Entrevista histórica com o Coronel Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima
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UFO — Quando seu comandante recebeu a notícia sobre o que
aconteceu, como ele reagiu? Esses casos ufológicos foram se
repetindo? Do que mais o senhor se lembra para nos contar?
Hollanda — Bom, como a Baía do Sol era um local muito favorável
para observações de UFOs, passamos a freqüentar a região
com bastante regularidade. Tínhamos amigos no Serviço Nacional
de Informações (SNI) – que não tem nada a ver com isso – os
quais acompanhavam algumas de nossas missões. Os agentes eram nossos conhecidos,
tinham curiosidade, por isso iam conosco. Às vezes, saíam notícias
a respeito num ou noutro jornal local, fazendo com que muita gente em Belém
comentasse sobre esses avistamentos. Minha mulher
[De seu
primeiro casamento, já falecida] e meu irmão sabiam das coisas que eu estava fazendo.
Mas além desse círculo, ninguém de fora da base do 1º COMAR
tinha ciência desses pormenores. Mesmo assim, pedia sempre muita reserva à minha
esposa e irmão. Tanto que eles nem perguntavam detalhes.
UFO — A população de Belém sabia que havia
uma operação da FAB na região?
Hollanda — Não. Mas sabia que nós, da Aeronáutica, estávamos
por lá, atentos a tudo. Algumas pessoas sabiam que existia uma operação,
só não sabiam do nome nem dos resultados. Outras sabiam de pequenos
detalhes, como o fato de eu ser capitão, ou de fulano ou sicrano ser
sargento, mas ninguém sabia dos resultados da missão. Nem bem
o que exatamente fazíamos. O que se desconfiava era que a gente estava
examinando. Só! No caso dos oficiais do SNI, quando me pediram para
ir, eu disse que não tinha problema, mas, que deveriam pedir autorização
ao seu chefe [Na época, o chefe do SNI em Belém era o coronel
Filemon] . E o chefe deles autorizou, porém não como uma missão
do serviço de informação. Apenas para sanarem suas curiosidades.
UFO — O Serviço Nacional de Informações chegou
a desenvolver algum trabalho ufológico depois disso?
Hollanda — Não. Os agentes só queriam ver aquelas coisas voando,
junto de nossa equipe. Eles sabiam que estávamos fazendo um trabalho
sério em certos locais de vigília. E como confiavam em nossa
experiência, seguiam-nos aos pontos mais prováveis de avistamentos
de UFOs. Um dia, junto ao Milton Mendonça, chegamos à Baía
do Sol, lá pelas 18:00 h, e montamos nosso equipamento fotográfico.
Ficamos então num lugar escuro, reservado, observando o que viria a
acontecer. No entanto, por razões pessoais, tive que voltar mais cedo
naquela noite, para estar em Belém às 20:00 h, pois tinha um
compromisso. Por volta das, às 18:30 h, surgiram três pontos luminosos
alinhados muito alto no céu, em grande velocidade. E olha que eu conheço
avião para dizer que a velocidade daquilo era bem acima da média.
Os pontos estavam voando no sentido oeste-leste. Quando deram 19:00 h, apareceram
mais dois estranhos objetos piscando alinhados, um atrás do outro, no
sentido norte-sul.
“Histórias bizarras, como ataques de UFOs
a humanos, eram muito comuns durante a execução do
trabalho. Isso nos assustava bastante, deixando-nos preocupados e
curiosos ao mesmo tempo”
UFO — Qual foi a seqüência com que os fatos se apresentaram?
Hollanda — Bem, o pessoal do SNI não chegava. Tínhamos combinado às
18:00 h. Ficamos aguardando-os para que acompanhassem nossa vigília… Assim,
esperei apenas mais um pouco e, quando começamos a desmontar o material,
pois não podia mais aguardar. Finalmente chegaram e perguntaram se tinha
havido algo. Eu brinquei, dizendo ter marcado às 18:00 h e eles só apareceram às
19:00 h, numa referência ao fato de que ali passa UFO quase que de hora
em hora... E um deles fez então uma pergunta idiota: “A que horas passa
outro?” . Respondi que não sabia e que aquilo não era bonde para
ter horário. Falei ainda que eles deviam ficar ali a noite inteira,
esperando para ver UFOs. Nesse momento, enquanto conversávamos, um deles
disse: “Olha aqui em cima, agora. Olha para o alto” . Foi aí que o herói
brasileiro tremeu nas bases, porque tinha um negócio enorme bem em cima
da gente. Era um disco preto, escuro, parado a não mais que 150 m de
altura, exatamente onde estávamos.
UFO — Deve ter sido uma experiência fantástica e aterrorizante.
O objeto tinha luzes, emitia algum ruído, fez algum movimento?
Hollanda — Ficou parado, mas tinha uma luz no meio, indo de amarela para âmbar.
E fazia um barulho como o de ar condicionado. Parecia com um ruído de
catraca de bicicleta quando se pedala ao contrário. Aquele negócio
era grande, com talvez uns 30 m de diâmetro. Olhamos para aquilo por
um bom tempo, até que começou a emitir uma luz amarela muito
forte, que clareava o chão, repetindo isso em intervalos curtos mais
umas cinco vezes.
UFO — Qual foi a reação dos membros do SNI?
Hollanda — Não foi só o pessoal do SNI, não. Todo mundo
ficou espantado! Eu mesmo nunca tinha visto algo assim, e olha que já estava
quase há dois meses nessa operação… Nunca aparecera uma
nave desta forma para gente. Foi tão inusitado que nem lembramos de
montar novamente a máquina fotográfica, que já estava
guardada, pois já íamos embora. Também não dava
tempo, pois estava guardada em caixas próprias e demoraria para que
fosse retirada, montada e armada. Só nos restava ficar olhando, assustados,
para aquela coisa que iluminava tudo com uma luz amarela forte que ora apagava,
ora acendia...
UFO — Parece que estavam dando uma demonstração a
vocês, latejando dessa maneira estranha…
Hollanda — É. O UFO fazia isso em intervalos de dois segundos. Apagava,
acendia, apagava. Era uma luz progressiva, que não clareava como um
flash, mas que crescia e voltava à mesma intensidade. Estávamos
até sentindo que alguma coisa podia acontecer, pois estava escuro, era
um local bastante isolado e ninguém sabia que a gente estava lá – só nós
e “eles” [Risos] .
