo uma espécie de macacão de cor cinza prateado, com braceletes luminosos nos pulsos e tornozelos. Estaria sempre acompanhado de seu primeiro-tenente Ithacar, que teria dito que era o comandante dos povos confederados em missão sobre a Terra. Ithacar teria uma importante mensagem para os cientistas e chefes de estados. Eles deveriam cessar todos os experimentos nucleares na atmosfera e no subsolo.

Relações Interplanetárias — Uma pesquisa digna de conhecimento, que acompanhei por quase 15 anos, gira em torno dos irmãos peruanos Sixto, Carlos Roberto e Rose Marie Paz Wells, filhos de José Carlos Paz Garcia Corrochano, fundador do Instituto Peruano de Relações Interplanetárias (IPRI), criado em 31 de janeiro de 1955 e ainda em atividade em Lima. Em 1974, um objeto de formato lenticular teria pousado na praia de Chilca, no Peru, quando um humanóide teria surgido e se identificado como comandante da frota de espaçonaves destacadas para trabalhar no Sistema Solar.

Seu nome seria Antar Sherart – muito parecido com Ashtar Sheran – e se identificava como comandante da frota de espaçonaves de Ganímedes, satélite natural de Júpiter. Segundo informações fornecidas pela entidade, as sílabas sh e er do sobrenome significam comando e dignidade, respectivamente, e a sílaba sher faria parte da composição de ambos os nomes como indicativo da função desempenhada por estas entidades. Sílabas finais como art e an determinariam a jurisdição, alçada e competência de seu comando. Estes dois nomes, em particular, têm provocado bastante confusão, pelo fato de serem parecidos.

Erroneamente, a figura de Ashtar ganhou maior abrangência através do espanhol Juan José Benítez, que antes de ser um escritor famoso era repórter desconhecido do jornal Gaceta del Norte, de Bilbao. Quando as notícias sobre Ashtar e UFOs chegaram à Espanha, vindas da América do Sul, através das experiências dos irmãos Wells, Benítez foi enviado ao Peru para levantar mais informações. Isto ocorreu porque a Espanha havia sido bombardeada de rumores sobre cultos em torno de entidades supostamente extraterrestres chamadas de ummitas ou umnitas, e o assunto estava ainda em evidência. O repórter acompanhou várias experiências de grupos de contatados ocorridos em seu país, no Peru, Venezuela e Colômbia. Devido a isto, escreveu seus dois primeiros livros contando estas aventuras. O primeiro, UFOs, S.O.S. a La Humanidad [UFOs, S.O.S. à Humanidade], contava as experiências dos irmãos Wells, que haviam fundado uma organização chamada Missão Rama e, mais tarde, o Projeto Amar. Outro livro, 100.000 Km Tras los UFOs [100.000 Km Atrás de UFOs], narra situações de grupos de contato que ele mesmo teria investigado. Nestas duas obras, Benítez misturou muitas informações e inventou outras tantas, que deram a Ashtar Sheran uma fama que não existia.

Um dado interessante é que, nos anos 70, foi lançado o livro Yo Visité Ganimede [Eu Visitei Ganímedes], de Yosip Ibrahim, pseudônimo do contatado peruano José Roscielos. A obra narra suas experiências de supostos contatos com extraterrestres – inclusive o Ashtar Sheran – vindos de Ganímedes. Ibrahim diz que viajou até o satélite numa nave destes seres, onde lhe foi informado que a presença extraterrestre na Terra se dava desde a antiguidade, através de sumérios e egípcios. Ele também se referiu ao resgate de pessoas que teriam sido eleitas para serem salvas, fez algumas previsões de fim de mundo (que ocorreria em 2001) e outras alegações fantásticas. O fato é que a obra de Ibrahim teria influenciado quase todo o país e boa parte da América do Sul, mas curiosamente não chegou no Brasil. Sendo assim, com tantas fontes de informação, é difícil averiguar o que ocorreu naqueles anos. Coincidentemente, a Missão Rama surgiu em 1974, e contando uma história parecida...

Cultos Messiânicos — É importante ressaltar que muitas pessoas públicas e famosas, inclusive brasileiras, estão envolvidas em cultos a UFOs e noutros movimentos de estilo messiânico e escapista. Existem basicamente duas vertentes de informações sobre a situação do planeta, do ser humano e do provável futuro que nos aguarda – e ambas são atribuídas a Ashtar. Mas essas informações são tão antagônicas e contraditórias que é difícil acreditar que venham da mesma fonte. Uma delas mostra Ashtar Sheran como comandante de uma frota de milhares de naves e distribui promessas de evacuação e resgate de pessoas aqui da Terra, quando a mesma estiver na eminência de uma destruição total. Uma das entidades criadas por fanáticos desta versão seria o chamado Projeto Evacuação Mundial, do qual muitos artistas famosos – como Nina Hagen, por exemplo – fizeram parte. O projeto retiraria alguns poucos escolhidos para que escapassem da destruição e voltassem quando a situação estivesse normalizada no planeta. Foram divulgados vários “mandamentos” de Ashtar Sheran por diversas comunidades e agrupamentos esotéricos, e foram realizadas inúmeras “previsões” por pessoas que se intitulam seus porta-vozes, mas que nunca ocorreram.

Talvez, uma contribuição negativa que agravou ainda mais o problema tenha vindo da boa intenção de um brasileiro, o falecido radialista e repórter da Rede Bandeirantes, de São Paulo, Alexandre Kadunc. Sempre interessado por assuntos metafísicos e pelo Fenômeno UFO, e ainda preocupado com a situação ecológica do planeta, Kadunc utilizou a imagem de Ashtar Sheran como uma espécie de protetor da Terra, que já era conhecida, e nos anos 80 começou a divulgar uma mensagem que seria de sua autoria [Leia trechos nas páginas da matéria]. Fez isso como forma de chamar a atenção das pessoas para os problemas sociais e políticos do mundo. Foi assim que muita gente passou a captar e a gravar a tal mensagem em seus aparelhos caseiros, geralmente em fitas de áudio. Com o tempo, a situação começou a ficar conhecida e cada vez mais gente aparecia com mensagens gravadas, obtidas nas mais diversas situações. Algumas afirmavam estar copiando uma música de um disco e a mensagem aparecia quando se ouvia o resultado. Outras diziam que a mensagem aparecia gravada em suas fitas mesmo com o aparelho desligado da tomada. Algumas, ainda, garantiam ter recebido instruções do próprio Ashtar para fazer a gravação.

A maioria simplesmente dizia que um amigo de um amigo de outro amigo tinha feito uma cópia de algo. Analisei várias destas gravações e constatei a quantidade de versões, acréscimos e cortes, em comparação com a mensagem original, é gritante. Muitas versões mostravam até os nomes das pessoas que haviam feito a gravação como as representantes oficiais de Ashtar Sheran. Outras ainda colocavam atributos de super-herói na suposta entidade, e havia aqueles que gravavam que a salvação estava em ouvir suas idéias pessoais. Ocorre também que muitas pessoas munidas de estações de radioamador (rádios piratas, faixa do cidadão etc), conseguiam gerar interferências e ter potência suficiente para sobrepujar o sinal de rádios convencionais e, assim, transmitiram várias versões da tal mensagem.

