“Ninguém
imaginava que um relatório com tal impacto viesse de um grupo
não oficialmente estabelecido pelo governo”, finalizou
Bourdais, insistindo no fato de que era atribuição do
GEPAN fazer as revelações que o Dossiê Cometa fez.
De qualquer forma, o documento vem recebendo cada vez mais a aceitação
popular e colocou a França novamente em posição
de vanguarda quanto à questão ufológica. Com 90
páginas e o subtítulo Para o que devemos nos preparar?,
o documento sugere fortemente que se estabeleçam ações
imediatas e concretas para conhecermos a fundo a natureza e origem dos
discos voadores, que são reconhecidos como de procedência
extraterrestre pelo Cometa. Entre seus membros estão antigos
auditores militares do Instituto de Altos Estudos da Defesa Nacional
(IHEDN) e vários cientistas, alguns do próprio CNES.
Segundo informações recentemente divulgadas pelo grupo
OVNI France, um dos mais influentes do país, o documento era
originalmente confidencial, pois devia ser lido exclusivamente por Chirac
e Jospin. “Não se sabe por que o informe caiu em domínio
público”, declarou o ufólogo Thierry Garnier,
dirigente da entidade. Ele também informa que nenhum dos dois
políticos fez qualquer tipo de comentário sobre o assunto
à Imprensa. Além disso, os meios de comunicação
franceses, sobretudo a televisão, não abordaram a revelação
imediatamente após vir a público. “Só houve
um breve comunicado da agência francesa France Press”, comentou
Garnier. Na época, alguns jornais publicaram artigos sobre o
assunto, mas não o fizeram com seriedade. “Este silêncio
quase geral por parte de nossa mídia parece uma espécie
de autocensura”, desabafou veementemente o estudioso.
Crítica
aos Estados Unidos
E o efeito
parece ter sido igual em todo o mundo: um misterioso silêncio
cobrindo o assunto, como se nada tivesse acontecido. Isso foi ainda
mais visível nos Estados Unidos, duramente criticado por sua
política de acobertamento à questão ufológica,
condenada pelo Cometa. Apenas agora, em maio último, alguns jornais
norte-americanos liderados pelo The Boston Globe começaram a
tratar do assunto. Mas até então nenhum posicionamento
oficial foi obtido de Bill Clinton ou de seus assessores. No Brasil
e resto da América Latina, absolutamente nada se registrou como
reflexo da divulgação do relatório [Que está
sendo integralmente traduzido para publicação em UFO].
No entanto, em círculos ufológicos do mundo todo o documento
caiu como uma bomba, tendo oportuno e significativo poder de destruição.
O Cometa é presidido pelo general do Exército do Ar Denis
Letty e conta, entre seus colaboradores mais ilustres, com o físico
Jean-Jacques Vélasco, diretor do que está sendo considerada
a versão atual do GEPAN, o Service d’Expertise des
Phénomènes de Rentrées Atmosphériques [Serviço
de Análise de Fenômenos de Reentradas Atmosféricas,
SEPRA]. Vélasco tem bom relacionamento com a comunidade
ufológica, participando de congressos em que entusiastas apresentam
suas teses sobre a origem extraterrestre dos UFOs. Mas tem uma visão
científica e crítica da natureza de tais objetos. A entidade
que preside atualmente fica nos arredores de Toulouse e seria uma espécie
de sucessora do centro ufológico oficial criado em 1976 por ordem
do próprio presidente d’Estaing.