UFO — Houve alguma ocasião em que outras equipes de diferentes órgãos
do Governo participaram junto a vocês?
Hollanda — Não. O que eu sei é que houve um vazamento de informações
sobre a Operação Prato. Algumas pessoas comentavam sobre a incidência
de avistamentos. Creio que o vazamento se deu no Aeroclube de Belém.
Teve uma vez em que uma equipe do jornal O Estado do Pará foi para o
lugar onde a gente estava acampado e, como sabia que estávamos na área,
ficou na espreita. Noutra vez eles se enganaram: foram a um ponto onde acharam
que estaríamos, mas se deram mal, pois estávamos em outro… Numa
dessas aventuras, eles chegaram a ver alguma coisa, porém foi algo tão
esquisito que jamais voltaram. Alguns repórteres juraram que nunca mais
fariam uma missão dessas… Eles viram uma luz se aproximando à baixa
altitude e pegaram o carro para chegar mais perto. A luz se dirigiu até onde
estavam e focou um raio em cima deles. Pelo que soube, o teto do carro ficou
translúcido, como se fosse de vidro. Aí o objeto fez umas evoluções
em cima do automóvel, permitindo até que fotografassem aquilo.
As fotos foram publicadas em página inteira. Tinham uma nitidez incrível.
Mas depois do susto que tomaram, as testemunhas sumiram de carro – parece que
alguns tiveram acesso de vômito e se descontrolaram emocionalmente. Quem
pode dar informação sobre este fato é o Pinon [Ubiratan
Pinon Frias] , que era o piloto do Aeroclube de Belém.
UFO — Com todos esses fatos acontecendo e vocês mandando toda
hora relatórios para sua chefia, em algum momento perguntou
a ela se haveria possibilidade de informar à população
sobre as ocorrências e a Operação Prato?
Hollanda — Não, não foi feita essa pergunta porque a gente já sabia
que não era possível que a população viesse a saber
dos acontecimentos. Não seria cabível essa dúvida ao meu
comando, porque isso era assunto reservado. Minha missão era coletar
dados e entregar ao comandante, e isso era tratado com confidencialidade. Tínhamos
que documentar, fotografar e filmar os UFOs, se possível, e entregar
tudo ao 1º COMAR. Daí para frente, o destino que seria dado ao
material era responsabilidade dele.
UFO — O senhor tem idéia do que era feito desse material?
Hollanda — Os relatórios com desenhos, fotos etc eram preparados, classificados,
passados ao comandante e arquivados no próprio 1º COMAR, numa sala
reservada. Depois disso, alguns iam para Brasília, segundo fui informado
na época. No entanto, pelo que sei, a reação dos altos
escalões era de ceticismo – alguns colegas até brincavam com
os fatos.
UFO — O senhor teve conhecimento de que a FAB já teria instituído
um sistema de pesquisa oficial quase 10 anos antes, em 1969, chamado
Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não
Identificados (SIOANI)?
Hollanda — Nessa época, em 1969, eu era tenente na Base Aérea
de Belém e foram distribuídos entre nós vários
livretos informativos sobre o assunto, pedindo para que os oficiais que se
interessassem pelo tema fossem voluntários para preparar relatórios
com depoimentos. Foi só. Depois as discussões morreram…
UFO — Em algum momento houve participação de militares
americanos pedindo informações ou detalhes sobre o
trabalho de vocês na operação?
Hollanda — Que eu saiba, não. Se isso ocorreu foi em altas esferas e,
como já disse, eu era apenas capitão. Não me metia nessas
coisas e nem podia saber nada a respeito.
UFO — A incidência desse fenômeno na Amazônia,
durante a Operação Prato, chegou a ser diária?
Hollanda — Sim, era diária e muito ativa. Chegamos a verificar pelo
menos nove formas de UFOs. Conseguimos determiná-las e classificá-las.
Algumas eram sondas, outras naves grandes das quais saíam objetos menores.
Filmamos tudo isso, inclusive as naves pequenas voltando ao interior de suas
naves-mãe, as maiores. Tudo foi muito bem documentado!
UFO — Quais eram os equipamentos que vocês utilizavam para
registrar todo esse movimento?
Hollanda — Tínhamos máquinas fotográficas Nikon profissionais,
com teleobjetivas de 300 a 1000 mm, dessas grandes. Era um terror trabalhar
com elas, porque tinham um foco rapidíssimo. Qualquer “bobeada”, qualquer
movimento em falso, e perdíamos os UFOs. Mas eram equipamentos de primeira.
Também tínhamos filmadoras e gravadores, na possibilidade de
um ruído ser ouvido ou de alguma coisa que pudesse ser registrada.
UFO — Vocês tinham expectativa dessas naves entrarem em contato
com vocês, se é que esse não era um dos objetivos
da Operação Prato?
Hollanda — Estávamos expostos a tudo. Para falar a verdade – e não
estou fazendo mistério –, podia acontecer qualquer coisa, no mato, na
selva, nas praias, em qualquer lugar. Estávamos em operação
militar e, por obrigação, tínhamos que agüentar tudo.
O quer que ocorresse teria sido no cumprimento do dever.
UFO — Vocês portavam armas nas missões?
Hollanda — Não, em nenhum momento. Nunca pensei em levar arma, nem mesmo
por via das dúvidas. Não esperávamos que houvesse necessidade.
Por isso, nem pensamos nessa hipótese, mesmo quando estruturávamos
a montagem da operação, sua parte logística, de alimentação,
transporte, comunicação etc.
UFO — Mas houve algum momento dentro da operação em
que o senhor teria percebido que esse fenômeno pudesse ser
perigoso?
Hollanda — Uma vez sim. Foi o aparecimento de algo muito forte, tanto que quando
essa coisa aconteceu eu tive medo de que pudesse se dar uma abdução.
Só comentei com algumas pessoas, e uma delas, meu amigo Rafael Sempere
Durá [Consultor de UFO], chegou a me repreender gravemente por ter me
exposto a algo perigoso. “Seu maluco irresponsável. Você tem comandante.
