As capas originais de Batman: Livro dos Mortos; as nacionais são idênticas, exceto pela mudança de idioma
Retornando finalmente ao tema de alienígenas nos quadrinhos, o foco agora é a DC Comics, uma das gigantes da área, ao lado da Marvel. Mas o caso da DC é particularmente emblemático, já que um de seus personagens principais é um alienígena. Claro que estamos falando do Super-Homem, atualmente referido apenas como Superman graças a padronização que está virando regra na indústria do entretenimento.
Ainda podemos mencionar o caso do Lanterna Verde, o primeiro dos quais aliás foi Hal Jordan (houve um antes chamado Alan Scott, mas para explicar a longa linhagem de Lanternas Verdes precisaríamos de um post inteiro). O anel que lhe confere poder é conhecido como a mais fabulosa arma que existe, uma tecnologia alienígena criada pelos seres do Planeta Oa chamados de Guardiões do Universo. O personagem, aliás, terá um filme que estreará em 2011.
Mas um dos personagens que teve as maiores mudanças e variações, e também esteve diante da maior variedade de alienígenas, é aquele considerado por muitos como o maior herói de todos: Batman! Ao contrário de seus colegas, o Cavaleiro das Trevas é totalmente humano, mas graças a sua férrea disciplina, e talvez também boa dose de obsessão, tornou-se o ápice do desenvolvimento físico e mental a que qualquer humano pode aspirar.
Batman, criado por Bob Kane e Bill Finger, estreou em maio de 1939 na revista Detective Comics 27. No começo já possuía as qualidade de ser um detetive excepcional, combatendo o crime nas escuras ruas de Gothan City. Na famigerada época de caça as bruxas no começo dos anos 50 os quadrinhos foram duramente atingidos, e suas histórias tornaram-se bizarras e com muita non sense.
Na década de 60 com a famosa série de TV, Batman ganhou popularidade, mas seus quadrinhos experimentavam franca decadência. Foi preciso que o genial artista Neil Adams, entre o final dos anos 60 e início dos anos 70, retomasse o tom sombrio de suas histórias para que renascesse o personagem soturno e não raro violento que conhecemos hoje.
Nos anos 80 a popularidade do Morcego chegou as alturas com a celebração de seu cinquentenário em 1989, e sobretudo quando, antes dessa comemoração, em 1986 foi publicada a antológica série O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Mostrando uma Gothan em um futuro próximo e caótico, o alter ego do herói, Bruce Wayne, retoma o manto do justiceiro aos 55 anos, tornando-se uma ameaça que faz com que o governo americano use sua arma secreta: o Superman. O confronto dos dois emocionou toda uma geração.
E finalmente, quanto ao tema que nos interessa, Batman já apareceu em diversas histórias alternativas, até enfrentando o asqueroso Alien e o feroz Predador. Ele teve várias histórias também publicadas pela DC na série Túnel do Tempo (Elseworlds no exterior). Em uma delas foi abduzido em Batman: Abduzido, e em uma sequência desta, investigou uma famosa base secreta em Batman: Área 51. Evidentemente, em um mundo onde o mais poderoso herói é um alienígena, não fazem muito sentido aliens grays ou a base secreta de Nevada, mas as duas HQs são interessantes.
Em outra publicação dessa série, o bebê Kal-El, enviado de Krypton, chegou a Terra e foi adotado não pelos Kent, mas pelos Wayne. E após seu assassinato, um Bruce Wayne superpoderoso tornou-se o Morcego de Aço. Poderíamos mencionar ainda O Reino do Amanhã, mostrando um futuro apocalíptico em que os velhos heróis retornam para conter seus novos e violentos sucessores.
Mas a melhor trama envolvendo Batman e alienígenas é sem dúvida O Livro dos Mortos. O selo Túnel do Tempo mostra realidades alternativas as já conhecidas dos heróis, e nesta o casal Wayne tem por profissão a arqueologia, e são assassinados com o fim de acobertar algo que não deveriam ter descoberto: um símbolo em forma de morcego de um deus egípcio antes desconhecido.
Paralelamente, vemos o que aconteceu mais de 12.000 anos antes, quando alienígenas posando como deuses constroem as Pirâmides de Gizé para servirem de depósitos de seu avançado conhecimento, destinado a sobreviver a mudança dos pólos que ocorreria devido ao fenômeno da precessão dos equinócios. A Dra. Ramsey explica a Wayne as teorias de Graham Hancock, Anthony West e Robert Bauvau, de que a História da humanidade possui lacunas importantes e que eles estão a um passo de poder preenchê-las.
Wayne se convence e eles partem para o Egito. Enfrentando a hostilidade das autoridades locais conseguem mais pistas, culminando com Batman percorrendo um labirinto que os pesquisadores mencionados afirmam existir sob as areias de Gizé, até o local onde os deuses-astronautas deixaram seu legado para toda a humanidade. Falamos brevemente dessa excepcional trama em UFO 141.
O Livro dos Mortos é uma aventura cheia de investigação e muita ação, bem ao estilo Batman, e enfocando com muita competência a UFO-Arqueologia. Ao final de seus dois volumes existem listas com as obras de consagrados pesquisadores, que apresentam as teorias que serviram de base para a trama. A investigação do robô de Rudolf Gantenbrink em 1992 (os personagens fazem algo similar na trama), e as profecias de Edgar Cayce são igualmente mencionadas, fazendo de Livro dos Mortos, além de uma das melhores histórias do Batman já escritas, uma obra que também traz muito conteúdo ufológico.
Tive a grande satisfação de no último sábado, 20 de novembro, participar da Jedicon SP 2010, organizada pelo Conselho Jedi São Paulo. Apesar de dedicado majoritariamente ao universo de Star Wars, ou Guerra nas Estrelas, o evento também é aberto a outros universos da fantasia e ficção científica.
A grande novidade desta edição foi a presença de grande número de escritores da literatura fantástica, boa parte deles que participaram do lançamento de vários livros dentro da programação da Jedicon. E foi um prazer participar de duas das coletâneas lançadas, a saber, Histórias Fantásticas Volume 1 (Cidadela/Estronho), e Medieval Sci-Fi (Literata/Estronho).
Para Histórias Fantásticas, contribuí com um conto inspirado pelo extraordinário desenho em forma de flecha que surgiu nos campos cultivados de Ipuaçu em 2009. Já para Medieval Sci-Fi, que é o primeiro volume da Coleção Extraneus do selo Estronho (que aliás acaba de se transformar em editora), meu conto é baseado na lenda de Merlin, e em teorias do que pode representar a fabulosa construção megalítica de Stonehenge.
Os dois livros foram um sucesso na Jedicon, e os exemplares disponíveis esgotaram-se rapidamente. Também tive o prazer de participar de um bate-papo no alditório com outros colegas escritores, e todos manifestaram a alegria de estar presentes em um evento que já vai formando sua própria tradição, em sua 11º edição.
