UFOs: LIBERDADE DE INFORMAÇÃO JÁ FÓRUM
Dossiê Cometa: França revela seus segredos

Documento liberado por comissão de cientistas e militares
franceses pede fim do sigilo sobre os discos voadores

Pablo Villarrubia Mauso, da Equipe UFO

O relatório Os UFOs e a Defesa, divulgado ano passado na França, pôs o mundo ufológico em estado de alerta e começa a surtir efeitos para a Ufologia. Polêmico, o dossiê elaborado pelo Comitê de Estudos Avançados (Cometa) aposta na hipótese extraterrestre dos UFOs e pede para que se intensifiquem as investigações. Também critica a política de desinformação de algumas nações, como a dos EUA. Embora sem vinculação com o governo, o Cometa é composto por militares na ativa e reformados, cientistas de alto escalão e notáveis franceses. A nota manifesta aquilo que já havia sido concluído na Carta de Brasília, firmada em dezembro de 1997, durante o I Fórum Mundial de Ufologia.


    O mais importante notícia científica do começo deste século a respeito dos UFOs está gerando uma verdadeira polêmica mundial sem precedentes, entre exclamações de júbilo, elogios, surpresa e perplexidade. Trata-se do documento Os UFOs e a Defesa, expedido por um grupo de militares, cientistas e notáveis franceses conhecido como Comité d’Études Avancés [Comitê de Estudos Avançados], ou Cometa. Embora não seja um documento assinado ou chancelado pelo governo francês de forma oficial, pela primeira vez em todo o mundo um órgão de tal envergadura admite que os UFOs possam ser uma manifestação material, inteligente e de origem extraterrestre.

    O documento foi entregue no dia 13 de julho de 1999 ao presidente Jacques Chirac e ao seu primeiro ministro Lionel Jospin. Inédito neste tipo de situação, a nota circulou por três dias entre prestigiosas autoridades e depois, em 16 de julho, foi publicada na íntegra em edição especial da Revista VSD, uma espécie de Veja francesa. “Todos já aguardavam este momento há tempos, mas imaginávamos que tal documento viria do GEPAN, que é governamental”, disse o representante da Revista UFO no país, Gildas Bourdais, referindo-se à entidade que a França criou oficialmente em 1976 para pesquisar UFOs. O Groupe d’Étude des Phénomènes Aérospatiaux Non-Identifiés (GEPAN) foi erigido pelo então ministro da Defesa francês Maurice Gallo, há duas décadas e meia, para investigar ocorrências de UFOs em seu país. Funcionando dentro da estrutura do Centro Nacional de Pesquisas Espaciais (CNES), a entidade existe até hoje, mas com poucos resultados práticos.

 



 

    “Ninguém imaginava que um relatório com tal impacto viesse de um grupo não oficialmente estabelecido pelo governo”, finalizou Bourdais, insistindo no fato de que era atribuição do GEPAN fazer as revelações que o Dossiê Cometa fez. De qualquer forma, o documento vem recebendo cada vez mais a aceitação popular e colocou a França novamente em posição de vanguarda quanto à questão ufológica. Com 90 páginas e o subtítulo Para o que devemos nos preparar?, o documento sugere fortemente que se estabeleçam ações imediatas e concretas para conhecermos a fundo a natureza e origem dos discos voadores, que são reconhecidos como de procedência extraterrestre pelo Cometa. Entre seus membros estão antigos auditores militares do Instituto de Altos Estudos da Defesa Nacional (IHEDN) e vários cientistas, alguns do próprio CNES.

    Segundo informações recentemente divulgadas pelo grupo OVNI France, um dos mais influentes do país, o documento era originalmente confidencial, pois devia ser lido exclusivamente por Chirac e Jospin. “Não se sabe por que o informe caiu em domínio público”, declarou o ufólogo Thierry Garnier, dirigente da entidade. Ele também informa que nenhum dos dois políticos fez qualquer tipo de comentário sobre o assunto à Imprensa. Além disso, os meios de comunicação franceses, sobretudo a televisão, não abordaram a revelação imediatamente após vir a público. “Só houve um breve comunicado da agência francesa France Press”, comentou Garnier. Na época, alguns jornais publicaram artigos sobre o assunto, mas não o fizeram com seriedade. “Este silêncio quase geral por parte de nossa mídia parece uma espécie de autocensura”, desabafou veementemente o estudioso.

