ENTREVISTAS

Por A. J. Gevaerd

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão: O que pensa hoje o maior crítico da Ufologia Brasileira durante três décadas

Categoria: CIÊNCIA | CRÍTICA | PROJETO SETI

Para os astrônomos, ele é uma lenda viva. Para os ufólogos, um algoz implacável. Assim é considerado o astrônomo carioca Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, 71 anos, dono de um dos mais recheados currículos no meio acadêmico brasileiro. Autor de mais de 60 obras, o professor Mourão sempre foi um cético ferrenho e grande crítico da Ufologia e de seus métodos. Mesmo tendo sido apresentado às evidências, nunca admitiu que pudéssemos estar sendo visitados por seres de civilizações mais avançadas.

 

Bacharel em Física pela Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da antiga Universidade da Guanabara – atual Universidade Estadual do Rio de Janeiro –, Mourão publicou seu primeiro trabalho em 1960, um estudo sobre estrelas duplas visíveis, área em que se especializou. Na mesma época, lançava também Astronomia Popular, seu primeiro livro. “Comecei a escrever muito cedo sobre Astronomia, inicialmente para um jornal do Colégio Andrews. Era um artigo que falava sobre a bomba atômica, o que mais provocava entusiasmo naquela época, logo após a Segunda Guerra Mundial”, declarou.

 

Bolsista do governo belga, doutor pela Universidade de Paris e reconhecido nos principais círculos astronômicos do planeta, já nas décadas de 60 e 70, foi um dos mais destacados integrantes do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, que veio a dirigir, e pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). Em 1970, Mourão, que já rejeitava a pesquisa do Fenômeno UFO, publicou seu primeiro Atlas Celeste, em que apresentava inúmeras cartas estelares e uma detalhada descrição do céu visível no Brasil. “A partir do Atlas Celeste, fui escrevendo outros livros. Ainda no ginásio escrevi um artigo sobre a Astronomia dos Lusíadas, que depois transformei no livro Astronomia e Camões”. Ele já confrontava naquela época os ufólogos que propunham a origem extraterrestre para os discos voadores, entre eles nossa pioneira Irene Granchi, presidente do Conselho Editorial da Revista UFO. As principais contribuições astronômicas de Mourão foram na área das estrelas duplas, asteróides, cometas e técnicas de astrometria fotográfica. Em 1995, foi eleito sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro.

 

O importante é o diálogo, o bom senso. Ufólogos e cientistas têm que se sentar à mesa de discussões e respeitar as opiniões alheias

 

Adversário de peso — O trabalho mais conhecido do astrônomo é o monumental Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica [Editora Nova Fronteira, 1995], cuja segunda edição chegou a mais de 900 páginas repletas de informação.

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Caso você visse um disco voador pousado, o que faria?
Iria ao seu encontro e tentaria estabelecer contato com os tripulantes.
Observaria a distância e me aproximaria apenas caso recebesse um convite.
Jamais me aproximaria do objeto e nem dos tripulantes.
Chamaria a polícia.
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