Para o site Aumanack, do qual sou co-editor, escrevi a cobertura do evento, acompanhada por algumas fotos. Em meu blog EscritorcomR fiz mais alguns comentários, e também publiquei um conto em homenagem a Jedicon, como se alguns de meus personagens fossem frequentar essa grande festa. Ainda gostaria de recomendar alguns vídeos já disponibilizados no You Tube, como o da Orquestra de Cubatão executando os temas da Saga Star Wars, Darth Vader em pessoa regendo a Marcha Imperial, e um rápido passeio pelo stand dos escritores.
Foi um grande evento, que só comprovou a força que os que "militam" dentro da cultura fantástica podem experimentar, se praticarem a união. A respeito dos demais projetos, continuam experimentando um crescente sucesso os demais livros de que tomei parte, a antologia Ufo: Contos Não Identificados (Literata), e meu livro solo De Roswell a Varginha (Tarja). Já tenho convites para novas antologias, onde deverei abordar outras temáticas além dos extraterrestres.
O seriado The Lonegunmen apresentou um ataque ao World Trade Center meses antes dos atentados de 11 de setembro de 2001
Interrompo apenas temporariamente a série de posts sobre UFOs nos quadrinhos, a fim de explorar um dos assuntos que estão presentes na atual edição 171 de UFO, discutidos na entrevista que tive a grande satisfação de realizar com o pesquisador americano Jim Marrs.
Como, além de consultor de UFO, sou também escritor de Ficção Científica, foi com muito prazer que descobri que Jim é apreciador do gênero, considerando inclusive que, em diversas obras, se aproximou mais da realidade do que jamais poderíamos supor. O alcance da imaginação humana, realmente, parece ilimitado, e esse alcance muitas vezes é surpreendente.
Refiro-me especialmente ao trio de personagens The Lonegunmen, conhecido aqui no Brasil como Pistoleiros Solitários. Melvin Frohike, Richard “Ringo” Langly e John Fitzgerald Byers apareceram pela primeira vez no seriado Arquivo-X, no episódio E.B.E. da primeira temporada.
Na trama, um UFO é derrubado na fronteira entre Iraque e Turquia, e a seguir transladado para os Estados Unidos. Contudo outra nave aborda o caminhão que, sabemos depois, pode estar transportando o piloto do ovni. Os agentes Fox Mulder e Dana Scully saem para investigar, e pela primeira vez descobrimos que Mulder tem um trio de amigos que publicam um tablóide que trata de conspirações e vigiam o governo.
O tablóide se chama The Lonegunman. O primeiro encontro entre os agentes e os Pistoleiros é bastante divertido (naturalmente, Mulder já os conhecia de longa data, como seria mostrado no episódio da quinta temporada, Suspeitos Incomuns), com destaque para os galanteios de Frohike para Scully.
A atração do mais velho dos Pistoleiros pela agente, aliás, não ficou apenas no humor, pois Frohike foi o único a visitar Scully quando esta retornou de sua abdução na segunda temporada. O fato é que os Pistoleiros desde E.B.E., que aqui recebeu o título O Ser do Espaço, passaram a auxiliar o casal de agentes do FBI em suas complicadas investigações.
O humor sempre esteve presente em Arquivo-X, não apenas entre o casal protagonista, mas também e especialmente com o Trio Inseparável, outro apelido que ficou como consequência do episódio Three of a Kind da sexta temporada. Se a idéia original dos produtores era que o trio tivesse apenas uma aparição, o imenso sucesso e o carinho dos fãs pelos personagens fez com que retornassem em diversos episódios.
Byers, Langly e Frohike naturalmente não poderiam ficar de fora da melhor sequência de episódios da história da série, começando com o final da segunda temporada em Anasazi, seguindo pelos episódios O Caminho da Cura e Operação Clipe de Papel, os dois primeiros da segunda temporada. A presença do trio foi essencial para que Mulder tivesse contato com o personagem Pensador, e se apossasse de uma fita digital com arquivos secretos sobre UFOs do governo americano.
Anda ouviríamos a respeito dessa fita e dos arquivos ao longo da segunda temporada, nos episódios Os Japoneses e O Falso Alienígena, e em O Mistério do Piper Maru II e II. Infelizmente, Arquivo-X começou a perder a coerência em sua mitologia a partir da quinta temporada.
Naturalmente os Pistoleiros apareceriam no primeiro filme, Fight the Future, e seguiram fazendo a alegria dos fãs até a nona e última temporada. O amargo episódio Pegando o Tubarão, nesta, representou o fim da linha para o trio, encurralado em um cômodo prestes a ser tomado por uma substância letal. A cena seguinte mostra três caixões em um cemitério. Mas, como fãs de Arquivo-X apreciam acima de tudo uma boa conspiração, alguns acreditam que na verdade eles não morreram.
Algumas justificativas são elencadas para essa crença: Chris Carter, criado de Arquivo-X, disse certa vez que “ninguém morre realmente em Arquivo-X”; jamais foram mostrados os corpos dos Pistoleiros; e como Fox Mulder foi capaz de não estar presente ao enterro de seus amigos? Tenho orgulho, aliás, de me colocar entre os que defendem que os Pistoleiros não morreram, e inclusive escrevi uma fanfiction a respeito, intitulada Heróis Nunca Morrem e mesclando o universo de Arquivo-X e Pistoleiros Solitários com outro seriado de sucesso, 24 Horas. A recepção foi excelente, o que me deixou muito satisfeito. A fanfiction está disponível no melhor site sobre Arquivo-X em língua portuguesa, o X-Fonte.
Mas retornando ao Trio Inseparável, em meio a oitava temporada de Arquivo-X, os Pistoleiros Solitários finalmente tinham sua própria série. Já no episódio piloto, uma das primeiras cenas mostrava o que seria uma constante, ação, tramas intrincadas e muito humor, quando Frohike imita a famosa cena de Tom Cruise no filme Missão Impossível.
Naturalmente eles conseguem impedir o atentado, que fora planejado por uma facção das chamadas “organizações negras” do governo americano, ansiosa por arrumar inimigos com o fim de incentivar a indústria bélica e abocanhar uma fatia maior do polpudo orçamento da defesa. Como fica muito claro lendo a entrevista de Marrs em UFO 171, essa série, juntamente com Arquivo-X, permanece bastante atual.
O spin-off (série derivada), de Arquivo-X teve outros grandes episódios. No quarto, por exemplo, eles têm que proteger a invenção de um cientista genial, falecido anos antes, um carro movido a água desejado pelas poderosas multinacionais. Destaque para a abertura, mostrando cada um dos três na infância, apresentado em um tom que exalta o heroísmo do trio.
No episódio All About Yves, ocorre a participação muito especial de Fox Mulder, quando os Pistoleiros se envolvem em uma trama que supostamente pode explicar todas as conspirações do governo norte-americano. Destaque, nesse e outros episódios, para Yves Adele Harlow, outra hacker que freqüentemente os enganava para seu próprio proveito.
