Os Supostos Autores

Para determinar o responsável pelos círculos é necessário levar em conta as características das formações, bem expostas no livro Circular Evidence, escrito pelos britânicos Pat Delgado e Colin Andrews: “É uma força silenciosa, de curta duração, forte, contra-rotativa, que amassa sem danificar, em turbilhão, que forma circunvoluções e veias, riscos interrompidos, faz deitar ramos, provoca o crescimento das plantas da horizontal, não interfere no crescimento, abre caminhos retos, extrai as plantas, opera na total escuridão, fecha os vãos, sobrepõe, agrupa círculos, independente das condições do tempo, não deixa marcas externas, não estipula condições topográficas e opera em qualquer parte do mundo”. Nessas 21 observações os britânicos traçaram o suposto perfil do criador das marcas.
Várias dessas características já foram contestadas e desmentidas. A formação nem sempre é silenciosa, algumas vezes é acompanhada por um zumbido ou cricrilado, que é ouvido logo após a constituição dos desenhos. A escuridão total também não é uma condição invariável, pois já foram registrados círculos ao amanhecer ou anoitecer. Estipular condições topográficas ainda não é possível, pois a alta incidência dos desenhos em áreas próximas a terrenos considerados sacros, como Stonehenge, Aveburry, Silbury Hill e as sepulturas de Wessex, deixa evidente que as figuras se agrupam de maneira extremamente clara.
Em 1989, a crença de que os anéis em volta do círculo tendem a ser contra-rotativos foi desfeita de forma bastante dramática. Um dos maiores estudiosos do assunto, o doutor Terence Meaden, publicou em seu livro The Circles Effect and its Mysteries [Os Efeitos dos Círculos e seus Mistérios] que uma causa metereológica desconhecida, um vórtice plasmático eletromagnético, seria o responsável pelas marcas. Como evidência, ele mostrou que cada ocorrência envolvia um ou mais anéis externos que haviam sido produzidos por redemoinhos em movimentos giratórios contrários, melhor dizendo, em diferentes direções, o que seria necessário para manter a estabilidade do vórtice plasmático. Entretanto, apenas alguns dias depois da publicação do livro e obviamente desta teoria, na manhã de 18 de junho de 1989, um novo tipo de círculo foi encontrado em Cheesefoot Head, perto de Winchester. Parecia uma atitude de ridicularização premeditada à teoria de Meaden, já que tanto o círculo quanto o anel foram formados por redemoinhos girando na mesma direção.
Essa reação imediata às idéias humanas é típica dos autores. A atitude pode soar como uma ironia que confunde os investigadores e derruba teorias. Essa não foi a única vez que os cientistas tiveram de abandonar suas hipóteses ao ver que sua conclusão era seguida por uma imagem que derrubava sua explicação. Em 1988, os que acreditavam que isso seria obra de uma nave espacial se depararam com um desenho embaixo de uma linha de cabos de alta-tensão, que impossibilitava a descida de qualquer objeto. Outro acontecimento muito comum é quando os feitores reagem de acordo com a vontade dos pesquisadores. Um caso que se tornou clássico foi o do fotógrafo Busty Taylor, um dos pioneiros no estudo dos círculos nas plantações, que numa tarde de 1986, depois de passar o dia buscando formações, disse a si mesmo que gostaria de encontrar um desenho que tivesse satélites e anéis em volta do círculo principal. Como uma cruz celta. Vinte e quatro horas mais tarde, quando voava sobre o mesmo lugar, encontrou a figura que desejou. “Quase caí do avião”, relatou. O fotógrafo olhou para o chão e lá estava a formação: um anel externo passando por quatro círculos menores e um círculo grande no meio, um padrão que foi imediatamente batizado de cruz celta.
Essa resposta aos pesquisadores é uma das razões que leva a crer que os círculos sejam criados por um campo de força ignorada, manipulado por uma inteligência desconhecida. O argumento favorável a um propósito inteligente, seja ele humano ou não, é reforçado por diversas outras características, como a forte concentração nas áreas próximas a Wessex e a clara associação com lugares primitivos, além da impressão de que alguma coisa estaria deliberadamente apontada. Algo que parece ter se tornado urgente depois do ano de 1980, embora existam sinais anteriores a essa data. Observações desse gênero não são bem vistas entre os cientistas ortodoxos, que de acordo com suas crenças pessoais repelem a idéia de vida inteligente desconhecida. Assim, alguns metereologistas chegaram a afirmar que as formações concentradas em Wessex e as proximidades dos locais primitivos seriam apenas fantasias de observação. Esses argumentos passaram a ser menos convincentes com o decorrer dos anos.
O mecanismo de origem dos círculos ainda é um mistério. Milhares de estudiosos se reúnem no sudoeste da Inglaterra atrás de novas figuras e reviram o local em busca de vestígios que possam esclarecer a questão. Boa parte destes círculos é composta por fraudes. Estima-se que pelo menos 30% sejam falsos. Muitos surgiram após o governo britânico ter oferecido recompensa pela identidade dos supostos autores do fenômeno ou para aqueles que explicassem como os misteriosos círculos surgiam no meio das plantações. Porém, nunca ninguém que tenha reivindicado a autoria das formações mostrou-se capaz de reproduzir ou de explicar como elas foram criadas. Um desses primeiros grupos foi uma equipe de balonistas que alegava sair em passeios noturnos com seus balões e no momento em que estes desciam no meio das plantações, liberavam o ar dos objetos que – expelido em contato com a vegetação – formavam tais desenhos.
 O que justifica a fraude é a tentativa de desmoralizar os estudiosos do fenômeno, pessoas que competem para ver quem realiza a cópia mais bela ou mais próxima da realidade, ala dos oportunistas. Em todos esses casos, os resultados são ridículos e facilmente identificáveis pelos estudiosos mais experientes: são irregulares, assimétricos e repletos de vestígios. O exemplo mais clássico de forjadores é o dos dois sexagenários de Preston Highs, Doug Bower e David Chorley. Eles se tornaram conhecidos ao afirmarem publicamente, em 1991, serem os responsáveis pela criação de todos os círculos que tinham aparecido desde 1976. A dupla descreveu à mídia internacional como tinha tapeado o mundo durante os últimos 15 anos. Mas após todo esse tempo, pulando cercas de arame farpado e intrigando os donos de terra, os dois já estavam ficando cansados. Já estava na hora de revelar ao público suas brincadeiras noturnas. A idéia surgiu enquanto tomavam cerveja no bar que freqüentavam, o Percy Hobbs, mas resolveram assumir a autoria do fenômeno somente uma década depois da primeira brincadeira, pois estavam cansados de ver suas obras sendo atribuídas a seres extraterrestres. Chegaram, inclusive, a incluir suas iniciais em círculos mais complexos. Mas quando tentaram fazer alguns desenhos perante a imprensa e alguns curiosos, conseguiram apenas produzir circunferências pequenas, visivelmente toscas, comprovando que não eram os verdadeiros autores dos pictogramas. A dupla não conseguiu manter a mentira por muito tempo e alterou diversas vezes sua história. A imprensa testemunhou a farsa e o público teve a explicação que queria. Aparentemente, a festa tinha terminado.
Este é o engano mais considerável que já se imputou ao fenômeno dos círculos. No Brasil, várias publicações consideraram o testemunho dos fraudadores como o ponto final nas discussões. A revista semanal norte-americana Time [www.time.com], aceitou essas alegações como verdadeiras, mesma atitude adotada pela revista brasileira Veja [www.veja.com.br]. Em razão disso, Doug e David são considerados por pessoas desinformadas como os verdadeiros criadores dos círculos ingleses, até hoje. Mesmo que eles pudessem, de uma forma ou de outra, produzir os efeitos de um círculo, jamais explicaram como fizeram isso. Tampouco se deram ao trabalho de discriminar como criaram os desenhos mais complexos. Após a mais famosa formação de 1996, o modelo fractal triplo batizado de Júlia, foi solicitado a uma empresa de engenharia que reproduzisse a figura. A reposta foi que devido à complexa estrutura matemática do desenho, só o trabalho preliminar para mapeamento levaria 11 dias, com o uso de varas metálicas. Além disso, o custo estimado seria de cinco mil libras esterlinas, aproximadamente R$ 25 mil reais (de acordo com a taxa cambial do dia 13 de setembro de 2002).
