Já é hora das autoridades
brasileiras abrirem seus arquivos e admitirem que UFOs existem
Claudeir Covo, co-editor
da Revista UFO
Qualquer pessoa que pesquise o Fenômeno UFO sabe que ele é real,
apesar de nove em cada dez ocorrências envolvendo pontos luminosos
nos céus serem meros fenômenos físicos naturais
ou artificiais,
observados por testemunhas e erroneamente interpretados como objetos
voadores não identificados. Isso sem falar nas fraudes, cometidas
intencionalmente por pessoas que buscam algum tipo de benefício
com
isso – e são muitas. Por outro lado, qualquer pessoa inteirada sobre
Ufologia sabe que as forças armadas de qualquer país do mundo
também
se preocupam com a questão, buscando analisar e entender estas ocorrências
de origem desconhecida – algumas delas de origem extraterrestre. É claro
que o Brasil não poderia ser exceção. Também temos
em nosso país uma espécie de “Mini Área 51”, um local
altamente secreto onde se guardam documentos que comprovam a atuação
alienígena
em nosso meio, através de observações
celestes, pousos e até contatos diretos com eles.
Nossa Mini Área 51, evidentemente bem menor que
a original, nos Estados Unidos, situa-se em Brasília e se chama Comando
de Defesa Aérea Brasileira (Comdabra). Trata-se de um órgão
da Aeronáutica que centraliza todas as informações sobre
ocorrências ufológicas no país, embora pouca gente saiba
disso. Infelizmente, no grande caos que se encontra a economia brasileira,
verbas vitais e justas, que poderiam estar sendo destinadas a causas de relevância
em qualquer área – seja medicina, pesquisas espaciais, experimentos
físicos, área
militar etc –, não sobram para tal uso, desviadas com propósitos
variados. Constantemente lemos reportagens sobre novos equipamentos bélicos
que estariam sendo quase sucateados por falta de recursos financeiros, entre
outros descalabros que ocorrem regularmente, atestando a má destinação
das verbas federais e outras.
Estes fatos são uma vergonha nacional. E se é assim
em áreas reconhecidas, imagine o leitor o que não ocorre quando
se refere à Ufologia. A resposta é nada, absolutamente nada!
Pelo que sabemos de fontes confiáveis e próximas aos círculos
militares de Brasília, os relatórios ufológicos que chegam
no Comdabra simplesmente são arquivados. Isso é realmente lamentável
e representa um prejuízo incalculável para o entendimento definitivo
da questão ufológica.
Medidas punitivas
Ainda assim, desde o início da era
moderna dos discos voadores, há mais de 50 anos, os ufólogos
brasileiros conseguiram obter dezenas de documentos confidenciais
da Aeronáutica, da Marinha e do Exército brasileiro,
mostrando claramente que o Fenômeno UFO é absolutamente
real e tem sido motivo de preocupação por parte de
nossos militares. Alguns desses documentos apontam claramente que
o Comdabra é o órgão responsável pela
centralização de tal material. Mas, sem verbas para
pesquisas, tais documentos são simplesmente arquivados.
Para agravar ainda mais este quadro, devido a severos
regulamentos disciplinares e em conseqüência das eventuais medidas
punitivas a que estariam sujeitas – que incluem detenção –, as
autoridades militares evitam falar no assunto. São raros os exemplos de
oficiais ou de autoridades civis que vão a público admitir a existência
dos UFOs, ou pelo menos a suposição de que existam. Alguns estudiosos
argumentam que, talvez, eles saibam apenas tanto quanto os pesquisadores civis
sobre a fenomenologia ufológica. Outros defendem que não sabem
esclarecer detalhes dessas estranhas ocorrências em nossos céus.
Se esse é o caso, na prática, talvez o melhor mesmo seja que fiquem
em silêncio e evitem expor-se tentando explicar o inexplicável.
Ainda assim, ao longo da história brasileira, alguns escassos militares
sempre serão lembrados com muito carinho, estima e admiração
pelos ufólogos, por terem agido como verdadeiros heróis, capazes
de romper a barreira do silêncio e passar por cima das normas, se pronunciando
a respeito da questão.
Entre esses heróis, que admitem a existência
de objetos não terrestres invadindo nosso espaço aéreo,
temos lugar de destaque para o coronel-aviador João Adil Oliveira, então
chefe do Serviço de Informações do Estado Maior da Aeronáutica,
em 1954. Foi ele o militar pioneiro que reuniu as Forças Armadas e a imprensa
no auditório da Escola Técnica do Exército, no Rio de Janeiro,
para falar abertamente – e pela primeira vez no país – sobre a problemática
dos discos voadores. Também temos o saudoso coronel Uyrangê Bolívar
Soares de Hollanda Lima, igualmente da Aeronáutica, que comandou a Operação
Prato em 1977, na Amazônia, e que, em 1997, pouco antes de falecer, revelou
tudo o que viu e descobriu à Revista UFO. Suas bombásticas e inesquecíveis
afirmações mostram o quanto se escondeu (e ainda se esconde) sobre
discos voadores assediando moradores ribeirinhos na imensidão da floresta
[Veja Revista UFO edição 55]. As declarações de Uyrangê foram
traduzidas para vários idiomas e hoje são conhecidas em quase todo
o mundo.