Mas sou seu amigo e estou te proibindo de fazer uma coisa dessas” , disse,
zangadíssimo, quando soube o que aconteceu. O fato foi realmente grave.
Durante a Operação Prato, estávamos numa embarcação
ancorada à margem do Rio Jari quando uma coisa enorme parou a não
mais que 70 metros do barco.
UFO — Quais as características dessa “coisa”?
Hollanda — Para responder, tenho que dizer por que nós estávamos
lá. Bem, fomos ao local porque tenho um amigo, oficial da FAB na época,
o capitão Victor Polonês [Victor Jamianiaski,
descendente de poloneses radicado em Belém] , que gostava muito de pescar e freqüentava
o local. Um dia, sabendo que a gente estava nessa investigação,
contou-me o caso de um rapaz que trabalhava apanhando barro para uma olaria
próxima dali. Essa olaria era de Paulo Keuffer, de Belém. O rapaz
se chamava Luís e me contou um fato incrível. Disse que certo
dia, enquanto colhia barro, viu vestígios de uma paca comendo restos
de flores de uma árvore à beira do rio e a acompanhou para caçá-la.
Ele voltou à olaria, esvaziou o batelão [Embarcação
de 7 a 9 m com motor de centro] , aprontou uma espingarda, voltou ao local,
onde armou um acampamento em cima de uma árvore. Pendurou sua rede e
ficou com lanterna e espingarda preparadas para a chegada do animal.
UFO — E aí, o que aconteceu depois disso?
Hollanda — Bom, quando ouviu um barulho, e pensou que era a dita cuja, passou
por ele uma luz muito forte que logo depois voltou e parou sobre onde estava.
Do centro dessa nave, descrita como sendo similar à cabine de um Boeing
737, abriu-se uma porta ou algo assim e desceu um ser com forma humana. Luís
disse-me que não teria visto escada de corda, nem de metal, mas que
a entidade tinha descido através de um foco de luz, com os braços
abertos. Quando ele se aproximou, e Luís viu que estava correndo perigo,
pulou fora e se escondeu numa árvore próxima, mas ficou observando
o que se passava. Então o ser chegou com uma luz vermelha na mão – que
não era lanterna, mas estava na palma de sua mão –, e examinou
a rede deixada na árvore. Como também o lugar onde estava e tudo
o mais, mas não procurou Luís nem ficou vasculhando o local.
O ser foi direto ao local onde o rapaz tinha se escondido, morrendo de medo.
Rapidamente, focou um raio de luz vermelha em sua direção, fazendo-o
correr para dentro da vegetação.
UFO — O estranho ser percebeu de alguma forma automática
onde estava Luís e foi em sua direção. Não
parece boa coisa…
Hollanda — Pois é. Mas Luís saiu por uma margem do rio, tropeçando
em troncos e raízes, com dificuldade de caminhar e tudo mais. Aí o
ser voltou para nave e a mesma passou a segui-lo dentro do curso do rio, à baixa
velocidade e pouca altitude, talvez à altura da copa das árvores.
Luís ia devagar e nem conseguiu pegar o barco que estava mais à frente,
como pretendia. Não teve jeito: gritou e atraiu a atenção
de algumas pessoas, que vieram a seu encontro. Ao verem aquilo, pularam dentro
d'água e ficaram observando à distância, só com
os olhos de fora. O que viram foi incrível: a nave parou em cima do
batelão, o mesmo ser desceu e examinou todo o barco, exatamente como
fez com a rede. Aí ele foi até a nave, a porta se fechou e o
UFO disparou para longe. Conversei com Luís no 1º COMAR e decidi
ir ao local ver a situação. Ao chegarmos lá, eram mais
ou menos 19:00 h e estava chovendo razoavelmente. Os agentes foram para dentro
da casa do zelador da olaria. Como chefe da equipe, não entrei: permaneci
alerta, esperando para ver se alguma coisa acontecia…
UFO — E aí, o que aconteceu do lado de fora da olaria, coronel?
Hollanda — Olha, veio uma coisa escura, da qual não pude ver a forma.
Não sei se era discóide. Sei lá, só se via as luzes
daquilo, uma verde intensa e outra vermelha. Estranho era o barulho que esse
troço fazia, como ar condicionado, porém bem mais forte. Parecia
barulho de turbina, como se houvesse uma coisa girando. Dá pra entender?
Isso passou em cima de onde estávamos, mas em tão baixa altitude
que não poderia ser um avião. Nenhum piloto faria aquilo, pois
estaria morto… Um vôo rasante daqueles já é perigoso demais
num dia claro, agora, imagine com chuva e de noite. Aí eu gritei para
minha equipe: “Acabei de ver um treco muito estranho aqui” . Então entramos
no barco e fomos para o tal lugar onde Luís tinha tido o contato. Chegando
lá, fomos até a árvore onde ele havia caçado a
tal paca. Ficamos todos ali embaixo. Mas com a maré enchendo, a gente
estava com a água cada vez mais alta…
UFO — O jeito era subir numa árvore, então, e aguardar
os acontecimentos...
Hollanda — Era, pois a maré foi subindo cada vez mais… Ficamos lá,
em cima da árvore, aproximadamente umas dez horas. Quando decidimos
ir embora, fomos em direção ao barco, que estava parado na outra
margem, e guardamos o equipamento. Quando então que, a mais ou menos
uns 2.000 metros, veio cruzando o rio, de norte para o sul, uma luz muito forte,
de cor amarela, âmbar como o Sol, porém em baixa altitude. Aquilo
estava em cima das árvores e cruzou o rio na mesma posição
que a anterior, praticamente onde fica a residência do vigia – ou seja,
no local onde eu a tinha visto pela primeira vez.
UFO — Emitia o mesmo som de ar condicionado ou era alguma vibração
mais intensa?
Hollanda — Tinha som, sim. Mas nos concentramos em filmar aquilo. Você pode
ver no filme [Que, no entanto, não foi nos mostrado porque o coronel
não o possui mais] uma tremedeira ou coisa assim, e uma luz como se
fosse de chama. Aparece também o rastro dela refletida no rio. Isso
tudo foi bem filmado.
