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ARTIGO

Por Paulo E. Pilon

Fenômeno em Peruíbe: o que o Fantástico não mostrou

Não é novidade que casos ufológicos sejam em geral tratados com descaso e deboche pela mídia. O problema com esta política é que a população continua mal informada e despreparada para encarar ocorrências.

Categoria: AGROGLIFOS (CÍRCULOS INGLESES) | DISCUSSÕES | EFEITOS FÍSICOS | EVENTOS
crédito: PAULO PILON
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A estranha pegada encontrada na área da marca, não se sabe de que tipo de animal
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No começo de outubro de 2017, o surgimento de uma marca ligeiramente triangular em um terreno alagadiço e coberto de taboas da cidade litorânea de Peruíbe, no estado de São Paulo, ganhou bastante destaque nas redes sociais e chegou à TV. No domingo, dia 29 de outubro, o programa Fantástico, da Rede Globo, apresentou o caso em seu quadro Detetive Virtual, mostrando uma análise da questão que foi imediatamente considerada rasa, equivocada e parcial.

Os céticos e detratores do Fenômeno UFO parecem aceitar, sem problemas, quaisquer explicações que se enquadrem no que se ensina nas escolas e universidades, ainda que elas sejam absurdas e implicitamente chamem as testemunhas de mentirosas, ingênuas ou mesmo pior. A explicação oficial é imposta para que não se mude o curso natural das coisas, pois é importante que se mantenha a aparência de que os governos têm tudo sob controle. Assim, por exemplo, luzes noturnas invariavelmente se tornam o planeta Vênus, pouco importando sua cor, tamanho ou que esteja se movimentando rapidamente.

Essa reflexão se faz necessária para que possamos tentar reverter ou, melhor ainda, desconstruir as conclusões apresentadas pelo citado quadro Detetive Virtual. Dada à grande audiência do programa Fantástico, é necessário que apresentemos argumentos vigorosos para rebatermos o que foi mostrado naquela tendenciosa edição. Mesmo que as conclusões exibidas no tal quadro tenham vindo de uma especialista, veremos que a verdade do que ocorreu em Peruíbe é outra.

Detetive Virtual

O episódio do Detetive Virtual levado ao ar dia 29 de outubro contou com a participação da climatologista doutora Ana Maria Heuminski de Ávila, pesquisadora no Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas em Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde também é diretora. A matéria procurou explicar o amassamento das taboas ocorrido naquele terreno baldio, situado no bairro São João Batista, em Peruíbe, na noite de 06 para 07 de outubro de 2017, como um fenômeno meteorologicamente extremo, porém natural. Na brutalidade do poder da mídia, parece que não há problema algum em descartarem-se entrevistas e desqualificarem-se completamente as testemunhas, algumas com curso técnico e boa formação.

Dentre o repertório de eventos exóticos da meteorologia, a doutora Ana Maria elegeu o microburst como responsável pelo amassamento das taboas — evento que gera rajadas de ventos de altíssima velocidade e muito destrutivas, como veremos mais adiante. Mesmo nós, ufólogos, que somos conhecidos por aceitar explicações estranhas com relativa facilidade, tivemos dificuldade de acolher o laudo da pesquisadora, proferido com sorrisos de piedade por ela, e recebido com certo deboche pelo apresentador do Fantástico, Tadeu Schmidt.

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