Quanto mais perto se estivesse destas estações irregulares, mais nítido e forte era o sinal captado, que ia para fitas de áudio de centenas de pessoas... Foi um longo período em que mensagens com teor apocalíptico alternavam-se com outras messiânicas, estimulando gradualmente e de maneira perigosa a fantasia e o ego de cada pessoa. A situação do mundo estava fragilizada politicamente pela Guerra Fria. Não faltavam pessoas que se considerassem diferentes ou escolhidas por Ashtar Sheran, sentindo-se seres especiais numa missão mais especial ainda – o que hoje sabemos tratar-se de um fenômeno conhecido por dissonância cognitiva.

Essa condição foi estudada e o termo criado pela equipe do sociólogo Leon Festinger, ao pesquisar seitas e movimentos ligados ao Fenômeno UFO, especificamente ao estudar uma comunidade da Califórnia dirigida pela senhorita Keech. A equipe de Festinger conseguiu infiltrar-se no local e documentou Keech psicografando informações de que uma grande catástrofe sísmica atingiria seu país e que os escolhidos seriam retirados por discos voadores. Considero importante ter em mente que todo este período de contatismo poderia ter sido propositalmente elaborado e utilizado por organismos terrestres – ou mesmo, quem sabe, por inteligências extraterrestres – para nos testar, procurando medir ou conhecer nossas fraquezas. Isto se enquadra num método de combate conhecido pelo uso de técnicas de guerra psicológica.

Manipulação da Realidade — De qualquer forma, as extensões e desdobramentos de alguns grupos que se dizem ligados a Ashtar Sheran e outras entidades, são realmente preocupantes. Estas manifestações servem para corroborar uma hipótese conhecida desde os anos 70 por quem estuda a Ufologia pelo ponto de vista psicossocial. Segundo ela, no caso dos contatados – isto é, de pessoas que não só alegam avistamentos de UFOs e seus tripulantes, mas que afirmam manter encontros posteriores com os mesmos –, existe a possibilidade de que tais seres estivessem manipulando seus contatos com humanos com o objetivo de manter o assunto desacreditado pela sociedade. Isso favoreceria o modus operandi dos extraterrestres entre nós, para quem atuar em clandestinidade parece ser a única forma de fazê-lo e de mantê-lo.

Em virtude destas incoerências da racionalidade, o enorme e crescente público, cada vez mais leigo de conhecimento, passa a duvidar da ciência e da Ufologia, aderindo assim à pseudociência. Dessa forma é que vemos o nascimento de seitas, cultos etc, que passam a interpretar o Fenômeno UFO como bem entendem, gerando caos e uma distância cada vez maior de um entendimento real do assunto. O resultado a que se chega é o desejado por aqueles que estão no comando da humanidade e querem ver a questão ufológica desacreditada. Hoje temos inequívocas provas de como a CIA e outras agências se aproveitaram (e ainda se aproveitam) da fenomenologia ufológica para testar suas técnicas de guerra psicológica e controle de massa. Seria como alguém habilmente conduzindo uma divisão para vencer. Se criaria um chamariz aterrorizante – as abduções – enquanto uma legião de colaboradores – contatados – é sutilmente estimulada a implantar as idéias absurdas que vemos por aí. E note o leitor que estas pessoas muitas vezes perdem seu poder de questionamento e passam até a não se sentir mais terrestres, encarando cada um de seus semelhantes como um inimigo em potencial dos irmãos cósmicos. Claro que existem exceções. Um contato inteligente e consciente entre diferentes civilizações não somente é possível como, também, pode estar ocorrendo há tempos.

Afinal, quem é este ser que tanta gente garante estar contatando?

Muitas pessoas dizem que os extraterrestres estão jogando conosco, o que pode ser plausível, e quem detêm as cartas neste jogo são eles. No entanto, sem nós, o jogo sequer existiria. Mas é bom que fique claro que estes jogos não são acontecimentos transparentes, mas sim de cartas marcadas. Quem ler o trabalho do psicólogo Eric Berne, que inventou a análise transacional, entenderá melhor essa afirmação. Uma de suas obras que trata do assunto é Games People Play [Jogos que as Pessoas Jogam], que está ligada ao trabalho do pesquisador John Keel, autor de UFOs, Operation Trojan Horse [UFOs, Operação Cavalo de Tróia]. Keel escreveu também o livro The Mothman Prophecies, que deu origem ao filme A Última Profecia, sobre o fenômeno conhecido como homem-mariposa.

No capítulo Games Non-People Play do livro de Berne, o termo non-people seria uma referência a extraterrestres e significa que os seres humanos foram lançados no tabuleiro de um grande jogo de roleta, onde quem dá as cartas não é necessariamente humano, e onde a roleta pode estar viciada. Ocorre na subcultura dos contatados por ETs uma espécie de conceito sociológico do termo massificação, que não tem nada a ver com produção ou transmissão de algo em massa, e sim seria com a perda de proteção dos meios sociais intermediários, tornando o indivíduo vulnerável a comandos vindos de fontes desconhecidas. Isto é algo muito sutil e de difícil detecção, mas é comum que nestes movimentos sempre exista a presença de entidades alienígenas.

É devido a isso que pesquisadores se assustam com o comportamento apresentado por alguns contatados e abduzidos, e sobre o que falam em palestras e congressos, as vezes grandes absurdos. Mas estas são típicas táticas de propagação de pensamentos alienígenas, que podem ser altamente perigosos. Não existe nenhuma contestação e/ou questionamento sobre a origem da mensagem recebida pelos alegados contactados, que sempre é de natureza telepática. Recentemente, numa palestra, o peruano Sixto Paz Wells mostrou uma série de fotografias dizendo serem de uma das colônias de extraterrestres. O problema é que ele alegava que as fotos eram de Ganí medes, uma das luas de Júpiter. Entretanto, as fotos eram de outra lua de Júpiter, Europa. Por várias vezes, ele repetiu a informação e ninguém o contestou.

Estrela solitária — Grande parte dos contatos é realizada com pessoas pouco instruídas ou despreparadas e a provável razão disso é que, dessa forma, não há possibilidade de se criticar ou questionar qualquer tipo de informação passada por supostos extraterrestres. Existem vários exemplos: Howard Menger, Hermínio Reis e Bianca de Oliveira, George Adamski, Claude Vorilhon (Rael), Barney e Betty Hill, muitos do Comando Ashtar etc. Como escreveu Keel, se um aparelho estranho, do qual saísse uma pessoa também estranha, pousasse no quintal de uma dona de casa de classe média e dissesse a esta que é de Vênus, quem seria ela para contestar isto? Ela iria crer, sim, que os extraterrestres vieram de Vênus, de algum planeta em torno de estrelas inadequadas para se ter planetas ao redor, como as Plêiades. Ou acreditaria que o visitante seria originário não de uma estrela solitária, mas sim de duas estrelas fraquíssimas que comporiam um conjunto binário, exatamente como é o sistema Wolf 424. Pois esta origem é apontada como local de procedência dos seres envolvidos no famoso e polêmico Caso Ummo, ocorrido na Espanha, na década de 70. Este caso é muito interessante, pois nem pesquisadores gabaritados e experientes se deram ao trabalho, na época em que ocorreu, de examinarem se sua base estava sustentada numa mentira dita pelos extraterrestres ou por quem o inventou [Veja box]. Para tanto, bastaria terem verificado as informações sobre as estrelas do sistema Wolf, e descobririam a engenhosa armação. Quem descortinou isto foi o físico e ufólogo brasileiro Alberto Francisco do Carmo.

