ufológicos
brasileiros, direta ou indiretamente. E sempre mantiveram sua relação
com nossos militares e os resultados de suas diligências conjuntas
em total sigilo. Quando tiveram oportunidade, nossos oficiais também
preferiram não se pronunciar a respeito, talvez por concordarem
com a postura de seus colegas do hemisfério norte. Um bom exemplo
disso é o Caso Varginha, no qual foram registrados, imediatamente
após as capturas de criaturas supostamente alienígenas
naquela cidade, militares norte-americanos acompanhando os procedimentos
médicos no Hospital Humanitas, ao lado de brasileiros [Veja
o livro O Caso Varginha, código LV-08 da Coleção
Biblioteca UFO].
Sobre
essa espinhosa questão, devemos nos perguntar e convidar nossas
autoridades também a se perguntarem: essa política de
parceria e acobertamento ainda é válida para o nosso país,
nas atuais circunstâncias políticas em que vivemos? Para
entendermos um pouco sobre as manobras de acobertamento ufológico,
é necessário que conheçamos como o governo norte-americano
tem se comportado diante do Fenômeno UFO, desde seus primórdios.
Afinal, os fortes indícios de que os Estados Unidos determinam
o tom da orquestração mundial sobre a questão estão
fundamentados em documentos que ufólogos daquele país
obtiveram de suas próprias instituições, com o
uso da Lei de Liberdade de Informação (Freedom of Information
Act, ou FOIA).
Hipótese
extraterrestre
A partir
de 1945, os serviços militares de informação dos
EUA passaram a investigar discretamente o Fenômeno UFO. No final
daquele ano, criou-se a primeira comissão de pesquisa destinada
a estudá-lo. Publicamente, quando a imprensa ainda utilizava
o termo “disco voador”, a principal explicação
difundida pelos militares era de que aqueles estranhos aparelhos seriam
apenas armas secretas soviéticas. No entanto, com vários
incidentes registrados – como o Caso Roswell –, a cúpula
do poder norte-americano passou a saber com precisão que a natureza
do fenômeno era extraterrestre, sem que isso fosse admitido publicamente.
A hipótese extraterrestre era um incômodo para as autoridades,
e era insistentemente difundida por ufólogos da época,
entre eles o major Donald Keyhoe, que promoveu grande polêmica
sobre o tema ao publicar seu histórico artigo “Os Discos
Voadores são Reais”, na revista True de janeiro de 1950.
Naquele mesmo ano, o livro Behind the Flying Saucers [Por Trás
dos Discos Voadores], de Frank Scully, já assegurava que as autoridades
norte-americanas tinham em seu poder três discos voadores que
haviam se acidentado no país – um no Arizona e dois no
Novo México. Esse fato motivou de vez a opinião pública
a aceitar a hipótese extraterrestre, para desespero do governo.
Antes dessa data, mais precisamente em 1948, o Projeto Sign já
tinha levado ao conhecimento do Pentágono um volumoso relatório
chamado Estimativa da Situação, no qual se chegava à
conclusão de que os UFOs eram reais e de origem extraterrena.
Mas isso jamais foi admitido pelas autoridades.
A criação do Projeto Sign se deu por decisão do
secretário de Estado James Forrestal, em 30 de setembro de 1947,
diante dos incontáveis relatos de observação de
UFOs nos EUA. Forrestal deu a ordem de constituir o projeto sabendo,
já naquela época, que pelo menos um dos UFOs acidentados
estavam sendo secretamente examinados pelos militares, justamente o
recuperado em Roswell, no Novo México. O impacto do Sign sobre
a cúpula norte-americana era evidente, pois ela reconhecia que
os discos voadores eram naves não-terrestres. Mas o relatório
Estimativa da Situação foi rejeitado pelo chefe do Estado-Maior
da Força Aérea Norte-Americana (USAF), o general Hoyt
Vandenberg. Vandenberg ordenou destruir todas as suas cópias,
salvando-se apenas duas, classificadas como top secret e jamais conhecidas
da população. Nascia ali o primeiro esboço da política
de acobertamento ufológico, que foi ganhando corpo através
dos anos e hoje está consolidada e espalhada por nações
do mundo inteiro, ou pelo menos onde os EUA têm seus tentáculos.