UFO — Quando vocês tinham algum documento desse gênero,
uma filmagem espetacular como essa, esse material não ia para
Brasília?
Hollanda — Ainda não. O filme ficava retido lá no Comando Aéreo.
Depois é que Brasília solicitava o material. Eu não acho
que eles acreditavam muito nessa história, mas alguém lá queria
vê-lo.
UFO — Brasília achava que era o quê? Meia dúzia
de birutas no meio do mato pesquisando?
Hollanda — Não sei. Falava-se tanta coisa sobre isso, mas ninguém
queria se expor. Talvez alguém pudesse dar crédito para uma coisa
dessas, mas tinha colegas lá que eram céticos. Outros ficaram
sabendo que os UFOs eram verdadeiros.
UFO — Voltando ao UFO que vocês estavam observando lá, às
margens daquele rio, tal experiência deve ter sido extraordinária…
Hollanda — Bom, foi mesmo. E nós registramos hora, altura, direção,
essas coisas todas que tinham que constar no relatório. Enquanto aquilo
estava lá, à nossa frente, eu pensava: “Agora mesmo é que
não saio daqui. Agora vamos ter que ficar” . Mas não tínhamos
levado comida, café, água, nada. Não tínhamos levado
nada. O que veio a seguir é impressionante.
Os resultados da Operação
Prato
Ao assistir a uma matéria sobre o acobertamento do governo em relação
aos discos voadores, veiculada no programa Fantástico, há alguns
meses, Hollanda sentiu-se na obrigação de esclarecer certos fatos.
Então, contatou alguns membros da Equipe UFO, oferecendo-se para dar
depoimentos bastante reveladores.
Declarou-nos que já havia passado tempo demais desde a execução
da operação e, por isso, já estava na hora de se pronunciar
publicamente. Hollanda foi um homem de múltiplas atividades, tendo assumido
vários cargos durante os 36 anos de serviço militar. Desenvolveu
funções que vão desde chefe do Serviço de Intendência
do Primeiro Comar a chefe do Serviço de Operações de Informação
e coordenador de Operações Especiais de Selva.
Durante o tempo em que o editor de UFO A. J. Gevaerd e o co-editor Marco Antonio
Petit permaneceram em sua residência, em Cabo Frio, litoral norte do
Rio de Janeiro, Hollanda forneceu informações extraordinárias
que só agora puderam vir à luz. De acordo com seu relato, a missão
de investigação oficial da FAB tinha por objetivo desmistificar
os fenômenos que ocorriam na região Norte do Brasil. “Aceitei
participar da operação justamente porque não acreditava
que aquelas coisas pudessem estar acontecendo. Precisava me certificar de que
tais fatos realmente eram verdadeiros”.
Superando sua expectativa, no entanto, a Operação Prato resultou
na comprovação da origem extraterrestre do fenômeno que
vinha se manifestando em toda a área ribeirinha e litorânea do
Pará, ainda que esta confirmação tivesse que permanecer
em sigilo. Inúmeras experiências extraordinárias foram
vividas por este coronel e outros oficiais da operação, em suas
noites e dias de vigília na selva.
Hollanda e seus comandados tinham a incumbência de documentar o Fenômeno
UFO na Amazônia, mas, bem mais do que isso, acabaram tendo contatos pessoais
com naves extraterrestres. O oficial teve certeza de que os episódios
eram reais, especialmente quando UFOs começaram a aparecer de todos
os lados, enormes e pequenos, distantes ou não. “Foi a oportunidade
que tive de conhecer essas experiências. Algumas eram assustadoras, pois
os objetos voadores não identificados tinham tamanhos exagerados”, declarou.
CURIOSA EXPERIÊNCIA – Um dos mais impressionantes episódios
que Hollanda viveu se deu às margens do Rio Jari, quando algo
similar a um disco voador, nas cores verde e vermelha, produzindo
um barulho idêntico ao de uma turbina, parou a poucos metros
de onde estavam. Porém, com a maré subindo cada vez
mais, toda a equipe, inclusive ele, permaneceu cerca de dez horas
em cima de uma árvore. Quando decidiram ir embora, uma intensa
luminosidade da cor do sol cruzou o rio a mais ou menos 2.000 m do
solo, emitindo um ruído pouco comum. A entrevista iniciada
na edição anterior acaba exatamente neste ponto de
sua narrativa, e para quem está curioso em saber o que aconteceu
ao coronel Uyrangê, aqui vai o restante de suas fantásticas
memórias.
UFO — O senhor estava falando de um contato que teve ao lado de
outros membros de sua equipe, próximo a uma olaria em Belém.
Enquanto examinava o local onde Luís teve seu avistamento,
seus companheiros adentraram a olaria e o senhor permaneceu do lado
de fora. O que puderam observar?
Hollanda — Bom, como tínhamos que voltar lá para fazer as anotações
necessárias (pois marcávamos tudo, desde horário, altura,
direção etc), e não havíamos levado nada, nem comida
ou café, Luís se propôs a ir até sua casa – um casebre à beira
do rio – para nos trazer café, bolacha e água. Ele saiu com um
barquinho em direção a uma ilhota de uns 15 ou 20 metros de largura,
mas muito comprida. Um garoto de uns 9 anos de idade foi com ele. Eles foram
remando e desapareceram nessa ilha.
UFO — O senhor quer dizer que os dois sumiram em frente aos olhos
de todos os outros membros?
Hollanda — Isso mesmo. Logo que Luís desapareceu, fiquei em pé,
em cima do toldo do barco. Enquanto isso, os agentes comentavam sobre o que
estava acontecendo, mas como eu era o chefe, não podia me dar ao luxo
de ficar conversando. Tinha que ficar alerta. Foi então que, à minha
esquerda, próximo ao início do rio, veio uma luz muito forte
(a mesma luz amarela). Enquanto ela se aproximava, fiquei quieto. E como aquela
claridade continuou se aproximando, chamei a atenção dos agentes
para o fenômeno.
UFO — Esses agentes estavam equipados com máquinas fotográficas
para registrarem o episódio?