O nome da moça (interpretada pela bela Zuleika Robinson) é falso, e é um anagrama para Lee Harvey Oswald, o suposto assassino do presidente John Fitzgerald Kennedy. Esse também um assunto recorrente para os Pistoleiros, especialmente para Byers, batizado em homenagem ao presidente, cujo assassinato nunca parou de ser investigado pelo trio. Naturalmente eles também se dedicavam a buscar explicações para a morte de Elvis Presley, e escarafunchar os maiores segredos do governo americano.
Infelizmente, a série dos Pistoleiros Solitários durou somente 13 episódios. No exterior ela já foi lançada em DVD, e é inexplicável, diante do sucesso estrondoso de Arquivo-X no mercado brasileiro, que não esteja disponível aqui. Ainda existe uma história em quadrinhos do trio, lançada em um único número, e que esteve disponível no Brasil em lojas especializadas por um curto período.
De qualquer forma, Byers, Frohike e Langly têm lugar cativo no coração de todo fã de Arquivo-X como personagens indispensáveis dentro do cenário geral desse universo já clássico. E suas investigações a respeito de inúmeras conspirações comprovam que suas histórias ainda significam algo no mundo de hoje, ainda mais quando um pesquisador tão importante como Jim Marrs repete quase as mesmas palavras de Byers no episódio O Ser do Espaço, a respeito de um governo sombrio dentro do governo, vigiando cada um de nossos passos.
Adendo 1: Em meu livro De Roswell a Varginha (Tarja Editorial), dou início a um universo que terá sequência em outros livros, e em contos já publicados em meu blog Escritor com R. E entre os personagens, me inspirei nos Pistoleiros Solitários a fim de criar um trio de hackers que age em São Paulo e todo o Brasil. Porém, meus personagens tem mais recursos e muito mais “malandragem” do que eles.
Adendo 2: No próximo dia 20 de novembro acontecerá em São Paulo a Jedicon, promovida pelo Conselho Jedi São Paulo. Estarei presente participando de um bate-papo sobre literatura fantástica, e também no lançamento de duas novas antologias de Ficção Científica, Medieval Sci-Fi e Histórias Fantásticas Volume 1, das quais participo. Convido a todos a comparecer.
O plano original ao começar a série de posts sobre HQs seria intercalar com outros assuntos. Mas a repercussão foi tão boa que na sequência voltamos ao tema. Hoje, com uma HQ legitimamente nacional, a Manticore, lançada ao final dos anos 1990 pela editora Nona Arte.
As duas edições foram lançadas respectivamente em setembro e outubro de 1998, com roteiro de Gian Danton, e arte de Antonio Eder, José Aguiar, Luciano Lagares, e Márcio Freire. O tema central era o chupacabras, que naquele ano estava ocupando a mídia, com muitos casos sendo relatados.
Na trama, a misteriosa criatura surge atacando rebanhos e criações, motivando a contratação de um detetive por parte de um militar aposentado, identificado apenas como Coronel. Ao mesmo tempo, um senhor encontra a criatura e a acolhe, estranhamente sem nenhum medo, e tem início uma viagem, do ponto inicial em Minas Gerais até Curitiba.
O detetive, incrédulo a princípio, passa a seguir as pistas. Nesse ponto, entremeadas a história principal, vemos quadrinhos com formato de telas de TV apresentando noticiários a respeito da criatura e seus ataques, e também as teorias a respeito.
Estas passam de alienígenas a experimentos genéticos, e até um especialista em vídeo chamado "Claudeir Covosky", merecida homenagem ao grande pesquisador Claudeir Covo, é visto. Importante lembrar que o formato de tela de TV exibindo noticiários em meio a história principal surgiu pela primeira vez na clássica HQ dos anos 1980, Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.
Existe ainda uma cena em um local no Brasil Central, onde uma equipe militar tem um encontro nada amistoso com outras criaturas. Chegando a Curitiba, o detetive finalmente encontra o chupacabras em um final impactante e trágico.
A história tem sequência no número 2 da Manticore, quando descobrimos mais a respeito do Coronel. Ele é uma figura do submundo que literalmente comanda o Brasil desde o governo Vargas, tendo inclusive assassinado figuras importantes da política brasileira. Adepto do mais estrito conservadorismo, ele busca impedir as monumentais mudanças que ocorrerão se outro grupo secreto, do qual faz parte o velho que trouxe o chupacabras, conseguir seu intento.
Em outra sequência, ambientada séculos atrás, é revelada a verdadeira história do chupacabras. No final apoteótico, o grupo de Curitiba tenta fazer contato, mas homens armados guiados pelo Coronel irrompem no local, ameaçando matar todos. Contudo, uma imensa sombra surge repentinamente, cobrindo a todos...
A trama de Manticore é muito sombria, com bela arte pintada, e a história comprova que produzimos aqui no Brasil uma ficção científica tão boa quanto a que se faz em outros países. E entre o material ainda traz um artigo do pesquisador Carlos Machado, o mais conhecido especialista sobre o Chupacabras do Brasil.
Como tantas outras iniciativas do gênero em nosso país, infelizmente Manticore não foi além. No site da editora Nona Arte outras HQs podem ser baixadas em formato PDF. Muito raramente exemplares aparecem em sebos, e obviamente recomendamos que o leitor aproveite, se conseguir.
Adendo 1: Está nas bancas a UFO 171, onde este consultor teve a grata satisfação de entrevistar o pesquisador americano Jim Marrs. Falei brevemente deste e outros assuntos no mais recente post em meu blog, Escritor com R. Brevemente a UFO 171 estará sendo anunciada no Portal da Ufologia Brasileira.
Adendo 2: Mais um review da série The Event publicado no site Aumanack. Neste segundo episódio é revelado que os prisioneiros chefiados por Sophia são sobreviventes da queda de uma nave não identificada no Alasca, em 1944. Possuem DNA um por cento diferente do nosso, e envelhecem muito mais lentamente. Estão presos por se recusar a dizer de onde vieram e quais seus objetivos. Seriam mesmo alienígenas?
Calvin mostra para a colega Susie provas de que UFOs estiveram em seu quintal!
As histórias em quadrinhos têm ganhado importância nas últimas décadas, fazendo inclusive com que recebam o merecido reconhecimento como a Nona Arte. Deixando felizmente para trás a hipocrisia dos tempos regidos pelo famigerado Código de Quadrinhos nos Estados Unidos, elaborado nos tempos mais sombrios do período macarthista, as tramas têm servido como entretenimento e fonte de discussão para todas as idades.
Aqui no Brasil têm ocorrido certas discussões quanto a indicação de quadrinhos como material didático, e as vozes contrárias foram motivadas pela suposta inadequação dessa mídia ao ambiente escolar. Cabe salientar que os rumorosos casos recentes foram motivados pela indicação de quadrinhos adultos para um público infanto-juvenil, obviamente por parte de pessoas que não entendem que quadrinhos nem sempre são feitos para crianças.
