Entrevista histórica com o Coronel Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima
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UFO — Como surgiu a idéia da Operação Prato?
Foi um projeto seu, do comandante do 1º COMAR ou uma coisa do
Governo?
Hollanda — Eu não estava em Belém nessa época. Embora estivesse
servindo na cidade, fazia um curso em Brasília. Mas quando retornei, apresentei-me
ao chefe da Segunda Seção do 1º COMAR [Coronel Camilo Ferraz
de Barros] e ele me perguntou se eu acreditava em discos voadores. Foi meio de
surpresa. Eu nem sabia que estava ocorrendo uma pesquisa sobre o assunto. Quando
respondi que sim, ele falou “…então você está encarregado
deste caso” , e me deu uma pasta com o material. Era o início da operação,
da qual eu ficaria encarregado, embora nem nome ainda tivesse.
UFO — De onde veio a idéia de a operação se
chamar Prato?
Hollanda — Essa idéia foi minha. Dei esse nome porque o Brasil é o único
país no mundo que chama UFO de disco voador. Em francês é soucoupe
volante , que significa pires. Os portugueses o chamam de prato voador. Na
Espanha é platillo volador , e platillo é prato também.
Enfim, até em russo se fala prato, nunca disco, como se faz no Brasil!
E como nas Forças Armadas a gente nomeia algumas operações
com uma espécie de código, esse caso não podia ser exceção,
ainda que não pudesse ser identificado o objetivo da operação.
Por exemplo, não poderíamos chamá-la de Operação
Disco Voador. Por isso, ficou Operação Prato.
“Os UFOs eram encarados como um fenômeno duvidoso.
Alguns oficiais (talvez a maioria deles) os viam como algo improvável,
fazendo gozações sobre eles “
UFO — Se o senhor recebeu uma pasta de seu chefe, então quer
dizer que já havia em andamento alguma investigação
a respeito?
Hollanda — Sim, quando eu cheguei de Brasília já havia agentes
sendo enviados para investigar as ocorrências de UFOs, porque essa coisa
já estava acontecendo há muito tempo na região de Colares,
que é uma ilha pertencente ao município de Vigia, no litoral
do Pará. O prefeito da cidade mandou um ofício para o comandante
do 1º COMAR avisando que os UFOs estavam incomodando muito os pescadores.
Alguns deles não conseguiam mais exercer sua atividade, pois os objetos
sobrevoavam suas embarcações. Às vezes, alguns até mergulhavam
ao lado delas, nos rios e mares. E a população local passava
a noite em claro. As pessoas acendiam fogueiras e soltavam fogos para tentar
afugentar os invasores. Foi o pavor que fez com que o prefeito se dirigisse
ao comando do 1º COMAR pedindo providências, e o brigadeiro mandou
que eu fosse investigar as ocorrências.
UFO — Em algum momento houve a participação ou instrução
de Brasília para que a situação fosse averiguada?
Hollanda — Na época, não participava das discussões. Era
apenas um capitão e recebia ordens, somente. Eu não fiz parte
desse trâmite e não sei como as decisões foram tomadas
ao certo. Mas, pelo pouco que sei, a decisão foi do comando do 1º COMAR.
Se houve envolvimento de Brasília, eu não tomei conhecimento…
UFO — Como é que o senhor estruturou a Operação
Prato: quantas divisões, quantas pessoas, quantas missões
etc? Enfim, como o senhor organizou todas as tarefas?
Hollanda — Bem, nós éramos uma equipe. Eu era o chefe dela. E
tínhamos cinco agentes, todos sargentos, que trabalhavam na segunda
seção do 1º COMAR. Além disso, tínhamos informantes
aos montes, gente nos locais de aparição das luzes, em campo,
que nos ajudava. Às vezes eu dividia a equipe em duas ou três
posições de observação diferentes na mata. Claro
que ficávamos constantemente em contato uns com os outros, através
de rádio.
UFO — Qual era o objetivo imediato da Operação Prato?
Observar discos voadores, fotografá-los e contatá-los?
Hollanda — Olha, eu queria mesmo é tirar à prova essa coisa toda.
Queria botar isso às claras. Porque todo mundo falava nas luzes e objetos
e até os apelidaram com nomes populares, tais como Chupa-chupa. E a
FAB precisava saber o que estava realmente acontecendo, já que isso
se dava no espaço aéreo brasileiro. Era nossa a responsabilidade
de averiguar. Mas no início da Operação Prato, eu queria
mesmo era uma confirmação do que estava acontecendo.
