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A Ufologia Brasileira de luto pela perda de dois de seus principais pioneiros

01.04.11 - 10h41
crédito: Arquivo Revista UFO
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Dois pilares da Ufologia deixaram a existência física, mas permanecerão orientando e inspirando-nos por onde estiverem

Já não temos mais a companhia de ufólogos que começaram suas atividades de investigação praticamente na época do surgimento do Fenômeno UFO, ainda nos anos 40 e 50, e que ajudaram a construir a pesquisa do assunto no país e a mentalidade que hoje nos faz ter a certeza de que não estamos sós.

Dias 10 e 12 de dezembro de 2010 — datas que ficarão para sempre na história da Ufologia Brasileira, por marcarem o falecimento de nossos grandes pioneiros José Victor Soares e Irene Granchi. Ele às 06h00 do dia 10, uma sexta-feira, no interior do Rio Grande do Sul. Ela pouco depois do almoço do dia 12, domingo, no Rio de Janeiro. Suas partidas abalaram como nunca antes a comunidade ufológica, que hoje se sente órfã. É difícil falar em Ufologia neste país sem falar da história de vida de Victor e de dona Irene, ele consultor e ela presidente do Conselho Editorial da Revista UFO desde o início de nossa trajetória. Inspiradores de nosso trabalho, conselheiros fiéis, amigos eternos, ambos também eram estrangeiros que adotaram o Brasil — Victor nasceu nos Açores, em 1931, e dona Irene na Alemanha, em 1913.

Victor vinha lutando obstinadamente contra o câncer, mas não resistiu e nos deixou aos 79 anos. Dona Irene, apesar da saúde agravada pelo diabetes há décadas, partiu aos 97 anos, recém completados. Suas influências sobre a Ufologia Brasileira se confundem com as que produziram sobre a Revista UFO. Tive a honra e a alegria de compartilhar a companhia e receber os ensinamentos de ambos desde minha adolescência, aprendendo muito com estes grandes mestres que ajudaram a edificar a disciplina no Brasil. Foi seguindo seus exemplos de vida e contando continuamente com sua inspiração que um dia, em 1985, lancei a revista Ufologia Nacional & Internacional, substituída em 1988 pela UFO — hoje a mais antiga publicação especializada na pesquisa dos discos voadores em todo o planeta Terra. Jamais teria conseguido sem a ajuda deles, e também de um terceiro grande personagem de nossa história, o general Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, falecido em 1996. Este sempre foi o triângulo sobre o qual esta publicação foi edificada.

"Uma instituição de pesquisas"

José Victor Soares deu inestimáveis contribuições à Ufologia Brasileira e foi entrevistado várias vezes por esta revista, sendo a última na edição UFO 147, em um trabalho realizado pelo colaborador Daniel Conrado. Ele tinha artigos publicados também na Inglaterra, Argentina, França, Espanha e Itália. Sua maior contribuição estava na investigação de campo, modalidade que ensinou a gerações de ufólogos. "Deve-se ir aonde os fatos ocorrem e olhar as testemunhas nos olhos", ensinava. Investigou exemplarmente casos de abduções e mutilações de animais, principalmente no Rio Grande do Sul. Era meticuloso e detalhista, mantendo arquivos impecavelmente organizados, apesar de suas humildes condições. "O Victor não é um ufólogo, é uma instituição de pesquisas", dizia o general Uchôa. Ele jamais deixava de atender com atenção a todos que o procuravam. Passei inúmeros finais de semana em seu sítio, desfrutando de sua amizade, de sua sabedoria e também de sua enorme hospitalidade.

Irene Granchi também teve forte penetração na Ufologia Mundial, deixando um legado igualmente valioso. Ela foi a primeira ufóloga brasileira e sempre demonstrou muita dedicação e esforço, sem se importar com os riscos pelos quais passava para realizar seu trabalho, iniciado depois de avistar um UFO nos anos 40, no interior do Rio de Janeiro. "Jamais descansarei enquanto não descobrir tudo o que puder sobre estes aparelhos", dizia. E nunca descansou, seguindo sua vocação para pesquisar e ensinar Ufologia a várias gerações. Ela conviveu com grandes luminares estrangeiros, como J. A. Hynek, Jim e Coral Lorenzen, com os quais levou nossos principais casos para o conhecimento de todo o planeta — por suas mãos passaram as mais impressionantes abduções, como as de Antônio Villas-Boas e de Luli Oswald, entre dezenas. Também foi entrevistada pela Revista UFO em várias ocasiões, sendo a última a edição 146, em um trabalho do ex-consultor Cláudio Suenaga.

Fui igualmente recebido inúmeras vezes por dona Irene, sendo a primeira em 1982, aos 20 anos, quando, sem nunca ter me visto antes, me hospedou durante minha participação em um evento que promovia no Rio. Em meus momentos ao seu lado, aprendi uma outra dimensão do Fenômeno UFO, que ela já conhecia bem antes de todos nós: seu aspecto imaterial. "Não importa tanto saber como funcionam estas máquinas, mas sim quem as pilota, de que são feitos esses seres, como pensam e como nos vêem", dizia.