E, é evidente, o tema dos discos voadores e seres extraterrestres igualmente encontram lugar cativo nos quadrinhos. São inúmeros exemplos que podemos discutir, e abordaremos em futuros textos neste blog. Entre estes, podemos citar duas edições do Batman, em que ele foi abduzido e depois visitou a Área 51. Embora interessantes, os temas da abdução por grays e da base secreta não fazem muito sentido no contexto do universo DC, onde entre outros o mais poderoso herói é um alienígena.
Temos a felicidade de poder dar um exemplo legitimamente nacional da temática alienígena nos quadrinhos ou HQs, que vem a ser a revista Manticore. Esta saiu em dois números no final dos anos 1990, explorando o tema Chupacabras que era largamente abordado pela grande imprensa, em uma história sombria recheada por conspirações, revelações do passado e promessas para o futuro. Será sem dúvida motivo de um futuro post.
Mas o primeiro universo daS HQs a ser aqui abordado nada tem de sombrio nem conspiratório. Muito pelo contrário, é pleno de humor e das maravilhas provenientes da fértil imaginação de um garoto de seis anos de idade. As tirinhas de Calvin e Haroldo fazem sucesso no mundo todo (inclusive no Brasil, onde são publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo), mostrando as aventuras de um garoto, Calvin, sempre ao lado de seu tigre de pelúcia Haroldo (Hobbes no original em inglês), e que ganha vida aos olhos do dono. Os dois são obra do genial cartunista americano Bill Watterson, que escreveu as histórias entre 1985 e 1995.
Na fértil imaginação de Calvin, ele habita um mundo onde existem monstros debaixo da cama (título de um dos livros lançados recentemente no Brasil); onde ele faz profundas reflexões sobre a vida e nosso lugar no mundo, enquanto desce o morro em alta velocidade em companhia de Haroldo, hora em seu carrinho, hora em um trenó de neve; onde ele se transforma em super-herói ou em detetive; e claro, onde ele se torna Spiff, o extraordinário explorador intergaláctico, sempre as voltas com problemas na nave, planetas desérticos e alienígenas hostis.
Estes últimos costumam representar, na verdade, seus pais ausentes que não o compreendem, a colega de classe Susie Derkins, ou uma das mais perversas vilãs dos quadrinhos, sua professora senhorita Wormwood. Crítica social é igualmente uma das grandes preocupações de Watterson, como na história em que Calvin e Haroldo brincam de guerra, apenas para descobrir que esse é um jogo muito estúpido.
Entre outros temas que Watterson sempre aborda nas tramas, a pesquisa eleitoral para a eleição para o difícil cargo de "pai", a dificuldade de levantar de manhã, os terrores dos bonecos de neve, os acampamentos em família apreciados unicamente pelo pai de Calvin... Por sinal, os pais dele são conhecidos apenas como "pai" e "mãe", não possuindo nomes próprios. A colega, Susie, é a única a possuir sobrenome, e o único personagem realmente temido por Calvin é a babá, Rosalyn, a única que consente em aguentar suas "artes", com o que explora financeiramente os pais do garoto.
Retornando ao flerte das histórias com a ficção científica, Calvin incorpora o personagem Spiff em inúmeras ocasiões, sempre metido nas mais audazes aventuras. As tirinhas sempre têm um desfecho engraçado, como pode ser conferido aqui, aqui, aqui, e aqui. Spiff funciona como uma válvula de escape de situações que Calvin considera absolutamente entediantes. Não deixa de ser uma bela metáfora de Watterson para a tendência do mundo atual de impingir a medriocridade contra as pessoas. Um símbolo disso é o quanto a imaginação maravilhosa de Calvin é tolhida por sua professora, ou desafiada pelo realismo irritante de Susie.
Calvin ocasionalmente fica procurando por UFOs, como em uma das tirinhas onde apanha as luzes da decoração da árvore de Natal e escreve com elas uma mensagem aos alienígenas no telhado de casa. Ou quando ele e Haroldo estão no bosque ao lado de sua casa em uma vigília, mas quem surge irada é a mãe, pois já passou da hora do garoto ir para a cama.
Entre meus momentos preferidos desses personagens extraordinários, a tirinha onde Calvin diz que a melhor prova de que existe vida extraterrestre é que ninguém tentou entrar em contato conosco, também um alerta contra a devastação do meio ambiente. O tema ecológico, aliás, muito antes deste virar moda, já era presente nas histórias de Bill Watterson. Em uma destas, Calvin recusa-se a herdar o planeta e ele e Haroldo vão para Marte, mas refletem melhor ao encontrar um marciano. Voltando aos melhores momentos, a viagem de Spiff pelo hiperespaço, onde o tempo não tem sentido, é o melhor antídoto contra uma aula que demora muito a terminar...
A influência dos magníficos personagens de Bill Watterson e suas histórias plenas de inteligência e ironia é tamanha que já foram homenageados em outras produções diversas vezes. Na abertura da primeira temporada da série Fringe, por exemplo, pode-se ler a palavra transmogrification (transmogrificação na versão brasileira), uma tecnologia criada por Calvin em que alguém pode ser transformado no que quiser. Outro exemplo é em Joker & Lex, uma HQ que foi publicada dentro de outra história maior da revista Superman & Batman nos Estados Unidos, onde Lex Luthor e Coringa ocupam o lugar de Calvin e Haroldo com resultados hilários.
Finalizando, já escrevi a respeito de dois dos livros lançados no Brasil, Tem Alguma Coisa Babando Embaixo da Cama, e Yukon Ho, para o site Aumanack. Os livros têm sido lançados pela editora Conrad, e podem ser facilmente encontrados nas livrarias. Por sua inteligência, discussões filosóficas, flerte com a ficção científica e crítica social, As Aventuras de Calvin e Haroldo fazem um merecido sucesso, e acabam sendo até mais divertidas para os adultos do que para as crianças. E apresentam o tema ufológico com muito humor e criatividade, sempre deixando as portas abertas para a imaginação.
Adendo 1: A cobertura, tanto da revista Istoé quanto do Jornal da Band, a respeito da liberação de documentos sobre o Caso Varginha por parte do Exército brasileiro, faz lembrar as palavras de Stanton Friedman, de que nesse Watergate Cósmico o ridículo ainda é uma potente arma.
Adendo 2: Estreou na segunda, dia 18 de outubro, a série The Event no Brasil, pelo Universal Channel. O primeiro episódio deu mostras do que está por vir, um grande mistério relacionado ao Evento do título, uma intrincada conspiração que afeta a vida de todos os personagens, e muitas perguntas que podem começar a ser respondidas já no segundo episódio. Também no site Aumanack, publiquei um review desse primeiro episódio, e toda semana será feita uma análise do que foi exibido, e dos rumos da série.