Crítica aos Estados Unidos

    E o efeito parece ter sido igual em todo o mundo: um misterioso silêncio cobrindo o assunto, como se nada tivesse acontecido. Isso foi ainda mais visível nos Estados Unidos, duramente criticado por sua política de acobertamento à questão ufológica, condenada pelo Cometa. Apenas agora, em maio último, alguns jornais norte-americanos liderados pelo The Boston Globe começaram a tratar do assunto. Mas até então nenhum posicionamento oficial foi obtido de Bill Clinton ou de seus assessores. No Brasil e resto da América Latina, absolutamente nada se registrou como reflexo da divulgação do relatório [Que está sendo integralmente traduzido para publicação em UFO]. No entanto, em círculos ufológicos do mundo todo o documento caiu como uma bomba, tendo oportuno e significativo poder de destruição.

    O Cometa é presidido pelo general do Exército do Ar Denis Letty e conta, entre seus colaboradores mais ilustres, com o físico Jean-Jacques Vélasco, diretor do que está sendo considerada a versão atual do GEPAN, o Service d’Expertise des Phénomènes de Rentrées Atmosphériques [Serviço de Análise de Fenômenos de Reentradas Atmosféricas, SEPRA]. Vélasco tem bom relacionamento com a comunidade ufológica, participando de congressos em que entusiastas apresentam suas teses sobre a origem extraterrestre dos UFOs. Mas tem uma visão científica e crítica da natureza de tais objetos. A entidade que preside atualmente fica nos arredores de Toulouse e seria uma espécie de sucessora do centro ufológico oficial criado em 1976 por ordem do próprio presidente d’Estaing.

    Ainda segundo Gildas Bourdais, a idéia de criar o grupo Cometa surgiu em 1995, depois de uma conversa entre o generais Letty e Bernard Norlain, então diretor do IHEDN. Este, juntamente com o ex-presidente do CNES André Lebeau, apoiou a iniciativa de Letty e pediu que fossem dados os primeiros passos na direção de se realizar aquele que hoje é considerado o mais completo e imparcial estudo oficial sobre UFOs já feito até então. Letty não se conformava com o fato dos arquivos da Aeronáutica francesa conterem casos ufológicos para os quais não foram encontradas explicações convencionais. “Os objetos observados tinham que ser alguma coisa lógica, armas secretas inimigas ou ainda efeitos de alucinações”, disse o general referindo-se ao documento. “Mas não eram! Eram, isso sim, objetos de origem extraplanetária. E como tal mereciam estudo apropriado”, finalizou.

Influência alienígena

    Letty decidiu então reunir especialistas de renome para confeccionar um documento que pudesse ser considerado polêmico. Os UFOs e a Defesa é o resultado, e está dividido em três partes. A primeira é dedicada aos casos ufológicos franceses e estrangeiros. A segunda descreve como funciona a investigação ufológica na França e em outros países, além de mencionar explicações científicas para o fenômeno. E a terceira – muito polêmica – discorre sobre as medidas que o Ministério da Defesa francês deve tomar quando considerar os relatos de pilotos civis e militares, e suas conseqüências. Um dos muitos pontos interessantes do material é a menção da possível influência dos extraterrestres sobre as civilizações que habitaram a Terra no passado, sintetizado na referência as “...máquinas voadoras que Ezequiel descreveu longamente, a guerra aérea do Ramayana, a epopéia de Gilgamesh, os Elohin do Gênesis...”, entre outros trechos do documento.

    O dossiê é um duro golpe contra os céticos, pois afirma com certeza a origem extraterrestre dos UFOs e sua realidade física, indicando que estão sob controle de seres inteligentes que não pertencem ao nosso planeta. Por sua vez, representa um revés às teorias psicossociais que tentam explicar o fenômeno ufológico dentro de um contexto que o Cometa considera reducionista. Dois dos casos de registro de UFOs mais bem detalhados no relatório são o ocorrido com o avião norte-americano RB-47, em julho de 1957, e o acontecido sobre Teerã, em setembro de 1976. Estes fatos marcantes na história da Ufologia receberam de vários detratores tratamento desdenhoso. Os redatores do documento expedido pelo Cometa consideram a interpretação desses casos – especialmente a feita pelo cético dos EUA Philipe Klass – como banal e retrógrada.