 A falsidade das alegações dos senhores ficou ainda mais clara numa entrevista na televisão com o sobrevivente da dupla, Doug Bower. Quando insistiram para que fornecesse dados técnicos, ele não foi capaz e evitou o assunto. Um dos mais importantes pesquisadores do assunto, Colin Andrews, fundador do Circles Phenomenon Research International (CPRI), também presente no programa, perguntou a Bower como ele poderia explicar as 2.300 formações registradas, já que ele afirmava ser o autor de apenas 200? A pergunta o obrigou a corrigir sua afirmação original de que era o responsável por todas as formações desde 1976. Conclusão: ainda havia muitas perguntas que os dois homens não podiam responder, com seu pedaço de corda e vara.  Natural de Wiltshire, Andrews sacrificou sua posição de chefe de engenharia eletrônica no Test Valley Borough Council para passar mais tempo estudando o fenômeno dos círculos. Ele é um dos poucos pesquisadores no mundo que faz pesquisas em tempo integral. Também é co-autor do best seller Circular Evidence [Evidência Circular], obra presente na lista de leitura da falecida rainha britânica.
 Tendo passado a maior parte dos últimos 20 anos coletando informações, Andrews possui o maior banco de dados sobre os círculos no mundo. Embora não seja cientista, é provavelmente a maior autoridade no assunto, já tendo palestrado sobre o tema em todo o mundo. Inclusive, foi convidado a apresentar o tema às Nações Unidas e viajou a Moscou para expor suas descobertas a uma assembléia internacional de cientistas. Aturando o ceticismo da mídia no início dos anos 90, manteve-se firme em sua convicção de que o fenômeno é verdadeiro. O CPRI, sediado em Connecticut (EUA), atraiu a atenção de pessoas famosas, como o bilionário do petróleo e ex-congressista Lawrence Rockefeller, que admite se interessar por Ufologia e fenômenos paranormais. O envolvimento de Rockefeller tem sido extensivo. Suas verbas ajudaram na instalação de um novo sistema computadorizado que explora tecnologia de posicionamento global por satélite, permitindo localizar formações de círculos em todo o mundo. Os dólares de Rockefeller também custearam vôos regulares para pesquisa sobre Hampshire e Wiltshire, na Inglaterra.
 Além disso, investigadores particulares também foram contratados na tentativa de esclarecer algo sobre o que Andrews chama de “um problema de fraude em larga escala”. O estudioso quer aproveitar a experiência desses profissionais para descobrir se há sinais da ação humana na criação dos círculos. “Estes homens sabem procurar detalhes que passariam despercebidos a um ufólogo”, comentou. Ele acredita que o público britânico está começando a se animar para o enigma dos círculos nas plantações: “Entre 1990 e 1991, vimos o auge do interesse público. Praticamente em todas as ruas do país havia alguém conversando sobre o problema”. Circular Evidence chegou à lista de leitura da ex-rainha Elizabeth e o fenômeno dos círculos estava sendo mencionado até no parlamento. Mas a atenção tinha caído após as histórias de Doug e Dave. “Agora estamos vendo o público voltar a atenção para o fenômeno novamente. Estou recebendo e-mails de todas as partes do mundo, convidando-me a dar palestras e divulgar informações”, finalizou.
Estudiosos de outras disciplinas paracientíficas vêm se debruçando sobre o fenômeno há muitos anos, em busca de explicações racionais para seu aparecimento. Quase todos procuraram o mesmo tipo de evidência que Andrews: aquela que indicasse que há um componente humano na fabricação dos círculos. Entretanto, fracassaram, pois nenhum vestígio da ação humana foi encontrado em mais de 70% dos círculos descobertos. Andrews desabafa: “Isso significa simplesmente que, se os círculos não são feitos pelo homem, então alguém que não é da Terra os está plantando”.
Apesar da imprensa, de um modo geral, ter dado o caso por encerrado, acreditando na história dos velhinhos ceifadores, permitindo que a população acreditasse que o caso já estava resolvido, o mistério foi se intensificando. Os círculos viraram símbolos, figuras complexas e extraordinárias e a dupla de aposentados ingleses continua recebendo o mérito. A quantidade e a complexidade dessas figuras aumenta a cada ano, evidenciando que as formações jamais nasceriam de mãos humanas, mesmo que houvesse uma multidão de pessoas interessadas em produzir tais desenhos. São formações com características específicas, geometricamente perfeitas. Os caules ficam inclinados sem serem danificados, formando uma linha exata que separa tais caules que permanecem inclinados daqueles que continuam em pé, uma simetria extraordinária que os fraudadores não conseguem obter. Atualmente têm surgido, em média, cerca de 300 figuras por ano somente em solo inglês, o que dá um total de mais de 12 mil figuras já listadas desde o início do fenômeno até o início desse século.
Criar um círculo é algo extremamente difícil, demorado, exaustivo, caro e principalmente ilegal. Mesmo assim alguns grupos continuam agindo e falsificando pequenas formações. O ato de se produzir uma dessas figuras numa plantação particular é encarado como um crime condenado com penas severas, apesar de que até os dias de hoje nenhum grupo ainda foi preso por ter sido flagrado forjando uma dessas figuras. Tais grupos, auto-intitulados de circle makers, os fazedores de círculos [www.circlemakers.org], afirmam que não agem assim apenas por brincadeira ou para enganar os pesquisadores, mas que encaram isso como uma forma de arte sagrada através de uma linguagem milenar.
Todos os grupos dos supostos criadores de círculos que foram entrevistados já relataram ter presenciado fenômenos estranhos e acontecimentos inexplicáveis no meio das plantações, como o surgimento de luzes misteriosas e bolas luminosas que se movimentam pelo meio das plantas. Richardson Juliano, um dos fazedores de círculos de Northampton, contou que numa noite, enquanto tentava produzir uma figura em forma de pentagrama, perto de Cranford Andrews, observou uma luz alaranjada surgir sobre uma colina existente no local. Isso o fez concluir que os círculos que produzia estavam atraindo UFOs que tentavam se comunicar. Esta versão apareceu após os diversos casos nos quais figuras formadas por pessoas eram finalizadas misteriosamente, na mesma noite.
Outro grupo relatou que ao se dirigir para o interior das plantações, com a intenção de criar algumas figuras, eram cercados por raios de luzes que os circundava, sem que pudessem identificar a origem desses raios. Outros, por sua vez, alegam ter a sensação de serem vigiados enquanto permanecem na plantação. Desta forma, muitas pessoas acreditam que ao criar um desses desenhos ele se torna um imã, motivando a ocorrência de fenômenos psíquicos. Todos esses casos envolvendo os circle makers aumentou o mistério sobre o significado dos desenhos. Nos últimos anos, membros da comunidade científica têm demonstrado um súbito interesse pelo fenômeno, colaborando com a boa pesquisa que já está em andamento. Talvez um dia encontremos a resposta para os círculos nas plantações ou talvez o enigma já tenha sido respondido. Mas, a medida em que esses círculos continuam aparecendo, em números cada vez maiores e em várias partes do mundo, exibindo estranhas características, uma coisa é certa: quem alega ser responsável por eles, certamente deve ter muito trabalho a fazer.

