bem como encontros com membros de um grupo de trabalho semelhante do Ministério de Defesa argentino. A Cridovni também incentivou a criação do Comitê de Estudos de Fenômenos Aéreos Anômalos (CEFAA), que funciona na Força Aérea do Chile (FAC), cujo modus operandi foi assimilado do sistema de estudo e avaliação do Fenômeno UFO do Cridovni.
O principal
personagem na história da entidade é Carlos Pérez
Lavagnini, que antes participava do Centro de Investigação
de Fenômenos Espaciais (CIFE), de Montevidéu. Com intenção
de investigar um maior número de casos, Lavagnini lutou para
unificar o CIFE com o Centro de Investigações OVNI (CIOVI),
outra entidade uruguaia, além de alguns poucos grupos que surgiram
isoladamente. No final de 1978, Carlos Cantonnet, um jovem estudante
de psicologia, solicitou ao governo do Uruguai a criação
de um grupo oficial dedicado ao tema. Até então, o Cridovni
era uma iniciativa basicamente oficial, mas isso iria se transformar
quando o CIFE organizou um encontro para selecionar os melhores investigadores
do tema no país, que pudessem ser absorvidos pela entidade da
FAU. Ao mesmo tempo, o país sofria uma onda ufológica
sem precedentes, com casos registrados pelo pessoal de controle de vôo
dos aeroportos uruguaios.
“Explicamos à FAU que os meios logísticos que necessitávamos
para esclarecer os fatos poderiam ser facilitados pela aeronáutica”,
disse Cantonnet. E estava dado o primeiro passo na fundação
da entidade militar, que teria como seu presidente o tenente-coronel
Eduardo Aguirre, que não era neófito em Ufologia. Ele
já fora recomendado antes para analisar casos acontecidos durante
as ondas ufológicas de 1973 e 1977.
Serviço
de inteligência
Dois anos
depois, ele havia entrado para o serviço de inteligência
do Estado Maior uruguaio e, então, recebido a ordem de organizar
um projeto oficial de investigação sobre UFOs. Aguirre,
o tenente-coronel Freddy Prieto e o tenente Ricardo Purple dirigiram
a primeira fase da comissão. Deste modo, a direção
técnica do Cridovni, com a garantia do comando geral da Aeronáutica
uruguaia, procurou todos os investigadores que fossem considerados sérios
e objetivos, além de oficiais da própria FAU que estivessem
interessados no assunto, para convidá-los a unir-se à equipe.
“Aos civis foi questionado se participariam movidos pelo interesse
pessoal, e comunicado que deveriam suspender durante tempo indeterminado
os trabalhos de seus grupos e passar a integrar um grupo sem igual e
oficial”, garante Cantonnet. Ele informou que, em agosto de 1979,
foram convocados aproximadamente 20 grupos civis, mas apenas alguns
passaram pelo filtro oficial. A comissão realizou diversos gestos
para mudar a idéia de sigilo absoluto que acompanha os grupos
oficiais, e o tenente-coronel Freddy Prieto impulsionou uma política
mais aberta à entidade, concedendo entrevistas regulares à imprensa.
Esta tendência foi reforçada pelo novo presidente da Cridovni,
o coronel Bernabé Gadea Echeverría, que acabou participando
de encontros organizados por ufólogos argentinos. A amplitude
da comissão é abrangente, postura pouco apreciada por
alguns de seus membros. Em julho de 1997 e julho de 1998, por exemplo,
o contatado Giorgio Bongiovanni foi recebido na sede do Cridovni pelo
próprio chefe do Estado Maior da Aeronáutica uruguaia,
Alberto Castillo.