    O Cometa também condena sem compaixão o governo dos Estados Unidos por ocultar informações sobre os UFOs, e o acusa de manipulá-las a seu favor. O general Letty vai mais longe, citando a queda de uma nave alienígena em Roswell, em 1947, e o resgate de seus tripulantes, com o subseqüente estudo dos corpos e sua tecnologia. “Fatos como esse não poderiam ser ocultados da população”, sugere o Cometa. Como se não bastasse, o documento dá seu atestado positivo a dois casos clássicos de aparições de humanóides, algo igualmente inédito na história da Ufologia Mundial, tendo-se em conta os pareceres de diversos cientistas e militares de alto escalão. Um é o Caso Valensole, ocorrido nos Alpes de Haut-en-Provence, em 1º de julho de 1967, e o outro é o Caso Cussac, acontecido em Cantal, em 29 de agosto de 1967. Em ambas as situações foram observados seres extraterrestres de baixa estatura.

Recomendações vitais

    O dossiê é uma fonte inesgotável de informação, surpresa e estupefação. Seus autores convidam as autoridades francesas e estrangeiras – especialmente as dos Estados Unidos – a atuarem em forma de cooperação, preparando a Humanidade para um possível contato com uma civilização mais avançada que a nossa, entre as muitas que estão nos visitando. Tais conclusões e recomendações não deixaram indiferente à comunidade ufológica internacional. Muitos a bradam como uma nova bandeira de luta, em estímulo aos governos indecisos ou neutros quanto à questão ufológica. “Temos que aproveitar essa oportunidade para obter posicionamentos de nossas autoridades, e buscar formalizar progressos na forma como a Ufologia é praticada”, disse o ufólogo chileno radicado em Nova York Antonio Huneeus, um dos dirigentes da Mutual UFO Network (MUFON).

    Mas há quem acredite que o documento expedido pelo Cometa seja apenas uma manobra de desinformação apoiada pelo governo francês para avaliar a reação dos cidadãos quanto à hipótese dos UFOs terem de fato origem extraterrestre. Alguns ufólogos, como membros do grupo francês Ufocom, vão mais além e aludem à possibilidade de que o informe se dirija principalmente aos Estados Unidos como uma maneira de impedir a estagnação do estudo oficial dos UFOs por aquele país. Isso explicaria a natureza oficiosa da nota – e não oficial –, posto que a atual diplomacia francesa não se atreveria a criticar um país amigo de forma tão direta. Não sendo um porta-voz chancelado pelo governo de Chirac, o Cometa teria maior liberdade de usar a incisividade que fosse necessária para chacoalhar os ianques.

    O sociólogo francês Pierre Lagrange, conhecido por seus rompantes ora a favor, ora contra os UFOs, arremeteu furiosamente contra o documento expedido pelo Cometa. Em uma carta datada de 21 de julho ao prestigioso diário Liberatión, cuja linha editorial sempre foi hostil à questão, Lagrange garante que os membros do Cometa são, eles sim, vítimas da desinformação quanto ao Caso Roswell. “É sabido que os EUA são os pais das modernas teorias psicossociais que explicam razoavelmente os UFOs. Por isso foram criticados pelo grupo”. Lagrange ainda acusou a Revista VSD de alimentar a desinformação sobre a Ufologia e ridicularizar o tema. Vários centros de investigação do Fenômeno UFO na França também criticaram as conclusões do Cometa, porém por outros motivos. Uma das críticas mais recorrentes diz respeito ao fato do grupo somente incluir no dossiê casos investigados oficialmente pelo GEPAN, desconsiderando os trabalhos das entidades civis.

    Outro caso bastante abordado pelo Cometa foi o ocorrido próximo ao Lago Cote, em 04 de setembro de 1971, na Costa Rica. Descoberto por Ricardo Vílchez, o caso é composto por uma das mais extraordinárias fotos de naves alienígenas de que se tem notícia. Vílchez, representante da Revista UFO em seu país, descobriu a ocorrência nos arquivos do Instituto Geográfico da Costa Rica e a encaminhou ao estudioso Jacques Vallée, que a considerou autêntica. “Ao lado do Relatório Sturrock, de 1998, o Dossiê Cometa é a mais importante nota acadêmica deste século referente aos UFOs”, disse Vílchez, que goza de vasto prestígio perante a comunidade ufológica.