Teorias que não Convencem...

Diversas hipóteses foram levantadas para explicar a origem das figuras. Alguns pesquisadores buscaram explicações naturais, tais como fenômenos climáticos inusitados, casualidades meteorológicas. Uma dessas teorias defende que a Terra liberaria uma energia interna e incomum, em forma de espiral, que quando em contato com nossa atmosfera causaria um estranho efeito nas plantações, ocasionando formações circulares. Também foi levantada por algumas pessoas a hipótese de que os círculos poderiam ser manifestações do fenômeno poltergeist, expressão que denomina as ações de espíritos brincalhões. Algumas pessoas relataram ter presenciado inusitados acontecimentos no meio das plantações, outras ouviram sons intrigantes. Há também aqueles que viram luzes nos locais das formações, manifestações supostamente geradas por plasmavortex ou energias plasmáticas.
 Nos anos 80, bem antes de surgirem Doug e Dave, o doutor Terrence Meadon, proeminente cientista, formulou a Teoria do Vórtice de Plasma, numa tentativa de explicar o fenômeno. Meadon defendia que vórtices até então desconhecidos se formavam acima do solo e desciam subitamente, mais ou menos como um raio, o que explicaria o padrão espiral de muitos dos círculos nas plantações. Essa teoria ganhou considerável apoio. Em um laboratório no Japão, o doutor Y. H. Ohtsuki e o professor H. Ofuruton corroboraram as alegações de Meadon, produzindo vórtices semelhantes com o uso de descargas eletrostáticas e interferência de microondas e o professor H. Hikuchi forneceu mais evidências do fenômeno, proporcionando modelos teóricos dos vórtices de plasma.  Por mais satisfatória que essa possibilidade parecesse, rapidamente começou a perder crédito, pois não era capaz de explicar os complexos pictogramas, que naquela época já começavam a aparecer. Eram figuras mais elaboradas do que as circunferências isoladas dos anos 80. Grupos de círculos unidos através de linhas e curvas começaram a aparecer com mais freqüência. Formavam imagens geometricamente complexas, muitas das quais se assemelhavam a antigos símbolos religiosos, tais como a cruz celta e a estrela de Davi, do Judaísmo. A idéia de simples vórtices criarem tão intrincados glifos parecia absurda. De repente, a teoria do doutor Meadon já não era tão boa e precisava ser reavaliada.
 Muitas outras explicações surgiram, todas tentando justificar aquilo que Meadon não conseguira decifrar. Todos os tipos de proposições interessantes vieram à tona. Tudo, desde energia terrestre até experimentos militares, foi explorado como possível causa. O número de pesquisadores dos círculos ingleses, alguns dos quais vinham pesquisando o fenômeno desde a década de 70, foi aumentando diante dos olhos do público. Grandes operações de vigília foram montadas em Alton Barnes e no Castelo Bratton, duas das áreas ingleses mais acostumadas a receber as formações em suas plantações. Nesses locais, os campos eram afetados todos os anos. Câmeras e equipamentos de gravação foram instalados, além de um sistema infravermelho de detecção.
 A operação do Castelo Bratton logo compensou. Em um exercício de três semanas, uma formação tinha aparecido já no segundo dia, aos pés de um antigo forte sobre uma colina. Embora o surgimento do círculo não tenha sido filmado, os entusiasmados pesquisadores correram até o local; entre eles havia fotógrafos e jornalistas, ávidos por flagrar o fenômeno e, principalmente, o responsável. O que encontraram foi uma brincadeira de amadores. O desenho era simples. O milho tinha sido pisado intencionalmente e deixaram no centro uma bola de barbante e um jogo de horóscopo. Desapontada, a mídia foi aos poucos abandonando o local, deixando as vigílias somente a cargo dos pesquisadores obstinados e alguns observadores regulares. Vários dias depois, e a 400 m dali, algo mais sério e promissor aconteceu.
 Noutro incidente bem documentado, algo que realizava movimentos circulares foi visto pelos pesquisadores através de lentes de visão noturna. Esse movimento durou uns 15 segundos, definindo a forma de um ponto de interrogação. Uma observação do campo foi feita no dia seguinte, mostrando justamente o desenho de um ponto de interrogação firmemente impresso na plantação de milho. Era uma das muitas alegadas aparições, cada vez mais relatadas. O público em geral e muitos pesquisadores vinham afirmando ter visto exibições de luzes, horas antes do aparecimento de uma nova formação. Os fazendeiros também costumavam contar histórias sobre uma estranha agitação de seus animais, ou a recusa deles em entrar numa certa parte do campo, onde apareceria uma nova formação no dia seguinte.
 Alguns relatos de testemunhas envolviam um grande número de pessoas e atraíam a atenção da mídia internacional. Na terça-feira, 10 de julho de 1990, os moradores de Alton Barnes, no Vale de Pewsey, foram repentinamente acordados quando todos os cães do vilarejo começaram a latir incessantemente por causa de um forte zumbido que permeava o ar noturno. Aqueles que conseguiram dormir perceberam, ao acordar, que não podiam usar seus carros para ir ao trabalho. Muitos descobriram que os veículos não davam a partida; alguma coisa descarregara as baterias. Carros, peruas e tratores não se moviam. Pouco tempo depois, os habitantes do vilarejo notaram uma vasta formação, medindo quase 181 m de um extremo a outro, e sem dúvida a mais sofisticada até hoje, materializada em um campo adjacente. Enquanto isso, e a apenas alguns quilômetros dali, apareceu outro desenho, quase idêntico em tamanho e forma.
 As primeiras testemunhas de que se tem registro nos tempos modernos são de 1972, quatro anos antes da alegada fraude de Doug e Dave ter começado. No dia 12 de agosto daquele ano, Bruce Bond e Arthur Shuttlewood estavam sentados em Star Hill, perto de Warminster, admirando o céu noturno. De lá, os dois alegaram ter observado a formação de um círculo: “De repente, ouvi um ruído. Parecia que alguma coisa pressionava o trigo. O ar estava completamente parado aquela noite. Olhei ao redor. A Lua tinha acabado de aparecer, muito brilhante. Diante de meus olhos, via uma impressão tomando forma. O trigo estava sendo empurrado para baixo, em movimento circular e no sentido horário”. Apesar do catálogo de aparições desde os anos 70, o fenômeno dos círculos nas plantações inglesas não é exclusivo dos tempos modernos. Relatos de círculos inexplicáveis nas plantações de milho remontam ao século XVII. Robert Plot, professor de Química em Oxford e coincidentemente o primeiro a descobrir e registrar um fóssil de dinossauro, fala sobre os círculos das fadas em seu livro Natural History of Stattfordshire, publicado em 1686. Nele, Plot descreve sua análise de círculos que apareciam nos campos cultivados ao redor do condado de Stattfordshire, às vezes em grupos de três ou mais.
 As semelhanças entre a descrição desses círculos das fadas e as características demonstradas pelo espetáculo de hoje são difíceis de ignorar. Suas observações incluem diâmetro de 36,4 metros ou mais, desidratação do solo e resíduo branco sulfuroso. Todas essas características aparecem em muitos dos círculos modernos. O fenômeno continua progredindo, alguns símbolos se repetiram por diversas vezes em diferentes anos e em locais distantes. Cientistas defendem que exista uma representação de equações matemáticas extremamente sofisticadas. Desta forma, agrônomos, físicos, botânicos e ufólogos tentam desvendar e compreender os mistérios dessas impressionantes figuras. Ademais, um fenômeno que aparentemente muitos supunham se tratar de algo apenas passageiro, com o passar dos anos se tornou extraordinário e disciplinado. Isso vem atormentando a vida dos fazendeiros daquela região e intrigando não só pesquisadores e ufólogos em todo mundo, que continuam a pesquisar, mas também os grupos que tentaram forjar os desenhos e se viram completamente envolvidos numa situação para a qual não há a menor explicação.
 Na edição de junho de 2001, a revista britânica UFO Magazine UK [www.ufomag.co.uk] publicou uma matéria sobre os círculos ingleses. Entre as informações, entrevistas e descobertas havia o relato de David Park, que conta como seus pais presenciaram a criação de uma das figuras, numa noite em setembro de 1984. “Meus pais viram uma luz branca e brilhante, forte como um holofote, através da janela da sala de estar, nos fundos de sua casa, em Orpington, Kent”. Ao saírem para verificar, o casal viu uma enorme nave discóide, com aproximadamente 30 m de diâmetro, pairando a alguns metros acima da propriedade rural de Godington Park, Inglaterra. “Eles sentiram algo como uma forte lufada de vento que parecia vir da nave, e se seguraram para ficar de pé. O vento continuou, mas o tempo, eles disseram, estava frio, porém calmo, no resto da área. Luzes brancas brilhavam ao redor de toda a nave, piscando num sentido e voltando no sentido contrário”. Eles notaram outra luz no alto da nave, enquanto o raio brilhante vindo da parte de baixo iluminava as casas e as estradas. “Depois, meu pai precisou ir de carro até as lojas da vizinhança e, no caminho, notou que o objeto se movera e agora parecia ter a forma de um charuto, com mais ou menos uns 60 m de comprimento”. Parecia pairar sobre a propriedade rural de St. Paul, ainda mostrando suas luzes. Quando voltaram para casa, os dois observaram a nave naquela área até a meia-noite. Depois o vento parou e ela voou a uma velocidade incrível, desaparecendo no céu noturno. Na semana seguinte, um jornal local independente, o News Shopper, publicou uma matéria sobre o incidente. Parece que muitas pessoas na área tinham avistado a nave e forneceram descrições semelhantes ao testemunho de Park.

