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09.05.12 | Atualizado 09.05.12 - 19h11 | Por Bruno Aragaki/UOL

Procura desenfreada por vida extraterrestre inteligente envolve brasileiros

Busca por alienígenas cativa telescópios, astrônomos e até computadores no Brasil

Categoria: MENSAGENS ESPACIAIS | PESQUISA | PROJETO SETI | TECNOLOGIA ALIENÍGENA

Esqueça as excursões intergaláticas e as salas de comando à la Star Trek. O dia a dia de quem trabalha buscando inteligência fora da Terra está mais para rotina de pesquisador acadêmico do que para saga de ficção científica. A maior parte dessas iniciativas reúne astrônomos em universidades norte-americanas e conta com a ajuda de voluntários do mundo todo, inclusive do Brasil.

No norte da Califórnia (EUA), 42 antenas miram para o espaço capturando ondas de rádio de fora da Terra. Além de observar fenômenos astronômicos como as explosões de raios gama, essas antenas são ferramenta chave na Search for Extraterrestrial Intelligence [Busca por Inteligência Extraterrestre, SETI]. "Em vez de esperar que aeronaves alienígenas aterrissem, usamos telescópios para procurar sinais enviados por outras civilizações", explica ao UOL o professor Douglas Vakoch, organizador do livro Psychology of Space Exploration: Contemporary Research in Historical Perspective [Psicologia da Exploração Espacial: Pesquisas Contemporâneas em uma Perspectiva Histórica, em tradução livre] publicado pela Agência Espacial Norte-Americana (NASA) em agosto de 2011.

A esperança é que, no caso de existirem civilizações extraterrestres, seja possível captar ondas de rádio produzidas pelas mais diversas razões. "Se detectarmos sinais de uma outra civilização, provavelmente é porque eles estão tentando se comunicar conosco. É mais fácil encontrar sinais transmitidos intencionalmente do que, por exemplo, sinais locais de rádio ou de televisão", diz Vakoch.

Metodologia semelhante tem sido desenvolvida, em menor escala, também por pesquisadores europeus. Um telescópio formado por antenas espalhadas por Holanda, Alemanha, Suécia, França e Inglaterra, o projeto LOFAR, vasculha estrelas e planetas próximos em busca de ondas de rádio de baixa frequência e identificará emissões que só poderiam ser produzidas por meios artificiais – ou seja, se algum sinal for encontrado, seria plausível imaginar que não estamos sozinhos no universo. 

crédito: ATA
Tapete de entrada do observatório onde se encontra o Allen Telescope Array (ATA)
Tapete de entrada do observatório onde se encontra o Allen Telescope Array (ATA)

 Computadores brasileiros

Além de apontar antenas para a vastidão do universo, os cientistas precisam organizar o "ruído" captado. Programas de computador leem cada trecho dos sinais recebidos e procuram padrões que possam indicar emissões de rádio. Como a capacidade de processamento necessária para ler todos esses dados é gigantesca, em 1999 a Universidade de Berkeley lançou o projeto SETI@home [SETI em casa]: os dados captados por telescópios instalados em Porto Rico são divididos em pacotes e enviados via internet para computadores de voluntários.

Estima-se que mais de 1 milhão de usuários participem do SETI@home – dos quais 12 mil estão no Brasil. "Enquanto processa os dados no computador, o software exibe as faixas de frequência analisadas e as coordenadas do espaço de onde o sinal foi captado", diz o gestor de TI Presciliano Neto, um dos primeiros brasileiros a participar da iniciativa.

E se algum indício de comunicação extraterrestre for identificada? O professor de astronomia da Universidade de Berkeley, Geoffrey Marcy explica o procedimento: "Precisaríamos verificar a descoberta e pedir a outros cientistas que checassem. Em caso positivo, teríamos de avisar à Casa Branca. E seria bom que eles avisassem ao mundo inteiro. Todo o mundo precisaria saber dessa descoberta", diz.