"Eles podem ser muito diferentes"

Já nos anos 80 dona Irene sabia de coisas sobre a presença alienígena na Terra que apenas hoje muitos ufólogos suspeitam. Victor também. Para ele estava claro, desde o princípio da Era Moderna dos Discos Voadores, que estávamos sendo visitados por inúmeras espécies cósmicas. "E se é assim, é óbvio que eles podem ser muito diferentes entre si", falava. Mas o que unia estes grandes personagens da Ufologia Brasileira eram duas qualidades raras: pesquisar a fundo o fenômeno e compartilhar os resultados sem reservas. Eles me ensinaram o que pratico até hoje: Ufologia só se faz com a mente aberta, com os pés no chão e com a divisão de informações. Ninguém faz Ufologia de qualidade sozinho.

Além de toda a contribuição que José Victor Soares e Irene Granchi deram à Ufologia Brasileira e Mundial, eles também podem ser considerados os primeiros em nosso país na busca da abertura ufológica, denunciando as ações governamentais de acobertamento e a política internacional de sigilo aos UFOs. Eles são, por isso mesmo, inspiradores da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) e de sua vitoriosa campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, que hoje rende a eles sua eterna homenagem, ao lado de todo o Conselho Editorial da revista que ajudaram a fundar e a construir, e cuja trajetória solidificaram com seus exemplos. Se estamos perto de completar quase três décadas de existência, com certeza, foi seguindo o legado desses dois pioneiros.

Que descansem em paz!

"Pesquisei muitos casos de observações de UFOs e contatos com seus tripulantes, mas a sensação que eu tenho é que, quanto mais tento encontrar respostas para o fenômeno, mais perguntas aparecem à minha frente." (Irene Granchi)

"A investigação dos discos voadores deve acontecer no local onde os fatos se dão. O ufólogo deve ir lá, conhecer o local, examinar as evidências. Mas, sobretudo, deve ‘sentir’ as testemunhas, ver como elas estão." (José Victor Soares)

Nota: texto publicado na seção Mensagem do Editor de UFO 174, fevereiro de 2011. Veja fotos de Dna Irene e Victor Soares, clicando aqui.

A Ufologia Brasileira está apática. O que pode se esperar dela?

27.08.10 - 06h50
crédito: ARQUIVO UFO
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Nossa querida Irene Granchi, a matriarca da Ufologia Brasileira, é apenas um de nossos grandes pioneiros, gente que desbravou as picadas por onde hj queremos construir estradas. Estes pioneiros nos deram um exemplo a seguir, resta fazê-lo

Um recente estudo feito pela Revista UFO para testar o nível de produtividade da Ufologia Brasileira, representada principalmente por seus investigadores, grupos de pesquisas e as atividades que realizam – entre eles, os congressos de Ufologia –, mostrou um estado preocupante. A Ufologia que herdamos de nossos pioneiros está apática e com uma baixíssima taxa de produção de novas idéias, pesquisas e investigações, com poucos novos talentos e quase nenhuma atividade dos já conhecidos.

E, pior, está demasiadamente entrincheirada na internet, onde se “pratica” mais de 70% da Ufologia que acontece hoje no país, como se fosse possível dissociar a pesquisa da ação de outras espécies cósmicas em nosso planeta da tradicional investigação de campo, do contato com as testemunhas, da averiguação in locu dos fatos. Infelizmente, a maioria dos “ufólogos” de hoje pensa assim e acha que manter um site ou um blog sobre o assunto substitui a prática da Ufologia que nos ensinaram nossos antecessores.

Mais preocupante ainda é que, entre os blogs e sites que surgem a cada dia, boa parte não passa de espaços onde se repete o óbvio, com baixa criatividade e qualidade. E este óbvio é geralmente composto por material estrangeiro sem grande valor informativo, muitas vezes defasado e sem respaldo para a Ufologia de hoje, com novos fatos a desafiar nosso raciocínio a cada dia.

Tais espaços estão muito aquém da grandiosidade da presença alienígena na Terra, praticando, em geral, uma Ufologia estagnada e pouco realista. Isso quando não promovem um festival de plágio e roubo de propriedade intelectual, onde artigos de outros sites ou publicados fora da internet são reproduzidos e mantidos sem uma única menção honesta aos seus autores, com a maior desfaçatez e sem o mínimo respeito a quem gerou a informação plagiada e roubada. Esse comportamento é uma lástima que, infelizmente, parece crescer como tudo na internet, ou seja, sem controle.

O fim do intercâmbio entre os grupos


A situação dos grupos ufológicos é também desalentadora. As associações de pesquisadores tradicionais do passado, tão numerosas e ativas nas décadas de 70, 80 e ainda os anos 90, já não existem mais ou estão cada vez mais raras. Os grupos de estudiosos que antes se reuniam para discutir novos casos ou metodologias, que debatiam o assunto com vistas ao crescimento individual de seus integrantes e da sociedade – em ação que era para ela extremamente útil –, escasseiam.