UFO — O que motivou a população local a chamar as
luzes de Chupa-chupa?
Hollanda — Havia uma série de relatos de pessoas que tinham sido atingidas
por um raio de luz. Todas julgavam que o efeito sugava-lhes o sangue. E realmente!
Verificamos alguns casos e descobrimos que várias delas, principalmente
mulheres, tinham estranhas marcas em seus seios esquerdos, como se fossem dois
furos de agulha em torno de uma mancha marrom. Parecia queimadura de iodo.
Então as pessoas tinham o sangue sugado, em pequena quantidade, por
aquelas luzes. Por isso passaram a apelidá-los de Chupa-chupa. Era sempre
a mesma coisa: uma luz vinha do nada e seguia alguém, geralmente uma
mulher, que era atingida no seio esquerdo. Às vezes eram homens que
ficavam com marcas nos braços e nas pernas. Na verdade, a cada dez casos,
eram mais ou menos oito mulheres e dois homens.
UFO — E vocês documentaram as marcas verificadas nas pessoas?
Hollanda — Sim, foi tudo visto e analisado por médicos, que às
vezes iam conosco aos locais. Sinceramente, eu entrei nessa como advogado do
diabo. Queria mesmo era desmistificar essa estória e dizer ao meu comandante
que essa coisa não existia, que era alucinação coletiva,
sei lá. Achava que alguma coisa estava sendo vista, mas que não
era extraterrestre…
UFO — O senhor imaginava que fosse o que, então, que estava
sendo visto e até atacando as pessoas?
Hollanda — Não sei bem. Talvez a plumagem de uma coruja refletindo a
luz da lua ou alguma outra coisa dessa natureza. Até acreditava em extraterrestres,
mas não que as pessoas os estivessem vendo. E eu fui para lá verificar
se era realmente isso. Passei pelo menos dois meses respondendo ao meu comandante,
quando voltava das missões, que nada havíamos descoberto. Eram
os primeiros dois meses da operação Prato, nos quais nada vi
que pudesse mudar minha opinião. Às vezes passava uma semana
no mato e voltava apenas no domingo, para conviver um pouquinho com a família.
A cada retorno, meu comandante perguntava: “ Viu alguma coisa?” . E eu sempre
respondia: “Vi luzes estranhas, ao longe, mas nada extraterrestre” . De fato,
víamos luzes que piscavam, que passavam à baixa altitude, mas
nunca nada de muito estranho…
UFO — Isso era durante a noite. E o que acontecia durante o dia?
Vocês tinham alguma outra atividade incorporada à Operação
Prato?
Hollanda — Sim, tínhamos outras coisas a fazer, que eram parte dos objetivos
da operação. Fazíamos entrevistas com pessoas que tiveram
experiências, preparávamos os locais para passar a noite e buscávamos
lugares “quentes” para fazer vigílias. Quando descobríamos que
algo aparecera em tal lugar, para lá nos deslocávamos. Fazíamos
um levantamento da situação, e sempre cadastrávamos os
nomes dos envolvidos em um formulário próprio.
UFO — Que procedimento ou metodologia era utilizado
na coleta de informações?
Hollanda — Sempre colocávamos o nome da pessoa que teve a experiência,
o local onde ocorreu, horário etc. Fazíamos uma descrição
de cada fato ocorrido na mesma localidade. Assim, se acontecessem três
casos numa noite, a gente ouvia três testemunhas. Algumas das descrições
eram comuns, outras mais estranhas. Às vezes recebíamos relatos
de coisas que não podíamos comprovar a autenticidade, como desmaterialização
de paredes inteiras ou de telhados, por exemplo.
“A Operação se chamou Prato em alusão à forma
como são denominados os discos voadores no mundo e seguindo
o código das Forças Armadas, que determina a não
identificação do propósito da missão”
UFO — Como assim? O senhor tem algum caso para ilustrar esse tipo
de ocorrência?
Hollanda — Sim. A primeira senhora que entrevistei em Colares, por exemplo,
disse-me coisas absurdas. Tínhamos saído de helicóptero
de Belém só para ouvirmos uma mulher que tinha sido atacada pelo
Chupa-chupa. Vi que ela tinha realmente uma marca no seio esquerdo. Era marrom,
como se fosse uma queimadura, e tinha dois pontos de perfuração.
Quando conversamos, relatou-me que estava sentada numa rede fazendo uma criança
dormir quando, de repente, o ambiente começou a mudar de temperatura.
A senhora achou aquilo esquisito, mas nem imaginava o que iria ocorrer a seguir.