Vandenberg foi um dos primeiros a ocultar o Fenômeno UFO de que
se tem notícia. Mas, na verdade, sua atitude era apenas o reflexo
da situação nas esferas oficiais naquela época,
alarmadas com a confirmação da realidade ufológica.
Temia-se pânico por parte da população e tentava-se
evitar a todo custo que se soubesse que os EUA, uma super potência,
estavam fragilizados e incapacitados de fazer frente ao que os militares
consideravam uma “nova ameaça”. Dentro da comunidade
de inteligência da USAF, diante dos resultados iniciais do Projeto
Sign, surgiram duas tendências bem claras. A primeira opinava
que o crescente número de informes de avistamentos de UFOs tinha
que ser levado a sério e, ainda, que o fenômeno poderia
se tratar de uma intrusão extraterrestre. A segunda acreditava
que esses informes não eram dignos de credibilidade e que a física
daquela época teria condições de explicá-los
como absurdos e improváveis.
Intensa
pressão popular
O doutor
Joseph Allen Hynek comenta em seu livro Relatório Hynek [Editora
Portugália, 1979] que a postura de não aceitar o
Fenômeno UFO tomou força em sucessivos projetos norte-americanos,
até se chegar a uma posição amplamente contrária
à liberação de qualquer indício de sua realidade.
Essa situação culminou com a apresentação
à nação dos resultados do chamado Relatório
Condon, de 1969, que resolvia as pressões que a força
aérea vinha sofrendo por parte dos cidadãos norte-americanos
com relação aos UFOs. Tal atitude influiu notavelmente
sobre os cientistas que aventuravam se envolver nas investigações
oficiais do fenômeno – a tal ponto que o próprio
Hynek confessou ter sempre procurado explicações naturais
e humanas para cada um dos informes recebidos, inclusive aqueles que
deixavam claro que havia algo muito incomum acontecendo.
Um exemplo da postura antiufológica que se formou desde os primórdios
da Ufologia foi uma observação difundida pelo jornal Times
News, de Twin Falls, Idaho, em 15 de agosto de 1947. A notícia
descrevia o avistamento de dois discos voadores se deslocando a grande
velocidade, com um som semelhante ao eco de um motor. Vários
anos após o fato, quando Hynek já trabalhava para a USAF,
sugeriu que aquilo seria explicado pela presença de um turbilhão
atmosférico deslocando-se com rapidez. A absurda justificativa
era o melhor que se pôde encontrar na época, e as forças
armadas imediatamente a adotaram, desqualificando o caso.
Política
arbitrária
Hynek confessou
ter se chocado com a atitude dos militares, que transformaram um mero
comentário sem compromisso numa explicação pretensamente
científica. O astrofísico alegou que nunca havia tido
conhecimento de algo que descrevesse o fenômeno observado, tal
como as testemunhas o relataram, e que apenas fez uma inocente suposição.
Mas não adiantou e a USAF não voltou atrás –
o que, vindo a se repetir outras vezes, fez Hynek optar por abandonar
os programas militares a que servia. Não é à toa
que ele, após se desligar do governo, viria colaborar com os
ufólogos civis. Hynek próprio viu que o objetivo da força
aérea não era descobrir o que fosse possível sobre
o fenômeno, mas desqualificá-lo totalmente – algumas
vezes de forma claramente arbitrária. Até 1986, quando
faleceu, Hynek constatou que o funcionamento da política de acobertamento
ufológico estava em pleno vapor. Apesar de toda a reação
negativa diante do estudo científico do Fenômeno UFO, o
Projeto Sign catalogou 243 avistamentos de objetos voadores não
identificados nos EUA e 30 no exterior, servindo-se para isso do auxílio
de diversos órgãos, tais como a Universidade de Ohio,
que deveria identificar os fenômenos astrofísicos, a Rand
Corporation, que iniciou um estudo para avaliar a possibilidade de alguns
objetos serem naves espaciais terrestres ou satélites, e a Junta
de Assessoramento Científico da USAF. Na verdade, tais instituições,
soube-se depois, receberam instruções claras para aplicarem
protocolo de sigilo aos casos a serem analisados. Seu esforço
era para invalidar qualquer chance de se constatar que o fenômeno
fosse legítimo.