Cosmos, a obra máxima de Carl Sagan, terá evento a ele dedicado neste sábado, 2 de outubro
O ciúme doentio de Bentinho, personagem de Machado de Assis no clássico Dom Casmurro, por Capitu, é o menor de seus problemas nessa reinterpretação da obra. Ele se verá envolvido em uma trama envolvendo alienígenas em Dom Casmurro e os Discos Voadores, livro de autoria de Lúcio Manfredi recentemente lançado pela editora Lua de Papel. A trama envolve alienígenas e andróides, e alguns dos personagens machadianos se enquadram nesta última categoria.
A obra faz parte do selo Clássicos Fantásticos, que inclui também A Escrava Isaura e o Vampiro, de Jovane Nunes, Senhora a Bruxa, de Angélica Lopes, e O Alienista Caçador de Mutantes, de Natalia Klein. Neste último, aliás, o tema dos ETs reaparece, quando uma estranha criatura surge depois da queda de um objeto estranho, causando mutações biológicas na pequena vila de Itaguaí.
Um trecho deste último é bastante revelador da inspiração da autora: "De lá, constam nas crônicas, saíra um ser de pele viscosa e amarronzada, de olhos vermelhos como o sangue e três protuberâncias na cabeça, assemelhando-se a chifres. A criatura foi vista por três moçoilas itaguaienses".
A idéia de reinterpretar clássicos da literatura dentro dos gêneros da fantasia e ficção científica começou com Orgulho e Preconceito e Zumbis e Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos, lançados no Brasil pela Intrínseca. Tem sido um dos subgêneros mais prolíficos, dentro da atual onda brasileira da literatura fantástica. Especificamente sob o tema dos alienígenas, tenho também a grande satisfação de participar do movimento, com meu livro De Roswell a Varginha, inspirado nos dois famosos casos da Ufologia mundial. Sobre os clássicos, a revista Istoé publicou uma reportagem a respeito, que pode ser lida aqui.
Carl Sagan: Um Legado para toda a Humanidade Como co-editor do site Aumanack, é com imensa satisfação que participo novamente da organização de um evento para homenagear a obra máxima de Carl Sagan, Cosmos. Me incluo entre aqueles que não perdiam um episódio da série de divulgação científica, exibida nas manhãs de sábado pela Rede Globo, em algum ponto dos anos 1980. Com certeza foi graças a Cosmos que passei a me interessar pelos mistérios do universo, o que criou em mim o gosto pela Astronomia e também pela Ufologia.
O livro Cosmos, elaborado conjuntamente com a série e que adquiri na mesma época, é até hoje uma fonte de consultas absolutamente essencial em tudo que faço. Uma verdadeira obra de arte onde Sagan expunha temas como o surpreendente saber dos antigos, as maravilhas do sistema solar, nossas missões exploratórias, a evolução da vida e algo em que indiscutivelmente foi um grande pioneiro.
Refiro-me a defesa da pesquisa sobre a vida extraterrestre. Mesmo depois dele, muitos foram os cientistas a criticarem seu trabalho e negar qualquer possibilidade de vida existir fora deste terceiro planeta do Sol. Felizmente outros seguiram o exemplo de Carl, do que resultaram em extraordinárias descobertas sobre o universo, a vida e nosso lugar no mesmo. Nas páginas de Cosmos vemos até desenhos de supostos sistemas de estrelas com exoplanetas em sua órbita, tema que vários cientistas muito pouco científicos rejeitavam até meados de 1995, quando da confirmação da existência do mundo em órbita da estrela 51 Pegasi.
Hoje já são perto de 500 exoplanetas confirmados, e os números só crescem, assim como as descobertas quanto a tenacidade da vida. Oportunista, ela nada tem de frágil e delicada como tantos antes defendiam. Muito pelo contrário, todas as descobertas em termos de organismos extremófilos, e ambientes favoráveis a sua existência em Marte, Europa (Jùpiter), Titã e Encelado (Saturno), vão exatamente na direção contrária.
A vida é uma praga, que surge quase imediatamente assim que condições propícias se apresentam, e é quase impossível de erradicar. Seguramente as próximas missões a Marte podem comprovar o que a própria NASA defende, a existência de vida em Marte (confira nota a respeito na seção Imprensa Ufológica em UFO 162). Quase exatamente como Carl Sagan defendeu até o fim, e é esse legado que iremos homenagear no próximo sábado, comemorando os 30 anos de Cosmos: Carl Sagan: Um Legado para toda a humanidade.
Capa do livro De Roswell a Varginha (Tarja Editorial), do consultor Renato A. Azevedo
Evidentemente não demoraria muito para que tornássemos a falar de ficção científica. E especificamente, na subdivisão dentro desse gênero que vem a ser a FC ufológica. Muito pouca gente deve saber, mas o primeiro romance brasileiro de ficção científica foi O Homem que viu o Disco Voador, lançado em 1966 por Rubens Teixeira Scavone.
A ficção científica sempre teve menos apoio no Brasil do que, por exemplo, a fantasia. Como nosso país apenas se industrializou e tornou-se mais urbano em um passado recente, ainda permanecem firmes as lendas e o folclore das cidades do interior, e é nessa base que se assentam tantas obras sobre fantasmas, monstros, vampiros e outras criaturas fantásticas, que fazem tremendo sucesso na literatura fantástica.
Já a ficção científica, por estar intimamente relacionada a ciência, que sempre foi deficiente no Brasil até tempos muito recentes, apenas agora começa a se erguer e experimentar maior visibilidade. Mesmo assim várias editoras tem apostado na FC desde os anos 1960, e o gênero possui fiéis seguidores no Brasil. Contudo, a FC ufológica também enfrenta certa resistência no meio, chamado também de fandom, justamente pelo fato de a Ufologia ainda não poder ser classificada como ciência.
Entretanto, é necessário que se reconheça que falamos aqui, afinal, de ficção científica, e não de divulgação científica. Esta última obrigatoriamente precisa estar firmemente ancorada no conhecimento científico. Aquela não, do contrário não teria o termo "ficção" em sua designação. E o fato é que a FC ufológica tem sido um subgênero forte na ficção científica brasileira, e deve experimentar muito em breve uma grande divulgação, graças a estréia nos próximos meses do filme Área Q, do produtor Luis Eduardo Girão, o mesmo de Bezerra de Menezes (2008). A trama tem participação do ator americano Isaiah Washington (da série Grey´s Anatomy), e dos brasileiros Tânia Kalil e Murilo Rosa. O trailer pode ser conferido aqui.
E vale ressaltar que já falamos de Área Q na seção Imprensa Ufológica de UFO 163. Esperemos que o filme comprove que se pode fazer ficção científica também no Brasil, e que os produtores atentem para o fato de que temos excelentes escritores do gênero, que nada devem ao que de melhor se faz lá fora.