a) Sistemas planetários

b) Símbolos de civilizações antigas

c) Mandalas

d) Insetos

 

Mistérios no Brasil e no Mundo

 Os círculos ingleses, como mencionado anteriormente, levam este nome devido à sua nacionalidade. Todavia, com o passar dos anos e com a evolução do fenômeno as formações começaram a aparecer noutros territórios, as plantações britânicas já não satisfaziam seus autores. Embora a Inglaterra não seja o único foco de atenção, continua a ser privilegiada com as mais freqüentes, ousadas e pontuais manifestações. Alguns casos isolados e esporádicos também já ocorreram noutros continentes, como Ásia, Austrália e América. Particularmente, pelo menos quatro episódios foram investigados no Brasil e alguns ufólogos acreditam que se trate de casos relacionados com as misteriosas formações inglesas. São eles:

 Primeiro Caso – No ano de 1986, em Passa Tempo (MG), surgiu uma formação num canavial localizado na Fazenda Toca, de propriedade do senhor José Rangel. Este evento foi pesquisado e registrado pelo ufólogo mineiro e autor do livro UFOs no Brasil, Misteriosos e Milenares [LV-10] Antonio Faleiro. Era uma figura composta por uma circunferência simples, com características semelhantes aos círculos ingleses da década de 80. As plantas da cana ficaram inclinadas em direção ao solo, formando um desenho de aproximadamente 10 m de diâmetro. Os pés da cultura não estavam quebrados, mas deslocados, como se uma força, vinda de cima, tivesse forçado a plantação para baixo, dobrando as canas para os lados e em sentido espiral, em direção às margens.
No entanto, as plantas de fora da figura estavam perfeitas. Não havia nenhum vestígio de queimadas ou de dano mecânico à lavoura. O canavial continuou crescendo normalmente, algum tempo depois os caules amassados retornaram à posição original. “Nenhum fenômeno como vento, redemoinho ou qualquer outra coisa desse tipo ocorreu no lugar. Há indícios de que um objeto arredondado baixou lentamente sobre as canas, rodando num sentido único, fazendo com que todos os caules se curvassem para o solo, sem danos”. Faleiro foi o único ufólogo a visitar o lugar, que não foi pesquisado por ausência de pessoal especializado. Nos dias que antecederam a formação, uma luz muito forte foi avistada sobrevoando uma área próxima à Fazenda Zeio do Plínio, onde apareceu o suposto círculo.

 Segundo Caso – Em meados de 1993, o ufólogo Ubirajara Franco Rodrigues, autor dos livros Na Pista dos UFOs [LV-05] e Caso Varginha [LV-08], ambos lançados pela Biblioteca UFO, pesquisou na cidade de Cruzília, há 360 km de Belo Horizonte (MG), o aparecimento de três curiosos círculos no pasto de uma fazenda. No entanto, tal fenômeno se opunha aos fatos ocorridos nos campos da Inglaterra. As circunferências haviam sido formadas pelo capim que cresceu, ao invés de serem amassados ou entortados. A formação lembrava o símbolo dos jogos olímpicos, embora estivessem separados por uma distância de três metros. O maior possuía cinco metros e meio de diâmetro e os laterais, quatro metros e meio. Tratava-se de círculos, literalmente falando, e não de circunferências com a área preenchida pelo amassamento.
 Um especialista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) compareceu ao local e constatou uma aparente alteração genética na pastagem. O capim que formava os perímetros dos círculos crescera de forma anormal e adquirira um tom mais escuro em virtude do rápido amadurecimento. Neste aspecto, havia um ponto em comum com os círculos ingleses, pois a alteração biológica e supostamente molecular da plantação era visível. Os caules haviam sido entortados sem o aparente emprego de força, ao invés de simplesmente amassados ou quebrados, mantendo seu amadurecimento e crescimento no sentido do dobramento, que geralmente ocorre num ângulo de 90º. Ademais, surgiu uma quantidade anormal de cogumelos, demasiadamente grandes, dentro da área afetada, totalmente desidratados, como se estivessem mumificados. “Inicialmente, pensei que eram resultantes da forma como os sacos de adubo foram colocados, numa disposição que facilitaria a alteração da cor das plantas. Entretanto, também envolvia o crescimento anormal”. Ubirajara ainda tem guardado 50 g da amostra e pretende prosseguir com os estudos.
 Nas décadas de 70 e 80, nos aeroportos argentinos, quando os objetos eram vistos próximos à cabeceira da pista, cogumelos gigantescos também foram encontrados. Em busca de novas informações, foram recolhidas amostras do solo e realizados testes de desenvolvimento genético nas mudas do capim. Todavia, o caso não foi investigado por outros ufólogos e Ubirajara não tomou conhecimento dos resultados dos exames. Não há registro de avistamentos de discos voadores ou luzes naquele período. Para Ubirajara, o caso pode ser comparado com um ninho de UFOs [Marcas de aterrissagem de UFOs], tal como aconteceu na Austrália, quando o pesquisador Robert Habner encontrou vestígios num pasto, em 1971. O caso apresentou características semelhantes ao de Cruzília, em termos de aparência e alteração genética.