Hollanda — Sim. Logo que notaram a presença do objeto, prepararam máquina
fotográfica, filmadora, tudo. Aquela coisa veio em nossa direção
a uns 200 ou 250 metros de altura. Cruzou por cima da gente e quando chegou
perto, na margem do rio, apagou-se. Era uma luz amarela e muito forte, como
se fosse um sol, e a gente não via seu formato, somente o clarão.
De repente, pudemos notar que objeto tinha uma forma estranha de bola de futebol
americano, pontuda e grande (mais ou menos uns 100 m). Um aparelho translúcido,
com janelinhas em toda a sua extensão. Porém não pude
perceber se havia alguém lá dentro, apesar de ter passado devagar
como se fosse de propósito. A filmadora estava acionada e como emitia
um ruído, pedi para que o agente que a estava manejando, um japonês,
parasse de filmar, porque eu queria tirar algumas dúvidas e não
desejava interferência de sons. Então o cinegrafista parou.
UFO — Depois que ele desligou a filmadora, puderam-se ouvir barulhos
mais nítidos que identificaram aquele fenômeno?
Hollanda — O cinegrafista perguntou: “Você está ouvindo?”. Respondi
que sim. Era um barulho de catraca, esquisito e oscilante. Depois continuamos
filmando e fotografando até que a coisa foi embora, seguindo rumo ao
continente. Isso aconteceu entre 11:00 e 11:30 h, conforme o relatório.
Já faz muitos anos, mas, recordo-me do horário. Após esse
episódio, comentamos: “Mas que troço esquisito” . Por volta de
01:00 ou 01:30 h, ela voltou, só que não era mais da cor do sol:
era de um azul muito forte e acompanhou a margem oposta do rio. Quando chegou
perto da ilha, foi em direção a Belém, mas estava muito
baixa, passando sobre as copas das árvores.
UFO — Essa foi a situação mais complicada da qual
foram testemunhas? O avistamento mais extraordinário dentro
da Operação Prato?
Hollanda — Foi. Aparentemente, a luz se aproximou de Belém, depois voltou
em nossa direção. Víamos através das copas das árvores
que tinha uma luz lá em cima e que ela havia penetrado a mata.
UFO — Vocês chegaram a fazer cálculos da distância
em que o UFO permaneceu?
Hollanda — Como ele estava à nossa frente, fui até lá por
curiosidade e para colher dados exatos para o relatório. Sua distância
era 70 m. Aquele monstro azul, embora tivesse um brilho muito forte, podia
ser olhado diretamente sem que ardesse as vistas. Não havia nada, apenas
aquela luminosidade forte. Um troço incrível. Ficamos parados
a observá-lo. Então fiquei com medo, porque estava muito perto,
do outro lado do rio, ou seja, à mesma distância de uma trave à outra
num campo de futebol. Aquele objeto ficou parado durante uns três minutos.
Enquanto isso, olhávamos em silêncio. De repente, a luz se apagou
rapidamente e pudemos ver o que estava por trás dela.
UFO — E o que era, coronel? Algum objeto diferente?
Hollanda — Era novamente a bola de futebol americano em pé, a 100 metros
de altura, parada e sem janela alguma. Devia ser o mesmo UFO, só que
com o interior apagado. Sei lá, alguma coisa desse tipo. Todo mundo
ficou com medo. Uma das pessoas ainda perguntou: “E agora? E se esses caras
vierem e carregarem a gente, como é que fica?” Tudo era novidade para
nós e ninguém sabia o que poderia acontecer daí para frente.
“A luz acompanhou a margem do rio, alterando sua
cor da amarela à azul, seguiu em direção a Belém,
sobrevoando próxima a copa das árvores, para depois
voltar em nossa direção”
UFO — Coronel, o senhor está a par do fato de que esse tipo
de ocorrência na Amazônia não é uma coisa
comum em outros lugares do mundo? Na sua opinião, por que
essas naves insistiam tanto em aparecer nas regiões Norte
e Nordeste, principalmente perto da Amazônia, e quais eram
os objetivos delas?
Hollanda — Não, não sabia que casos como esse eram raros. Sob
meu ponto de vista, o qual expus a alguns amigos, passei a me interessar muito
mais pelo assunto depois que terminei meu trabalho na Aeronáutica. Para
mim, Ufologia é um assunto muito sério. Descartava muita coisa
acerca de avistamentos ufológicos, por nunca ter visto nada que pudesse
me dar certeza. Depois que vi uma nave, quis entender o fenômeno, e como
oficial de operações de selva quis tirar minhas próprias
conclusões. Mas não podia colocá-las no relatório,
porque eram pessoais, resultado de um estudo aprofundado. Tivemos muito contato
com tribos indígenas, por isso, preocupávamos-nos em não
transmitir a eles doença de espécie alguma, pois os índios
não tinham anticorpos, ao contrário de nós. Podíamos
passar gripe, sarampo, difteria, tuberculose, enfim...
UFO — Seria uma tragédia?
Hollanda — Com certeza, porque nós temos controle em nosso corpo. Nosso
organismo tem defesas, e o deles não. Daí minha preocupação
de que mesmo cumprindo a missão, involuntariamente, tivéssemos
transmitido doenças aos índios. Felizmente nunca houve um caso
desses. Não me lembro de ter prejudicado algum índio dessa maneira.
Concluí outra coisa a respeito de por que aqueles seres estariam fazendo
isso. Se eu fosse eles e precisasse de um aparecimento aberto, franco, direto,
o que teria que fazer? Proteger a mim e a meus companheiros. Mas como? Sabendo
o que cada um possui dentro de seu próprio organismo que possa danificar
o meu, entende? Essa defesa só poderia ser feita se tivesse uma amostra
do nosso sangue e tecidos. Não foi difícil imaginar que eles
estivessem fazendo coleta de material genético, para ver o que contínhamos
que pudesse danificá-los num contato necessário futuro, certo?
Não só sangue, mas também nossas células. Não
sei ao certo o que essa luz com alta energia podia fazer, ou se transportava
partículas do corpo humano para serem analisadas mais tarde. Hoje ainda
não compreendo o tal processo de clonagem. Na época, não
pensei em nada disso, a não ser que eles estavam coletando material
que pudesse prejudicá-los num possível contato próximo.