A verdadeira natureza do interesse das forças armadas estava
refletida num dos parágrafos de seus relatórios, que dizia
textualmente: “A avaliação dos informes de objetos
não identificados é uma atividade necessária das
agências de informações militares. Tais observações
são inevitáveis e, em tempo de guerra, as condições
favorecem a rapidez de soluções naturais convincentes,
que são necessárias para manter a moral do pessoal civil
e militar”. A tal rapidez para se encontrar “soluções
naturais convincentes” para manter a moral do pessoal civil e
militar demonstra que o assunto tinha que ser explicado a qualquer custo
e rapidamente, como uma estratégia militar, em vez de se promover
uma busca real de esclarecimento do fenômeno.
Embora nunca admitido publicamente, e apesar das falhas na avaliação
das informações, frutos de pressões internas antiufológicas,
o Projeto Sign chegou à conclusão de que havia um número
de avistamentos que só poderiam ser explicados satisfatoriamente
como objetos extraterrestres. Em face disso, em 11 de fevereiro de 1949,
a USAF criou o Projeto Grudge, dando seqüência ao Sign, mas
cuja atividade seria totalmente focalizada no descrédito do Fenômeno
UFO. Foi para isso que o doutor Hynek foi contratado: tentar explicar
a maior parte dos relatos de avistamentos do ponto de vista astronômico.
Após ter estudado 237 das melhores observações,
os técnicos do Grudge descobriram que 32% delas podiam ter uma
explicação astronômica, e 35% eram balões,
sondas, aviões, foguetes ou reflexos. 13% não tinham explicação
por falta de maiores informações e 20% resultaram ser
algo incomum e não identificado.
UFOs
simplesmente não existem
Em 27 de
dezembro do mesmo ano, dez meses após sua criação,
o Projeto Grudge foi dissolvido. Como resultado, foi emitido o infame
Informe Técnico 102, com 600 páginas, que deixava claro
que os esforços dos militares norte-americanos deviam agora ser
concentrados naqueles 20% de casos sem explicação. O Informe
recomendava que se encontrasse a todo custo uma resposta para tais episódios,
porque “...objetos voadores não identificados simplesmente
não existem”, segundo o documento. Embora instituições
como o prestigiado Serviço Meteorológico Nacional confirmassem
que tais ocorrências não tinham caráter atmosférico,
as últimas declarações dos técnicos da USAF
asseguravam a doutrina já estabelecida da negação
a todo custo: “A Força Aérea anuncia que, depois
de dois anos de investigações, pode afirmar que não
existem discos voadores”. Fim da questão.
Mas os UFOs ignoraram a decisão da Aeronáutica norte-americana
de não existirem e novos avistamentos foram se sucedendo, sem
parar. Vários pilotos e técnicos tiveram a oportunidade
de ver estranhos objetos voando em muitos estados, e boa parte das testemunhas
eram pessoas qualificadas e treinadas para observações
aéreas. Com o agravamento da situação, a política
de desinformação foi tomando corpo nos EUA. E como UFOs
apareciam também noutras partes do mundo, os diplomatas e militares
norte-americanos trataram de acompanhar os casos no exterior, ora sugerindo,
ora impondo que as autoridades das nações onde tais fatos
aconteciam agissem de acordo com sua doutrina. Foi assim que países
orientados politicamente com os Estados Unidos começaram a fazer
parte do quadro internacional de acobertamento ao tema. Isso inclui
o Brasil e demais países da América do Sul.
No fervor das circunstâncias, com discos voadores sendo vistos
em todo o planeta, e temendo um agravamento ainda maior da questão,
o major-general Charles P. Cabell, diretor do Serviço de Informação
da Aviação Militar dos EUA, deu ordens para que se fizesse
um novo estudo do Fenômeno UFO, um trabalho que caiu nas costas
do capitão Edward Ruppelt. Foi criado, assim, o Projeto Blue
Book, que teria a oportunidade de analisar interessantes observações
e muitos casos que podem ser considerados clássicos da Ufologia.
Claro, sempre mantendo uma postura cética e visando associar
os fenômenos a causas naturais e humanas. Em muitos casos, as
explicações oficiais oferecidas chegavam a ser uma atrocidade
ao bom senso.