Então, deitada na rede, viu que as telhas começaram a ficar avermelhadas,
em cor de brasa. Em seguida, ficaram transparentes e ela pôde ver o céu
através do telhado. Era como se as telhas tivessem se transformado em
vidro. Ela via o céu e até as estrelas…
UFO — Histórias bizarras como essa eram muito comuns durante
a execução da Operação Prato?
Hollanda — Muito, e me assustavam bastante, porque nunca tinha ouvido falar
nessas coisas. Quando ouvia casos assim, ficava cada vez mais preocupado e
curioso. Essa gente parecia ser sincera. Por exemplo, através do buraco
que a mulher descreveu ela viu uma luz verde brilhando no céu. A senhora
então ficou meio dormente, até que, em seguida, um raio vermelho
que saiu do UFO atingiu seu seio esquerdo. Era curioso que na maioria das vezes
as pessoas eram atingidas do lado esquerdo. E tem mais: exatamente na hora
em que estávamos falando disso, uma menina chegou perto e disse: “Olha,
aquilo está passando aqui em cima” . Quando saí da casa, vi cruzar
a luz que a moça estava apontando, numa velocidade razoável,
ainda que o céu estivesse bastante encoberto. Não era muito veloz
e piscava a cada segundo, dirigindo-se ao norte. Parecia até um satélite,
só que essa luz voltou em nossa direção – e satélites
não fazem isso! Logo em seguida, aquilo ficou mais estranho ainda. Mesmo
assim, não poderia dizer se era uma nave extraterrestre. Aliás,
eu não estava lá para classificar qualquer coisa que surgisse
como sendo disco voador.
UFO — Vocês utilizavam algum tipo de equipamento de radar
que pudesse confirmar ou fazer acompanhamento desses fenômenos?
Hollanda — Não. Todos os aeroportos têm radares fixos. Nós
não portávamos nada desse tipo.
UFO — Os ataques que estavam acontecendo com certa freqüência
eram comunicados ao Governo, às autoridades estaduais ou municipais?
Hollanda — Sim, claro. Vários médicos da Secretaria de Saúde
do Pará foram enviados pelo governo para examinar as pessoas. Eles analisavam
o lugar queimado e tomavam depoimentos dos pacientes, mas não faziam
mais nada – nem tinham como. Algumas vítimas se recuperavam facilmente.
Outras ficavam muito apavoradas. Havia umas que diziam ficar enjoadas, com
o corpo dormente por vários dias. Um cidadão uma vez veio me
procurar para dizer que próximo à sua casa tinha surgido uma
luz, que focou um raio brilhante em sua direção. Ele me relatou
ter ficado tão apavorado que correu para dentro da casa, pegou uma arma
e apontou para a luz. Aí veio outra ainda mais forte que fez com que
ele caísse. O pobre coitado passou uns quinze dias com problemas de
locomoção, mas não houve nada mais sério. Ele não
foi atingido por nada sólido, como um tiro, por exemplo. Parece que
a natureza dessa luz é uma energia muito forte que deixa as pessoas
sem movimento. Acredito que as autoridades federais estavam informadas de que
esse tipo de ataque a humanos estava acontecendo na região, mas desconheço
provas. Eu apenas recebia ordens de meu comandante, mais nada.
UFO — Se esses depoimentos foram coletados desde o início
da Operação Prato, quando foi que o senhor teve seu
primeiro contato frente a frente com UFOs naquela região?
Hollanda — Foi bastante significativo. Certa noite, nossa equipe estava pesquisando
na Ilha do Mosqueiro, num lugar chamado Baía de Sol [Um balneário
conhecido de Belém, bem próximo a Colares], pois havia informações
de que lá estavam acontecendo coisas. E como estávamos investigando
todo e qualquer indício de ocorrências ufológicas, fixamo-nos
no local. Nesse período, os agentes que tinham mais tempo do que eu
nessa operação – já que “peguei o bonde andando” –, questionavam-me
o tempo todo, após vermos algumas luzinhas, se eu já estava convencido
da existência do fenômeno. Como eu ainda estava indeciso, diziam-me: “Mas
capitão, o senhor ainda não acredita?” Eu respondia que não,
que precisava de mais provas para crer que aquelas coisas eram discos voadores.
Eu não tinha visto, até então, nave alguma. Somente luzes,
muitas e variadas. E não estava satisfeito ainda.
UFO — Eles deram início à operação antes
e tinham visto mais coisas? Mas e aí, o que aconteceu?
