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Entrevista
histórica com o Coronel Uyrangê Bolívar Soares
Nogueira de Hollanda Lima
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“Na época da Operação Prato, em 1977,
eu não podia falar a respeito, porque tinha minha obrigação
militar. O que eu falasse seria interpretado como sendo a palavra
oficial da FAB. Por isso, não tinha autorização
nenhuma” |
UFO — Coronel, o senhor é o primeiro militar a vir a público
e admitir tudo o que pretende nesta entrevista. Quais são
as razões para isso?
Hollanda — Em 1977, quando ocorreram as coisas que
vou descrever, fui muito procurado por ufólogos e pela Imprensa para fazer alguma declaração
a respeito. Mas não podia falar na época, porque tinha uma obrigação
militar. Eu havia cumprido uma missão e não podia revelar qual
era. Minha fidelidade era apenas para com meu comandante. Mas depois de quatro
meses de estudos e pesquisas, a Aeronáutica interrompeu a Operação
Prato. O comandante tinha ficado satisfeito com os resultados e não
me competia julgar, na época, se isso era certo ou errado. Parte 3
UFO — Então o senhor evitou falar sobre a Operação
Prato esse tempo todo?
Hollanda — Eu não podia falar. E também não tinha vontade.
Conversei com vários ufólogos, entre eles o general Uchôa,
e fui procurado até por pessoas dos EUA, inclusive Bob Pratt [Autor
do livro Perigo
Alienígena no Brasil ] . Conversamos muito em off . Minha posição
como militar colocaria o Ministério da Aeronáutica numa situação
difícil de se explicar, e além disso havia punições
para quem tratasse desse assunto sem autorização. Eu não
tinha permissão nem do meu comandante, quanto menos do ministro. E o
que eu falasse seria interpretado como sendo a palavra oficial da Força
Aérea Brasileira (FAB). Mesmo assim, após o encerramento da Operação
Prato, pesquisei e mantive contato com ufólogos de vários países
e nunca falei nada a respeito.
UFO — O senhor se reformou da FAB em 1992. Não passou pela
sua cabeça conversar com ufólogos antes e relatar tais
fatos?
Hollanda — Eu apenas conversava com eles, sem entrar em detalhes. Conversei
muito com Bob Pratt quando ele veio ao Brasil, com dona Irene Granchi, com
Rafael Sempere Durá, e outros. Mas nunca disse que queria falar à televisão
ou coisa assim. Pediram-me que escrevesse um livro, mas nunca me interessei.
Hoje penso diferente: acho que já deve ser dita alguma coisa sobre a
Operação Prato. Esse assunto deve ser propalado e explicado,
pois vou fazer 60 anos daqui a pouco. De repente posso morrer, e aí história
se acaba…
UFO — Por ter procurado a Revista UFO para dar estas declarações,
quer dizer que confia que ela vá fazer um trabalho sério
de divulgação sobre o que o senhor está falando?
Hollanda — Há muitos anos, em 1987 ou 1988, estive conversando com você [Dirigindo-se
a Gevaerd] e não pude autorizar a publicação de nada sobre
o que falamos em sua revista. Mesmo assim você o fez, por achar que o
assunto não poderia ficar escondido… Eu estava na ativa e não
podia dar nenhuma declaração formal. O que saiu publicado foi
sem permissão, o que nos causou um pouco de complicação à época.
Mas precisava ser dito. Alguns anos depois, eu já estava na reserva
e a coisa tinha mudado. Já podia fazer declarações sem
problemas. E por saber de sua seriedade, da Revista UFO e de seus demais membros,
hoje sinto mais tranqüilidade para falar sem correr o risco disso virar
sensacionalismo. Não creio que esta revista vá dar tal conotação
a essa matéria apenas para aumentar suas vendas.
UFO — Obrigado pela confiança, coronel. Mas como é que
tudo começou? Qual foi o estopim inicial de seu interesse
por Ufologia? Foi anterior à Operação Prato?
Hollanda — Em 1952 eu tinha 12 anos e estava na janela de minha casa, em Belém,
quando apareceram uns objetos muito grandes que me chamaram a atenção.
Havia uma luz imensa sobre a cidade. No dia seguinte a história estava
publicada no jornal. A matéria dizia que aquilo tinha parado sobre uma
federação de escoteiros, durante um campeonato de natação,
e todo mundo viu. Foi aí que surgiu meu interesse por essas coisas,
bem antes de ser militar e muito antes da Operação Prato. Sempre
acreditei em vida extraterrena e na possibilidade de “eles” terem a curiosidade
de nos observar. Somos um planeta com vida inteligente que deve suscitar o
interesse de extraterrenos.
