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ARTIGO

Por Steven J. Dick

O papel da antropologia na busca por vida extraterrestre

Antropólogos têm uma qualificação única para contribuir com as iniciativas de procura por vida extraterrestre inteligente — e se bons resultados forem alcançados, a antropologia pode se beneficiar com a expansão de fronteiras e o estabelecimento de um novo olhar sobre o desenvolvimento terrestre.

Categoria: ANTROPOLOGIA | INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL | NASA | PARADOXO DE FERMI

Há décadas o ser humano busca descobrir se está sozinho no universo, em meio a incontáveis astros espalhados por infinitas galáxias, deste e talvez muitos outros universos. Apesar de sua intuição de que evidentemente deve haver uma miríade de outras formas de vida lá fora, e a Ufologia é uma iniciativa que defende isso, não há registros científicos disponíveis que ofereçam esta certeza à humanidade — que, quando confirmada, poderá mudar por completo a ideia que temos sobre a nossa existência. Os esforços mais consistentes e reconhecidos pela ciência neste sentido vêm do Projeto SETI, o programa de busca por vida extraterrestre inteligente, que desde a década de 60 tem o objetivo de analisar sinais de rádio provenientes de fora do planeta, captados por radiotelescópios.

Com o propósito de estabelecer a certeza científica de que há outras formas de vida inteligente fora da Terra e a intenção de estabelecer comunicação com elas, três eventos marcaram o início do projeto, desde seus momentos embrionários. O primeiro foi a publicação de um artigo histórico, por Giuseppe Cocconi e Philip Morrison, abrindo as portas da comunidade científica para a possibilidade de encontrarmos vida extraterrestre inteligente. Intitulado A Procura da Comunicação Interestelar e publicado na conceituada revista Nature, em 1959, Cocconi e Morrison ineditamente sugeriram que a pesquisa devesse ser conduzida por equipamentos capazes de receber ondas de rádio no comprimento de 21 centímetros. Estava dada a largada.

Progressos paralelos

Depois, no ano seguinte, outro marco importante do SETI foi o Projeto Ozma, idealizado por Frank Drake e iniciado em 1960, que conduziu a primeira busca de sinais de vida extraterrestre nesses parâmetros, usando para isso os instrumentos do Observatório Nacional da Radioastronomia em Green Bank, em West Virginia, Estados Unidos. Por fim, em 1961, tivemos também uma pequena, e agora legendária, conferência aberta sobre o tema, na qual foi discutida amplamente a possibilidade de uma pesquisa mais profunda sobre isso — e nela foi proposta a Equação de Drake como uma maneira de estimar a quantidade de civilizações que poderiam ser contatadas em nossa Via Láctea. Esses foram, enfim, os alicerces sobre os quais o SETI se fundamentou [Veja edição UFO 179, agora disponível na íntegra em www.ufo.com.br].

Como se vê, o que sabemos ser hoje o moderno Projeto SETI nasceu durante aqueles longínquos anos de 1959 a 1961, que estabeleceram a agenda que se tornaria a rotina de operações do programa pelas cinco décadas seguintes, algumas vezes com achados interessantes, noutras quase frustrantes. Mas, enquanto o programa de busca por vida extraterrestre inteligente engatinhava, ainda nos anos 60, a antropologia já era uma disciplina experiente com mais de 100 anos de existência — como indica a raiz grega da palavra, trata-se do estudo dos seres humanos.

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