A luta por liberdade de informações
não é um confronto, A. J. Gevaerd, editor
e coordenador
Todos os ufólogos recordam terem assistido o então
ministro da Aeronáutica Octávio Moreira Lima ir à tevê e
declarar, em alto e bom som, que dentro de um mês dos incidentes,
a FAB revelaria o resultado de suas investigações do
impressionante episódio. 30 dias apenas! É desnecessário
dizer que estamos até hoje esperando que a Aeronáutica
venha à público com tais revelações.
Perguntado várias vezes a respeito dessa reticência,
Moreira Lima desconversou e minimizou a gravidade da situação – que,
em 1986, quando ocorreu, deixou quase em pânico os militares
brasileiros, que não sabiam o que fazer diante do que parecia
ser “a chegada derradeira de ETs ao planeta”. Já se passaram
quase 18 anos do episódio, mas nunca uma única linha
foi publicada por nossos militares sobre o fato. Omissão e acobertamento Esses dois casos – certamente os mais notórios
da Ufologia Brasileira – são apenas alguns exemplos da complexidade
da manifestação ufológica em nosso país
e da gravidade que ela representa. Nas duas ocasiões em que
os fatos se deram, os ufólogos ergueram sua voz, foram à imprensa,
bradaram e acusaram o governo ora de omissão, ora de acobertamento.
E mostraram toda a sua revolta pelo silêncio imposto ao tema – este
autor, inclusive. Mas, com o tempo, vimos que essa não era
a maneira certa de agirmos, nem a mais inteligente. Gritar e exigir
nossos direitos não provocou os resultados desejados. Não
provocou quase nenhum resultado! Apenas nos fizemos ouvir, nada mais.
Pois respeito é algo que não se exige, mas se adquire.
E esse é justamente o ponto central da questão. É hora de agirmos de maneira consistente e mais condizente com a seriedade do Fenômeno UFO. É hora de tomarmos resoluções – individuais e coletivas – que expressem a maturidade que acreditamos ter. Individualmente, porque é tarefa de cada ufólogo ter noção precisa de que, por mais sensacional e emocionante que seja o trabalho com Ufologia, ele requer discernimento, ponderação e muita responsabilidade. Especialmente se pretendemos interagir com nossa sociedade, informando-a sobre o tema. E coletivamente, porque também é chegada a hora da Comunidade Ufológica Brasileira se conscientizar de sua capacidade de agir como um grupo, de vencer barreiras individuais que enfraquecem o movimento, minam nossos esforços e atrasam a chegada de resultados. Não há mais tempo a perder com egos e individualismos. O trabalho tem que ser coletivo e em beneficio de todos. É com essa postura que iniciamos nossa serena e ordenada campanha, mas também com determinação e persistência, em busca de resultados satisfatórios. Há motivos, sim, para crermos que ela dará certo. Especialmente se pudermos contar com a mobilização da maioria dos integrantes da Ufologia Brasileira, no sentido de divulgarem este processo e angariarem mais simpatizantes para somarem-se a nós. Temos sinalizações claras e inequívocas, emanadas de determinados setores de nosso Governo e Forças Armadas, de que há um anseio para tornar pública a questão ufológica. Oportunamente as apresentaremos. É certo que poderes externos à Nação, de grande porte, originados principalmente dos Estados Unidos, onde acobertamento é questão de sobrevivência, tentarão enfraquecer nosso movimento e dissuadir eventuais simpatizantes governamentais e militares de abraçarem a questão. Mas também contra essas forças temos que estar preparados. Crer na soberania nacional, na capacidade e na boa vontade de nossos dirigentes é fundamental. Políticas oficiais É necessário que os ufólogos
brasileiros, principalmente os signatários do Manifesto, compreendam
que o acobertamento ufológico não é uma tendência
em si ou algo isolado. É apenas mais um item da agenda militar
ou governamental de qualquer nação. É certo
que é um dos itens mais importantes para certas nações,
mas, ainda assim, a reserva oficial quanto a determinados fatos é comum
no meio militar e espelho de uma ação de governo. Por
um lado, não se pode tirar a razão de nossos militares
de agirem dessa forma. O Fenômeno UFO realmente representa
algo que foge à nossa total compreensão. É algo
imensamente superior a qualquer coisa com que estejamos habituados
e, naturalmente, deve ser encarado com extremo cuidado. Os exageros
nesses cuidados, em certos casos, são justificáveis – pelo
menos até que tenhamos inteiro controle e conhecimento da
situação.
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