Desinformação
As investigações
continuaram durante anos e, mais uma vez, de centenas de casos analisados,
apenas 20% restavam não identificados – e novamente eram
desqualificados. O Blue Book continuou suas investigações
com a assessoria científica do doutor Hynek, que já mostrava
certa rebeldia e afirmava, em pequenos círculos, que o Fenômeno
UFO não estava realmente recebendo tratamento adequado. Hynek
comentava com freqüência que a questão era motivo
de brincadeiras entre os cientistas ligados ao Blue Book, e que eles
simplesmente não davam atenção aos dados obtidos.
Essa falta de seriedade era reflexo da postura da USAF, empregadora
de tais cientistas, que iria de qualquer modo desmoralizar os casos
considerados, mesmo se dados como legítimos. Assim, os membros
do projeto passaram a dar explicações sem quaisquer critérios
e até insustentáveis para eles.
O deboche era tão grande e a engrenagem da política de
acobertamento tão evidente, já com tentáculos no
exterior, que a mídia ironizava o trabalho do Blue Book “Para
cada 200 avistamentos de UFOs, a USAF tinha 201 explicações”,
diziam os jornalistas. E ainda, para manter seu fingimento de que levava
o assunto a sério, a Aeronáutica norte-americana resolveu
contratar uma comissão independente e civil para analisar os
resultados obtidos até então pelo Blue Book. Assim, foi
feito um acordo com a Universidade do Colorado, cabendo ao professor
Edward U. Condon, por 18 meses, realizar um estudo acurado do material
obtido no projeto.
Lamentavelmente, a esperança de uma investigação
imparcial por parte da comunidade científica iria converter-se
em nova desilusão, já que os integrantes do que passou
a ser chamado Relatório Condon seguiriam o mesmo contexto político
do Blue Book e projetos anteriores. A verdadeira medida do espírito
que animou esta comissão da Universidade do Colorado foi bem
definida na afirmação de Robert Low, de 09 de agosto de
1966: “Sua fraude foi descrever o projeto de forma que parecesse
para o público um estudo totalmente objetivo, enquanto que, para
a comunidade científica, é apenas a imagem de um grupo
de descrentes fazendo o possível para serem objetivos”.
Pelo menos tal comissão nunca escondeu, desde o início,
sua completa descrença no Fenômeno UFO...
Os resultados do Relatório Condon eram tudo o que a USAF precisava
para pôr um fim definitivo nas investigações oficiais
do assunto. “O secretário da Força Aérea
Norte-Americana, Robert Seamans, anuncia o fechamento do Blue Book,
porque não foram encontradas provas que justificassem sua prolongação,
nem em interesse da ciência, nem em razão da segurança
nacional”, destacava a revista Vanguard, de 21 de dezembro
de 1969. Estava sepultado o assunto, pelo menos temporariamente. Ponto
para a política de acobertamento, já plenamente efetiva
nos EUA e em boa parte do mundo. Junto ao Blue Book estavam também
enterradas as chances de surgir outro projeto oficial de pesquisa do
Fenômeno UFO. Agora, o assunto seria tratado sempre – e
somente – sigilosamente.
Política
“Made in USA”
Como se
vê, a política oficial norte-americana sempre foi de negação
total do Fenômeno UFO, um procedimento que acabou importado e
adotado por muitos países, principalmente seus aliados após
a Segunda Grande Guerra. Como vitoriosos do conflito, os Estados Unidos
passaram a ser referência máxima em tecnologia militar,
em escala mundial, inclusive para o Brasil. E aqui também tivemos
projetos oficiais de pesquisas ufológicas, a maioria inspirados
ou baseados nos norte-americanos. Já em 1952, o coronel-aviador
João Adil de Oliveira fora aos EUA receber instruções
militares sobre o assunto de seus colegas. De volta ao Brasil, passou
a fazer conferências para nossos oficiais sobre a questão.
Na época, ele era chefe do Serviço de Informações
do Estado-Maior da Aeronáutica e, num momento único e
sem precedentes, em 1954, reuniu vários militares e a imprensa
no auditório da Escola Técnica do Exército, no
Rio de Janeiro, e discursou sobre o Fenômeno UFO de forma aberta
e em caráter oficial. Simplesmente, por alguma razão,
Oliveira não trouxe consigo, dos EUA, o ranço de acobertamento
que imperava naquele país.