Enfim, poucos são os supostos contactados que estão transmitindo mensagens positivas e com certa coerência. Determinados pesquisadores de renome dizem que eles e os abduzidos são a linha de frente da propagação de idéias e totemismos de procedência incerta. Se forem extraterrestres, militares terrestres, entidades dimensionais ou outra manifestação qualquer, ou se usam jogos e táticas de guerra psicológica, ainda não se sabe. O que se sabe – e bem – é que muitas das pessoas que se dizem contatadas por ETs, ou Ashtar Sheran, não adquirem nenhum ganho ou benefício direto com isto. Muito pelo contrário! Passam por exposição ao ridículo, crises em suas relações interpessoais, fenômenos do tipo poltergeist, interferências em suas vidas, sensação de estarem sendo monitoradas etc.

Noutras ocasiões, têm estímulo para criarem comunidades alternativas ou epistêmicas, que funcionariam apenas por algum tempo, ou recebem instruções para construir aparelhos estranhos. Em situações extremas, tornam-se capazes de fazer previsões de guerras e catástrofes. Mas todos, com exceção de alguns poucos espertos, não ficam ricos com tudo isso. Sabe-se que quem manipula as situações de contato – e no caso de Ashtar Sheran pode-se constatar isso – conhece muito bem técnicas de neurolingüística, que é o estudo da interpretação dos códigos mentais. A neurolingüística opera um conjunto de mensagens passadas através de códigos e sinais do corpo e do cérebro. Sua função é quebrar padrões e barreiras que nos aprisionam e descobrir a forma como nosso cérebro se comunica.

Civilização intergaláctica — E a outra face do fenômeno Ashtar? Será que no caso da existência de extraterrestres e da possibilidade de que já estejam de fato contatando alguns seres humanos, eles operariam desta maneira? Sem respeito à vida humana? Será que a evolução de uma civilização galáctica do tipo 2, 3 ou remotamente 4 [Veja Box publicado na edição anterior, na primeira parte deste texto] é ainda de disputas sociais, egos, competições e guerras, como a epopéia fictícia de Guerra nas Estrelas? Se o futuro de civilizações hiper avançadas e com uma tecnologia inimaginável para nós é desta forma, então o que esperar de simples seres humanos? Como seria então o outro lado de Ashtar? Isto tudo indica a possibilidade de que algo realmente de anormal e externo à Terra esteja mesmo ocorrendo. Como explicar que 99% do universo são formados por algo que tem massa, é matéria, mas invisível para nós e ninguém tem a mínima idéia do que seja?

Respaldo das evidências — Diante de todas as pesquisas e informações a respeito do tema, é totalmente cabível e prudente declarar que o Fenômeno UFO é real. A chamada hipótese extraterrestre, como responsável pelo mesmo, não invalida as demais – e tão pouco explica todos os casos. Porém, além de ser a mais simples e aceitável, é a que tem recebido mais respaldo por parte das evidências apresentadas. Reais são as aeroformas observadas, os seres contactados, os efeitos físicos advindos da interação entre UFOs e seres humanos. Além dos registros em radar, dos milhares de filmes e fotos etc. As abduções também são inquestionavelmente reais. Mas se são causadas por seres extraterrestres ou entidades de outras dimensões, ou se são produto de somatizações, delírios mentais, estados alterados de consciência etc, ainda não se sabe.

O fato é que reais são as cicatrizes dos abduzidos, seus temores, as confirmações de seus raptos por testemunhas independentes, as marcas deixadas pelas naves dos raptores etc. A contaminação de informação feita através de pessoas inescrupulosas, ignorantes ou mesmo mal (in)formadas não justifica o ceticismo doentio que, por vezes, atinge a simples menção do tema. E igualmente condenável é o chamado comportamento ufolátrico de muita gente. Sendo assim, o quarteto conhecimento-percepção-discernimento-paciência parece ser a chave para que, algum dia, possamos abrir as portas que encerram os mistérios deste autêntico enigma.

Quando se estuda assuntos como Ashtar Sheran e contatos com extraterrestres, é necessário entender que o importante não é não errar, e sim cometer erros diferentes. O pouco que pude aprender nestes últimos anos me deixou ainda mais consciente de que o tema representa apenas uma ínfima parte de um todo, que não pode ser conhecido numa única existência. Porém, esta mesma diminuta parte, bem compreendida, não poderia ser a melhor conclusão obtida em uma existência. Depois que se aventura neste fascinante terreno do Fenômeno UFO, que insistentemente tenta nos tirar da grande Matrix que a humanidade construiu em torno de si para justificar seus erros, não há como voltar atrás e fingir que nada aconteceu. O universo dá ao ser humano o que ele em seu coração encontra.

Alternativas possíveis — As alternativas sobre Ashtar Sheran se resumem a dois pontos básicos, determinados para tentar se chegar a uma possível compreensão do que realmente está ocorrendo. No caso da necessidade de provas sobre a existência ou não do suposto ser, elas não seriam obtidas da forma tradicional a que a pesquisa acadêmica está acostumada. Ou seja, o erro básico é insistir continuamente que o Fenômeno UFO e suas extensões sejam apenas um problema científico. A ciência se ocupa da observação de fenômenos naturais que se modificam aleatoriamente e sua posterior descrição, através da reprodução ou compreensão das partes que nele interagem. Se, por um momento, admitirmos que alguns dos UFOs são pilotados por extraterrestres ou entidades inteligentes, isto de imediato implica em que o fenômeno está fora e muito além do âmbito da ciência tradicional, pois não obedece a regras específicas e nem aleatórias. Ora, ele está sendo operado e controlado por “alguém”, e só este pequeno detalhe já invalida toda a parafernália de metodologias científicas vigentes.

É fácil estudar um pássaro ou um sapo em seu habitat. É fácil capturá-los e dissecá-los em laboratório e concluir como funcionam. Mas não se pode realizar os mesmos procedimentos naquilo que não responde a instintos naturais, que é controlado e manipulado. É neste ponto que temos de avançar em nosso raciocínio para compreender os UFOs e os prováveis achares sherans que se manifestam nesta nossa realidade tridimensional. Não basta colher casos e pesquisá-los, ou realizar vigílias e tirar conclusões. Entretanto, está se esquecendo que do outro lado do fenômeno pode existir algo ou alguém muito mais inteligente do que nós, que pode simplesmente estar nos jogando apenas aquilo que temos capacidade de processar e compreender. Quem garante que a informação adquirida, seja em modo consciente ou através de hipnoses regressivas, é fidedigna e não implantada por hábeis mãos mágicas?