Podemos mencionar os diversos autores que participaram da antologia Invasão (Giz Editorial), mencionada em UFO 159 também em Imprensa Ufológica, e no romance Relâmpagos de Sangue (Novo Século) de Nelson Magrini, mencionado na mesma seção em UFO 160.
Evidentemente não poderia deixar de mencionar a antologia Ufo: Contos Não Identificados (Editora Literata), da qual participo como autor convidado, organizada por Georgette Silen (que menciona na apresentação do livro haver sido testemunha da Noite Oficial dos UFOs, em 19/20 de maio de 1986), e ricamente ilustrada pelo artista Anubian Etriel, além dos contos de alguns dos melhores autores brasileiros. Quem se interessar pode adquirir a antologia aqui.
Obviamente não deixaria de fora meu próprio livro, De Roswell a Varginha (Tarja Editorial), por mim inspirado nos dois famosos casos da Ufologia mundial, e no qual muito me honra ter o prefácio assinado por nosso editor, A.J. Gevaerd. Minha intenção foi produzir uma trama fechada mas ao mesmo tempo deixar "pontas soltas" a fim de prosseguir a história em continuações. Já tenho algumas destas prontas, e estou no processo de procurar editoras para lançá-las.
Ao mesmo tempo, as características da história de De Roswell a Varginha me permitiram também escrever uma série de contos com os mesmos personagens, que vim a publicar em meu blog Escritor com R. E tenho o prazer e anunciar que acabo de postar mais uma história nesse blog, intitulada As Aparições de Rio Verde. Abaixo, submeto aos leitores alguns trechos:
"Na escola municipal, onde ambos estavam no último ano colegial, simplesmente fingiam nem se conhecer. Mas sempre que podiam fugiam e se encontravam naquele bosque, onde tinham liberdade de expressar seu amor sem qualquer vigilância. Até que começaram a testemunhas coisas muito estranhas. Luzes surgiam no céu, passavam voando entre as árvores e barulhos e sons esquisitos enchiam o bosque. A princípio com medo, os jovens acabaram sendo atraídos pelos estranhos fenômenos. Quando finalmente o viram. Um ser pequeno, imerso em luzes ofuscantes mas que eles conseguiam olhar diretamente sem ferir os olhos. O ser falou com eles, deu-lhes conselhos, e pediu que continuassem a voltar ao bosque".
"Gonça começou falando, fazendo um apanhado geral do que é a Ufologia desde seu início oficial, com o avistamento do americano Kenneth Arnold em 24 de junho de 1947. Descreveu casos famosos como os de Roswell e Varginha, e o esforço sendo feito pela comunidade de ufólogos para que o governo brasileiro liberasse seus arquivos sobre discos voadores.
Uma certa polêmica se instalou quando ele falou de uma das últimas edições especiais da revista OVNI, com o título Ufos e Aparições Religiosas. Ele descreveu o famoso Caso Baturité, no Ceará, onde um alegado beato sustentava conversar com Nossa Senhora. Equipes de TV e ufólogos presentes quando de uma das mais famosas aparições registraram a presença de numerosos objetos voadores não identificados luminosos, que os fiéis descreviam como a “Glória do Senhor”. Gonça ainda mencionou outros casos de observações de ovnis que haviam a princípio sido tomadas como aparições de santos. Uma garota na primeira fileira perguntou a respeito da conhecida teoria dos deuses-astronautas, e o editor da OVNI respondeu descrevendo descobertas arqueológicas que poderiam ser evidências de visitas extraterrestres centenas ou milhares de anos atrás.
Voltou a falar de supostas aparições religiosas, mencionando alguns ufólogos que defendiam a tese de que fenômenos acontecidos em Medjugorge, na antiga Iugoslávia no final dos anos 1980, tinham origem alienígena. O caso fora amplamente noticiado. Gonçalves preferiu não mencionar o caso das aparições em Fátima, Portugal, em 1917, que alguns ufólogos portugueses diziam ser na verdade um fenômeno ufológico, do qual a Igreja se havia “apropriado”".
"- Lembro de um grande cientista e divulgador científico que sempre me inspirou muito. Seu nome era Carl Sagan. Ele escreveu, certa vez, que as trevas estão recrudescendo em nosso mundo, embaladas pelas crendices, pela superstição e pela desavergonhada manipulação da credulidade alheia. Gente que sem a menor cerimônia vende “milagres”, alegando que cura até câncer e AIDS!
O jornalista observou Murilo, que ainda em pé bufava e o olhava como se quisesse trucidá-lo ali mesmo. Roberto achou graça mas manteve a expressão séria, dizendo: - E Sagan dizia que a Ciência é nossa única arma contra esse obscurantismo, que ainda tem um traço bem particular e nítido: eles desejam impor suas crenças deformadas e fundamentalistas aos demais, calando todo e qualquer debate. Naturalmente, a Ciência é inimiga deles por representar a razão, a livre troca de idéias e a liberdade de pensamento, manifestação e questionamento, tudo que eles abominam".
"Conversaram mais um pouco do lado de fora, quando um apontou para as árvores do bosque próximas, de onde vinha uma luminosidade difusa. Amedrontados, um grupo menor seguiu até lá para investigar, enquanto outros ficavam próximos a capela, com medo. O grupo chegou bem próximo das primeiras árvores, quando uma mulher caiu de joelhos ao chão, gritando: - Gente, é Nossa Senhora! Um facho de luz cônico vinha de cima e iluminava um pequeno espaço entre as árvores. Dentro da luz uma silhueta que parecia humana estava voltada para eles. A mulher começou a entoar cânticos religiosos, enquanto outras pessoas davam mais alguns passos a frente. Subitamente, o facho de luz enfraqueceu-se e sumiu, deixando a figura totalmente exposta. Era pequena, magra, tinha braços compridos e uma cabeça grande, pele escura de uma cor que parecia marrom, e um par de olhos vermelhos que pareciam olhar diretamente para eles. Todas as pessoas que testemunharam a aparição correram apavoradas e gritando para bem longe do bosque".
Quem desejar ler o restante, convido a visitar meu blog Escritor com R. Em As Aparições de Rio Verde procurei explorar o fenômeno das aparições que são tomadas por eventos religiosos, mas que bem podem ser explicados dentro da casuística ufológica. Gosto de misturar realidade com ficção, daí a menção de acontecimentos em Fátima, Medjugorge e Baturité. E claro, como é uma história de ficção científica, procuro seguir a tradição da crítica social, desta vez contra a intolerência e o fanatismo.
Ainda vale mencionar que os personagens são os mesmos de meu livro, De Roswell a Varginha, com o acréscimo da revista Ovni e seu editor, Ademar Gonçalves, levemente inspirado por uma figura certamente muito querida de toda a Ufologia brasileira.