 Terceiro Caso – No dia 03 de dezembro de 1996, por volta das 17:00 h, dois agrimensores, que preferem não se identificar, encontraram uma circunferência simétrica, com mais de cinco metros de diâmetro, numa área pantanosa localizada há 100 m da Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAER), em Guaratinguetá, próximo à Rodovia Dutra, no Vale do Paraíba (SP). A vegetação estava dobrada no sentido horário, os filetes do capim não estavam quebrados, houve apenas um crescimento repentino na borda do círculo, formando uma espécie de franja de aproximadamente 30 cm de altura ao redor do desenho. Este caso foi pesquisado in loco pelo ufólogo Walter de Oliveira, do grupo União das Forças Ostensivas de Lorena (UFOL).
 Também, nas noites anteriores ao surgimento daquela figura, os moradores observaram luzes alaranjadas, supostamente sondas ufológicas que estariam sobrevoando a região. Em exames preliminares, o professor de ciências agrárias Valdinei José Paulino descartou a hipótese de se tratar de uma formação natural. Após o episódio, foi construído um muro separando a área militar do aeroclube local, e o charco foi completamente aterrado para a construção de uma estrada, descaracterizando por completo o lugar onde surgiu a marca.

 Quarto Caso – No mês de maio de 2000, estranhas formações circulares apareceram nos canaviais existentes na cidade de Campos dos Goytacazes, região norte do Rio de Janeiro, levando os estudiosos a imaginarem que tivessem ligação com o enigma nas plantações inglesas. O cultivo de cana-de-açúcar é muito comum naquela área e os proprietários de terras não têm qualquer explicação para os desenhos que se formaram, da noite para o dia, em suas colheitas. Algumas suposições para o fenômeno já foram descartadas, como, por exemplo, a de que poderiam ser marcas provocadas pela irrigação de um pivô central, pois esse tipo de aparelho não é utilizado na área, e nos locais onde é empregado não foram encontrados as formações. Outra idéia é a de que as marcas seriam causadas pela ação de pragas nos canaviais. No entanto, a perfeita simetria com que foram feitas contraria essa hipótese.
 O professor e físico da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e presidente do Clube de Astronomia local, Marcelo Oliveira, fez uma análise aprofundada do caso. Juntamente com a equipe de pesquisadores, recolheu e analisou as amostras do solo onde as evidências foram encontradas, para verificar a existência de alterações biológicas ou substâncias incomuns na terra. Alguns círculos foram observados, inclusive, nas áreas onde a vegetação já não existia mais; isso porque no local das marcas o terreno apresentava uma coloração desigual. O piloto de ultraleve Marco Antonio, que realiza vôos diários em suas reportagens para a Rádio Litoral FM, do município, foi o primeiro a constatar as formações incomuns na vegetação. Ele verificou, inclusive, que no intervalo de um dia para outro os desenhos surgiam sem qualquer explicação. A área onde o fenômeno pôde ser observado tem mais de 60 km², uma extensão tão absurda que chega a atingir propriedades distintas.
 Nos locais das marcas a terra se tornou estranhamente improdutiva, ao contrário do que ocorre na área composta pelos círculos ingleses, que continuam a manter bons níveis de fertilidade. Alguns moradores do Jardim Aeroporto, bairro afastado do centro urbano de Campos dos Goytacazes, afirmaram também que viram luzes intrigantes sobrevoando a cidade naquela noite, mas nenhum depoimento teve relação imediata com as formações na pastagem. O caso chegou a ser divulgado na Rádio Litoral FM, tornando os círculos conhecidos por grande parte da população. Atualmente, existe até uma rota aérea que permite aos turistas visualizarem todos os desenhos num único vôo. À frente das investigações está o publicitário e jornalista João Oliveira [www.joaooliveira.com.br], entusiasta da Ufologia, que quer uma resposta para o mistério e não mede esforços para encontrá-la: “Vamos investigar o enigma a fundo, até encontrarmos uma explicação convincente para ele”.

 Os Casos Brasileiros São Verídicos?

 Os círculos encontrados nas plantações, independente do lugar em que ocorrem, têm dividido opiniões em busca de uma resposta para o fenômeno. Em todos os locais onde surgiram foram realizadas análises do solo, da vegetação e das condições gerais do ambiente, constatando-se algumas vezes radiações no terreno e a improdutividade das terras afetadas, além de super adubação. Mas o que realmente intriga os pesquisadores é a simetria com que os desenhos são feitos e a forma com que as hastes dos cereais são dobradas, sem apresentar qualquer danificação. O ufólogo Lafayette Cyríaco acredita − com base em suas pesquisas em Campos do Goytacazes (RJ) − que os círculos foram feitos por sensores enviados por UFOs, pois numa das áreas investigadas ele encontrou um pequeno índice de radiação. Utilizando o contador Geiger, Cyríaco registrou 0,4 Röentgen [Unidade de medida] em uma escala de 0 a 10. Apesar desses resultados, o ufólogo continua realizando outras investigações. "Existe um tipo de adubo que contém a substância Natrium Phosfoni Kalium, que possui uma pequena quantidade de radiação. Mas pode ser também que o material seja algum elemento de outro planeta”, sugeriu Lafayette.
 Outra posição intrigante para o fenômeno dos círculos nos Campos de Goytacazes é a do agrônomo Hamilton Jorge de Azevedo, que também esteve no local realizando estudos no solo e acredita que os desenhos sejam conseqüência da intensidade de água expelida pelos borrifadores existentes nas plantações. “As marcas foram feitas por ‘aspersores’, que têm maior pressão. Os jatos de água pressionam as folhas da cana e realmente formam círculos. Isso não tem nada a ver com extraterrestres”, explicou. Para Hamilton, a polêmica que tem se formado em torno do assunto é totalmente desnecessária, pois se tratam de marcas comuns, feitas por aparelhos prosaicos. “Isso está bem claro. É um fato”, enfatizou. Esta opinião é rebatida pelo publicitário João Oliveira. Nas imagens que obteve, tratou de confirmar a teoria de Hamilton. Para isso, fotografou um aspersor em funcionamento e verificou que nada explicava as marcas. Para ele, os jornais da região estão valorizando os círculos e deixando de dar atenção às marcas mais intrigantes, como é o caso da que ele apelidou de “triângulo”.
 Em entrevista à revista Vigília [www.vigilia.com.br], ele foi incisivo: “Na minha opinião as marcas, principalmente as triangulares e ovais, não podem ser atribuídas a nada conhecido aqui na região. Para se ter uma idéia, o triângulo mede mais de 30 m, visto de perto e do alto chega a causar medo de imaginar o que poderia ter feito aquilo”, contou. A marca oval tem mais de 90 m, parece um carimbo gigante no meio do canavial. Sem falar nas fotos que eu ainda não digitalizei dos sinais que aparecem mesmo no solo arado. Mais ainda, João diz que possui relatos de avistamentos de UFOs naquela área. “Alguns moradores dizem ter visto luzes estranhas, e os habitantes de Lagoa de Cima, área próxima ao local, também relataram que luzes saem e voltam para dentro da lagoa”, garantiu. Ele duvida que os círculos tenham relação com as formas existentes na Planície Goytacá. “Os círculos ingleses formam desenhos geométricos perfeitos; os daqui parecem desordenados. Não acredito que tenham a mesma origem, ou pelo menos, a mesma intenção”, finaliza.

 2) Polônia

 Pouco menos de dois meses após a descoberta das figuras em Campos de Goytacazes, os círculos ingleses – que já tinham perdido a exclusividade britânica para alguns esporádicos relatos na Austrália – viravam assunto na Polônia. Reproduzindo nota das agências internacionais, o jornal paulista Agora publicou na seção Mundo, de 28 de julho de 2000, que os habitantes da aldeia de Wylatowo estavam temerosos diante da possibilidade de suas contas de energia elétrica serem aumentadas em razão do aparecimento de UFOs. Explica-se: segundo os relatos de alguns camponeses, círculos nas plantações de trigo teriam sido feitos por 10 discos voadores, utilizando-se a eletricidade da aldeia. Ao que tudo indica, a polêmica em torno das figuras nas plantações parecia estar longe de terminar e tornava-se cada vez mais exagerada.