Outro ponto desta intrincada questão reside no fato de que pessoas de várias etnias e credos, ao mencionarem ou fazerem alusão ao suposto ser Ashtar, também não es tão dando qualquer evidência de sua existência. Sobre isto, temos as possibilidades do que denomino de campos informacionais, uma espécie de campo morfogenético e de transferência coletiva de informação, lendas e sonhos. Nada garante que alguém não tenha obtido informações sobre o suposto ser a que nos referimos, mesmo que de forma inconsciente. Todos os relatos não podem apenas se basear no caráter da testemunha. Eles têm de ser avaliados no contexto em que o fenômeno está ocorrendo. É na análise do contexto que estão os detalhes importantes, e são nestes que estão os fragmentos de explicação do Fenômeno UFO. Hoje, temos muitos detalhes deste imenso quebra-cabeças espalhados pelo planeta. Resta-nos agrupá-los e encaixá-los nos lugares corretos. A ciência já chegou à conclusão de que o todo é muito mais do que a soma das partes e, assim, montar todas as peças do quebra-cabeças dos UFOs poderá nos dar um quadro muito mais surpreendente e fascinante do que a soma delas.

Trabalho titânico — Desta forma, estudar a existência deste e de outros supostos seres é um trabalho titânico e complicado, pois as variáveis são imensas e as possibilidades de se escorregar e enveredar por becos sem saída é grande. Para investigar este assunto, não basta conhecer apenas o lado científico da questão. O problema é muito mais de cunho sócio-cultural. Por outro lado, deixar o assunto de lado e considerá-lo simplesmente uma farsa ou coisa de lunáticos é realmente uma tentação muito forte, mas perigosa e leviana.

Uma possível conclusão a que podemos chegar é a de que, se Ashtar foi uma invenção ingênua de alguém, os rumos que tomaram são preocupantes. Se foi intencional, foi muito bem planejada, pois se tornou um excelente sistema manipulador de mentes. Se foi ou é obra de inteligências extraterrestres, este se torna um assunto ainda mais delicado e sua pesquisa está além do estudo multidisciplinar que temos em mãos. A considerar-se esta hipótese, estaríamos entrando num estudo transdisciplinar, que envolveria a existência de atratores estranhos, bio e nanotecnologia, mecânica quântica, teorias relativísticas, psicologia, parapsicologia, teoria dos jogos etc. Todas essas variáveis poderiam estar interagindo entre si ou sendo usadas em conjunto por eventuais inteligências extraterrestres que tivessem criado o assunto Ashtar.

O tratamento das informações que temos e a chegada às conclusões devem ser feitos da forma mais imparcial e impessoal possível, sempre tendo em mente que provar que Ashtar realmente existe não demonstra automaticamente que ele seja um extraterrestre. Assim como provar que um UFO existe não determina que em seu interior existam seres extraterrestres. Aliás, neste mundo altamente manipulável em que nos encontramos, deveríamos constantemente nos perguntar a quem interessa provar a existência de vida inteligente e consciente fora da Terra?

Uma coisa é certa: o assunto Ashtar Sheran não é apenas cultuado por pessoas simples ou do povo. Artistas de renome até internacional estão envolvidos nisso. Todos, sem exceção, são pessoas altamente manipuláveis e propensas a comandos autoritários anônimos, como bem definiu Erich Fromm em seu livro Medo a Liberdade, e brilhantemente Theodor Adorno, em The Authoritarian Personality [Personalidade Autoritária]. A classificação se encaixa em vários aspectos da questão ufológica, na criação de grupos e seitas e no padrão seguido por muitos contatados – principalmente aqueles que se dizem extraterrestres em missão na Terra.

Pode-se observar em grupos regidos por um comando central – extraterrestre ou não – um verdadeiro fenômeno de transe hipnótico regressivo, onde a devoção, a cerimônia e a obediência são ditadas e utilizadas pelos membros de uma elite de pessoas extremamente fechada. O comportamento destes grupos é psicologicamente contagioso, tanto no plano cultural quanto nas crenças sociais. Dessa forma, espalham-se através da massa histérica, hipnotizada e da mídia de massa. O psicólogo Gustavo Le Bom afirmou que “num grupo, muitos sentimentos e atos são contagiosos, e contagiosos num nível em que o indivíduo prontamente sacrifica seus interesses pessoais em função do interesse coletivo”.

Regressão artificial — Adorno ainda nos fala em sua obra da psicologia regressiva de grupos organizados e que se ajustam à característica de autoritarismo camuflado em boas intenções. Ele considera que o que acontece quando as massas são carregadas por uma propaganda messiânica não é uma expressão espontânea primária do instinto, mas uma revitalização quase científica de suas psicologias. Seria a regressão artificial descrita por Sigmund Freud em sua discussão sobre os grupos organizados. A coletivização e institucionalização do encantamento fazem a transferência maior e mais indireta. Só que a hipocrisia da identificação entusiástica e a dinâmica da psicologia do grupo são tremendamente incrementadas, por seus membros sentirem-se pessoas especiais, partícipes de uma experiência fascinante e, assim, se dispõem a fazer qualquer coisa – inclusive ir contra sua própria identidade e espécie.

A análise de todo material sobre o tema Ashtar Sheran que chegou às minhas mãos, descontados os prováveis mentalismos, filtros e paradigmas, mostra inequivocamente que algo anormal está ocorrendo e suas origens podem ser várias. Eu até apostaria em algumas delas. Mas é importante que se diga que um exemplo do erro de se tentar interpretar algo com uma visão limitada e de acordo com nossa restrita lógica, baseada apenas no conhecimento atual, está na típica comunicação atribuída ao suposto ser, que nos anos 50 e 60 alertava sobre os perigos da utilização da energia nuclear. Ora, alguns poderão dizer que isto é óbvio, pois todos sabem destes perigos. Mas nos anos 50 e até o final dos 60, alguém realmente sabia? Tudo o que se sabe veio depois de Chernobyl, em 1986, quando o terror atômico ficou realmente conhecido pelo público em geral. Outros ainda dirão que melhor do que alertar para os perigos da energia nuclear seria os extraterrestres poderem impedir o aperto do botão que geraria o lançamento de uma bomba atômica, ou ainda inutilizar todas as usinas nucleares existentes no mundo.

Mas será que a função de uma suposta entidade extraterrestre seria ficar intervindo em tudo que os humanos fazem? Quais são os limites da relação de dependência existente entre as formas de vida do universo? E mais ainda, quais são os limites de atuação do livre-arbítrio e o que realmente significa e pode ser classificado como uma interferência? Colocando a questão de outra forma, o que interfere mais, uma ação direta e concreta ou uma mensagem telepática da qual não se sabe a real origem?

Capacidade de sintonia — Claro que não se está tentando aqui defender a existência de Ashtar Sheran ou outras supostas entidades e mensagens de eventual origem alienígena. Mas estamos tentando, sim, ampliar os limites de nossa ignorância frente ao fascinante tema. Afinal, como diria Daniel Coleman, “nossa realidade está conformada daquilo que somos capazes de sintonizar”. Infelizmente, o cérebro humano é um simples detector de energia eletromagnética e toda informação que chega até ele é obtida pelo sistema nervoso central, que a coleta em sensores bioelétricos espalhados pelo corpo. Felizmente, existem as percepções extra-sensoriais, isto é, que acreditamos serem extra, mas que na verdade estão inclusas na genética humana. Nós apenas ainda não aprendemos a utilizar corretamente estes sensores, e sem utilizá-los da maneira adequada, nossas concepções se interpõem ante nossas percepções.