De qualquer forma, pode-se dizer que a “Ufologia oficial”
brasileira teve início por sua iniciativa, no começo da
década de 50. No entanto, somente em março de 1969 seria
criado o primeiro projeto de pesquisas ufológicas de que se tem
notícia. Era o Sistema de Investigação de Objetos
Aéreos Não Identificados (SIOANI), fundado e sediado no
4º Comando Aéreo Regional (COMAR), na Praça Professor
Oswaldo de Vincenzo, no bairro do Cambuci, em São Paulo (SP).
Quem comandava o instituto era o major-brigadeiro José Vaz da
Silva, que na época era comandante daquele destacamento. O SIOANI
era formado por militares e civis espalhados por diversas bases aéreas
e aeroportos brasileiros, e começou a investigar muitos casos
ufológicos ocorridos naquela época. O projeto foi uma
iniciativa única, pois, apesar de estarmos em plena ditadura
militar, havia colaboração mútua entre pesquisadores
militares e civis – e estes podiam participar das reuniões,
numa situação similar ao que ocorre hoje no Chile [Veja
matéria em UFO 92].
O SIOANI chegou a emitir boletins informativos restritos, dois quais
os ufólogos têm conhecimento de apenas dois, tornados públicos
pelo editor A. J. Gevaerd, em várias edições da
Revista UFO. O primeiro é datado de março de 1969 e explicitava
o estatuto e as diretrizes do organismo. Já o segundo, de agosto
de 1969, registrava a descrição de 58 casos ufológicos
ocorridos no nosso país [Conheça esses documentos
através do site de UFO, www.ufo.com.br].
Nesses documentos estão casos ufológicos de grande envergadura,
registrados pelo militares. Alguns, inclusive, de naves pousadas e com
a presença de tripulantes.
Em 1972, as atividades do SIOANI foram encerradas abruptamente. Não
se sabe a razão do fechamento do órgão, mas é
possível que fora devido à mudança do governo,
naquele ano. Como sempre ocorre, cada novo governo que assume acaba
promovendo mudanças estruturais drásticas em diversas
áreas, e estima-se que tais mudanças podem ser a razão
da desativação do sistema. Outra hipótese levantada
sobre o que teria gerado a extinção do SIOANI justifica
tal ato pelo desinteresse do COMAR em continuar os trabalhos. Mas a
verdadeira razão pode bem ser outra: as autoridades brasileiras
teriam recebido forte pressão das norte-americanas, desgostosas
da relativa abertura que o sistema tinha, para encerrá-lo ou
passá-lo a totalmente secreto. Na avaliação de
muitos ufólogos, eis o verdadeiro desfecho do órgão.
Comando
da Aeronáutica
Tal conclusão
tem amparo na descoberta que fizeram o engenheiro e ufólogo Claudeir
Covo, co-editor de UFO e presidente do Instituto Nacional de Investigação
de Fenômenos Aeroespaciais (INFA), e o pesquisador Osmar de Freitas,
presidente do Grupo de Estudos de Objetos Não Identificados (GEONI).
Ambos estiveram no COMAR, após o fechamento do SIOANI, e obtiveram
a informação de que ele fora realmente desativado e seu
material, produzido em três anos de atividade, enviado para o
Alto Comando da Aeronáutica, em Brasília (DF). O próximo
projeto oficial brasileiro de pesquisas ufológicas que se tem
notícia é a Operação Prato, promovida pelo
I Comando Aéreo Regional nos arredores de Belém (PA),
entre setembro e dezembro de 1977.
Seu surgimento foi motivado por uma onda ufológica sem precedentes
na Região Amazônica, atingindo principalmente as pequenas
comunidades litorâneas e rurais. Tratava-se do fenômeno
que ficou vulgarmente conhecido como Chupa-Chupa: pequenos objetos aéreos
que perseguiam os moradores ribeirinhos e os atingiam com potentes feixes
de luz. Para os habitantes das áreas atacadas, esses artefatos
sugavam o sangue quando atingiam as pessoas com seus feixes luminosos
[Veja matéria em UFO 75]. A situação foi
de tal gravidade que começou a afetar a economia local, pois
os pescadores não tinham mais condições de exercer
sua atividade por causa dos ataques do Chupa-Chupa. Assim, com a população
alarmada, o prefeito da pequena localidade de Colares, uma ilha do município
de Vigia, litoral do Pará, acabou sendo obrigado a enviar um
ofício para o COMAR, onde informava que a situação
estava fora de controle e toda a população se encontrava
em estado de histeria.