UFO — O senhor chegou a engajar na Aeronáutica por causa
de seu interesse pela vida fora da Terra?
Hollanda — Não. Sempre tive uma paixão muito grande pela aviação
e pela vida militar. Como aviador da FAB, cheguei a ser chefe do Serviço
de Intendência, no qual tinha muitas atribuições. Minha
função era dar suporte administrativo e financeiro para ações
do comando ao qual servia. Também fui chefe de operações
do Serviço de Informações do meu comando. Era uma tarefa
ligada à segurança do Estado, combate aos movimentos subversivos
durante a efervescência após a Revolução de 64.
Combatíamos as ações de terroristas e de partidos comunistas
que tentavam se infiltrar no país.
UFO — Consta em seu currículo também uma função
bastante interessante, como chefe do Serviço de Operações
Especiais de Selva. O senhor deve ter um monte de experiências
para contar…
Hollanda — Sim. A FAB tinha um projeto de fazer um “colar de fronteiras”. Era
idéia de um brigadeiro inteligentíssimo chamado Camarão
[João Camarão Teles Ribeiro] , que tinha muito conhecimento da
Amazônia. Ele queria formar pontos-chave por todas as fronteiras, construir
campos de pouso de 200 em 200 km ao lado de missões religiosas protestantes
ou católicas, e assentar lá agrupamentos que dessem assistência
aos índios. A FAB daria suporte a tudo isso. Eu trabalhei nessa operação
como pára-quedista, pois tinha bastante adaptabilidade a esse tipo de
atividade.
UFO — O senhor efetuou então muitas missões na selva.
E apareciam muitos índios?
Hollanda — Eram muitas tribos indígenas, com muitos de seus componentes
abrindo áreas na mata para construção de campos. Alguns
eram aculturados, outros não. Mas, a gente sempre trabalhava em algumas
missões em contato com eles. Nessa época, as ações
do Parasar sempre estavam em alta [Pára-quedismo e Salvamento, do termo
em inglês Parachute Search and Rescue] . Eu era um pára-quedista
responsável por ações de busca e salvamento na selva.
UFO — Durante essa época, o senhor tomou conhecimento de
algum tipo de descoberta relacionada à Arqueologia ou alguma
observação, feita por militares na Amazônia,
ligada a esse tipo de programa?
Hollanda — Sim, alguns colegas tiveram experiências do gênero,
principalmente um amigo meu, que relatou que estava sobrevoando a selva e ficou
surpreso ao ver uma formação piramidal coberta pela vegetação,
no meio do nada. Parece que ali tinha existido algum núcleo de uma civilização
muito antiga e que fora abandonada, tendo a selva tomado conta de tudo. Mas
havia uma formação piramidal nítida, com ângulos
perfeitos no Amazonas. Só não posso precisar exatamente onde.
Mas, se não me engano, foi na região do Rio Jaguari. Isso me
foi relatado pelo coronel Valério.
UFO — Coronel, agora que sabemos bastante sobre sua atividade na
FAB, vamos falar de Ufologia. Qual foi sua primeira participação
na pesquisa ufológica oficial dentro da Aeronáutica?
Foi a Operação Prato ou já havia alguma coisa
antes disso?
Hollanda — Não, de minha parte não. Minha atividade era somente
a segurança do Estado e as coisas que envolviam o comprometimento da
segurança nacional. Não tinha nada a ver com UFOs ou ETs… Mas
eu já tinha conhecimento de alguns casos acontecendo na Amazônia.
UFO — Esses casos atraíam, de alguma maneira, interesse ou
preocupação por parte das Forças Armadas, no
sentido de que fossem uma ameaça externa à soberania
nacional?
Hollanda — Não eram vistos como ameaça externa. Os UFOs eram
encarados mais como um fenômeno duvidoso. Alguns oficiais – talvez até a
maioria deles – viam os UFOs como uma coisa improvável e faziam muita
gozação a respeito. Faziam tanta brincadeira que acho que foi
sorte essa Operação Prato sair. Acho que só aconteceu
mesmo porque o comandante do 1º COMAR [Brigadeiro Protásio Lopes
de Oliveira] , na época, tinha muito interesse nisso e acreditava em
UFOs. Se não...
Continuação da
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