UFO — A população ribeirinha imaginava que a intervenção
deles seria uma agressão? Ela chegou a se armar para se defender
desse tipo de fenômeno?
Hollanda — Claro, eles imaginavam estar sendo atacados por algum ser maldoso,
como um vampiro ou um morcego...
UFO — Vocês estavam agindo em sigilo absoluto?
Hollanda — Não. Os populares pensavam que eram coisas que vinham de
fora, de outro planeta. Eles já viam formas estranhas e luzes antes
de mim. As naves também, pois demorou muito para eu observá-las.
Petit – A população ribeirinha dessas regiões
andava armada?
Hollanda — Sim, a população que vivia às margens do rio
usava foguete, andava armada com espingardas de cartucho e de caça.
UFO — Vocês documentaram isso através da Operação
Prato?
Hollanda — Foi relatado que eles portavam armas. Alguns até atiravam,
e eu só dizia para não fazerem isso. O próprio padre falava
que não havia motivo para tanto: “Vocês nunca vão fazer
nada. Quem tentar lhes apontar uma arma ficará 15 dias dormente, imobilizado
na rede”.
UFO — Coronel, essa experiência que o senhor acabou de descrever
teve alguma influência em sua vida, em sua forma de ver o mundo?
Isso aconteceu no final da Operação Prato?
Hollanda — A Operação Prato foi até quando a Aeronáutica
mandou interrompê-la. Esse relato foi passado ao meu comandante, dizendo
tudo a respeito de como foi a coisa. Posteriormente, o filme foi revelado e
assistido no auditório do Quartel General por vários oficiais.
UFO — Quais foram suas conclusões a esse respeito?
Hollanda — Não havia dúvidas. Não tínhamos visto
a forma do objeto na hora em que se deu o avistamento. Só fomos ver
depois da impressão fotográfica. A coisa tinha no alto uma porta
aberta, como a de um Boeing. Não havia ser algum dentro do objeto, na
fotografia também não aparece nada, exceto um feixe de luz em
direção ao barco onde estávamos. Dessa abertura parecia
que alguém focava em nossa direção. Na ocasião,
a luminosidade era tão forte que nos impedia de ver qualquer forma no
interior daquela bola azul enorme.
UFO — Com uma declaração desse nível, uma coisa
extraordinária como essa, por que o 1º COMAR e a Aeronáutica
desativaram a Operação Prato em apenas três ou
quatro meses de trabalho?
Hollanda — Olha, talvez tenha sido por causa da especulação da
população. São perguntas que não podem ser respondidas.
Quem são, por exemplo, ninguém sabe. Talvez quem esteja mais
avançado sejam os americanos, os russos. De onde vêm? Não
há resposta. O que eles querem? Também não sabemos. São
as três questões feitas e que ninguém pode responder – o
que desmoraliza a Força Aérea e o Governo Brasileiro.
UFO — Mesmo assim, não compensaria à Força
Aérea manter o projeto em busca dessas ou de outras respostas?
Por que fechá-lo? E como foi que essa ordem chegou?
Hollanda — Se eu fosse o comandante, continuaria. Mas eu só obedecia,
e a ordem era parar. E assim foi cancelada a operação, quer estivéssemos
satisfeitos ou não.
UFO — O senhor acatou e bateu continência?
Hollanda — Sim, pois já tinha acabado. A conclusão sobre a coleta
de material para fazer antídoto, vacina, solução sorológica
que inibisse qualquer incidência de moléstia no corpo desses alienígenas,
a partir do sangue ou do material colhido do corpo humano, foi exposta quando
visitei Rafael Sempere Durá, em São Paulo. Depois de uma longa
conversa, mostrei minha opinião. Ele disse que essa era a explicação
mais lógica que ouviu a respeito do Chupa-chupa, porque o que se ouvia
era falar em agressão, e eu discordava: “Não foi agressão
de forma alguma. Foi pesquisa ou coleta de material, como alega Jacques Vallée” .
Sempere me agradeceu, dizendo: “Foi a explicação mais lógica
que eu ouvi até agora”.
UFO — Depois que a operação foi encerrada, o material
que vocês coletaram permaneceu em Brasília ou em Belém?
Hollanda — Em Belém. Várias vezes eu tentei escrever um relatório
final, pois o original era parcelado, caso a caso. Por exemplo, se numa noite
o fenômeno se manifestava três vezes, então tinha que ser
feito um relatório. Pelo que eu escrevia, baseado em tudo que via, achava
que em Brasília iam me chamar de louco, pois eles não estavam
lá para presenciar.
UFO — Mesmo depois do encerramento da Operação Prato
o senhor continuou pesquisando, investigando, fazendo suas vigílias?
Como é que foi isso? Teve alguma outra experiência interessante?
Hollanda — Bem, nunca relatei isso. Estou abrindo exceção para
você, Gevaerd, em altíssima confiança, por sua seriedade,
porque já estou com 60 anos de idade, daqui a pouco faço 70.
Isso se eu chegar lá e não desaparecer antes... Eu estava em
casa, tinha recebido uns livros que solicitei a Bob Pratt – o qual me visitou
logo no início da Operação Prato.
“Se eu fosse o comandante, continuaria as pesquisas.
Mas eu só obedecia, e a ordem era parar. Assim a Operação
Prato foi cancelada, quer estivéssemos satisfeitos ou não”
UFO — O que ele queria com o senhor? Qual era o interesse dele?
Quais outros ufólogos o procuraram para saber a respeito disso?
Hollanda — Conversar comigo. Ele queria saber sobre o que tinha havido, porque
ele esteve na Ilha dos Caranguejos, e eu não sabia da existência
desse local nem do que tinha ocorrido por lá. Depois mandei verificar
a área. Dentre os ufólogos que me procuraram na época,
estão: Max Berezowski, general Uchôa, um ufólogo argentino,
cujo nome não recordo, Jacques Vallée e Reginaldo de Athayde
[Co-editor da Revista UFO] . Nunca mais mantive contato com Berezowski, mesmo
depois de suas cartas e telefonemas. Não tive oportunidade de conhecê-lo
pessoalmente, porque minha mulher não concordou em hospedá-lo
em casa. Jacques Vallée falou comigo anos depois e me deu até um
livro de presente.