De fato, os moradores não dormiam mais à noite por causa
do fenômeno. As pessoas se reuniam em volta de fogueiras para
soltar fogos de artifícios para tentar afugentar os artefatos.
Com isso, o coronel Camilo Ferraz de Barro, daquele COMAR, designou
o então capitão Uyrangê Bolívar Soares Nogueira
de Hollanda Lima para o comando de uma operação oficial,
a fim de investigar os acontecimentos. Nomeada Operação
Prato pelo capitão Uyrangê, o programa envolveu o deslocamento
de uma força-tarefa aos locais de incidência do Chupa-Chupa
para documentar a situação. Formalmente, a operação
tinha três objetivos, expressos em seus documentos: coletar informação
dos avistamentos e ataques diretamente com os moradores das áreas
atingidas, documentar com sofisticados equipamentos o fenômeno
aéreo sendo observado e, em terceiro lugar, engajar-se numa tentativa
de contatar as eventuais inteligências por trás das manifestações.
Depósito
de casos ufológicos
Ou seja:
a Operação
Prato era um esforço oficial da Aeronáutica brasileira,
explicitamente organizado para um fim no mínimo inédito
no país: tentar manter contato com o que quer que fossem os tais
Chupa-Chupa. Vale ressaltar que todo o programa foi realizado em caráter
secreto e só se tornou público por declarações
do próprio capitão Uyrangê
Hollanda que, após aposentar-se, deu uma entrevista histórica
para a Revista UFO, na qual simplesmente contou tudo o que o Governo
esconde. Hollanda mostrou um quadro que parece ser uma constante no
Brasil, tal qual nos Estados Unidos: o Fenômeno UFO é ignorado
publicamente, mas secretamente é alvo de pesquisa e documentação
oficial [Veja matéria em UFO 54].
Ainda de acordo com as revelações de Hollanda, a Operação
Prato produziu inúmeros relatórios descrevendo vários
incidentes com o fenômeno. Também obteve centenas de fotos
de UFOs e vários registros em filme, num total de mais de 16
horas. Mas todo o material, após o encerramento da operação,
em apenas quatro meses de trabalho, foi sumariamente enviado pelo COMAR
para o então Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial
Brasileiro (Nucomdabra), precursor do atual Comando de Defesa Aeroespacial
Brasileiro (Comdabra), um órgão com sede em Brasília
e subordinado diretamente ao Comando Geral do Ar. Nesse órgão,
aparentemente, o material obtido por Hollanda e seus homens permanece
trancado a sete chaves até hoje. Essa postura de sigilo é
um dos alicerces da campanha UFOs: Liberdade de Informação
Já.
Acalmar
a população
O resultado
e os desmembramentos da operação não são
conhecidos, pois Uyrangê era apenas um capitão e não
participava das decisões do comando da Aeronáutica, em
Brasília. De qualquer forma, sua atuação foi fundamental
para acalmar os ânimos da população diante do Fenômeno
UFO. Depois da Operação Prato, não temos mais notícia
de projetos oficiais específicos para investigar discos voadores
no Brasil, mas sabemos que todos os casos ufológicos de grande
importância, registrados em nosso país, continuam sendo
enviados para o Comdabra, que é o centro nervoso das operações
de defesa da soberania aérea do Brasil.
O ufólogo Claudeir Covo ainda alerta para o fato de que o órgão
pode ser apenas uma espécie de “depósito oficial”
de casos ufológicos. “Tudo indica que nenhum dos casos
é alvo de investigação pelo órgão.
E esse quadro se deve basicamente a situação econômica
do Brasil. Com toda a máquina militar sucateada por falta de
verbas públicas, os militares não têm condições
de destinar parte de seu orçamento para a investigação
de objetos voadores não identificados”, declara o
ufólogo.
Reinaldo
Stabolito é diretor do Instituto Nacional de Investigação
de Fenômenos Aeroespaciais (INFA), owner da discussão ufológica
na internet Ufonewsbr [www.ufonewsbr.com.br]
e consultor da Revista UFO. Endereço: Av. Washington Luiz 490,
09618-040 São Bernardo do Campo (SP). E-mail: rstabolito@ufo.com.br.
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