Ainda segundo Gildas Bourdais, a idéia de criar o grupo Cometa
surgiu em 1995, depois de uma conversa entre o generais Letty e Bernard
Norlain, então diretor do IHEDN. Este, juntamente com o ex-presidente
do CNES André Lebeau, apoiou a iniciativa de Letty e pediu que
fossem dados os primeiros passos na direção de se realizar
aquele que hoje é considerado o mais completo e imparcial estudo
oficial sobre UFOs já feito até então. Letty não
se conformava com o fato dos arquivos da Aeronáutica francesa
conterem casos ufológicos para os quais não foram encontradas
explicações convencionais. “Os objetos observados
tinham que ser alguma coisa lógica, armas secretas inimigas ou
ainda efeitos de alucinações”, disse o general
referindo-se ao documento. “Mas não eram! Eram, isso
sim, objetos de origem extraplanetária. E como tal mereciam estudo
apropriado”, finalizou.
Influência
alienígena
Letty decidiu
então reunir especialistas de renome para confeccionar um documento
que pudesse ser considerado polêmico. Os UFOs e a Defesa é
o resultado, e está dividido em três partes. A primeira
é dedicada aos casos ufológicos franceses e estrangeiros.
A segunda descreve como funciona a investigação ufológica
na França e em outros países, além de mencionar
explicações científicas para o fenômeno.
E a terceira – muito polêmica – discorre sobre as
medidas que o Ministério da Defesa francês deve tomar quando
considerar os relatos de pilotos civis e militares, e suas conseqüências.
Um dos muitos pontos interessantes do material é a menção
da possível influência dos extraterrestres sobre as civilizações
que habitaram a Terra no passado, sintetizado na referência as “...máquinas voadoras que Ezequiel descreveu longamente,
a guerra aérea do Ramayana, a epopéia de Gilgamesh, os
Elohin do Gênesis...”, entre outros trechos do documento.
O dossiê é um duro golpe contra os céticos, pois
afirma com certeza a origem extraterrestre dos UFOs e sua realidade
física, indicando que estão sob controle de seres inteligentes
que não pertencem ao nosso planeta. Por sua vez, representa um
revés às teorias psicossociais que tentam explicar o fenômeno
ufológico dentro de um contexto que o Cometa considera reducionista.
Dois dos casos de registro de UFOs mais bem detalhados no relatório
são o ocorrido com o avião norte-americano RB-47, em julho
de 1957, e o acontecido sobre Teerã, em setembro de 1976. Estes
fatos marcantes na história da Ufologia receberam de vários
detratores tratamento desdenhoso. Os redatores do documento expedido
pelo Cometa consideram a interpretação desses casos –
especialmente a feita pelo cético dos EUA Philipe Klass –
como banal e retrógrada.
O Cometa também condena sem compaixão o governo dos Estados
Unidos por ocultar informações sobre os UFOs, e o acusa
de manipulá-las a seu favor. O general Letty vai mais longe,
citando a queda de uma nave alienígena em Roswell, em 1947, e
o resgate de seus tripulantes, com o subseqüente estudo dos corpos
e sua tecnologia. “Fatos como esse não poderiam ser
ocultados da população”, sugere o Cometa. Como
se não bastasse, o documento dá seu atestado positivo
a dois casos clássicos de aparições de humanóides,
algo igualmente inédito na história da Ufologia Mundial,
tendo-se em conta os pareceres de diversos cientistas e militares de
alto escalão. Um é o Caso Valensole, ocorrido nos Alpes
de Haut-en-Provence, em 1º de julho de 1967, e o outro é
o Caso Cussac, acontecido em Cantal, em 29 de agosto de 1967. Em ambas
as situações foram observados seres extraterrestres de
baixa estatura.
Recomendações vitais
O dossiê
é uma fonte inesgotável de informação, surpresa
e estupefação. Seus autores convidam as autoridades francesas
e estrangeiras – especialmente as dos Estados Unidos – a
atuarem em forma de cooperação, preparando a Humanidade
para um possível contato com uma civilização mais
avançada que a nossa, entre as muitas que estão nos visitando.
Tais conclusões e recomendações não deixaram
indiferente à comunidade ufológica internacional. Muitos
a bradam como uma nova bandeira de luta, em estímulo aos governos
indecisos ou neutros quanto à questão ufológica. “Temos que aproveitar essa oportunidade para obter posicionamentos
de nossas autoridades, e buscar formalizar progressos na forma como
a Ufologia é praticada”, disse o ufólogo chileno
radicado em Nova York Antonio Huneeus, um dos dirigentes da Mutual UFO
Network (MUFON).