Desde o princípio de sua história, a comissão oficial
uruguaia seguiu uma estratégia dupla: manter o público
informado por meio de entrevistas coletivas semestrais e ser administrado
com sabedoria ao fazer interpretações do Fenômeno
UFO. “Um pequeno percentual de casos não explicados não
endossa totalmente a hipótese extraterrestre para origem dos
objetos. Esta é só uma, e de peso científico menor,
entre muitas teses”, explica Cantonnet, que ainda assegura que
se um fenômeno é classificado inexplicado, o assunto não
termina aí. Durante anos os casos são arquivados para
que, depois de um tempo, possam ser explicados. Ao mesmo tempo, oferecem-se
explicações plausíveis para sua origem ou natureza.
Sem
censura aos UFOs
Ao contrário
da suspeita que geralmente cerca os grupos ufológicos de todo
o mundo, a Cridovni não é uma entidade secreta. Ela divide
seu trabalho em quatro áreas. A Direção Técnica
se encarrega de organizar e supervisionar o processo de investigação,
além de receber os relatórios de supostos UFOs. Ela possui
a última palavra nas conclusões a que os outros três
departamentos chegarem. São eles a Direção Técnica
Operativa, a de Estudos Técnicos, e de Arquivos e Estatística.
A divisão técnica operativa administra as pesquisas e
junta informações adicionais para um estudo mais detalhado.
Sua equipe, integrada por uma dezena de militares em atividade e sete
civis, conta com a assessoria de organismos estatais idôneos em
cada área, como faculdades de agronomia, medicina, engenharia,
biologia, ciências humanas e astronomia. Além do Centro
de Investigações Nucleares, a Escola Universitária
de Psicologia e o Instituto Nacional de Administração
de Meteorologia, todos com sede no Uruguai.
O departamento de estudos técnicos procura analisar cada caso
de forma a se isolar as possibilidades de fraudes e a probabilidade
de que um fato relatado seja um fenômeno convencional. Do total
de relatórios inexplicados que a Cridovni possui, a maioria registra
fenômenos observados do ar por pilotos militares, alguns acompanhados
por registros no radar, que a entidade chama de “não convencionais”.
Esta classificação ou qualificação significa
algo mais que “não identificados”, ou seja, diferentes
de tudo aquilo que é conhecido. Este é um passo além
do comportamento ortodoxo que até agora poucos organismos oficiais
tinham ousado dar. O último estudo estatístico que o Cridovni
realizou sobre fenômenos incomuns registrados no Uruguai revela
peculiaridades interessantes.
De acordo com o Boletim Informativo da Força Aérea, a
quantidade de relatos de UFOs é diretamente proporcional à
densidade de população nas áreas atingidas. Dos
833 relatórios, 375 documentam fatos concentrados nas áreas
mais povoadas, Montevidéu, Canelones e Durazno. Quase a metade
dos relatos provém de testemunhas únicas, 48%. Duas pessoas
participam de 19% das observações, enquanto o número
de observações simultâneas, com mais de seis pessoas,
ocorre em 8% dos casos. O fenômeno caracterizado por um ponto
luminoso, que no Brasil recebe o nome de sonda ufológica, está
presente em 49% dos relatórios, enquanto que, em 45% dos restantes,
se descreve algum tipo de forma específica do objeto avistado.
Em 4% dos casos foram registrados tripulantes e, em 2%, detalhes estruturais
dos veículos. A maioria das observações ocorre
entre as 19h00 e 21h00, e em aproximadamente 75% dos casos se dão
com o céu claro. Do total, apenas oito relatos continuam à
espera de novas informações que permitam uma nova classificação
do caso. O incidente que registramos no início deste texto é
um deles. O site oficial da Força Aérea Uruguaia [http://fau.gub.uy/fau/cridovni.htm],
permite aos visitantes a visualização aos estudos estatísticos
realizado pelo organismo de 1940 até a década de 90. Os
membros do Cridovni preparam um livro onde planejam resumir os marcos
fundamentais dos 20 anos de trabalho ininterrupto.
Este
texto foi publicado na Revista UFO, edição 89. Foi elaborado
por Alejandro Agostinelli, jornalista, conferencista e pesquisador do
insólito. Seu e-mail é asteron@nat.com.ar.
O artigo foi traduzido por Fernando Fratezzi, da Equipe UFO.
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