"Se descobrirmos vida extraterrestre, deveremos avisar à Casa Branca"

Na imprensa norte-americana, o nome do professor Geoffrey Marcy, 57, geralmente não vem  acompanhado do título "astrônomo", mas de planet hunter [Caçador de planetas], apelido que ganhou ao identificar a maioria dos 250 astros que giram ao redor de estrelas conhecidos atualmente. No ano passado, Marcy anunciou que passaria a dedicar-se aos estudos do SETI da Universidade de Berkeley, na Califórnia. Se sinais de vida extraterrestre forem encontrados, disse ao UOL por e-mail, "teremos de avisar à Casa Branca". 

crédito: UOL/Bruno Aragaki
O astrônomo e caçador de planetas Geoffrey Marcy
O astrônomo e caçador de planetas Geoffrey Marcy

 Leia os principais trechos da entrevista:

É possível dizer quão perto estamos de ter resultados concretos nas buscas por vida inteligente fora da Terra? Nós, os astrônomos, não temos ideia de quando receberemos o primeiro contato de civilização inteligente. Se tivermos sorte, pode ser no próximo mês ou ano. Também pode demorar um século, ou talvez nunca recebamos qualquer sinal de vida inteligente, o que poderá nos levar a crer que, de fato, estamos sozinhos... ou simplesmente que eles não querem falar conosco!

Então a humanidade não fez nenhum progresso nessa busca? Fizemos, sim. Ao estudar a vida na Terra, aprendemos que a vida pode tolerar situações ambientais extremas, como temperaturas altíssimas ou alta acidez. Isso quer dizer que a vida, em qualquer lugar, pode existir em condições severas. E mais importante, aprendemos que a vida se beneficia de água em estado líquido. Para encontrar vida em qualquer lugar, devemos começar procurando água.

Você conhece iniciativas de busca de vida alienígena conduzidas por outros países, além dos Estados Unidos? Sabe de algo no Brasil? Eu não conheço nenhum programa de SETI em outros países. Não sei por quê!

Como você explicaria a uma criança como é o rabalho de busca de vida inteligente fora da Terra? É como uma caça ao tesouro, em que o tesouro é algum tipo de sinal de alienígenas, alguma comunicação ou evidência de que eles existam. Mas nós não sabemos que tipo de sinal eles podem mandar. Poderiam ser ondas de rádio, raios infravermelhos, um monumento na Lua ou uma máquina deixada em um buraco na Terra se um dia eles estiveram por aqui. Procurar vida inteligente é difícil também porque eles podem ter uma tecnologia completamente diferente e mais avançada do que a nossa.

Se vocês encontrarem sinais de inteligência extraterrestre, quais seriam os próximos passos? Precisaremos, primeiro, verificar a descoberta com outros cientistas. Eles usarão suas próprias ferramentas científicas, como telescópios ou detector de luzes, para tentar confirmar ou rejeitar nossa descoberta. Se eles confirmarem, então deveremos avisar à Casa Branca, para saber como proceder. O melhor seria que o mundo inteiro fosse alertado da descoberta. Todo mundo deveria saber.

Sinais encontrados signifcariam que os possíveis extraterrestres querem falar conosco? Os sinais podem ter sido gerados sem essa intenção. Por exemplo, eles poderiam estar enviando ondas de rádio para amigos, e nós interceptarmos essa conversa. Ou pode ser que eles usem tanta energia em máquinas que nós consigamos identificar o calor gerado. Então pode ser que nós os encontremos sem que eles tenham a intenção de ser detectados.

O que você aconselharia para alguém que quer ser um pesquisador de vida inteligente em outros planetas? Aconselharia estudar química, biologia, informática e física. E aconselharia a tentar criar experimentos que ninguém pensou antes para detectar sinais. Precisamos ser criativos para pensar em maneiras de detectar uma civilização que pode ser completamente diferente da nossa.

Existe preconceito entre a comunidade científica com relação aos pesquisadores de vida extraterrestre? Sim, um pouco. Mas agora, todo mundo percebeu que planetas habitáveis são provavelmente comuns de existirem. Então a busca por vida inteligente extraterrestre é o próximo passo lógico da ciência. 
Leia também:


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