Mas há quem acredite que o documento expedido pelo Cometa seja
apenas uma manobra de desinformação apoiada pelo governo
francês para avaliar a reação dos cidadãos
quanto à hipótese dos UFOs terem de fato origem extraterrestre.
Alguns ufólogos, como membros do grupo francês Ufocom,
vão mais além e aludem à possibilidade de que o
informe se dirija principalmente aos Estados Unidos como uma maneira
de impedir a estagnação do estudo oficial dos UFOs por
aquele país. Isso explicaria a natureza oficiosa da nota –
e não oficial –, posto que a atual diplomacia francesa
não se atreveria a criticar um país amigo de forma tão
direta. Não sendo um porta-voz chancelado pelo governo de Chirac,
o Cometa teria maior liberdade de usar a incisividade que fosse necessária
para chacoalhar os ianques.
O sociólogo francês Pierre Lagrange, conhecido por seus
rompantes ora a favor, ora contra os UFOs, arremeteu furiosamente contra
o documento expedido pelo Cometa. Em uma carta datada de 21 de julho
ao prestigioso diário Liberatión, cuja linha editorial
sempre foi hostil à questão, Lagrange garante que os membros
do Cometa são, eles sim, vítimas da desinformação
quanto ao Caso Roswell. “É sabido que os EUA são
os pais das modernas teorias psicossociais que explicam razoavelmente
os UFOs. Por isso foram criticados pelo grupo”. Lagrange
ainda acusou a Revista VSD de alimentar a desinformação
sobre a Ufologia e ridicularizar o tema. Vários centros de investigação
do Fenômeno UFO na França também criticaram as conclusões
do Cometa, porém por outros motivos. Uma das críticas
mais recorrentes diz respeito ao fato do grupo somente incluir no dossiê casos investigados oficialmente pelo GEPAN, desconsiderando os trabalhos
das entidades civis.
Outro caso bastante abordado pelo Cometa foi o ocorrido próximo
ao Lago Cote, em 04 de setembro de 1971, na Costa Rica. Descoberto por
Ricardo Vílchez, o caso é composto por uma das mais extraordinárias
fotos de naves alienígenas de que se tem notícia. Vílchez,
representante da Revista UFO em seu país, descobriu a ocorrência
nos arquivos do Instituto Geográfico da Costa Rica e a encaminhou
ao estudioso Jacques Vallée, que a considerou autêntica. “Ao lado do Relatório Sturrock, de 1998, o Dossiê
Cometa é a mais importante nota acadêmica deste século
referente aos UFOs”, disse Vílchez, que goza de vasto
prestígio perante a comunidade ufológica.
Segundo ele, Philipe Klass também tentou desprestigiar o caso,
acusando-o de pertencer ao Instituto Geográfico e, assim, adulterar
a foto. No entanto, Vílchez jamais pertenceu a tal instituto
e a foto foi examinada por peritos que descartaram qualquer sinal de
falsificação...Encontramos outra origem do documento expedido pelo Cometa no ano de
1975, quando um comitê do IHEDN, presidido pelo general Blanchard,
então da Guarda Nacional francesa, abriu publicamente um insipiente
dossiê sobre UFOs com o objetivo de recolher dados e classificá-los
para estudo. Foi no ano seguinte, 1976, que surgiu no cenário
o Groupe d’Étude des Phénomènes Aérospatiaux
Non-Identifiés (GEPAN), depois informalmente transformado no
SEPRA, já descrito. A entidade até hoje conta com o apoio
da Guarda Nacional, da aviação civil e militar, do serviço
meteorológico e de diversas outras instituições
francesas, através de protocolos firmados nos mais de 25 anos
de atividades da entidade. Talvez por isso Jean-Jacques Vélasco
tivesse tanto destaque no grupo Cometa.