Ao longo deste trabalho, tentei traçar o início das referências a Ashtar e ao modo como um acontecimento que poderia ser real, ou não, tomou inúmeros caminhos, versões, acréscimos e cortes, de acordo com a cultura, ignorância e esperteza de quem recebeu ou viu nesse assunto uma maneira de ficar famoso e rico. O público leigo que não recebe explicações da ciência fica perdido e passa então a duvidar dela mesma, da Ufologia e até do Governo. Nasce dessa forma as conspirações, as seitas, os cultos aos UFOs etc, que interpretam o que acham que estão percebendo da maneira que bem entendem. O astrofísico norte-americano J. Allen Hynek, um dos maiores ícones da Ufologia mundial, afirma que é difícil – senão impossível – entender o Fenômeno UFO com nossa ciência atual. “É preciso encontrar uma nova fórmula para encarar o problema e o primeiro passo é abandonar as idéias pré-concebidas”, garantiu.

Isso contrasta com o pensamento do físico e ufólogo Alberto Carmo, já citado, que diz que a fenomenologia ufológica é uma incógnita como outra qualquer. “Mas só se descobre se uma incógnita é válida ou não quando ela verifica a equação, e para saber isso tem-se de resolver a equação”, diz. Falar que a equação não existe ou, pior, que não tem solução é uma heresia em ciência. E ficar discutindo se UFOs e ashtares sherans são ou não dignos de estudo científico é uma questão de preconceitos interesseiros. A idéia é fácil de se entender. Quando perguntaram a Werner von Braum por que queria construir foguetes capazes de ir à Lua, uma loucura impossível em sua época, ele simples e cientificamente respondeu: “Oras, porque ela está lá!”

“Nossa presença é cada vez mais clara a um número crescente de pessoas sem preconceito. Milhares de habitantes esperam com impaciência nossa aparição visível. Somos capazes de realizar aquilo que vocês chamam de milagre”

- Ashtar Sheran, extraterrestre em missão na Terra, que chama de planeta Shan

“Falo em nome de todos que estão comprometidos nesta missão de dar assistência aos habitantes do planeta Shan. Seria um alívio se pudéssemos aterrissar simultaneamente em todas as partes do globo terrestre, pondo fim às suas discórdias e aos ódios irreconciliáveis. Mas nossas instruções e princípios nos impedem de agir assim”
— Ashtar Sheran

“Nós somos 10 bilhões de homens do espaço fortemente equipados com poder de natureza etérea, a fim de se oporem às intenções de suas forças destrutivas, tornando inofensivo seus meios. Sabemos quais regiões da Terra estão fadadas à destruição e, logo que aparecer um perigo, enviaremos a estes lugares milhares de discos voadores”
— Ashtar Sheran

“Nossos meios de comunicação telepática estão ainda além da compreensão atual em vosso mundo. E a materialização de nossas naves depende de instruções que receberemos de bases que estão muito acima da estratosfera de vocês. Estas instruções são determinadas pelos acontecimentos e pelas reações humanas”
— Ashtar Sheran

“Nenhum esforço deve ser feito para vocês se comunicarem conosco, salvo depois de um pedido nosso. Nós escolheremos a ocasião, o lugar e a pessoa com a qual desejaremos manter contato. Cultuem sentimentos amistosos, de confiança e pensamentos de boas vindas. Nossas forças precisam deles para um bom trabalho”
— Ashtar Sheran

“Nos próximos anos haverá milagres que levarão vocês a uma revisão das suas concepções sobre a natureza e sua metamorfose. É inevitável que haja uma era de purificação antes que se possa instaurar um sistema mais perfeito. Há meios para tornar menos dolorosa tal purificação e a indignação desses resíduos inquietantes”
— Ashtar Sheran


Em busca de respostas para um grande enigma

Meu interesse particular pelos UFOs vem desde a infância, quando vivi alguns estranhos fenômenos, que hoje procuro relembrar e analisar com imparcialidade e mais propriedade. Devido a estas experiências e à minha facilidade autodidata, passei a estudar, pesquisar e criar métodos próprios de pesquisa, que renderam algumas situações fascinantes e ímpares. Uma delas foi estar frente a frente com um objeto esférico vermelho que surgiu de repente no meio da mata. Por cerca de 10 segundos o UFO fez evoluções “erraticamente inteligentes”, voltou para dentro da mata e retornou fazendo mais manobras, alterando, então, sua cor para laranja-amarelo. Em seguida, desapareceu, emitindo um flash potente como o de uma máquina fotográfica. Não estava sozinho nem tampouco sob efeito de alguma droga ou processo alucinatório. O objeto que observei era uma nave que conseguiu excitar o magnetômetro que eu carregava, deixar a bússola desorientada e ainda queimar a lâmpada de minha lanterna.

O fenômeno foi idêntico a um que há no filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau, uma pequena bola vermelha fazendo evoluções e acompanhando as naves maiores. Em Ufologia, acredita-se que estas esferas sejam algum tipo de sonda utilizada para fazer uma varredura espectral no ambiente em foco. Tenho minha própria hipótese do que sejam estes objetos. Minhas experiências e pesquisas me levaram a compreender uma face pouco explorada do Fenômeno UFO, aquela mais complexa e centralizada no choque de civilizações e relações interculturais, através de um estudo transdisciplinar. Devido a isso e às circunstâncias em que acabei envolvido, passei a estudar os contatados, um termo que não considero correto para descrever o que pretende. Os contatados são pessoas interessantes, que não somente alegam ter tido avistamentos de UFOs, mas também mantido contatos próximos com seus tripulantes. Eles afirmam ter se tornado quase amigos de ETs. Um dos supostos extraterrestres que ficou famoso no cenário ufológico é Ashtar Sheran, assunto deste trabalho. A princípio, pode parecer que esse é um tema de malucos e que esta entidade não passa de uma fantasia. Mas, como veremos, existem evidências que confirmam que algo de muito estranho, complexo e por vezes perigoso está acontecendo.

Doutrina Espírita — As inúmeras narrativas de alguns contatados demonstram que estes acreditam ouvir e perceber imagens, vozes e sons dentro de suas mentes, como se estivessem submetidos a uma fonte externa que parece dominar o conhecimento parapsicológico e manipular a pessoa através de uma espécie de telepatia. Para o leigo pode parecer que estes contatos se enquadram na doutrina espírita, em que médiuns dizem receber espíritos de pessoas mortas e, ocasionalmente, até de entidades que se dizem extraterrestres. Mas como foi demonstrado através de várias pesquisas e trabalhos, principalmente os conduzidos pela pesquisadora brasileira Gilda Moura, os contatados apresentam diferenças marcantes na maneira como recebem as informações – o que os distanciam de qualquer associação com as práticas espíritas. Como a questão dos UFOs e seus tripulantes parece esbarrar em conceitos que a revolução quântica trabalha e descobre a cada dia, não posso deixar de citar diversas outras hipóteses que devem ser seriamente levadas em consideração. Inclusive a possibilidade de formas de vida anômalas habitarem outros “planos de ocorrência” ou dimensões e, por acidente ou vontade própria, se passarem ou serem confundidos com santos, aparições, anjos, duendes, gnomos, extraterrestres etc.