 3) Rússia

 No mês de junho de 2000, os fenomenais círculos também puderam ser vistos no sul da Rússia, deixando evidências muito semelhantes às constatadas na Inglaterra. Um fazendeiro da vila de Yuzhnoye – região do território russo Stavropol – chamou os policiais locais quando encontrou estranhas marcas em seu campo de cevada, suspeitando que fossem ataques de vândalos destruindo sua propriedade. Já outros proprietários de terras da região afirmam que o fenômeno possa ter alguma ligação com extraterrestres, pois na noite em que os desenhos apareceram viram algo muito estranho pousar na plantação, levantando vôo alguns segundos depois. Os policias ficaram intrigados com as características incomuns das marcas encontradas. Um exame mais apurado, feito no local, revelou quatro círculos distintos – um de 20 m de diâmetro no centro e três exteriores, de cinco e sete metros de diâmetro cada. A plantação curiosamente tinha sido achatada em sentido horário.
 Os representantes do Conselho de Segurança de Stavropol foram até o campo de cevada e recolheram depoimentos dos moradores e material da vegetação e do solo. Não encontraram qualquer vestígio de radiação ou produtos químicos. Vasily Belchenko, um dos membros do Conselho, acredita que os entrevistados realmente estejam falando a verdade. “Não há dúvidas de que isso jamais poderia ser feito por humanos, muito menos que possa ser qualquer obra de vandalismo”, disse. “Um objeto desconhecido realmente aterrissou no local das marcas, usando obviamente um princípio de pouso ignorado pelas técnicas humanas”, acrescentou. Todos os relatos indicam que o intervalo entre a descida do objeto voador na cevada e sua decolagem ocorreu em frações de segundos e realmente não poderia ter sido algo pertencente à tecnologia terrestre.
 Um furo cilíndrico de 20 cm de profundidade e bordas lisas também foi encontrado na plantação, próximo ao centro do círculo maior. A complexidade do fenômeno e a analogia com os famosos círculos ingleses chamaram a atenção da Imprensa e a tevê estatal russa divulgou o caso com filmagens na região. A reportagem sugeria que uma nave alienígena teria pousado num campo de cevada na vila Yuzhnoye e que a intenção de seus tripulantes seria colher amostras do solo terrestre para futuras análises em seu planeta. Os fazendeiros procuram entender quais poderiam ser as intenções dos alienígenas com esses desenhos, mas apesar de alguns especialistas terem analisado o local criteriosamente, nenhuma conclusão foi obtida.

4) Canadá

Em 17 de outubro de 1998, o município de Lowville, em Ontário, Canadá, foi pego de surpresa com o aparecimento de um agroglífo [Misterioso achatamento geométrico numa plantação]. No dia 22 de outubro de 1999, fenômenos idênticos ocorreram na mesma região, atingindo um milharal com quase três metros de altura. Uma das figuras era enorme e tinha a forma de lágrima, outras se assemelhavam a um disco. Paul Anderson, do grupo Circles Phenomena Research (CPR), disse que uma equipe de pesquisadores que esteve investigando o local teve três bússolas simultaneamente desviadas do pólo norte quando fazia medições no interior da marca geométrica. Ela também encontrou uma substância fibrosa e esbranquiçada, debaixo de algumas plantas que estavam achatadas. Nada pôde ser comprovado quanto à veracidade do incidente.

5) Alemanha

A primeira formação alemã de 2002 foi descoberta num campo de cereais da vila de Fritzlar, em Hessen. Tal como a área de Avebury, na Inglaterra, esta localidade é considerada o ponto culminante de aparições de círculos na Alemanha. O desenho era angular, com um círculo pequeno no meio. A segunda formação, por sua vez, apareceu no dia 1˚ de maio deste ano, ao norte da cidade de Kassel, também em Hessen (a posição exata da figura foi omitida a pedido dos fazendeiros locais). Seu formato eram dois anéis concêntricos, com quatro círculos colocados no interior e no exterior do campo.
Em 20 de maio passado, duas outras formações surgiram num campo de cevada, na vila de Zueschen, em Hessen. A primeira figura tinha a forma de um “S” e um pequeno círculo aparecia em seu fundo. Já a segunda mostrou um sol irradiado por 12 circunferências, com um anel oval na parte externa. Por fim, a quarta figura apareceu entre os condados de Sinsheim e de Grombach, no Estado de Baden-württemberg. A única característica deste desenho é em relação à sua forma em espiral, criada dentro de um dos anéis.

6) Estados Unidos

Quando pisou fora de seu caminhão, em 26 de julho passado, a primeira coisa que Ed Corrigan observou à sua frente foram às plantas quebradas que circundavam a colheita localizada no campo de Naperville (EUA). “Para quem sobrevoa o desenho, é possível ver uma série dos anéis despedaçados, concêntricos, cortados no campo, fora da estrada de Diehl, em Naperville. Assemelha-se muito aqueles círculos encontrados na Inglaterra”, descreveu. Mas alguns investigadores apresentaram outras causas para o fenômeno, ou seja, campos magnéticos, tempestades do vento e até aterragens de UFOs. No entanto, um detalhe não passou despercebido. O círculo da colheita de Naperville apareceu duas semanas antes do filme Sinais, estrelado por Mel Gibson ir ao ar.
Em Wiltshire, Inglaterra, outra figura também foi descoberta no mesmo período, imitando a façanha anterior. O desenho possuía partes que imitavam as orelhas do Mickey Mouse, acredita-se que numa homenagem a companhia cinematográfica Disney, que distribuiu o filme. William Leone, pesquisador de UFOs, disse que somente uma análise de solo mais detalhada poderia determinar se o círculo foi criado por seres humanos ou não. Quando investigou uma série de 11 círculos num campo localizado próximo ao Laboratório Nacional de Argonne, em Lemont (EUA), em 1994, Leone encontrou diferenças genéticas nas plantas, dentro e fora dos desenhos, e disse que todos mediam cerca de 30 m. “Nós não podemos dizer que determinados círculos foram criados por UFOs, já que alguns povos crêem nesses objetos, outros não. Há muitas teorias para este fenômeno”, esclareceu.
Policiais de Naperville não se recordam de nenhuma outra figura nas colheitas locais, embora a cidade tenha pouquíssimas terras destinadas à plantação. O porta-voz Dennis Vercler, da fazenda de Illinois, disse que não ouviu nenhum relatório dos fazendeiros em outra parte do Estado, sobre o fenômeno. O campo de Berning está localizado em meio a edifícios, no setor mais movimentado da cidade. “Suponho que quem quer que tenha feito este desenho, o fez intencionalmente, como um truque malicioso”, finalizou.

7) Suécia

“Vi o primeiro círculo quando faltavam 16 dias para a colheita e estava muito revirada. A aveia tinha começado a levantar e muitas pessoas tinham caminhado sobre a formação, que estava praticamente destruída”, relatou o senhor Birger Wenngren. Ele fez alguns exames das amostras e percebeu que era quase impossível dobrá-las, pois havia perigo de quebrá-las. Resolveu então entrevistar o dono da fazenda e seus vizinhos. Todos estavam muito interessados em saber algo mais sobre o fenômeno que rondava a região, porque nunca nada de tão intrigante tinha ocorrido naquele distrito. A formação apresentava um círculo grande e centralizado, cercado por 13 pequenas circunferências, cada uma com seis metros. Toda a colheita foi alojada no círculo maior, mas em alturas diferentes, aproximadamente 10 e 20 cm da terra. A formação inteira tinha sido construída em sentido anti-horário.
Quando o fazendeiro olhou a manhã de quinta-feira pela janela, viu algo estranho em sua plantação de aveia. Durante a noite anterior tinha chovido muito, o que o levou a supor que aquilo tinha sido causado pela chuva e pelo vento. Não havia nenhuma área não cultivada, onde o trator não pudesse passar e não havia outro trajeto que conduzisse ao círculo. O fazendeiro Einar Forsberg, e seu vizinho, também resolveram verificar a formação na propriedade de Wenngren. Ao verem o desenho, Forsberg disse: “Isto foi feito por um UFO!” A certeza de que se tratava de um objeto não identificado vinha em razão do avistamento de várias luzes no céu da cidade, pelo menos nos últimos 15 anos.

