UFOs: LIBERDADE DE INFORMAÇÃO JÁ FÓRUM
 



Falece Uyrangê Hollanda

A. J. Gevaerd, editor e coordenador

A Ufologia Brasileira mal chegou a conhecer o homem a quem passou a dever tanto desde outubro de 1997. Naquele mês faleceu o coronel Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima, nosso entrevistado nesta e na edição anterior, o homem que comandou a Operação Prato . A notícia de seu falecimento, ocorrido em 02 de outubro daquele ano, às 23h00, foi um choque para todos os que o conheciam – e ainda maior para os que o admiravam.

A Equipe UFO tinha relacionamento, ainda que distante, com o coronel Hollanda há muitos anos, quando publicamos – sem sua autorização – algumas fotos e relatórios que descobrimos acerca da operação que chefiou na Amazônia. O que poderia ter sido o começo duma inimizade acabou em algo bem diferente: uma sólida amizade que, após todos
esses anos, vínhamos a consolidar com este notável e cativante militar. Desde a publicação das fotos, o coronel observava a trajetória de nossas revistas e, quando este editor esteve no programa Fantástico em julho de 1997, denunciando o sigilo que os governos impõem aos UFOs, ligou-nos para expressar seu contentamento com nossa persistência. Dessa atitude surgiu a amizade, a qual nos permitiu entrevistá-lo ineditamente em sua residência, em Cabo Frio (RJ). Através do trabalho, cuja primeira parte foi publicada em UFO 54 e a finalização está nesta edição, o Brasil e o mundo puderam tomar conhecimento dos meandros da mais extraordinária operação militar de pesquisa ufológica de que se tem notícia, inteiramente idealizada, coordenada e conduzida pelo coronel Hollanda. Não são somente os ufólogos brasileiros que lhe rendem homenagem, mas toda a Comunidade Ufológica Mundial, que conheceu, fascinada, sua inestimável contribuição.

O coronel deixou filhos de seus dois casamentos, em Belém e no Rio de Janeiro. Viúvo do primeiro relacionamento, depois de alguns anos conseguiu encontrar paz de espírito no segundo, com a senhora Cecília Maria Vianna de Aguiar, com quem morava num belo apartamento no litoral do Rio. Seus filhos podem orgulhar-se do pai que tinham, admirado e respeitado nos mais diversos segmentos militares brasileiros. Oficial na reserva da Aeronáutica já há cinco anos, Uyrangê acumulou méritos por ter se destacado brilhantemente em cada uma das funções para as quais foi designado.

Quando em sua residência, durante a entrevista, este autor e o co-editor de UFO Marco Antonio Petit puderam testemunhar sua vivacidade, objetividade e extrema cultura. Homem simples, porém self made, Uyrangê tinha perfeita memória dos mais diversos episódios que viveu na Selva Amazônica em mais de 30 anos de atividade militar. Entre uma pergunta e outra, deliciava nossa equipe contando intrincadas histórias pelas quais passou. Numa delas, um naufrágio num rio da Amazônia, descreveu-nos detalhada e lucidamente como sobreviveu 13 dias sem comida.

Toda a Equipe UFO, aqui representando o coletivo da Ufologia Brasileira e todos os grupos a nós interligados em 46 países, ressente-se profundamente com a perda representada pelo falecimento tão precoce desse personagem que, embora ainda pouco conhecido de todos, contribuiu imensamente para que “nossa causa”, a partir de sua entrevista, fosse tratada com maior seriedade. Obrigado, Uyrangê , onde quer que você esteja!

 

 

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