Propulsão
dos UFOs
De qualquer
forma, o ponto alto do documento são algumas hipóteses
revolucionárias apresentadas como tentativa de se explicar o
Fenômeno UFO. Algumas são avançadas teorias sobre
seu modo de propulsão, entre as quais um sistema de locomoção
avançado baseado no princípio da magnetohidrodinâmica
(MHD). Tal sistema permitiria a um objeto movimentar-se pela atmosfera
gerando um campo magnético ao seu redor, e estaria sendo desenvolvido
em vários países, como os Estados Unidos e Japão.
O físico e ufólogo francês Jean-Pierre Petit é
um dos que mais se dedicou ao estudo dessa forma de propulsão.
Entretanto, concluiu que tal sistema é inoperante no espaço
vazio, funcionando somente na atmosfera terrestre. Segundo outros especialistas,
a MHD poderia explicar a ausência do estrondo produzido por UFOs
quando alcançam velocidades supersônicas.
Mas se o documento se detém longamente a propósito de
teorias que explicam os aspectos físicos dos UFOs, justamente
os que mais encabulam os cientistas e instituições acadêmicas
que se lançam para analisá-los, pouca coisa é falada
sobre outro aspecto grave da fenomenologia ufológica: as abduções.
O documento emitido pelo Cometa apenas menciona, de forma passageira,
os casos de abdução – já os contatos diretos
com ETs fora da nave são vistos com mais detalhamento. Uma exceção
é feita ao doutor John E. Mack, psiquiatra da Universidade de
Harvard e autor do livro Passport to the Cosmos [Passaporte para
o Cosmos], que teve alguns de seus trabalhos mencionados no relatório.
Aparentemente, segundo alguns observadores, o grupo Cometa é
agressivo no que se refere à materialidade dos discos voadores,
mas conservador em relação aos aspectos subjetivos da
presença de ETs no planeta.
Afinal, qual é o objetivo derradeiro do documento que está
agitando a comunidade ufológica internacional? Isso fica muito
claro quando se lê a página 58 do relatório, na
qual o Cometa declara que a França deve reafirmar perante o mundo
sua atividade de investigação ufológica, reforçando
os meios materiais e humanos do SEPRA para recolher informações
relativas ao Fenômeno UFO, tanto na Europa quanto no resto do
planeta. O Cometa também sugere que a França “...busque
desenvolver novos métodos de investigação e análise,
assim como venha estabelecer acordos setoriais de cooperação
com outros países, especialmente com os Estados Unidos”.
Este trecho do documento está sendo visto por alguns segmentos
da Ufologia Mundial como uma espécie de protesto contra a atual
situação do SEPRA, hoje dirigido por Jean-Jacques Vélasco,
que teve um surgimento glorioso, mas atualmente dispõe apenas
de um escritório de somente 18 m2 em Toulouse.
Reforçando-se a entidade, como consta no informe, “...poder-se-ia
consagrar utilmente seus esforços para a formação
de jornalistas e criar um site na Internet”. Outro aspecto
surpreendente do documento dá conta da possibilidade de que os
UFOs ameacem a segurança dos países e cidadãos
terrestres. Ainda que não tenham sido detectadas situações
agressivas de seres extraterrestres a humanos na França, em outros
países se deram casos de ataques e mortes de pessoas – especialmente no Brasil.
Ameaça
do espaço
Eis a razão
de o documento ter o subtítulo Para o que devemos nos preparar?
E o Cometa aponta algumas respostas, entre as quais a elaboração
de estratégias definidas e concretas ante a ameaça que
eventualmente os UFOs venham nos trazer no futuro. Nessa parte do dossiê
o grupo francês vai além de muitos outros comitês
já criados em todo o mundo para se considerar o assunto. E qualifica
as possibilidades relativas à aproximação de ETs
da Terra, classificando-as da seguinte forma:
•
O que fazer no caso de aparições aleatórias de
objetos voadores não identificados e a eventual vontade expressa
dos extraterrestres em estabelecer um contato oficial e pacífico
com os seres humanos? Como se deverá reagir nesse caso?