Não se pretende com essa abordagem sobre Ashtar Sheran, no entanto, dar uma palavra final sobre o tema. Mas, sim, munir o leitor com informações suficientes para que possa discernir pelo assunto, iniciar uma pesquisa própria e, quem sabe, chegar a conclusões interessantes – como eu cheguei. Por isso, enveredei em assuntos paralelos ao tema, que, a princípio, podem parecer sem relação com o mesmo. Mas uma leitura e reflexão sobre eles poderiam gerar subsídios que, se compreendidos, já teriam nos tirado do marasmo dos mais de 50 anos em que a Ufologia se encontra. É fácil compreender porque uma civilização mais adiantada em relação a nós, que regularmente faz incursões por aqui, ainda não manteve um contato oficial. Se não existe diálogo nem entre os seres humanos que habitam o mesmo planeta, imagine com entidades anos-luz da compreensão humana. Quando nós nos encontrarmos – e com certeza os encontraremos – também. Como disse o ex-governador do Distrito Federal Cristóvam Buarque, em seu livro Na Fronteira do Futuro, “o medo e os riscos do ridículo são inerentes aos grandes saltos”.
— Rogério Chola


Terrestres, resolvam seus próprios problemas!

Andréia Tscheidel

Você está angustiado e sem saber o que fazer, quem é e para que serve? Nada estranho, num mundo em que as pessoas tomam cada vez mais conhecimento de sua pouca importância frente à imensidão do universo, do planeta e do enorme contingente de outros seres humanos. Crises e angústias existenciais se tornaram regra, não a exceção. Antigamente, você se voltaria para uma daquelas religiões tradicionais e fora de moda, mas com o excesso de informações jorrando de todos os lados, agora se sabe que nenhuma é confiável. E se for, exige que o indivíduo se comporte direitinho toda a vida para conseguir paz na eternidade. Isso, convenhamos, dá muito trabalho e não resolve nenhum problema imediato! Ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil sair em busca de respostas aos mais sinceros anseios por explicações a respeito da realidade que nos cerca e, também, da que nos transcende.

Longas caminhadas no deserto, meditação para uma maior iluminação? Não na nossa época! Essas ações foram substituídas por verdades prontas para consumo e divulgadas por religiões eletrônicas. No conforto de sua poltrona, é possível descobrir o caminho conduzido pelo carismático pastor da televisão ou, com alguns clics, entrar em maravilhosos endereços revelados via internet. O santo protetor dos perguntadores desesperados – o site www.google.com.br – está pronto para ajudar. Pode-se encontrar o mais galante e belo de todos os ETs, o garboso comandante da frota estelar que patrulha invisivelmente nosso planeta para nos proteger: Ashtar Sheran. Aportado no posto desde a década de 50, sua presença foi cada vez mais sentida e divulgada com a aproximação do novo milênio. Desde seu aparecimento – naturalmente invisível –, ele já nos brindou com conselhos de valor inestimável, como a recomendação de termos cuidado com a energia nuclear, que poderá destruir o planeta, ou o aviso de que estamos poluindo o meio ambiente. O interessante é que estes avisos sempre chegam com algum lapso de tempo e são divulgados depois que organizações humanas já concluíram esses atos há muito tempo.

Presença Discreta — Mesmo assim, em todo caso, agradecemos a preocupação por seres cósmicos terem vindo das mais distantes galáxias nos contar o que já sabíamos. Afinal, isso denota o quanto são amáveis... A presença alienígena é discretíssima e deve ser, por definição, imperceptível. Desconfio, algumas vezes, que as mensagens dizendo que eles estão aqui são até algum tipo de vazamento de informações.

Talvez, além de nos defender das agressões dos alienígenas malvados e congestionar o trânsito espacial com milhares de naves, também estão preparando nosso planeta para uma futura hecatombe que virá, devido provavelmente a uma mudança dimensional galáctica. Tudo sob o comando de Jesus Cristo, que com o codinome Sananda orienta espiritualmente as forças do bem. Estava sentindo-se só? Pois agora já sabe que somos parte de uma Confederação Galáctica de Planetas – mas, que lástima, na posição de membro menor e sob vigilância. Contudo, podemos nos engajar e cumprir a mais digna e nobre das missões que um ser humano pode ter: levar a mensagem do comandante adiante. Esta mensagem, aliás, não é muito diferente das encontradas nos livros de outras religiões, porém com uma roupagem mais ao gosto da geração Star Trek. O que pode ser melhor para preencher nossa vida do que ajudar um anjo hi-tech que se esfalfa para zelar pelo nosso planeta? E olhe que Ashtar Sheran precisa mesmo de ajuda, pois se você olhar ao redor irá notar que ele não está conseguindo!

A única coisa que exigem esses seres, é que você não pense muito e siga fielmente tudo o que dizem. Sempre usando o livre arbítrio, mas desde que seja para escolher o único caminho certo – o deles. Ah, mas isso tudo não resolve os seus problemas? Se você estiver realmente aflito, o jeito é recorrer aos disque-revelações que existem por aí... Ligue já!

Andréia Tscheidel é química e ufóloga. Seu endereço é: Rua La Plata, 500/101, Petrópolis, 90670-140 Porto Alegre (RS). E-mail: andinc@vant.com.br.


Materialização de Ashtar Sheran na Venezuela

Rogério Chola

Um interessante caso de materialização de Ashtar Sheran envolveu o engenheiro Enrique Castillo Rincón, que, além de ufólogo, alega ter contatado dois extraterrestres denominados de Cromacan e Krisnamerk. Eles se diziam provenientes de um grupo de estrelas localizadas nas Plêiades. Estes contatos se deram com o engenheiro na Colômbia, mas se conectam em similaridades a uma experiência prévia ocorrida com ele em 1973, nos EUA. Nesta ocasião, uma pessoa circulava por uma rodovia quando o veículo em que estava saiu da pista e colidiu violentamente contra uma árvore. Imediatamente, outros carros próximos pararam na intenção de socorrer o motorista. Mas qual não foi a surpresa de todos ao verem que não havia ninguém no interior do veículo.

A polícia identificou os restos do carro como sendo de propriedade de um jovem venezuelano radicado nos EUA. Segundo sua ficha de estudos e pelos depoimentos recolhidos, o jovem havia sido um brilhante estudante de engenharia, muito querido por seus amigos e que trabalhava numa usina nuclear local. Durante as semanas seguintes ao incidente, a polícia e autoridades do governo norte-americano foram mobilizadas na tentativa de elucidar o caso. Mas, após longas e trabalhosas investigações, não conseguiram chegar a nenhuma conclusão que esclarecesse o mistério. O corpo simplesmente havia desaparecido. As buscas continuaram durante meses sem resultado algum e órgãos diplomáticos exigiam um desfecho e uma conclusão.

Informações contraditórias — A pressão dos parentes e amigos se avolumava e a família da vítima, que morava numa pequena e pacata cidade na periferia de Caracas, recebeu, algum tempo depois, um comunicado oficial que ratificava as estranhas condições em que o jovem engenheiro desaparecera. As informações eram contraditórias e obscuras, já que as autoridades norte-americanas consideravam o sumiço como um caso de vingança, provavelmente seguido de assassinato. Porém, como não havia um corpo a remeter, limitaram-se a enviar todos os pertences e bens pessoais da vítima à sua família, que teve de se conformar com a perda.

