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O início do 6º apocalipse

08.04.11 - 08h04

Reproduzo aqui no blog uma interessante matéria que vi no Estadao.com.br. Ela fala sobre o fato de estarmos a beira de um novo apocalipse. Nada tão fantástico, espetacular ou trágico como desenha os filmes americanos. A matéria sugere que o processo é gradual e flui de forma natural.

 

 


Nos últimos 500 milhões de anos ocorreram cinco extinções em massa. A última, faz 65 milhões de anos, liquidou os dinossauros e, com eles, mais de 75% das espécies de seres vivos. Agora um grupo de cientistas compilou tudo que sabemos sobre esses cinco episódios de extinção com o objetivo de responder a uma pergunta: será que a extinção de espécies que estamos observando nos últimos séculos é o início da sexta extinção em massa?

 

A vida surgiu no planeta há 3,5 bilhões de anos, mas somente nos últimos 500 milhões de anos surgiram seres vivos com partes sólidas (esqueletos e carapaças), que podem ser preservados sob a forma de fósseis. Durante esse período muitas espécies novas surgiram, mas a maioria delas já se extinguiu. Apesar de não sabermos o número exato de espécies que habitam hoje o planeta, ou o número de espécies que existiram no passado, sabemos que a biodiversidade encontrada nos registros fósseis é muito maior que a biodiversidade existente hoje na Terra. Das 4 bilhões de espécies que já habitaram o planeta talvez somente 40 milhões se encontram entre nós. Mais de 99% da biodiversidade que já habitou a Terra está extinta.

 

O surgimento e o desaparecimento de espécies ocorrem constantemente, mas, como o processo é lento em relação ao tempo que cada um de nós permanece vivo, temos a ilusão de que a vida na Terra é relativamente estável. A verdade é que o estudo das diferentes camadas de fósseis mostra que houve cinco grandes extinções, definidas como períodos em que mais de 75% das espécies foram extintas ao longo de uns poucos milhares de anos.

 

Renovação

Apesar desses episódios parecerem catastróficos, foram eles que permitiram a renovação dos tipos de seres vivos que habitavam o planeta. Foi com a extinção dos dinossauros 65 milhões de anos atrás que os mamíferos tiveram a chance de florescer e se diversificar, originando os primatas e, recentemente (menos de 500 mil anos), o Homo sapiens. Mesmo os dinossauros só puderam ocupar um espaço relevante no planeta com o desaparecimento de seus antepassados na grande extinção que ocorreu faz 200 milhões de anos.

 

A primeira grande extinção ocorreu há 443 milhões de anos e liquidou 86% das espécies; a segunda, 359 milhões de anos atrás, liquidou 75% dos seres vivos. As seguintes, há 251 milhões, 200 milhões e 65 milhões de anos, liquidaram respectivamente 96%, 80% e 76% das espécies. Não se sabe ao certo as causas de cada grande extinção, mas em todas se acredita que houve uma mudança rápida (ao longo de poucos milhares de anos) no ambiente, seja por causa de mudanças de temperatura (443 milhões e 359 milhões de anos atrás), de grandes erupções vulcânicas ou a queda de meteoritos (251 milhões e 65 milhões de anos atrás) ou do aquecimento global e aumento da quantidade de gases de efeito estufa (200 milhões de anos atrás).

 

Os cientistas acreditam que em todos os casos houve uma combinação de fatores que alterou o meio ambiente, provocando a morte de grande parte dos seres vivos. Quando os cientistas analisaram o que sabemos sobre a atual perda de biodiversidade provocada, a destruição de diversos ecossistemas e as mudanças climáticas, e compararam com o que ocorreu no passado, chegaram à conclusão de que a perda recente de biodiversidade não é suficientemente extensa para caracterizar o que está ocorrendo como o sexto grande evento de extinção. Mas quando a possibilidade de extinção de todas as espécies que hoje são listadas como ameaçadas de extinção foi incluída na análise, a perda de biodiversidade é suficientemente grande para classificar o processo como a sexta grande extinção, capaz de destruir mais de 75% das formas de vida existentes.

 

Incertezas

O que fica evidente é que a incerteza na avaliação das perdas atuais de biodiversidade e na estimativa do número de espécies presentes hoje no planeta (não sabemos ainda o que existe em ambientes como a Amazônia), combinado com o pouco que sabemos sobre o que ocorreu nos outros cinco eventos de extinção, faz com que esta análise, apesar de extremamente importante, ainda esteja sujeita a muitas incertezas. Mas se o que está ocorrendo no planeta for o início da sexta grande extinção, estamos vivendo o início do verdadeiro apocalipse.

 

Como grande parte das mudanças que estão ocorrendo é causada pelo homem, e ainda pode ser parcialmente revertida, talvez seja possível evitar que tenhamos o mesmo destino dos dinossauros. Por outro lado, talvez tenha chegado a hora de seguirmos o exemplo e cedermos nosso lugar para outras formas de vida.

 

 

 

Vejo vocês no próximo post. Enquanto isso estou no twitter: www.twitter.com/jonatasmobile.

 

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