Contagem Regressiva para Contato Alienígena?

 Se em 2001 as formações de Chilbolton desestruturam discursos prontos, explicações calçadas em clichês e deixaram a comunidade ufológica em êxtase, 2002 daria uma verdadeira rasteira nos estudiosos. Quando as discussões acerca das supostas respostas de Arecibo pareciam ter esfriado e os pesquisadores se conformavam com o fato de que este ano não haveria nenhuma formação surpreendente, eis que Hampshire cede chão a uma das mais assustadoras manifestações do fenômeno desde seu início: um rosto de extraterrestre e uma circunferência que, aparentemente, teria mensagens codificadas. Essa formação, surgida na segunda semana de agosto de 2002, em Crabwood Farm House, Hampshire, seria um dos eventos mais significativos do fenômeno dos círculos ingleses, se não fossem as diversas dúvidas que rondam a imagem.
 O colaborador do site Crop Circle Connector [www.cropcircleconnector.com] Andrew Fairbank foi avisado do surgimento da figura pelo seu editor, M. J. Fussell, em meio à uma grande agitação, natural a um fenômeno desse porte . Durante o telefonema, Andrews só compreendeu duas palavras do amigo: extraterrestre e disco codificado. “Ele parecia confuso ao telefone e tentava me falar de uma formação surgida na noite anterior”. Andrews contou que até determinado momento, o desenho era visto apenas como uma grande formação, mas o silêncio das pessoas ao notarem o que representava a figura foi mais forte que qualquer palavra.“Quando o desenho apareceu na tela do computador, a sala se encheu de rostos perplexos, misturados à descrença. A sala foi preenchida com respirações ofegantes, que tentavam aliviar o choque.” Essas reações humanas diante de um possível contato extraterrestre é uma das coisas mais interessantes a se testemunhar. E esse é, sem dúvida alguma, o pictograma mais sinistro da história dos círculos ingleses. “Essa ‘cicatriz’ no campo de trigo chega a ser ofensiva”. E de fato é um verdadeiro acinte o que acabara de surgir em Crabwood, uma espécie de tapa na cara dos estudiosos. Devidamente recompostos, Fairbank e Fussell visitaram o local o mais rápido possível, já que algo tão sutil seria logo invadido por curiosos.
 Após uma hora e meia, o grupo estava dentro do corpo da figura alienígena na plantação, que era totalmente incompreensível se visto do solo. Mesmo que a imagem fosse observada anteriormente, distinguir a que parte ela se referia era algo muito difícil. “Entretanto, uma vez que nos localizamos, as coisas ficaram um pouco mais fáceis. Sem contar a pequena fortuna que gastamos para ver a formação num avião.” Para Andrew, a comparação com Chilbolton é inevitável. “Assim como ao visitar as mensagens do rosto e no código de 2001 senti algumas sensações estranhas, há algo extremamente subjetivo e opressivo nessa formação. Só poderia dizer que os sentimentos de maus presságios e pavor eram os sabores deste evento. Certamente havia a impressão de que todos experimentaram as mesmas coisas que em Chilbolton, porém, agora era mais intenso.”
 O irônico é que as duas formações, 2001 e 2002, parecem feitas pelo mesmo autor que, nesse ano, se concentrou em deixar o mundo ainda mais desconcertado. É como se os eventos do ano anterior fossem um aquecimento para este que, sozinho, superaria todas as reações passadas. Outro aspecto interessante do desenho era a posição, localizado no ponto mais elevado do lugar e próximo ao radiotelescópio do Observatório de Chilbolton, um local já habituado a mistérios. Talvez esta localidade seja uma tentativa deliberada de criar uma série de imagens que provoquem medo, pavor ou qualquer outra sensação bizarra nas pessoas.
 Sobre a possibilidade de fraude, Andrew é categórico ao afirmar que isso é improvável. Ele garante que todas as áreas da formação estavam intocadas quando chegou á, sem evidências de incursão prévia. Com a ausência de marcas ou indícios de presença humana, o estudioso analisou todos os locais da imagem, concluindo que uma falsificação seria apenas hipotética e remota teoria. “Ao menos uma falsificação padrão está descartada”, disse Andrew. Uma prova da autencidade era o estrago que os circólogos estavam causando à plantação, já que por onde andavam despedaçavam as plantas sob seus pés, deixando sinais muito óbvios do peso do corpo humano. “Como poderia um grupo de falsificadores estar lá e não deixar a coisa inteira, sem danos ou indícios de presença, como nós? A plantação estava seca e frágil, fazendo com que se desintegrasse ao menor toque. Em todas as análises de círculos forjados nunca encontramos solos com estas características”, finalizou.
 Enquanto alguns pesquisadores consideram que, inesperadamente, a Humanidade recebeu a chave que facilitaria a comunicação com os extraterrestres, outros ponderam que a figura seja o maior e mais bem elaborado embuste de todos os tempos. Assim como em outros casos, é necessário lembrar que quando não for possível entender a razão dessas simbologias deve-se ter a certeza de que ao menos tudo isso faz sentido. É, no mínimo, a representação de uma revolucionária tecnologia de comunicação alienígena. Uma análise realizada pelos estudiosos Marshall Masters e Robert Heger, criadores do site Your Own World USA (Yowusa) [www.yowusa.com], garante que a finalidade preliminar da formação de Crabwood é mostrar como se estabelece um diálogo com uma raça extraterrestre. Para iniciar essa conversa, deve-se usar uma linguagem que se presume ser comum no Universo. A localização da formação, ao lado de antenas de rádio, é uma indicação de que alguém está tentando difundir uma mensagem, talvez até mesmo em caráter digital – e a presença de uma espécie de CD-Rom na figura de Crabwood é o que a torna mais acintosa. Depois de analisar as imagens, os pesquisadores concluíram que os dados estão organizados em espiral, representando números binários pelas forma como os caules foram amassados. Os que permaneceram eretos simbolizam o número 1, e o restante mostra o algarismo zero.
 A procedência dos dados indicados pela formação de Crabwood ainda é um mistério. Alguns estudiosos acreditam que se trate de uma espécie de código, e alguns cogitam até mesmo o Código Morse. Criado em 1832 por Samuel Morse, o sistema representa os caracteres alfabéticos e algarismos através de pontos e traços, correspondendo-os a impulsos elétricos que resultam em sinais acústicos ou luminosos de uma certa duração. Mas devido à evolução tecnológica, o código Morse está cada vez mais em desuso. Alguns circólogos chegaram a tentar traduzir a mensagem do tal CD-Rom usando essa velha forma de decodificação. Entretanto, não há nada na imagem que indique o uso desse sistema – e se realmente for uma mensagem alienígena, a decodificação será ainda mais difícil. Na mensagem uma espécie de indicador que mostra o fim da seqüência dos dados, localizado na borda exterior da espiral. Pode ser interpretado como um sinal de que a mensagem, qualquer que seja, estaria completa. Resta agora entendê-la e saber o que a Humanidade fará com estas informações: decodificará a mensagem ou ir além disso e elaborar uma resposta?