UFO — O senhor estava autorizado a declarar alguma coisa a esses
ufólogos naquela época? Caso tenha falado algo que
pudesse comprometê-lo, esses pesquisadores mantiveram suas
palavras, respeitando sua posição perante a FAB?
Hollanda — Eu conversava com eles sobre o assunto, eles até viram algumas
fotografias. Apenas pedi a eles que respeitassem minha posição,
pois não podia divulgar alguma informação, o que compreenderam
perfeitamente bem. Continuaram trocando correspondências comigo. Eu era
freqüentemente consultado sobre alguns casos, inclusive por ufólogos
internacionais, da Espanha, EUA etc.
UFO — Como eles mandavam casos para o senhor analisar e emitir um
parecer?
Hollanda — Através de Rafael Durá, de Osni Schwarz [Nesse
instante Uyrangê volta a falar sobre sua experiência inédita
ao receber os livros de Bob Pratt]. Eu lia todos os livros para me aprofundar mais em
Ufologia, humanóides, aparecimentos, abduções, outras
coisas, e assim pude me munir de mais conhecimentos sobre a temática.
Já não tinha mais nada com a Força Aérea, mas continuava
interessado pelo assunto. Sempre empilhava meus livros sobre uma estante. Um
dia, estava deitado, lendo uma obra que não tinha nada a ver com Ufologia,
enquanto minha filha, ainda pequena, lia uma revistinha de criança.
De repente, os livros se deslocaram como se tivessem sido pegos e a pilha inteira
caiu no chão. Ressalto que morava na Vila Militar, bem distante da rodovia,
onde não havia trepidação de carro que justificasse a
causa de tal circunstância.
UFO — Eles estavam empilhados na vertical?
Hollanda — Quando eles bateram no chão, claro que a pilha desmontou,
mas os livros não se espalharam. Eles vieram empilhados até o
chão. Minha filha Daniela assustou-se e perguntou: “Pai, que engraçado...
Como é que os livros caíram?” Nessa mesma hora, minha mulher
estava no andar de baixo, preparando mamadeira para as crianças, quando
algo semelhante aconteceu: a bandeja em que estavam os copos e talheres saiu
voando da pia, flutuando por toda a cozinha, e então caiu, sem quebrar
um copo sequer, apesar do barulho de louça que ouvi de onde eu estava.
No momento em que catava os livros do chão, brinquei com minha filha
para que ela não tivesse medo. Coloquei-os no lugar e falei: “Vocês
estão querendo que eu leia” . Então abri um livro numa página
qualquer. Logo em seguida aconteceu o incidente com a bandeja de louças.
Pelo barulho pensei que tivesse machucado alguém, cortado talvez.
UFO — E o que sua esposa achou disso tudo, coronel?
Hollanda — Desci as escadas correndo e, nesse meio tempo, minha esposa vinha
subindo com os olhos arregalados, dizendo que não ficaria sozinha, ainda
mais diante daquele fenômeno. Perguntei a ela o que havia acontecido: “Não
sei. A bandeja saiu voando e foi parar no meio da pia” . Eu não entendi
muito bem a história. Levei, então, um copo d'água para
ela.
UFO — E os fenômenos ficaram por isso mesmo?
Hollanda — Dois ou três dias depois, eu estava dormindo, por volta da
meia-noite. Estava numa espécie de desligamento, mentalização,
deitado junto à minha mulher. De repente, adentrou meu quarto um clarão
muito forte, seguido por um estalido, iluminando tudo. Assustei-me ao ver um
troço tão estranho. Imediatamente, apareceu um ser atrás
de mim, abraçando-me. Achei a situação meio esquisita.
Além disso, tinha outro ser na minha cabeceira, que media 1,5 m, estava
vestido com uma roupa semelhante à de astronauta ou de mergulho.
UFO — Um colante? Ou neoprene, aquele material usado na fabricação
de roupas de surfistas?
Hollanda — Era muito fofa, não era colada ao corpo. Não cheguei
a ver seu rosto, mas era cinza, tinha uma máscara parecida com a de
mergulho, o olho não dava para detalhar. Eu estava muito assustado por
causa daquele “bicho” que me abraçava e apertava por trás, sussurrando
em meu ouvido em Português: “Calma, não vamos te fazer mal” ,
com uma voz metalizada, como som de transmissões computadorizadas.
UFO — E sua esposa?
Hollanda — Continuou dormindo, sem saber da presença do “baixinho” que
estava em minha cabeceira, apertando-me na cama. Não gostei da sensação
e da atitude dele. Logo em seguida, outro estalido e o clarão desapareceu,
deixando-me muito assustado.
UFO — Houve lapso de tempo?
Hollanda — Não me lembro. Fiquei raciocinando se não foi apenas
um sonho. Mas o troço era muito esquisito e eu ouvi dois estalidos.
Não me recordo se fui beber água. Acho que desci para tomar alguma
coisa, whisky, sei lá...
UFO — Esse fenômeno voltou a acontecer nos dias seguintes?
Hollanda — No outro dia, fui para o quartel para hastear a bandeira e bater
continência ao som do Hino Nacional. Minha mulher sempre fechava o portão
da garagem quando eu saía para trabalhar, por causa dos cachorros e
das crianças. Tinha, nessa época, um Alfa Romeo azul marinho.
Quando meti a chave na porta do motorista para abri-la, a porta do outro lado
abriu-se sozinha, sem ao menos eu ter tocado no veículo. Ao ver aquilo,
minha mulher ficou assustada. Eram muitos fenômenos inexplicáveis
que vinham acontecendo. Olhei para meu suposto companheiro e disse, em tom
de gozação: “Você não vai andar muito. A viagem é curta” .
UFO — O senhor sentiu alguma coisa, talvez uma dor de cabeça?
Hollanda — Aí eu me sentei no carro, e quando estiquei a mão
para fechar a porta, ela o fez sozinha. Minha esposa assustou-se ainda mais.