•
Que atitude adotar no caso do descobrimento fortuito de uma base alienígena
sob um ponto qualquer do território europeu, que represente uma
ameaça ou não a segurança do planeta?
•
Como devemos proceder no caso de suposta invasão de seres alienígenas,
embora isso seja considerada uma hipótese muito pouco provável,
tendo em conta o fato de que isso poderia ter acontecido há muito
tempo?
•
Qual seria a possibilidade de recebermos ataques localizados ou em massa,
sobre pontos estratégicos ou não da Terra? Haveria manipulação
ou desinformação deliberada, com vistas a desestabilizar
outras nações?
Mas o Cometa
não se limita apenas a descrever tais possibilidades. Ele tenta
também apresentar soluções. Por exemplo, recomenda
que, estando no local de uma aparição ufológica,
a testemunha deva deixar para os visitantes a iniciativa de um eventual
contato. “Deve-se evitar uma mediação prematura”,
diz o documento, que também adverte para que a testemunha de
um avistamento tenha discrição ante a Imprensa, na hora
de relatar sua experiência, para que os cientistas possam estudar
o caso sem despertar curiosidade exagerada do grande público. “Isso poderia conduzir ao desaparecimento de elementos importantes
do caso, que se perderiam com o excesso de curiosidade popular”,
adverte o dossiê. Em meio a essas recomendações,
úteis e inéditas partindo de um órgão da
envergadura do Cometa, o grupo também avalia fatos menos concretos
e mais subjetivos quanto à origem dos UFOs, entre eles a possibilidade
de existirem bases extraterrestres no cinturão de asteróides,
entre Marte e Júpiter, ou ainda se os ETs teriam que fazer escalas
na Lua para chegarem à Terra.
Pode parecer utópico que discutam esses temas, mas um exame mais
detalhado da questão mostra que não. Primeiramente, porque
o cinturão de asteróides tem regularmente sido citado
por abduzidos como local de possível proveniência de alguns
de nossos visitantes. Considera-se que alguns dos asteróides
tenham tamanho e condições suficientes para abrigar bases
extraterrestres, sem certos inconvenientes que planetas oferecem –
entre eles alta gravidade. Por outro lado, escalas na Lua podem parecer
ficção científica, mas não quando analisadas
à luz da moderna Astronáutica. Se os extraterrestres que
nos visitam vêm de lugares muito distantes, a Lua oferece condições
especiais para um ponto de apoio estratégico.
Além de ser remota aos olhos dos humanos, está suficientemente
perto da Terra para servir de base. Mas o mais notório disso
tudo não são tais especulações, e sim o
fato delas existirem num documento preparado por cientistas, militares
e notáveis – que certamente são bem informados do
assunto. Para referir-se ao cinturão de asteróides, por
exemplo, o Cometa baseou-se nos estudos do renomado astrônomo
Papagiannis, que teve durante vários anos um contrato com a NASA
para observar e estudar os corpos celestes que recheiam o espaço
entre Marte e Júpiter. Nas fotos tiradas em 1983 pelo satélite
IRAS, por exemplo, Papagiannis encontrou subsídios para investigar
emissões de raios infravermelhos anormais que eram provenientes
desses objetos.
Até hoje tais emissões não foram explicadas, e
seu padrão foi considerado como não natural por muitos
cientistas. Ora, não sendo naturais, por exclusão, tais
emissões de raios infravermelhos só podem ser artificiais.
Mas nenhum homem terrestre chegou aos asteróides para realizar
tais proezas. Quem, então, as teria feito?