Hollanda — Eles avistaram mais coisas e acreditavam mais do que eu. E me pressionavam: “Como
pode você não acreditar!” Um desses agentes era o sub-oficial
Flávio [João Flávio de Freitas Costa, já falecido],
que até brincava comigo dizendo que eu era cético enquanto uma
dessas coisas não viesse parar em cima de minha cabeça. “Quando
isso acontecer e uma nave acender sua luz sobre o senhor, aí eu quero
ver” , dizia ele, sempre gozando de meu descrédito. E eu retrucava que
era isso mesmo: tinha que ser uma nave grande, bem visível, se não,
não levaria em conta. E para que fui dizer isso naquela noite? Acabávamos
de fazer essas brincadeiras quando, de repente, algo inesperado aconteceu.
Apareceu uma luz, vinda do norte, em nossa direção, e se aproximou.
Aí ela se deteve por uns instantes, fez um círculo em torno de
onde estávamos e depois foi embora. Era impressionante: a prova cabal
que eu não podia mais contestar. Eu pedi e ali estava ela! Foi então
que levei uma gozada da turma. “E agora?” , os soldados me diziam…
UFO — Quando foi isso?
Hollanda — Em novembro de 1977, logo no início da operação.
O objeto tinha uma luz que se parecia com solda de metal, como solda elétrica.
Foi curioso, pois quando era menino ouvia muitas histórias de coisas
que a gente não conseguia enxergar por possuírem luminosidade
muito forte. E foi o que eu vi, junto à minha equipe: uma luz azul,
forte, de brilho intenso. Mas não vi a forma do UFO, só a luz
que emanava.
UFO — Vocês fotografaram esse objeto brilhante?
Hollanda — Fotografávamos tudo o que aparecia, mas levamos um “baile” durante
uns dois meses com as fotos, pois nelas não saía nada. Sempre
tínhamos os objetos bem focalizados, preenchendo todo o quadro da máquina,
mas quando revelávamos os negativos, nada aparecia. Pensávamos, às
vezes: “Ah, agora vai sair” , mas nada… Isso acontecia com freqüência,
até que ocorreu um fato inusitado. Eu estava analisando os positivos,
muito chateado por não conseguir imprimir as imagens que víamos
em nossas missões, quando peguei uma lanterna que usava em operações
de selva, e fiz uma experiência. Foi a sorte…
UFO — E o que aconteceu?
Hollanda — A lanterna tinha uma luz normal e forte numa extremidade e uma capa
vermelha na outra, que servia para sinalização de selva. Era
de um material semi transparente de plástico, tipo luz traseira de carro.
Tirando-se a tal capa vermelha havia um vidro fosco. Eu olhei para aquilo e
me lembrei que os médicos examinam as radiografias num aparelho que
tem um quadro opaco com luz por trás [Radioscópio] . Este equipamento
ajuda a fazer contraste de luz e sombra numa chapa de raio-x. Assim, tive a
idéia de pegar um filme já revelado e contrapô-lo ao vidro
fosco da minha lanterna de selva. Foi então que pude ver um ponto que
não conseguia enxergar antes! Eu não estava procurando marca
ou objeto algum. Procurava uma luz, pois foi isso o que vimos na selva ao batermos
as fotos. Só que a tal luz não aparecia, e sim o objeto por trás
dela. No caso do rolo que estava analisando, vi um cilindro, que aparecia em
todos os demais fotogramas. Ficou claro, então, que não conseguia
imprimir a luz do objeto na foto, mas sim a parte sólida dele, talvez
por uma questão de comprimento de onda, não sei. Não entendi
por que a luz do UFO não impressionava aquele filme, somente a parte
sólida. Depois, concluímos que aquele objeto seria uma sonda
em forma de cilindro.
UFO — Vocês fizeram muitas fotografias de UFOs como essas?
Hollanda — E como! Fizemos mais de 500. Eram dezenas de rolos de filmes, uma
caixa de papelão cheia deles. Em quase todos os fotogramas havia UFOs
ou sondas. E veja você: todos aqueles negativos ficaram na minha frente,
por quase dois meses de trabalho, e não conseguíamos nada. Não
saía luz alguma nas fotos… Aí, depois do que descobri, fomos
olhá-los novamente, e havia imagens fantásticas. Depois foi só mandar
ao laboratório do 1º COMAR para ampliar e ver lindas sondas e UFOs
nas fotografias. Dezenas deles!
“Antes da Operação Prato já havia
uma investigação preliminar sobre casos de UFOs no
Pará. O prefeito da cidade de Colares comunicou ao 1º COMAR
que UFOs sobrevoavam a região"
UFO — Depois de sua descoberta vocês fizeram novas fotos?