 A pesquisadora Lucy Pringle, veterana no fenômeno dos círculos, soube da formação por e-mail no mesmo dia em que foi descoberta, 15 de agosto de 2002. Uma mensagem a alertava sobre uma nova formação no campo leste de Winchester, área de reconhecida incidência de formações. A pesquisadora recebeu diversas mensagens que relatavam a ocorrência, mas sempre com endereços diferentes, de diversas testemunhas. Depois de descoberta a localização exata, Lucy notificou o pesquisador e especialista em geometria Paul Vigay [www.cropcircleresearch.com], para que pudessem investigar a ocorrência. A formação estava encravada precisamente na Fazenda do Vale, na localidade de Pitt, Winchester, que é propriedade de Mike Burge. A imagem fica a 13,6 km de Chilbolton, onde a mensagem e o rosto de Arecibo apareceram em agosto 2001. Burge permitiu a entrada dos pesquisadores na formação, com relutância. Assim, Pringle e Vigay, paralelamente a Andrews e Fussell, começavam também suas análises – e também foram acometidos da mesma sensação de surpresa.
 O fato se tornou público na sexta-feira, 16 de agosto, através de uma pessoa não-identificada que telefonou para a estação de rádio do Ocean FM para relatar uma formação, claramente visível naquela que é chama a Velha Estrada de Sarum.Após analisar a localização com o fazendeiro, concordaram que a formação só poderia ser vista por alguém que estivesse próximo à estrada. Depois de algumas investigações, descobriu-se que a pessoa que ligou para a rádio era uma mulher que cavalgava na região, próxima às torres. Pippa Head, repórter que sobrevoa a região todos os dias para noticiar ao tráfego, foi solicitada para investigar a formação e foi a primeira pessoa ver a imagem do ar. Sid Colles, vizinho da Fazenda do Vale, ouviu a notícia e avisou Mike Burge sobre o que estava acontecendo.O proprietário, pacato, não imaginava que sua fazenda iria virar palco nacional de atrações. Em pouco tempo, o “Alienígena de Crabwood”, como ficou instantaneamente conhecido, se tornou o cartão de visitas da região e um problema para os estudiosos. Todos queriam respostas, inclusive eles. Mas a visita de muita gente ao local acabaria por destruir as possibilidades de um exame melhor da formação.
 Burge acabou cedendo e resolveu abriu o campo a todos aqueles que quisessem ver a formação. Pessoas vinham de vários lugares do país apenas para visitá-la. No sábado, 17 de agosto, Lucy entrou no local acompanhada de dois amigos. Dirigiu-se diretamente ao local onde esta representada a cabeça da figura alienígena. Ela e seus acompanhantes sentiram vertigens com a aproximação e decidiram se afastar rapidamente, indo para o fundo da formação. “Nesse momento, o mal estar sumiu completamente”, disse Lucy,que suspeita que isso pode ser originário de emanações de ondas de rádio. “Só vi algo parecido em 2001, em Chilbolton, aquela imagem que parecia uma colheita aplainada, como se os caules fossem colocados individualmente.” Fazer isso em Chilbolton ou agora, em Crabwood, seria uma tarefa além das habilidades de um homem ou um grupo de homens, num curto período de tempo e na escuridão. Como em todos os círculos considerados originais, os caules não foram quebrados, mas dobrados na base. Sem se partirem e tendo seus nodos explodido de dentro para fora.
 Baseada em suas pesquisas, Lucy afirma que a origem da formação é mais complexa do que se imagina, embora seja difícil de determinar precisamente o que a causou. Mas há alguns detalhes que podem ser analisados e os estudiosos trabalham cada vez mais seriamente com a origem extraterrestre. Nas formações de 2001, os autores da Mensagem de Chilbolton deixaram plantas em pé, sem dobrá-la. Eram elas que determinavam o formato do desenho. Mas agora, em 2002, aconteceu precisamente o contrário. “É como se em Chilbolton a fotografia estivesse em negativo”, diz Lucy. Também um outro aspecto similar entre as figura é que o significado desta nova formação não é ambíguo. Trata-se da face de um extraterrestre, sem nenhuma outra possibilidade de interpretação. A construção do rosto do alienígena é mais tradicional que a empregada na circunferência que o acompanha, o CD-Rom – como se fossem dois autores distintos que realizaram a façanha. Entretanto, a pesquisadora questiona os motivos de uma inteligência tão avançada usar algo tão primário quanto o código binário para tentar transmitir uma suposta mensagem. Para ela, a pergunta-chave é se há alguma relação da imagem e a emanação de microondas pelas torres do Observatório de Chilbolton, praticamente ao lado da formação. Embora tenha todas essas dúvidas, a pesquisadora continua colhendo dados sobre o caso e entrevistando moradores das casas e fazendas próximas.
 Mary é uma das moradoras da área que foi entrevistada pela estudiosa. Ela contou que ouviu o ruído de um helicóptero sobre o campo entre meia-noite e meia e 1.30 h da manhã de quinta-feira, 15 agosto. Tinha se deitado pouco antes da meia-noite e estava quase dormindo quando ouviu o som do que pensou ser um helicóptero se aproximar e plainar por cerca de 10 a 20 minutos sobre o local. Seu marido, Dermot, que dormia ao lado dela, garante não ter ouviu nada. Ela conta que helicópteros sobrevoam a área ocasionalmente por causa da prisão que fica próxima à estrada de Romsey, e que suspeitou da fuga de algum prisioneiro. No dia seguinte, depois que a formação se tornou pública, várias pessoas, helicópteros, turistas e curiosos invadiram o local. Para Mary, era uma busca intensa a um fugitivo extremamente perigoso, tanto que ela procurou se informar porque não foi informada de uma situação como essa. Stephen Short, morador de Warnford, vizinha a Crabwood, a tranqüilizou. “Trata-se de mais um círculo na plantação, não de um fugitivo”. Ele aproveitou e contou à Lucy que, durante a noite de quinta-feira, 15 agosto, também testemunhou uma luz surpreendente dançando sobre o campo à frente de sua casa. O objeto luminosos se arremessava contra o chão e voltava novamente pra cima, como se uma estrela tivesse disparando raios de luz. Os testemunhos não são poucos e a maioria deles aponta para objetos noturnos. No domingo seguinte ao fato, 25 de agosto, Marie Wakelam, que mora numa casa de fazenda nos limites de Crabwood, ligou para Lucy contando que entre 22:00 h e 22:30 h daquela noite foi surpreendida por um forte cheiro de queimado vindo do campo. As janelas de seu quarto e sala estavam abertas àquela hora, e ambas ficam viradas para a plantação onde surgiu a formação.
Esses fatos poderiam ser reais? Extraterrestres estariam fazendo no campo o desenho de seu rosto ao lado de um disco cheio de informações para os povos da Terra? Trata-se de algo muito distante e fora dos conceitos normais. Se o intuito era transmitir uma mensagem objetiva, por que não fazer algo mais direto? “Certamente, existe uma tecnologia criadora dessas coisas nas plantações, e não é desse mundo”, diz Lucy. “Tudo o que ser poderia dizer sobre isso é que de algum modo esta mensagem surpreendente está lá e foi criada de cima”. Embora os estudiosos estejam divididos entre a fraude ou veracidade, o que se pode afirmar é que, independente da origem, o fenômeno nunca será o mesmo depois dessa formação. Se for provado que se trata de uma brincadeira, ficará demonstrado que os fraudadores evoluíram muito neste período e que são capazes de criar imagens tão perfeitas quanto às originais, usando uma forma de tecnologia até então desconhecida. Mas se for provada que essa é uma mensagem original, só nos resta saber quando faremos contato. 

 

 
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