    Segundo ele, Philipe Klass também tentou desprestigiar o caso, acusando-o de pertencer ao Instituto Geográfico e, assim, adulterar a foto. No entanto, Vílchez jamais pertenceu a tal instituto e a foto foi examinada por peritos que descartaram qualquer sinal de falsificação...Encontramos outra origem do documento expedido pelo Cometa no ano de 1975, quando um comitê do IHEDN, presidido pelo general Blanchard, então da Guarda Nacional francesa, abriu publicamente um insipiente dossiê sobre UFOs com o objetivo de recolher dados e classificá-los para estudo. Foi no ano seguinte, 1976, que surgiu no cenário o Groupe d’Étude des Phénomènes Aérospatiaux Non-Identifiés (GEPAN), depois informalmente transformado no SEPRA, já descrito. A entidade até hoje conta com o apoio da Guarda Nacional, da aviação civil e militar, do serviço meteorológico e de diversas outras instituições francesas, através de protocolos firmados nos mais de 25 anos de atividades da entidade. Talvez por isso Jean-Jacques Vélasco tivesse tanto destaque no grupo Cometa.

Propulsão dos UFOs

    De qualquer forma, o ponto alto do documento são algumas hipóteses revolucionárias apresentadas como tentativa de se explicar o Fenômeno UFO. Algumas são avançadas teorias sobre seu modo de propulsão, entre as quais um sistema de locomoção avançado baseado no princípio da magnetohidrodinâmica (MHD). Tal sistema permitiria a um objeto movimentar-se pela atmosfera gerando um campo magnético ao seu redor, e estaria sendo desenvolvido em vários países, como os Estados Unidos e Japão. O físico e ufólogo francês Jean-Pierre Petit é um dos que mais se dedicou ao estudo dessa forma de propulsão. Entretanto, concluiu que tal sistema é inoperante no espaço vazio, funcionando somente na atmosfera terrestre. Segundo outros especialistas, a MHD poderia explicar a ausência do estrondo produzido por UFOs quando alcançam velocidades supersônicas.

    Mas se o documento se detém longamente a propósito de teorias que explicam os aspectos físicos dos UFOs, justamente os que mais encabulam os cientistas e instituições acadêmicas que se lançam para analisá-los, pouca coisa é falada sobre outro aspecto grave da fenomenologia ufológica: as abduções. O documento emitido pelo Cometa apenas menciona, de forma passageira, os casos de abdução – já os contatos diretos com ETs fora da nave são vistos com mais detalhamento. Uma exceção é feita ao doutor John E. Mack, psiquiatra da Universidade de Harvard e autor do livro Passport to the Cosmos [Passaporte para o Cosmos], que teve alguns de seus trabalhos mencionados no relatório. Aparentemente, segundo alguns observadores, o grupo Cometa é agressivo no que se refere à materialidade dos discos voadores, mas conservador em relação aos aspectos subjetivos da presença de ETs no planeta.

    Afinal, qual é o objetivo derradeiro do documento que está agitando a comunidade ufológica internacional? Isso fica muito claro quando se lê a página 58 do relatório, na qual o Cometa declara que a França deve reafirmar perante o mundo sua atividade de investigação ufológica, reforçando os meios materiais e humanos do SEPRA para recolher informações relativas ao Fenômeno UFO, tanto na Europa quanto no resto do planeta. O Cometa também sugere que a França “...busque desenvolver novos métodos de investigação e análise, assim como venha estabelecer acordos setoriais de cooperação com outros países, especialmente com os Estados Unidos”. Este trecho do documento está sendo visto por alguns segmentos da Ufologia Mundial como uma espécie de protesto contra a atual situação do SEPRA, hoje dirigido por Jean-Jacques Vélasco, que teve um surgimento glorioso, mas atualmente dispõe apenas de um escritório de somente 18 m2 em Toulouse.