Entre os militares que se esforçaram para dar
luz à questão ufológica estão alguns que também
eram grandes ufólogos. Entre eles está o saudoso general Alfredo
Moacyr de Mendonça Uchôa, professor de mecânica racional da
Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e contemporâneo de uma legião
de militares que hoje estão à frente de muitos cargos de importância
no país. Como o general Alberto Mendes Cardoso, que foi ministro-chefe
do Gabinete de Segurança Institucional do governo Fernando Henrique Cardoso,
e que numa entrevista à revista Veja, de 31 de maio de 2000, declarou
ter total crença no fato de que civilizações extraterrestres
estariam visitando a Terra.
Caças a Jato brasileiros já estiveram
frente a frente com UFOs em arriscadas manobras de Perseguição.
Ao lado, a sede do Comdabra, a "Mini Área 21"da
Capital do país
Casos abundantes
Uchôa, ao transferir-se
para Brasília (DF), onde viveu até sua morte, ministrava
palestras e publicou inúmeros livros em que descrevia suas
experiências pessoais com naves alienígenas no município
de Alexânia (GO). Foi ele um dos impulsores da Ufologia Brasileira,
justamente um general de carreira. Não poderíamos deixar
de citar aqui, nesta galeria de nossos pioneiros, o também
saudoso brigadeiro-do-ar José Vaz da Silva e o major Gilberto
Zani de Mello, ambos do 4° Comando Aéreo Regional (COMAR),
de São Paulo. Estes militares mantiveram, de 1969 a 1972,
juntamente com pesquisadores civis e variadas outras autoridades,
um órgão de pesquisas oficiais sobre o Fenômeno
UFO. Era o Sistema de Investigação de Objetos Aéreos
Não Identificados (SIOANI), que funcionava nas instalações
da Força Aérea Brasileira (FAB). Ambos pesquisaram
fatos que aconteciam abundantemente no país e emitiram boletins
de muitos deles, com descrições precisas. Por fim,
em 19 de maio de 1986, o brigadeiro-do-ar Octávio Moreira
Lima passou a fazer parte do seleto grupo de militares que admitiram
a existência dos UFOs, relatando à população
um fato que ocorria naquela data em vastas regiões do país.
Mas se estes são heróis conhecidos, há ainda
muitos deles anônimos, que contribuíram enormemente para o desenvolvimento
de nossa Ufologia, ainda que sem arriscar terem seus nomes e patentes expostos.
Muitos prestaram sua contribuição simplesmente reconhecendo a importância
do fenômeno e encaminhando clandestinamente aos ufólogos e grupos
civis importantes documentos que revelam fatos ocorridos em nosso país,
de conhecimento das Forças Armadas, mas não da população.
Este é o caso do Informe nº 26, do Ministério do Exército,
que chegou às nossas mãos em julho de 2000. Trata-se de um documento
antigo, narrando uma ocorrência ufológica em que um sargento teve
o motor do seu veículo paralisado e foi abordado por duas estranhas criaturas,
em Rondonópolis (MT). É interessante verificar que o campo “assunto” do
relatório trata abertamente da questão: “Contato de militar com
seres extraterrenos”.
Engavetamento
Esse documento ficou engavetado
em alguma repartição militar brasileira por muitos
anos, até que alguém visse nele algo que interessava
aos ufólogos civis e o remeteu anonimamente a este autor.
Não temos dúvidas de que outros documentos confidenciais
como esse irão aos poucos aparecer. Bem como outros militares,
com o passar do tempo, também acabarão indo a público
manifestar-se a respeito do Fenômeno UFO. É uma questão
de tempo, pois vivemos atualmente em uma democracia e os regulamentos
e normas draconianas que foram corretamente criados na época
da ditadura, para controlar manifestações de militares
quanto ao tema, hoje estão ultrapassados e precisam ser revistos.
Além do que, a população atualmente está consciente
de seu direito democrático de saber a verdade sobre qualquer
assunto – inclusive Ufologia.
A exemplo das forças armadas chilenas, uruguaias,
belgas, espanholas e – recentemente – as italianas, as nossas também deveriam
criar um grupo de pessoas sérias, militares e civis honestos, com experiência
científica para conduzir pesquisas apropriadas sobre o tema, que é considerado
o enigma do século (ou do milênio). E devem também reconhecer
a atuação esforçada de nossos ufólogos, que, sem
verbas nem recursos, e enfrentando todo tipo de adversidade, lutam para trazer à tona
a realidade ufológica. Investimentos governamentais adequados devem ser
feitos nesta atividade, garantindo que se descubra um pouco mais sobre um mistério
que tanto intriga a população. Não se pode mais, no entanto,
manter sigilo sobre algo tão sério, engavetando informações
que devem ser de conhecimento público.