Hollanda — Sim, com a ajuda de um amigo chamado Milton Mendonça, que
já faleceu. Ele era cinegrafista da TV Liberal, de Belém, e conhecia
muito sobre fotografia. Pedi sua ajuda porque confiava bastante nele e sabia
que, participando da operação conosco, não ia comentar
nada com ninguém. Assim, informei o fato ao meu comandante, dizendo-lhe
que estava com dificuldades no processo técnico fotográfico,
e ele autorizou Milton a entrar no esquema. Ele foi conosco em algumas vigílias
e sempre nos auxiliava. Até instruiu-nos a usar filmes especiais, com
recursos de infravermelho, ultravioleta etc. Pedimos, pois, o material para
nossos superiores, em Brasília, e eles mandar filmes ótimos.
Com isso, passamos a ter melhores resultados. Conseguimos fotografar, então,
objetos grandes e formatos que a gente nem imaginava…
UFO — Quanto à forma, qual era o padrão mais comum
que esses objetos apresentavam?
Hollanda — No início da Operação Prato vimos o que todo
mundo falava: sondas e luzes piscando. Inclusive, tinha um padre americano,
chamado Alfredo de La Ó, falecido, que nos dava descrições
de sondas e objetos nesse formato. Ele era pároco em Colares e falava
de uma sonda que tinha visto várias vezes. Segundo Alfredo, ela era
mais ou menos do tamanho de um tambor de óleo de 200 litros. Essa sonda
apresentava um vôo irregular, não era uma trajetória segura.
Voava como se tivesse balançando, e emitia uma luz. Às vezes
andava junto a outras, que vinham e iam de um ponto a outro… Um dia, ela, aproximou
por cima de nós.
UFO — Vocês chegaram a perceber algum tipo de interação
entre o que faziam e o comportamento do fenômeno?
Hollanda — Essa pergunta é bastante interessante, pois aquilo era uma
coisa muito estranha. Eles, seja lá quem fossem, mostravam ter absoluta
certeza de onde nós estávamos e o que fazíamos. Parecia
que nos procuravam, pois, quando menos esperávamos, lá estavam,
bem em cima da gente… Não mais do que um mês depois de passarmos
a conviver nos locais de aparições, essas sondas começaram
a vir sempre até nós. Às vezes, a gente se deslocava de
um lugar para outro e lá iam elas, acompanhado-nos quase o tempo inteiro,
como se tivessem conhecimento da nossa movimentação.
UFO — Quer dizer então que os UFOs de alguma forma pareciam
se “interessar” pelas atividades da Operação Prato?
Hollanda — Bem, pelo menos sabiam o que estávamos fazendo. Por exemplo,
no caso da Baía do Sol, aconteceu algo peculiar. Naquela época
já estava terminando o ano letivo e muita gente ficava na praia à noite.
Tinha pelo menos umas 100 mil pessoas na orla, naquele fim de semana. No entanto,
uma sonda veio para cima de nós, num lugar todo escuro onde não
havia mais ninguém. Oras, por que veio ao nosso encontro, na escuridão,
se tanta gente estava ali perto, na praia?
UFO — Esse foi o primeiro grande acontecimento ufológico
envolvendo o senhor?
Hollanda — Não digo que tenha sido grande, mas foi bastante significativo.
Naquela ocasião voltamos para a base do 1º COMAR pela manhã.
Foi quando conversei com meu comandante e disse que, pela primeira vez, algo
estranho tinha acontecido.
UFO — O senhor teve alguma reação física deste
acontecimento em seu organismo, algum problema resultante dessa observação?
Hollanda — Naquele exato momento não, mas depois notei que todos perdemos
um pouco da acuidade visual. Com o tempo, a visão enfraqueceu ainda
mais, tanto que passamos a usar óculos. Mas isso ocorreu em razão
de outras exposições que também tivemos mais para frente,
noutros inúmeros contatos.
UFO — Coronel, após um caso como esse, pelo que sabemos,
vocês faziam um relatório completo, que era integrado à Operação
Prato. Mas vocês também se submetiam a algum tipo de
exame médico?
Hollanda — Era feito um relatório do acontecimento, com hora, local,
coordenadas geográficas, mapeamento da região etc. Tudo bem descritivo.
Mas nunca tivemos que fazer exame médico, mesmo porque nunca tivemos
qualquer problema.
Continuação
da entrevista (página 3) >>
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