Fui embora, seguindo rumo ao quartel. Ao hastearmos a bandeira, meu braço
esquerdo começou a coçar muito. Eu já estava doido para
que a cerimônia acabasse, pois não podia tirar a mão da
pala para me coçar. Quando olhei para meu braço, ele estava vermelho.
Achei aquilo muito esquisito [Até hoje em seu braço apresenta-se
a mesma marca avermelhada].
UFO — O senhor acha que isso tudo foi conseqüência do
quê?
Hollanda — Calma, já chego lá. Meu braço continuou coçando.
Por curiosidade, num certo dia, apertei a pele e, ao fazê-lo, apareceu
um “troço”, como se fosse um pedacinho de plástico.
UFO — Já fez algum exame de raio-X?
Hollanda — Já. No raio-X não aparece nada. Mas aperte aqui e
sinta. [Ao apertar o local, pude sentir alguma coisa pontuda, que mais parecia
uma agulha].
UFO — Algum outro componente da equipe apresentou qualquer tipo
de marca pelo corpo?
Hollanda — Sim, o Flávio. Descobri isso quando todo mundo quis ver o
meu ferimento. Ele também possuía a mesma marca na perna esquerda,
numa das coxas. Ele acabou falecendo por causa de derrame, em virtude do ferimento
na perna. Depois eu conversei com um médico, amigo meu, para o qual
mostrei meu braço. Ele me convidou a ir até o hospital para fazer
exames. Numa das vezes que fui a São Paulo e conversei com Rafael Sempere
Durá, ele pegou uma bússola pequena e pediu permissão
para dar uma olhada, colocando o aparelho sobre a minha pele.
UFO — Uma evidência física sem precedentes...
Hollanda — Os ponteiros da bússola ficaram alterados. Se através
de um exame radiológico não se pôde ver absolutamente nada,
comentei com Rafael que queria mandar abrir a pele. Ele me aconselhou que não
o fizesse.
UFO — Mudando de assunto, o coronel tem conhecimento de que o Governo
Brasileiro continua fazendo pesquisas ufológicas, seja na
Amazônia ou em outro lugar, a respeito desse fenômeno?
Hollanda — Pesquisa com determinação, com base em um programa,
acredito que não. Pelo menos não tenho qualquer informação
a esse respeito. Primeiro, porque estou fora, na reserva. Tenho muito pouco
contato, a não ser financeiro, com o Ministério da Aeronáutica.
Possuo amigos lá, mas nunca ouvi falar que o órgão tenha
ido investigar qualquer tipo de projeto ou eventualidade, como o caso dos F-5.
UFO — O senhor acha que deveria haver então um programa de
pesquisas mantido pelo Governo?
Hollanda — Na minha opinião, parece que sim. Eu mesmo tenho minhas razões
pessoais para crer nisso, mas mesmo que não as tivesse, se eu fosse
comandante, mandaria.
UFO — O que o senhor imagina que foi feito da Operação
Prato? Dos documentos? Das fotografias? Existe alguém tomando
conta desse material todo?
Hollanda — Creio que tenha sido arquivado, pois não foi dado muito valor
a ele. Não tive conhecimento de qualquer repercussão no Ministério
da Aeronáutica. Quanto às fotografias, não foram enviadas
as 500 para eles. Seguiram apenas as que constavam no relatório e alguns
negativos. A maioria delas ficou conosco, guardada nos arquivos do 1º COMAR,
e ninguém consegue obter informação a respeito. A seção
a qual eu pertencia é onde se encontram arquivados os quatro filmes
batidos e as fitas de vídeo. Na época, o Ministério da
Aeronáutica iria ficar com apenas um rolo, mas confiscou inclusive os
outros três que pertenciam a mim, que foram comprados com meu dinheiro
e, assim mesmo, a Aeronáutica nunca os devolveu.
UFO — Nunca pensou em guardar um souvenir desse material?
Hollanda — Não. Veja bem: já falei que adoro a FAB, ainda mais
quando estava lá dentro. Hoje, eu fico de fora, vendo como é que
meus companheiros estão se sucedendo, o que estão fazendo para
que ela prospere e engrandeça. Sempre tive um respeito muito grande
pela Força Aérea e pelo meu serviço. Eu nunca faria isso
com ela. Fiquei calado por 20 anos. Durante esse período, fui consultado
várias vezes para que escrevesse ou prestasse alguma declaração.
UFO — Coronel, recorda-se de que publicamos umas fotografias em
1986 ou 1987 sem sua autorização? Isso trouxe algum
problema para o senhor, para sua equipe ou para o 1º COMAR?
Alguém foi punido por isso?
Hollanda — Trouxe, sim, muitos embaraços. Eu fui mandado de Brasília
para investigar por que aquilo tinha sido vazado, como aquela história
tinha se tornado pública. Como o carimbo da Aeronáutica estava
exposto, já que naquela época eu era o chefe dessa operação,
como é que aquilo saiu? De minha mão não foi. Ninguém
saiu punido por isso, pois a verdade sobre como as coisas vieram à tona
nunca foi descoberta.
UFO — O senhor acha que a publicação dessa matéria
na íntegra pode causar mais embaraço? E para os militares
que permanecem na Aeronáutica, que sabem que existem esses
documentos e que a população tem o direito de conhecê-los?
Hollanda — Hoje não. Minha missão foi cumprida. Minha carreira
se esgotou em 36 anos de trabalho.
UFO — O senhor não acha que esses documentos
deveriam ser liberados para o público?
Hollanda — Isso já é decisão do comando. Se liberarem,
irão surgir muitas indagações que o Ministério
da Aeronáutica e Governo Brasileiro não estão aptos a
responder. Para evitar constrangimentos, não se fala nada. Uma vez eu
estava assistindo a um programa do apresentador Flávio Cavalcanti. Num
interrogatório sobre isso, um cara perguntou por que os UFOs não
pousam no Maracanã para todo mundo ver? Se acontecer um caso desses,
um pouso na Esplanada do Planalto, aí não tem jeito. Acredito
que num futuro próximo “eles” possam ser até um pouco mais abusados.
Do jeito que está, em menos de um ou dois anos, acontecerá um
contato claro, aberto para toda a população, que será transmitido
pelas televisões do mundo.
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