    Reforçando-se a entidade, como consta no informe, “...poder-se-ia consagrar utilmente seus esforços para a formação de jornalistas e criar um site na Internet”. Outro aspecto surpreendente do documento dá conta da possibilidade de que os UFOs ameacem a segurança dos países e cidadãos terrestres. Ainda que não tenham sido detectadas situações agressivas de seres extraterrestres a humanos na França, em outros países se deram casos de ataques e mortes de pessoas – especialmente no Brasil.

Ameaça do espaço

    Eis a razão de o documento ter o subtítulo Para o que devemos nos preparar? E o Cometa aponta algumas respostas, entre as quais a elaboração de estratégias definidas e concretas ante a ameaça que eventualmente os UFOs venham nos trazer no futuro. Nessa parte do dossiê o grupo francês vai além de muitos outros comitês já criados em todo o mundo para se considerar o assunto. E qualifica as possibilidades relativas à aproximação de ETs da Terra, classificando-as da seguinte forma:

• O que fazer no caso de aparições aleatórias de objetos voadores não identificados e a eventual vontade expressa dos extraterrestres em estabelecer um contato oficial e pacífico com os seres humanos? Como se deverá reagir nesse caso?

• Que atitude adotar no caso do descobrimento fortuito de uma base alienígena sob um ponto qualquer do território europeu, que represente uma ameaça ou não a segurança do planeta?

• Como devemos proceder no caso de suposta invasão de seres alienígenas, embora isso seja considerada uma hipótese muito pouco provável, tendo em conta o fato de que isso poderia ter acontecido há muito tempo?

• Qual seria a possibilidade de recebermos ataques localizados ou em massa, sobre pontos estratégicos ou não da Terra? Haveria manipulação ou desinformação deliberada, com vistas a desestabilizar outras nações?

    Mas o Cometa não se limita apenas a descrever tais possibilidades. Ele tenta também apresentar soluções. Por exemplo, recomenda que, estando no local de uma aparição ufológica, a testemunha deva deixar para os visitantes a iniciativa de um eventual contato. “Deve-se evitar uma mediação prematura”, diz o documento, que também adverte para que a testemunha de um avistamento tenha discrição ante a Imprensa, na hora de relatar sua experiência, para que os cientistas possam estudar o caso sem despertar curiosidade exagerada do grande público. “Isso poderia conduzir ao desaparecimento de elementos importantes do caso, que se perderiam com o excesso de curiosidade popular”, adverte o dossiê. Em meio a essas recomendações, úteis e inéditas partindo de um órgão da envergadura do Cometa, o grupo também avalia fatos menos concretos e mais subjetivos quanto à origem dos UFOs, entre eles a possibilidade de existirem bases extraterrestres no cinturão de asteróides, entre Marte e Júpiter, ou ainda se os ETs teriam que fazer escalas na Lua para chegarem à Terra.

    Pode parecer utópico que discutam esses temas, mas um exame mais detalhado da questão mostra que não. Primeiramente, porque o cinturão de asteróides tem regularmente sido citado por abduzidos como local de possível proveniência de alguns de nossos visitantes. Considera-se que alguns dos asteróides tenham tamanho e condições suficientes para abrigar bases extraterrestres, sem certos inconvenientes que planetas oferecem – entre eles alta gravidade. Por outro lado, escalas na Lua podem parecer ficção científica, mas não quando analisadas à luz da moderna Astronáutica. Se os extraterrestres que nos visitam vêm de lugares muito distantes, a Lua oferece condições especiais para um ponto de apoio estratégico.

    Além de ser remota aos olhos dos humanos, está suficientemente perto da Terra para servir de base. Mas o mais notório disso tudo não são tais especulações, e sim o fato delas existirem num documento preparado por cientistas, militares e notáveis – que certamente são bem informados do assunto. Para referir-se ao cinturão de asteróides, por exemplo, o Cometa baseou-se nos estudos do renomado astrônomo Papagiannis, que teve durante vários anos um contrato com a NASA para observar e estudar os corpos celestes que recheiam o espaço entre Marte e Júpiter. Nas fotos tiradas em 1983 pelo satélite IRAS, por exemplo, Papagiannis encontrou subsídios para investigar emissões de raios infravermelhos anormais que eram provenientes desses objetos.
Até hoje tais emissões não foram explicadas, e seu padrão foi considerado como não natural por muitos cientistas. Ora, não sendo naturais, por exclusão, tais emissões de raios infravermelhos só podem ser artificiais. Mas nenhum homem terrestre chegou aos asteróides para realizar tais proezas. Quem, então, as teria feito?