A FC pode, assim, ser não apenas campo de trabalho de vários talentosos autores brasileiros, mas igualmente um instrumento de divulgação e aperfeiçoamento do estudo da Ufologia. Até a próxima!
A Imagem de Campo Ultra Profundo do Hubble, a mais distante imagem já obtida do universo
Este blog nasceu com o intuito de explorar duas áreas de atuação com as quais a Ufologia possui uma grande proximidade, que vem a ser a Ciência e a Ficção Científica. Ambas, aliás, estão profundamente ligadas no gênero da Ficção Científica desde as obras do grande mestre e pioneiro Julio Verne, que inclusive recomendo já que estão disponíveis nas bancas. Clicando aqui, pode-se visualizar informações a respeito.
Verne escrevia ficção como forma de popularizar a ciência, o que conseguiu brilhantemente, inaugurando o subgênero da ficção hard, solidamente baseada nos conhecimentos científicos. Já seu contemporâneo, H.G. Wells, também foi pioneiro na ficção soft, em que os elementos científicos serviam apenas como fundação básica para uma literatura mais especulativa que ultrapassava os limites do conhecimento científico estabelecido.
As duas vertentes da ficção científica permanecem até hoje dividindo o coração de leitores, espectadores e fãs. Finda esta explicação, já que os posts anteriores deste blog, dedicado a Ufologia, Ciência e Ficção Científica, tiveram como tema esta última, chegou a vez de falarmos de Ciência. Especificamente, como foi obtida a extraordinária foto que ilustra este texto. Como muitos leitores bem podem ter desconfiado, trata-se de mais uma proeza do magnífico Telescópio Hubble.
Desde que foi colocado no espaço pelo ônibus espacial Discovery, na missão STS-31 em 24 de julho de 1990, o Hubble revolucionou nosso conhecimento a respeito do universo. Além das belas fotos que encantaram o mundo, o telescópio, batizado em honra ao astrônomo Edwin Hubble, forneceu para a comunidade astronômica uma quantidade inimaginável de informações.
Por volta de 2003, após mais uma missão de õnibus espacial que lhe fez uma manutenção, o Hubble foi equipado com a câmera WFPC2 (Câmera Planetária de Campo Amplo). Entre 24 de setembro de 2003 e 16 de janeiro de 2004 o telescópio foi seguidamente apontado e captou imagens de um pequeno quadrante no céu, uma área em que os mais potentes telescópios de então viam como totalmente vazia, na direção da constelação de Fornax.
O resultado foi a imagem que ilustra este post, conhecida como HUDF (Hubble Ultra Deep Field, ou Imagem de Campo Ultra Profundo do Hubble). Ela é a imagem mais profunda já obtida do universo, e contém cerca de 10.000 objetos, a maioria dos quais galáxias formadas entre 400 e 800 milhões de anós após o Big Bang. Este foi a explosão primordial que teria dado origem ao nosso universo, e que o próprio Hubble ajudou os cientistas a determinar que ocorreu aproximadamente há 13.7 bilhões de anos.
Para ser postada aqui, essa espetacular fotografia teve que ser reduzida. Clicando aqui, na página da Wikipedia dedicada a HUDF, uma versão muito maior, com 18 MB, pode ser conferida. A Imagem de Campo Profundo comprova que, com nosso universo tendo uma fração de sua idade atual, já existiam galáxias formadas por bilhóes de estrelas. Seguramente já havia planetas, e talvez até vida. Como escrevi em outro artigo, para o site Aumanack do qual sou co-editor quando do aniversário de 18 anos do Hubble em órbita, mesmo que ainda não tenhamos as fabulosas naves estelares da Ficção Científica, máquinas como o Hubble já permitem que exploremos o universo, e façamos descobertas fascinantes como esta.
Perry Rhodan é a maior saga da ficção científica mundial
Terminou neste último final de semana a Bienal do Livro de São Paulo. A literatura fantástica esteve presente em diversos stands, mas infelizmente a maior saga da Ficção Científica mundial foi uma ausência. E contrariamente as expectativas, seu país natal é a Alemanha. Foi mencionada brevemente no editorial da Ufo Especial 36 a fabulosa série literária Perry Rhodan, que já superou há anos a edição 2000, relatando uma fictícia história da humanidade ao longo de mais de 3000 anos.
No primeiro volume, Missão Stardust, Rhodan era um major da Força Aérea Americana que, juntamente com seu amigo Reginald Bell e mais dois companheiros, realizaram no ano de 1971 a primeira missão bem sucedida para a Lua, a bordo da Stardust 1. Aproximando-se do destino uma misteriosa interferência tira a nave do rumo, pousando no lado oculto de nosso satélite. Rhodan e Bell saem para investigar, e se deparam com uma gigantesca nave de formato esférico, com 500 metros de diâmetro, que aparentemente caiu na Lua. Destaco que o famoso Erich von Daniken descerve uma nave muito semelhante em seu livro De Volta às Estrelas. Rhodan chega até a citar a lenda de que os discos voadores salvarão a Terra, e finalmente eles são recebidos pelo cientista arcônida Crest e a deslumbrante comandante da nave, Thora, que são semelhantes aos humanos.
Crest volta a Terra com os americanos a bordo da Stardust, que pousa no deserto de Gobi alarmando o mundo. As potências mundiais, quando fica evidente que Rhodan encontrou algo muito especial na Lua, imediatamente esquecem o clima similar a Guerra Fria, e se unem para combater o que vêem como ameaça. A nave gigantesca na Lua é finalmente destruída, mas Rhodan e os amigos salvam uma pequena nave auxiliar esférica, de 60 metros. Com a tecnologia da mesma, fundam a Terceira Potência, impedindo o eclodir da Terceira Guerra Mundial.
As nações da Terra seguem tentando destruir Perry Rhodan, e é interessante ver que as mentes mais capazes desse empreendimento percebem que “algo mais” está por trás da trama. Acabam intuindo que, se forem bem sucedidos, tudo voltará a ser como antes. Com o súbito aparecimento de uma nave desconhecida, entretanto, Rhodan é chamado a agir para salvar a Terra, finalmente comprovando para todos que tomou como missão desenvolver e proteger nosso planeta.
A série foi pioneira em mostrar um exército de dotados de poderes paranormais, em utilizar saltos pelo hiperespaço para viagens interestelares, e muitos outros aspectos hoje comuns na Ficção Científica. Após muitas reviravoltas e enfrentamento de forças contrárias a união dos povos, Rhodan obtém naves mais poderosas e ajudou os arcônidas em seu objetivo, um planeta onde se poderia obter a vida eterna. O estranho mundo é finalmente alcançado, mas essa conquista irá beneficiar os terranos. Rhodan e seus comandados superam os conflitos terranos e unem o planeta, avançando a seguir para o centro da Via Láctea e travando contato com o Império Arcônida.