Eles antes tinham nomes que verdadeiramente correspondiam à sua natureza, representatividade e atividade, mas os poucos que restam hoje, apesar de carregarem termos pomposos como “instituto nacional”, “grupo brasileiro”, “centro de investigações”, geralmente são compostos por um único elemento, que pratica sua Ufologia muito particular e pouco a compartilha com os demais.

Na mesma enfermaria em que padecem os pesquisadores individuais e grupos de pesquisas também estão outros produtos muito importantes de suas atividades, suas publicações, que no passado também eram forte característica da Ufologia Brasileira. Eram boletins, jornalzinhos e circulares ora produzidos com mimeógrafos, ora xerografados ou, coisa rara, impressos em gráficas, que continham um extrato do trabalho das entidades que os publicavam.

Hoje eles simplesmente sumiram – uma honrosa exceção, entre poucas, vai para o UFO Informe, esmeradamente produzido pelo Grupo de Pesquisas Ufológicas (GPU), de Americana (SP), que ainda circula entre estudiosos. Estes veículos, ainda que modestos, como de fato era a maioria deles, já foram dezenas no passado e tinham a importantíssima função de promover um intercâmbio sadio de informações com os grupos existentes, um verdadeiro compartilhamento de informações que hoje inexiste e não foi substituído pela internet.


A maior das ervas daninhas precisa ser combatida com energia


E o ceticismo que cresce na Ufologia, o que dizer dele? Esta é a erva daninha ainda mais destrutiva, especialmente quando parte de ufólogos antes produtivos que simplesmente sucumbiram às suas frustrações pessoais e à falta de alcance em Ufologia, e a culpam pela sensação de que desperdiçaram o tempo a ela dedicado. Vimos isso recentemente.

Mas, pior ainda, é quando o ceticismo parte de neófitos que têm zero de informação e experiência ufológica, indivíduos que, movidos por semelhantes frustrações, exteriorizam sua incredulidade até com relação aos fatos mais batidos da Ufologia, desferindo-lhe críticas para se sentirem ajustados consigo mesmos. Como alguns hoje “ex-ufólogos”, tais céticos usam um acontecimento de inigualável relevância para a humanidade – o Fenômeno UFO – para ocuparem espaço, atingirem alguma visibilidade entre seus colegas de trabalho, amigos de escola ou faculdade, parceiros de Orkut e Twitter etc, nem que para isso usem a Ufologia como tábua de escoramento de suas personalidades em conflito.

A se constatar o quadro que aí está, vê-se hoje que o ceticismo cresce em ritmo acelerado, não por ser uma opção melhor à pesquisa ufológica, mas justamente pela falta dela onde antes havia. Céticos sem qualquer conhecimento apurado da questão, cujo grande talento está na tradução de material estrangeiro para o português – geralmente publicado em países onde outros céticos igualmente deslumbrados cumprem a mesma tarefa de reverenciar mentes vazias –, sentem-se à vontade para criticar aquilo que não ajudaram a construir.

O tão alentado ceticismo na Ufologia Brasileira – por incrível que pareça, fortalecido por “ex-ufólogos” que já tiveram papel relevante na Comunidade Ufológica Brasileira e fraquejaram diante de suas frustrações pessoais –, nada mais é do que um arremedo, apenas a prática sistemática e tola de pura negação. Ele cresce, sim, mas não por ter qualidade ou por ser uma opção melhor à pesquisa ufológica, mas pela ausência de seus praticantes, que não saem mais a campo para defender o que eles sim ajudaram a construir.


Mudanças que precisamos no futuro devem começar agora


Há solução para este quadro? Sim, há. Ela pode ocorrer de duas maneiras, pelo menos. Primeiro, como resultado de algum acontecimento significativo no meio ufológico, algo que o acorde, tal como um novo Caso Varginha, uma nova Noite Oficial dos UFOs no Brasil, ou a descoberta de uma nova Operação Prato etc – ainda que a letargia possa deixar tais novos fatos passarem batidos. Ou, numa segunda opção, considerando que para a primeira tem-se que contar com uma boa dose de sorte, o meio ufológico despertar por si só, levantar-se de seu torpor e reconhecer na continuidade da manifestação ufológica no planeta, cada vez mais persistente e contundente, algo de grande importância – como parece que os ufólogos brasileiros esqueceram.

Quiçá, com isso, restabeleçam suas atividades, seu intercâmbio, a apresentação de novas idéias e o surgimento de novos talentos. E que, em momento imediatamente seguinte, a Comunidade Ufológica Brasileira refute o ceticismo nefasto que hoje se expande por não encontrar obstáculo. Enfim, que os exemplos de nosso glorioso passado inspirem as mudanças que precisamos no futuro.

ENQUETE
Caso você visse um disco voador pousado, o que faria?
Iria ao seu encontro e tentaria estabelecer contato com os tripulantes.
Observaria a distância e me aproximaria apenas caso recebesse um convite.
Jamais me aproximaria do objeto e nem dos tripulantes.
Chamaria a polícia.
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