Desinformação sobre Roswell

    Quanto à dura crítica que o Cometa faz à manipulação de informações sobre o Caso Roswell pelo governo norte-americano, a mesma recebeu forte apoio da comunidade ufológica internacional. “O segredo e o obscurantismo que rodeiam este caso foram mantidos pelas autoridades dos EUA para conservar a superioridade tecnológica militar daquele sobre outros países”, declara o grupo francês. Além disso, o Cometa menciona o Comitê Robertson, criado pela CIA em dezembro de 1952, como uma forma de despojar o Fenômeno UFO de sua aura de mistério, minimizando suas conseqüências perante a sociedade. “O Comitê também foi criado para se realizar a prática de vigiar movimentos ufológicos que surgiam nos EUA, alguns infiltrados pelas agências de espionagem”, condenou o relatório.

    Os franceses também acusam os EUA de criar, a partir de 1953, um arsenal repressivo impressionante contra os UFOs, ainda aparentemente em vigor. De fato, o governo norte-americano, através de dois decretos militares emitidos no início da Era Moderna dos Discos Voadores, buscou interditar a divulgação pública de fatos relativos aos UFOs. E ainda punia militares que divulgassem informações não autorizadas sobre o assunto. As penas a que estavam sujeitos variavam entre dez anos de cadeia, 10 mil dólares de multa, ou ambos – dependendo da gravidade do que fosse divulgado. Outro decreto semelhante se aplica também aos pilotos de companhias aéreas civis e aos capitães da Marinha mercante, que assim eram impedidos de relatar experiências com UFOs nos céus ou nos mares. Tais atitudes do governo dos EUA causaram graves prejuízos à Ufologia e à conscientização perante a população.

    Nessa linha de contenção de informações sobre o assunto, mantida pelos norte-americanos, o Cometa considera que os contatos de George Adamski com supostos venusianos, em 1952, na Califórnia, foram divulgados de forma a ridicularizar a Ufologia, pois fariam parte de uma estratégia de desinformação para criar uma opinião incrédula na existência dos extraterrestres. “A ampla campanha de desinformação dos EUA teve como objetivo proteger as investigações que se faziam sobre uma arma de microondas na Base Aérea de Kirtland, e sobre novos tipos de aeronaves não convencionais em Groom Lake”, diz um trecho do documento francês, referindo-se claramente à existência de atividades secretas na Área 51, que também é chamada popularmente de Groom Lake ou Dreamland. “A desinformação tem permitido ao governo norte-americano utilizar a arma do ridículo contra ufólogos sérios”, completa o relatório.

    Como se vê, os franceses pegaram pesado e deixaram clara sua posição de vanguarda no que diz respeito à aproximação cada vez mais constante de seres extraterrestres ao nosso planeta, seja com objetivos de exploração, seja com intenção pacífica ou ainda com demonstrações de hostilidade. Em qualquer caso, o assunto foi apresentado no Dossiê Cometa de forma aprofundada e baseada em elementos encontrados na vasta coleção de evidências deixadas por UFOs em sua passagem. Os franceses também reconhecem nitidamente que o tema merece tratamento adequado e estimula o diálogo entre civis e militares envolvidos com a questão. Mas bem mais que isso, sugere que a comunidade européia se prontifique imediatamente a tratar do assunto de forma científica, orientando a população do continente – e depois a mundial – quanto a inquestionável realidade de que estamos sendo visitados por seres avançados do Cosmos.

    Este texto foi publicado na Revista UFO, edição 73. Foi elaborado por Pablo Villarrubia Mauso, jornalista e correspondente de UFO na Espanha. Seu e-mail é:pvilmau@teleline.es. Texto traduzido por Eduarda Bazzanella Radaelli e Adriana Viana, ambas da Equipe UFO.

Leia mais sobre o Dossiê Cometa:

Algumas afirmações do Dossiê Cometa


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