Sendo espíritas, os familiares do falecido decidiram realizar uma sessão mediúnica na qual convocariam a alma de seu ente querido para saber do acontecido e, despedirem-se dele. O médium receptor seria um jovem estudante de medicina e amigo da vítima. A expectativa era grande e todos aguardavam estreitar seus laços com o desafortunado rapaz. Conforme o tempo transcorria, uma curiosa e entranha névoa azulada formou-se ao lado do sensitivo, assumindo vagarosamente a forma de uma nuvem circular. Essa massa gasosa emitia uma luz tênue, lembrando fumaça de cigarro iluminada ou fosforescente, que aumentava sua intensidade. Parecia que pulsava. Rapidamente, a névoa compactou-se e formou uma semi-esfera, e uma sombra surgiu do seu interior. Lentamente, uma criatura semelhante a um ser humano apareceu, mas com ar angelical. O rosto era belo, de traços suaves e bem delineados, mas de ar severo.

Os olhos eram claros e ligeiramente rasgados, o cabelo era comprido e loiro, penteado para trás. Seu corpo era proporcional, esguio e atlético. Sua altura beirava 1,80 m e seus membros eram perfeitamente normais, mostrando o contorno dos músculos. Vestia-se de forma simples, ostentando um macacão folgado, com mangas acabando em punhos apertados. Tinha botas, aparentemente, de couro, de cano longo e sem folga, e um cinto largo na cintura. A figura humanóide colocou-se à frente da luz, em pé e olhando sério para o grupo, que, totalmente atordoado, não conseguia compreender o que estava se passando.

O ser olhou atentamente para o médium, que começou a falar como se estivesse recebendo uma mensagem por telepatia. “Não temam, não lhes farei nenhum mal. Meu nome é Ashtar Sheran e sou comandante da frota de espaçonaves de Ganímedes. Seu filho não está morto e nem perdido. Ele encontra-se entre nós. Veio por livre vontade e deseja permanecer conosco. Não se preocupem, pois ele estará bem”. O ser então ofereceu um panorama de eventos que deveriam se concretizar ao longo dos anos seguintes, até que terminou com uma longa declaração, referindo-se à autodestruição da humanidade:

Estes fatos serão concretizados como conseqüência dos seguintes aspectos: aparecerá um líder político no futuro dentro do conglomerado social dos países unidos, que dominará as massas e regerá os destinos sociais e econômicos dos demais nações. Seu poder estará auxiliado por mecanismos que ele mesmo colocará em jogo, como conhecedor das leis metafísicas e, em seguida, se produzirá a invasão dos continentes. Quero avisá-los que a paz assinada na região que chamam de Vietnã servirá de degrau imediato para o conflito bélico seguinte entre árabes e judeus. A isso, se seguirão terremotos que devastarão cidades, mas nós tentaremos alterá-los para evitar piores danos”.

Sensitivos selecionados — Dito isto, o estranho ser retornou à luz de onde saiu e desapareceu. Este incrível acontecimento foi bem pesquisado por Rincón, que aproveitaria o acontecido na Venezuela para fazer uma experiência similar na Colômbia. Para isso, reuniu uma equipe de sensitivos selecionados, que buscariam entrar em contato telepático com alguma inteligência extraterrestre. Os resultados obtidos foram satisfatórios, sendo que novamente o ser denominado Ashtar Sheran voltou a se manifestar. Essa experiência está em seu livro UFOs, A Great New Dawn for Humanity [UFOs, Um Novo Grande Amanhecer para a Humanidade].


A abdução e a mente humana

Rogério Chola

A psicóloga Gilda Moura realizou uma pesquisa sobre o tema abduzidos e contatados em conjunto com os doutores Norman S. Don e Sidney M. Greenfield, da Universidade de Wisconsin (EUA). Os resultados foram apresentados ao doutor John E. Mack, autor do livro Abduções [Editora Educare] e criador do Programa para Pesquisa de Experiências Extraordinárias [Program for Extraordinary Experience Research ou PEER]. A pesquisa de Gilda se baseia no fato de que muitos investigadores – como Jacques Vallée e Jenny Randles – observaram que pessoas que passavam por abduções ou contatos com ETs se encontravam em estados alterados de consciência (ASC). Também observaram que abduzidos e contatados possuem a habilidade de entrar em ASC facilmente.

Consciente de que as pessoas que descreviam encontros freqüentes com alienígenas e anormalidades de ordem eletromagnética em sua vida diária também podiam entrar em ASC com extrema facilidade, no momento em que descreviam um contato mental com alienígenas, Gilda decidiu verificar as atividades elétricas do cérebro destas pessoas enquanto estavam nestes estados alterados. Precisamente, analisou o estudo das funções cerebrais correlacionadas com os estados mentais derivados de experiências ufológicas. Para isso, a estudiosa, junto com o doutor Don, realizaram um projeto para conhecer estas funções através de medições psicofisiológicas.

Santo Daime — Foram feitos registros de eletroencefalograma (EEG) de três diferentes grupos de controles: 17 médiuns tradicionais (incluindo três curadores de efeitos físicos), 24 contatados e abduzidos e 13 membros do movimento Santo Daime. Neste grupo, o objetivo seria registrar os efeitos da ingestão da substância psicoativa ayahuasca nas funções cerebrais. Este líquido é ingerido em rituais do Daime. Gilda descreve sua pesquisa como um árduo trabalho de campo, e informa que enfrentou muitos problemas de metodologia. Do grupo de 24 contatados e abduzidos, somente oito foram totalmente analisados. Em seu estudo, apenas foram incluídas pessoas que reportaram experiências constantes e contínuas com UFOs após tais contatos, pessoas que tinham a capacidade de se auto-induzir a estados ASC, para entrar em contato mental com alienígenas, e aquelas que podiam provocar fenômenos de ordem eletromagnética em sua vida diária – além de algumas com habilidades psíquicas ou paranormais desenvolvidas. Os resultados deste estudo exploratório mostraram que, sob ASC, as pessoas que viveram tais experiências exibem um padrão de ativação cortical de freqüência diferente do estado normal e também diferente de estados de transe ou processos mediúnicos.

O significado e conseqüências deste padrão de ondas cerebrais não são conhecidos. Através da comparação com estudos prévios, os pesquisadores chegaram à conclusão de que este comportamento cerebral envolve a focalização e a ativação de um processo de atenção. Ao mesmo tempo, é um estado de expansão da mente chamado de padrão cerebral superestimulado [Hyperaroused Brain Pattern ou HBP], em que se descreve uma maior clareza mental e rapidez de pensamentos. Outra conclusão é que, provavelmente, este efeito de ativação faria parte de alguma reprogramação de origem não identificada, externa ou não à Terra ou – melhor dizendo – ao nosso universo tridimensional. Estas situações são comumente citadas por alguns contatados.