Desinformação
sobre Roswell
Quanto
à dura crítica que o Cometa faz à manipulação
de informações sobre o Caso Roswell pelo governo norte-americano,
a mesma recebeu forte apoio da comunidade ufológica internacional. “O segredo e o obscurantismo que rodeiam este caso foram mantidos
pelas autoridades dos EUA para conservar a superioridade tecnológica
militar daquele sobre outros países”, declara o grupo
francês. Além disso, o Cometa menciona o Comitê Robertson,
criado pela CIA em dezembro de 1952, como uma forma de despojar o Fenômeno
UFO de sua aura de mistério, minimizando suas conseqüências
perante a sociedade. “O Comitê também foi criado
para se realizar a prática de vigiar movimentos ufológicos
que surgiam nos EUA, alguns infiltrados pelas agências de espionagem”,
condenou o relatório.
Os franceses também acusam os EUA de
criar, a partir de 1953, um arsenal repressivo impressionante contra
os UFOs, ainda aparentemente em vigor. De fato, o governo norte-americano,
através de dois decretos militares emitidos no início
da Era Moderna dos Discos Voadores, buscou interditar a divulgação
pública de fatos relativos aos UFOs. E ainda punia militares
que divulgassem informações não autorizadas sobre
o assunto. As penas a que estavam sujeitos variavam entre dez anos de
cadeia, 10 mil dólares de multa, ou ambos – dependendo
da gravidade do que fosse divulgado. Outro decreto semelhante se aplica
também aos pilotos de companhias aéreas civis e aos capitães
da Marinha mercante, que assim eram impedidos de relatar experiências
com UFOs nos céus ou nos mares. Tais atitudes do governo dos
EUA causaram graves prejuízos à Ufologia e à conscientização
perante a população.
Nessa linha de contenção de informações
sobre o assunto, mantida pelos norte-americanos, o Cometa considera
que os contatos de George Adamski com supostos venusianos, em 1952,
na Califórnia, foram divulgados de forma a ridicularizar a Ufologia,
pois fariam parte de uma estratégia de desinformação
para criar uma opinião incrédula na existência dos
extraterrestres. “A ampla campanha de desinformação
dos EUA teve como objetivo proteger as investigações que
se faziam sobre uma arma de microondas na Base Aérea de Kirtland,
e sobre novos tipos de aeronaves não convencionais em Groom Lake”,
diz um trecho do documento francês, referindo-se claramente à
existência de atividades secretas na Área 51, que também
é chamada popularmente de Groom Lake ou Dreamland. “A
desinformação tem permitido ao governo norte-americano
utilizar a arma do ridículo contra ufólogos sérios”,
completa o relatório.
Como se vê, os franceses pegaram pesado
e deixaram clara sua posição de vanguarda no que diz respeito
à aproximação cada vez mais constante de seres
extraterrestres ao nosso planeta, seja com objetivos de exploração,
seja com intenção pacífica ou ainda com demonstrações
de hostilidade. Em qualquer caso, o assunto foi apresentado no Dossiê
Cometa de forma aprofundada e baseada em elementos encontrados na vasta
coleção de evidências deixadas por UFOs em sua passagem.
Os franceses também reconhecem nitidamente que o tema merece
tratamento adequado e estimula o diálogo entre civis e militares
envolvidos com a questão. Mas bem mais que isso, sugere que a
comunidade européia se prontifique imediatamente a tratar do
assunto de forma científica, orientando a população
do continente – e depois a mundial – quanto a inquestionável
realidade de que estamos sendo visitados por seres avançados
do Cosmos.
Este
texto foi publicado na Revista UFO, edição 73. Foi elaborado
por Pablo Villarrubia Mauso, jornalista e correspondente de UFO na Espanha.
Seu e-mail é:pvilmau@teleline.es.
Texto traduzido por Eduarda Bazzanella Radaelli e Adriana Viana, ambas
da Equipe UFO.
Leia
mais sobre o Dossiê Cometa:
Algumas
afirmações do Dossiê Cometa
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