Importante salientar que o Império encontrava-se em completa decadência, seus membros pouco valorizando sua avançadíssima ciência, enquanto os terranos viajavam pela Galáxia com vigor de uma espécie jovem, considerada até bárbara por outros atores da cena galáctica. Consciente do perigo para a Terra, Rhodan e seus amigos finalmente conseguem convencer os demais povos que nosso mundo foi destruído, obtendo assim tempo para reconstruir a Terra usando a ciência arcônida.
Tudo isso aconteceu apenas no Primeiro Ciclo, nos volumes 1 a 49 das histórias. A partir do Segundo Ciclo os terranos atuam mais no cenário galáctico, e Rhodan conhece seu maior rival até então, Atlan, o Solitário do Tempo. Ele é um antigo oficial arcônida de dez mil anos de idade, tendo recebido um aparelho de prolongamento da vida do mesmo ser que foi encontrado no planeta da vida eterna. Em sua honra, fora fundada na Terra, há dez milênios, a colônia arcônida da Atlântida, destruída após uma série de estranhos eventos. Atlan passou boa parte desses milênios hibernando em uma cúpula construída nas profundezas do Atlântico, e quando acordou na época do Império Romano, passou a discretamente atuar na História terrana, buscando desenvolver aquele mundo para poder voltar para casa. Fugiu para a segurança da cúpula assim que as potências lançaram seus mísseis contra a base de Rhodan no Gobi, ainda no começo da série, despertando mais de meio século depois.
Após muitas lutas e reviravoltas, Atlan e Rhodan desenvolvem uma profunda amizade, atuando decisivamente na Via Láctea pelos séculos seguintes. O volume 50 Atlan: O Solitário do Tempo, rendeu até um fanfilme realizado há mais de trinta anos, uma conquista extraordinária em um tempo sem a tecnologia de efeitos especiais de hoje. Clique aqui para assistir.
Os enfoques das histórias foram os mais variados possíveis, as intrigas e ameaças galácticas, contatos com novas civilizações, o desenvolvimento e evolução da humanidade, com discussões típicas da melhor ficção científica. O ponto central da série é a crítica social, especialmente nos livros iniciais. Surgida em 8 de setembro de 1961, época em que ameaçava esquentar a Guerra Fria, a série sempre defendeu a cooperação e união terrana (o exclusivo termo “terrano” é utilizado como sinônimo de terrestre ou terráqueo), criticando duramente o egoísmo, a ganância e a estupidez de desconfianças, ódios, e tudo que ainda em pleno século XXI, segue criando inúteis e despropositados conflitos.
A humanidade teve a sorte de poder contar com Perry Rhodan, que sabiamente recusou-se a entregar a avançada tecnologia arcônida a qualquer nação, e que teve suficiente ética e sabedoria para utilizá-la nos períodos mais negros da História, quando os donos dos arsenais mundiais, em pânico, preferiram apertar os fatídicos botões e lançar milhares de mísseis nucleares, evento narrado no volume 2, A Terceira Potência, um dos mais emocionantes do Primeiro Ciclo. Graças a Rhodan o mundo, agradecido, sobreviveu, mas ao preço de o astronauta passar a ser tratado como pária pelas potências. Com o desenrolar da trama Rhodan e seus amigos conseguem ampliar sua influência e finalmente ser reconhecidos, a contragosto de muitos, como a única esperança da Terra. Apenas então seria formado o Império Solar, com a humanidade se lançando finalmente as estrelas.
A série angariou uma legião de fãs ao redor do mundo, e sua publicação ininterrupta até hoje na Alemanha comprova seu imenso sucesso. Aqui no Brasil foi publicada, a partir dos anos 1970, pelas editoras All Print e Ediouro, e no começo do século XXI, pela SSPG. Atualmente os fãs brasileiros estão em compasso de espera, e resta recorrer a sebos, onde os volumes da série sempre podem ser encontrados por bons preços. Cada volume traz uma história separada, que entretanto se complementa nos livros seguintes, formando uma saga irresistível e envolvente.
Aliens na ficção, inspirados nos fatos descobertos pela Ufologia
Como escritor de ficção científica, comecei a carreira na segunda metade dos anos 1990. Depois de várias tentativas com livros e romances, decidi que deveria experimentar também com histórias menores, e comecei a escrever contos. Com o tema da Ufologia, o primeiro é intitulado Zé da Pinga, que tive o prazer de ver publicado na edição 62, de dezembro de 2002, da revista Scifi News. Abaixo, um trecho:
"- É verdade, seu moço. A luz veio de lá do morro, “alumiando” tudo por estas bandas! - E “tumém” ali no fundo, na chácara de “seo” Armando, onde dizem que o “bicho” pousou. O casal, simplório mas muito solícito, explicava tudo o que haviam testemunhado três noites antes. Célia perguntou: - E os senhores têm visto essas luzes há quanto tempo? O homem coçou os ralos pêlos que cobriam seu queixo, e por fim disse: - “Óia”, dona, pelo que a gente se “alembra”, faz bem uns dez dias... Célia trocou olhares com Marcos. Renato digitava o relato do casal com uma rapidez fenomenal no laptop, enquanto os irmãos Kássia e Leonardo andavam pelos arredores buscando mais evidências. Salto do Avanhandava, pequena cidade do interior paulista a cerca de cinquenta quilômetros de Campinas, estava a poucos dias de comemorar os vinte anos de sua emancipação e transformação em município. Contudo, para alguns de seus pouco mais de seis mil habitantes, não era aquele o assunto principal naqueles dias, mas sim a grande quantidade de visões de estranhas luzes durante as noites. Na verdade, toda a região era assolada, há semanas, por uma onda de aparições de ovnis, mas, conforme o testemunho que acabavam de tomar de seu Waldir e de dona Iracema, sua esposa, há dez dias os fenômenos se concentravam nas menores cidades daquela região, em especial sobre Salto do Avanhandava. - O que os senhores acham que é isso? Seu Waldir perguntou com legítimo interesse, mostrando uma curiosidade típica da região para tudo que era novidade. Renato, no entusiasmo de seus 23 anos, respondeu: - É uma onda ufológica como há tempos não víamos, seu Waldir! Praticamente desde o Caso Varginha não temos nada assim! Pelo visto, os “extras” estão se animando de novo! - O padre Reginaldo diz que é tudo coisa do capeta, disse Iracema. Sem que ninguém pudesse impedir, Renato continuou: - Que nada, dona Iracema! Acreditamos que eles vêm de outros planetas, outros sistemas solares! Não tem nada do diabo nisso. Até mesmo o papa disse recentemente...".
Um aviso, o "Renato" do texto é um personagem, coincidentemente homônimo do autor, bem entendido! Que desejar ler todo o conto, convido a visitar meu blog pessoal, o Escritor com R, clicando aqui. Anos depois escrevi um novo conto, em que os personagens de Zé da Pinga interagem com os de meu livro De Roswell a Varginha, incorporando-os todos ao mesmo universo. Mas isso fica para uma próxima oportunidade.