Ponte com a espiritualidade — Ainda é prematuro se definir uma conclusão geral. No entanto, em seu livro UFO – Contato Alienígena [Editora Atheneu Cultura], Gilda faz uma ponte entre Ufologia, psicologia e espiritualidade, baseada num longo tempo de observação e pesquisa, aonde descreve os processos psicológicos de abduzidos. Estes trabalhos são interessantes para tentar se aproximar do entendimento dos traumas e seqüelas produzidos pelo Fenômeno UFO. Eles nos orientam sobre como transformar os mesmos em um processo positivo. Resumidamente, colocam o fenômeno das abduções e contatos num contexto de evolução da consciência humana. O hipnólogo Mário Rangel também realiza importante trabalho sobre abduções, que resultou no livro Seqüestros Alienígenas. Investigando Ufologia Com e Sem Hipnose [LV-07 da BIBLIOTECA UFO].

Com sua leitura, é possível se chegar a algumas conclusões, mesmo que parciais e limitadas, sobre o que pode estar ocorrendo. O problema maior que enfrentam os ufólogos é analisar a psiquê humana e tentar tirar dela o que não representa uma experiência vivida, mas um processo de origem meramente mental. Basta observar que os padrões humanos de análise sempre se referem a alienígenas bons como sendo bonitos e, os alienígenas maus, como sendo feios. Da mesma forma que uma pessoa pode sentir aversão a insetos, crustáceos etc, o que ocorre, na maioria dos casos, por sua estranha e bizarra aparência. No lado oposto ao raciocínio, por seu aspecto agradável, uma pessoa sente carinho e ternura por um golfinho.

É importante destacar que, independente das pesquisas em abduzidos e contatados, somos constantemente bombardeados por programas e informações – ou desinformações – que apresentam uma imagem hostil para os alienígenas, como sendo violentos e indiferentes em relação aos direitos humanos. A necessidade de impor, de forma subliminar, a possibilidade de uma presença alienígena perigosa e ameaçadora é crucial para a perpetuação da manipulação das informações e o conseqüente distanciamento do ser humano comum desta realidade. Assim, os meios de comunicação submetem-se inconscientemente a esse jogo, servindo de canais de programação mental e ingressando na mente do telespectador que, curioso, busca informação e encontra apenas medo, insegurança e dúvida. O esclarecimento do Fenômeno UFO estará sempre distante, pois as regras deste obscuro jogo são justamente a confusão e a alimentação da controvérsia. E pelo jeito, a situação permanecerá assim por muito tempo.


A mensagem de Ashtar Sheran


Cássia Candra, convidada especial

A maneira mais comum dos extraterrestres entrarem em contato com os terrestres é através da telepatia. Suas mensagens são enviadas, principalmente, quando precisam nos informar sobre os trabalhos que estão desenvolvendo e passar orientações de caráter e consciência, que julgam necessárias ao desenvolvimento da raça humana. A forma como acontecem os contatos é muito bem explicada por uma outra entidade alienígena, Setun Shenar. Em mensagem recebida pelo Centro de Estudos Exobiológicos Ashtar Sheran (CEEAS), em 31 de maio de 1989, Shenar informou que, através de um processo desconhecido dos habitantes da Terra, os ETs utilizam os instrumentos para transmissão de suas mensagens. “Deixamos nosso corpo na nave e, por um processo que vocês chamam de desdobramento, nos situamos no plano espiritual da Terra, aquele que dá origem a todas as manifestações do mundo físico”, disse.

Os contatos com entidades não-terrestres no CEEAS são relativamente freqüentes. A mensagem recebida em maio de 1989 também informou que o estado telepático ideal para o contato se processa de alma para alma, de maneira sutil e incompreensível para o homem comum. Para Shenar, a falta de experiência e de conhecimento espiritual milenar dificulta bastante o que nossos visitantes pretendem explicar através de suas mensagens. “É necessário que o canal seja meditativo, estude profundamente os assuntos espirituais, se discipline e mantenha uma mente universalista, para que não haja interpretação errônea de nossas mensagens”. Segundo Ashtar Sheran, o contato só acontecerá quando a humanidade estiver preparada para receber os seres. E para isso é preciso conhecer seu pensamento.

Ciência — “Quase todos os cientistas cometem o erro de se esforçar para explicar coisas transcendentais usando comparações materiais. Esquecem de que se trata de mundos diferentes que, mesmo em contato, possuem dimensões diversas. Ambos os planos comunicam-se, o que quer dizer que as formas podem ser reciprocamente trocadas ou passadas de um plano ao outro – como com a morte, por exemplo. São desses planos também os pensamentos, impressões espirituais e idéias. Por esta razão, existem seres no universo que podem vencer a morte e mover-se além do espaço e do tempo”.

Deus— “Não há um representante de Deus sobre a Terra. Nenhum homem foi chamado por Ele para representá-lo. A humanidade terrestre possuía um representante com plenos poderes de Deus, que foi barbaramente morto porque conhecia suas leis e condenava a falsificação. O derramamento de sangue nunca será uma libertação, mas uma grave culpa que pesa sobre esse mundo. A teologia possui conhecimento de um semelhante Deus, porém ela lhe atribui qualidades humanas. Um Deus igual ao representado sobre a Terra não existe. Ele seria apenas um ídolo”.

Guerra — “Não podemos, de modo algum, entender como vocês podem dissipar grandes somas para provocar hecatombes e domínio uns sobre os outros, enquanto a verdade cósmica é totalmente oprimida. Teólogos, padres e professores de religiões desse planeta, que resultado tiram de seu ensinamento religioso? Com quais leis e doutrinas relacionadas a Deus vocês persuadiram a humanidade terrestre do amor universal, para evitar guerras cruéis?”

Comunicação — “Tendo que usar seus idiomas, ficamos restritos na maneira de nos expressar. Porém, muito nos desagradaria se nossas palavras, mesmo não indo de encontro ao gosto de vocês, fossem trocadas. Renunciamos ao estilo a favor da verdade absoluta, dirigida a todos vocês”.

Verdade — “Nós, habitantes de outros planetas, sabemos o quanto é difícil combater o fanatismo. Nossa arma é a verdade, visto que outras não podemos usar sem ordem superior. Para isto, passamos por uma preparação inimaginável, a fim de podermos dar-lhes nossa arma, cuja potência combaterá o erro evidente”.

Centro de Estudos— O CEEAS é uma instituição sem fins lucrativos e de utilidade pública, desde 1982. Fundada oficialmente em 17 de setembro de 1973 pelo eletrotécnico baiano Paulo Fernandes, que viveu os últimos 12 anos de sua vida exercitando o compromisso que assumiu com Ashtar Sheran, quando o encontrou, em 02 de julho de 1969, em Salvador (BA), que é narrado em seu livro O Jovem que se Encontrava com Extraterrestres. A entidade realiza sua pesquisa e ação em bases filosóficas, científicas e espiritualistas. Seu objetivo maior é a investigação da exobiologia e a evolução das espécies no universo.
Presidido pela pedagoga, ufóloga e conferencistas Ana Santos, o CEEAS tem filiais em São Paulo, Curitiba, Brasília e Rio Grande do Norte, a maioria delas realizando o mesmo programa da matriz, mantendo uma agenda de reuniões abertas ao público para abordar temas diversos dentro do caráter do centro de estudos. Nas duas últimas décadas, a instituição vem promovendo congressos e exposições onde a Ufologia é tratada com seriedade.

O CEEAS editou quatro volumes baseados nos con